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Miguel Moreira

O doutor do surf

Miguel Moreira, 38 anos, é professor na Faculdade de Motricidade Humana (FMH) da Universidade Técnica de Lisboa e o primeiro investigador desportivo a doutorar-se na modalidade.

Agência Lusa (António Martins Neves)
16:15 Sábado, 2 de agosto de 2008
Miguel Moreira: "Ainda é mais forte o negócio do que o desporto"
Miguel Moreira: "Ainda é mais forte o negócio do que o desporto"
Mário Cruz/Lusa

Um prancha, vontade e algum jeito são a fórmula base para ser surfista. Miguel Moreira achou que não bastava e acabou por se tornar no primeiro cientista desportivo a doutorar-se em surf em todo o mundo.

"O surf é uma modalidade aliciante para praticar e para estudar", diz o professor da Faculdade de Motricidade Humana (FMH) da Universidade Técnica de Lisboa, enquanto a ventania da Praia do Guincho lhe agita o cabelo.

Quase todas as outras modalidades desportivas podem ser transportadas para laboratório, mas o surf não, só se pratica no mar. "Só quando houver piscinas de ondas" será possível praticar aquele desporto longe do mar, afirma, com um manto de espuma em fundo e uma agitação das águas que desencoraja banhistas e surfistas.

Antes desse avanço, Miguel Moreira, 38 anos, concentra-se numa "luta" que não sabe quando terminará, mas que diz levar "com calma. "Ainda é mais forte o negócio do que o desporto", sustenta.

Uma das frentes dessa batalha é a que vem mantendo desde que decidiu adaptar ao surf, que praticava por lazer, alguns dos princípios da ginástica no trampolim, a modalidade que levava a "sério".

Quando os surfistas tinham quase como única característica a predestinação, o investigador desportivo quis demonstrar que a técnica e a sistematização que usava na ginástica ajudariam a concretizar aquelas habilidades à frente das ondas, de pé e em cima de uma singela prancha. Só que no surf "é mais complicado": o mar não pára e cada onda é diferente da anterior e da que a antecedeu, o tapete ou o trampolim estão sempre no mesmo local e estáticos.

Mas se na ginástica ninguém dá mortais com pirueta antes de mortais simples, o surf também deveria ter uma evolução, que começa obrigatoriamente quando o praticante se coloca de pé em cima da prancha e levanta as mãos.

O primeiro objectivo de Miguel Moreira começou até por ser a sistematização das diferentes manobras para facilitar a vida aos juízes, de modo a harmonizar critérios difusos e diferentes entre si. Só que depois concluiu que o desempenho dos surfistas era o objectivo da avaliação e esse também não tinha uma linha condutora - que manobras fazer e quando as fazer.

O culminar dessa fase seria a tese de doutoramento apresentada em Outubro passado, início de um autêntico ano de ouro para o surf nacional, na perspectiva teórica. No final do ano lectivo saíram da FMH os primeiros quatro licenciados na modalidade, quase ao mesmo tempo que Miguel Moreira via aprovado o seu projecto de leccionar uma pós-graduação na disciplina.

Na prática, afirma que os resultados visíveis já surgiram entre as camadas jovens: todos os campeões e vice-campeões das categorias abaixo dos 16 anos são treinados por técnicos que trabalharam consigo durante a fase de investigação para a tese de doutoramento.

Começaram com uma prancha com rodas a treinar o equilíbrio em terra, primeiro em piso plano e depois nos "half-pipes", onde os praticantes de skate fazem acrobacias. Deste modo "evolui-se mais rápido" quando se chega à água, porque já estão cumpridas as etapas iniciais de se colocarem de pé em cima da prancha e o equilíbrio já vai numa fase mais adiantada.

Em Janeiro, quando começar a pós-graduação, vai ser lançado um manual de surf para as escolas da modalidade, mas também para os competidores, feito com base nos oitos anos de investigação que originaram a tese.

Tudo somado, diz Miguel Moreira, obtém-se um "trabalho inovador a nível mundial", já que em nenhum outro país o surf foi abordado nesta perspectiva técnica por um investigador desportivo. Mas a tarefa nunca está concluída, são necessários "mais estudos", para se "obterem mais resultados", garante o "doutor do surf".

Palavras-chave  Ciência
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Engraçado e útil!
oquemevierarealgana (seguir utilizador), 1 ponto , 17:18 | Sábado, 2 de agosto de 2008
Não deixa de ser curioso este tipo de pesquisa dignidade de doutoramento,mas tá bem. Tudo pode e deve ser aprofundado a nível de conhecimento.

Visite o blog: oquemevierarealgana.blogspot.com
 
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Há doutoramentos para tudo
Acanto (seguir utilizador), 1 ponto , 19:59 | Sábado, 2 de agosto de 2008
Lembro-me de um cuja tese de Mestrado era sobre o habitat das borboletas alentejanas.
Há doutoramentos para tudo , eu acho muito bem, só acho mal que sejam financiados (e de que maneira) pelo dinheiro dos contribuintes.
Financiados deveriam ser apenas doutoramentos em áreas técnicas e científicas (com C grande e sério) agora doutoramentos em futebol quem os quiser fazer deveria pagá-los (mas não paga e o regabofe continua).
 
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    Re: Há doutoramentos para tudo    Ver comentário
lulimonte (seguir utilizador), 1 ponto , 9:09 | Domingo, 3 de agosto de 2008
doutoramento para inglês ver...
Cruzadas (seguir utilizador), 1 ponto , 22:08 | Sábado, 2 de agosto de 2008
Precisamos é de gente doutorada em coisas úteis e inovadoras empresarialmente. Doutoramentos de encher chouriços só geram custos, parasitas e manientos...
 
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    Re: doutoramento para inglês ver...    Ver comentário
lulimonte (seguir utilizador), 1 ponto , 9:13 | Domingo, 3 de agosto de 2008
    Re: doutoramento para inglês ver...    Ver comentário
Acanto (seguir utilizador), 1 ponto , 14:02 | Domingo, 3 de agosto de 2008
Esclarecimento
coachmm (seguir utilizador), 1 ponto , 14:44 | Domingo, 3 de agosto de 2008
Nao sendo habito fazer comentarios, julgo que neste caso deve ser feito um esclarecimento tendo em conta os comentarios que surgem com a noticia.
Fiquem descansados os contribuintes que nao gastaram muito dinheiro com este doutoramento, ja que toda a investigacao foi efectuda atraves de financiamento proprio, sendo apenas suportadas pelo estado as despesas referentes aos professores no acto da defesa publica e atraves da bolsa concedida pela FCT, apos a aprovacao da tese e para apoiar a publicacao da mesma.
Por outro lado, este trabalho permitiu um contacto directo com varios investigadores internacionais, abrindo portas para financiamentos europeus, possibilitando futuros estudos a uma escala mundial e libertando o estado de custos.
Gostaria ainda de reforcar a ideia da importancia fulcral da investigacao em ciencias do desporto, para o desenvolvimento do desporto nacional, sendo tambem uma das razoes pelas quais os resultados de excelencia de alguns dos atletas, que estarao no Jogos Olimpicos de Beijing bem preparados, com o auxilio de informacao resultante de dados cientificos. Ja agora, esses mesmos dados nem sempre sao quantitativos, como o calculo do VO2 max ou do lactato no sangue, mas sim qualitativos, associados a analise das tecnicas e do desempenho dos atletas, como foi enfatizado no estudo destacado nesta noticia.
P.S. Peco desculpa pela falta de acentuacao e de caracteres da lingua portuguesesa, porque foi utilizado um PC Ingles
 
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Há de tudo
Aryan (seguir utilizador), 1 ponto , 2:12 | Domingo, 17 de agosto de 2008
Doutoramentos em Surf? Até que ponto a mesquinha soberba da doutorisse nos pode encher de ridículo? Serão estes "doutoramentos" aqueles que vão relançar este desgraçado País na via do desenvolvimento? Francamente, depois de tantos escandalos com o ensino superior privado e a sua deficiente e já histórica má qualidade, continuamos a brincar e a tomar atitudes surrealistas! Realmente este País deve ser o único que não aprende com os erros que sistematicamente produz!
 
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Pobres de espírito
BCarvalho (seguir utilizador), 1 ponto , 17:40 | Quarta feira, 20 de agosto de 2008
A mesquinhez de alguns comentários aqui produzidos revela a pobreza de espírito de muitas almas. O conhecimento humano não começa e não se esgota nas áreas do conhecimento económico ou tecnológico. Que pobre seria a Humanidade se assim fosse. Há espaço para todos e os diferentes saberes não têm necessariamente que ser antagónicos, sendo mesmo a maioria das vezes complementares. Cultura, História, Desporto, Economia, andam não raras vezes de "braço dado", sendo disso exemplo o Turismo, um dos sectores mais importantes da nossa Economia (para abrir os olhos aqueles para quem só o dinheiro conta).
 
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E podemos ler esta tese?
jtorcato (seguir utilizador), 1 ponto , 10:48 | Domingo, 24 de agosto de 2008
Obviamente, será uma tese com todo o interesse mas sendo inovadora não podemos esperar que a maioria da população entenda a sua importância. Temos uma população formada pela 'escola da vida' e pelos noticiários que vivem do crime, das 'crises' e outros assuntos tão importantes para manter a massa trabalhadora inerte... a minha questão é: esta tese de doutoramente está disponível nalgum endereço electrónico para leitura?
 
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