24 de abril de 2014 às 17:08
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O Dia do Feriado Nacional

Duas deputadas querem que os feriados passem a ser apenas folgas. O deputado dos gravadores concorda: o que interessa é o que se comemora, não a data. Tenho melhor ideia: juntam-se os feriados todos num só.

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
9:00 | Sexta feira, 18 de junho de 2010

As duas deputadas católicas (parece que se trata de um estatuto que lhes está reservado) do PS estão preocupadas com a produtividade que se perde nas pontes e nos feriados.

Querem acabar com quatro feriados, o que não me parece mal. Já serem dois civis (há cinco: Restauração, República, 25 de Abril, 1º de Maio e Dia de Portugal) e dois religiosos (há oito, estando entre eles dias tão importantes como o da Imaculada Conceição ou da Assunção de Maria), ficando três civis, seis católicos e um para a ressaca, é que me parece estranho para um país supostamente laico.

E querem acabar com as pontes, o que também me parece excelente e simples de resolver: pura e simplesmente trabalha-se nas supostas pontes, que estão longe de ser um direito. Mas Teresa Venda e Rosário Carneiro têm melhor ideia: colar os feriados ao fim-de-semana. Como bem recordou o deputado Bernardino Soares, ninguém as ouviu preocupadas com a produtividade quando o partido pela qual foram eleitas deu uma inusitada tolerância de ponto durante uma visita de um líder religioso.

Segundo a proposta, o 25 de Abril e o 1º de Maio são quando um homem quiser. Até podiam ficar os dois juntos e ganhava-se um fim-de-semana realmente prolongado. O Natal e o primeiro dia do ano ficariam como estão. Já o dia do trabalhador (ou será o "dia do colaborador"?), data celebrada em todo o Mundo ao mesmo tempo, podia ser num dia qualquer. Ricardo Rodrigues explicou que é mais relevante "celebrar o acontecimento do que celebrar o dia em que teve lugar o acontecimento".

Para atalhar, e seguindo a lógica do deputado dos gravadores, podíamos celebras todos os acontecimentos no mesmo dia. Criava-se o Dia do Feriado Nacional. De manhã, os católicos mais praticantes iam para as procissões, as viúvas visitavam os cemitérios e António Costa discursava na Praça do Município, em Lisboa. À tarde, os trabalhadores subiam a Almirante de Reis, os militares de Abril desciam a Avenida da Liberdade e Cavaco Silva condecorava ex-combatentes. À noite, as famílias trocavam prendas e os foliões abriam garrafas de champanhe.

A ver se nos entendemos: os feriados não têm como principal função as pessoas não trabalharem, mesmo que muitas delas seja apenas isso que fazem. São, supostamente, dias em que os portugueses revêem a sua história e aquilo que faz deles uma comunidade. Retirar aos feriados o seu sentido simbólico - que é a data - é retirar à celebração tudo o que ela tem. Parece estranho às deputadas festejar o Natal no dia 21 ou no dia 27? É natural. A mim parece-me estranho celebrar o 1º de Maio no dia 3 e o 25 de Abril a 23.

Se um feriado é tão insignificante que pode ser celebrado noutra data qualquer, acabe-se com esse feriado - com um verdadeiro equilíbrio entre os civis e os religiosos. Nada de especial a opor. O que não faz sentido é transformar um feriado numa folga colectiva.

Se é para ser assim, tenho uma proposta ainda mais agradável do que a do Dia do Feriado Nacional: os portugueses recebem mais 10 dias de férias por ano e cada um faz com eles o que entender. Deixamos de ter feriados, festas colectivas, datas a celebrar, memória comum, história. Melhor ainda: adoptamos os feriados alemães. Afinal de contas, aquilo lá é que é a sério. Pelo menos é o que tenho ouvido dizer.

Comentários 42 Comentar
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A areia
Como de costume, o Governo está a mandar areia para os olhos dos portugueses. Principalmente com essa história das pontes. E o que é grave é que alguns portugueses lêem as coisas na diagonal e ficam com a primeira impressão que lhe aparece.
Não sei como se processam as coisas no sector privado; mas suponho que se o patrão concede ponte, é porque não vê que daí advenha grande prejuízo para a empresa; mas sei o que se passa na função pública: se um feriado calha a uma quinta-feira, o funcionário mete um dia de férias para gozar a 6ª feira. Sim, senhores: um dia de férias. O que quer dizer que se tem direito a 22 dias de férias, passa a ter direito a 21.. Onde está a quebra de produtividade? Aquele dia é seu, de direito, ponto final.
Onde é que está a ponte, afinal?
Vão-se catar, se faz favor!
O Dia do Feriado Nacional...
...acabem o 25 de Abril, o 5 de outubro. Dois feriados que já não merecem o apoio para o roubo que os portugueses estão sujeitos, são para meter na fossa. Ao desaparecer se o PS for junto não vai haver choros.
Concordo
De uma maneira geral concordo com o que DO diz.
Não faz sentido comemorar datas históricas ou regiliosas noutros dias. Ainda por cima, a proposta destas deputadas inclui a passagem de feriados para segunda-feira quando eles acontecem ao fim de semana, prejudicando o objectivo da proposta.
As tolerâncias de ponte deviam ser abolidas. Não percebo como é que ainda são permitidas.
Alguns feriados deviam ser também abolidos (alguns católicos e as datas históricas com mais de 100 anos).
Por outro lado, nos feriados há várias actividades que aumentam: o consumo de bens, o turismo, etc..
Que desassossego
Não sei se é da minha vista ou da falta do Saramago, mas o Daniel parece-me ser um bloco e os comentadores ,alguns, pontuam-se uns aos outros assim tipo gang do D..É o Expresso no seu melhor- extremista, este site. Diz o Daniel que os feriados tem a ver com a história, nossa claro, e portanto nada de mexidas.Como se a história fosse imutável, mesmo que isso signifique perdermos a nossa total independençia. É tempo, urge mesmo, que a esquerda onde me revejo, queira assumir o poder ou parte dele. Para tal tem que deixar de ser autista. O quanto pior melhor não pode ser verdade. As propostas do pc sobre O PEC são uma lufada de ar fresco que ninguém consegue por em causa . É claro que temos feriados a mais e também claro que 25 Abril será sempre a 25, mesmo que a lei diga outra coisa. Alegrem os rostos e a mente.Este pais tem futuro- aquele que soubermos merecer.
Tenham Juizo!
As duas Matronas que têm andado a insistir neste assunto,vê-se logo que é gente que nunca trabalhou na vida,e muito menos agora,mas a continuar assim também podem mudar o dia de Natal entre outros,e já agora,acabar com as tolerâncias de ponto,porque os privados nem vão notar diferença.
Relativamente a quem diz que temos " muitos feriados" deixo este link com os feriados Alemães. é só seguir o link:-http://www.retira.de/pt/f...

Depois de verem o link tirem as vossas conclusões.

Será o verdadeiro problema os feriados???????????
Ainda restam ideias "construtivas" no PS?
Pelo que observo, quanto mais este PS e Governo
legisla, mais destrói o País, neste sentido poderão adoptar por decreto o Calendário Maia, ao que se sabe termina em 2012.
desassossego
o problema não é do excesso de feriados.É de consumo a mais para quem produz tão pouco. Acredito que se a economia mundial melhorar esta questão será esquecida. As empresa privadas tem o mesmo comportamento. Em tempo de vacas magras , sem crédito fácil ,também proibem pontes.
Feriados à escolha
Ora aqui está uma ideia construtiva. O direito
ao trabalhador de escolher e marcar tal como as férias os dias que deseja celebrar como feriados. E porque não acrecentar também o dia 1 de Abril para celebrar o feriado que para ele é a maior mentira.
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