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O desprezo de Lisboa pelo Norte, parte 34

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Para sair do buraco, a sociedade portuguesa precisa de extinguir dois incêndios que estão a consumir, há muito, uma possível relação amorosa entre o nosso PIB e o crescimento. O primeiro é o défice externo, ou seja, temos de exportar mais e importar menos bens de consumo, a fim de acabarmos com a excessiva dependência do crédito externo, que, relembre-se, é a grande raiz da presente crise. E sabem que mais? Esta frente de combate está a correr bem, pois em breve o saldo do dinheiro que sai/dinheiro que fica será positivo. Razões para este sucesso? O comportamento das exportações e o lado positivo (menos importações e mais poupança) da queda do consumo e do consequente aumento do desemprego em certos sectores. O segundo incêndio é a brutal despesa pública. Ora, a atmosfera mediática de 'Lesboa' só dá atenção a esta segunda frente de combate, que, por acaso, é aquela que apresenta menos sucessos. Isto sucede por várias razões.

Em primeiro lugar, os média seguem à risca o queixume das corporações que estão instaladas no Estado. Os telejornais, por exemplo, parecem menus de queixas de sindicatos e corporações. É como se o país inteiro se resumisse ao funcionalismo, é como se não existisse mais nada numa sociedade de 10 milhões. No fundo, os nossos média são os média do Estado, no sentido em que só fazem notícias sobre os actores do Estado (partidos e corporações). Em segundo lugar, é notório que a 'Lesboa' mediática fica incomodada com as boas notícias. Há demasiada gente ansiosa por ver Atenas em Lisboa. Por que razão existe esta má vontade? É uma conversa para outras calendas. Em terceiro lugar, o motor exportador do país está situado acima do Mondego, e este sucesso com sotaque do norte não encaixa nas narrativas 'lesboetas'. A macrocefalia não é só uma questão material. Existe um abismo entre o país que trabalha para exportar e a auto-representação mediática de Portugal feita em 'Lesboa'.


Opinião


Multimédia

Quase ninguém ficou em casa

Foi num 25 de Abril como o deste sábado, mas há 40 anos e numa liberdade então recentemente tomada: a 25 de Abril de 1975, Portugal testemunhou as primeiras eleições livres e universais após quase meio século de ditadura. Estas são as histórias, os retratos, os apelos e as memórias de um tempo que mudou o rosto do país.

Edwin. O rapaz que aprendeu a sonhar

O que Edwin sabia sobre a vida era sobreviver. Na cabeça dele não cabiam sonhos e os dias eram passados à procura de comida para ele e para a mãe e para o irmão. A fome espreitava nos cantos da barraca de palha no Quénia e ele escondia-se dela como podia - chupar as pedras era uma forma de a enganar. Mas a sorte dele mudou porque alguém viu nele outra coisa. E tudo começou numa dança. Agora, os mesmos dedos que agarravam as pedras tocam hoje teclas de um piano Bechstein. E os pés dele já não estão nus mas calçados. Com chuteiras. Primeiro no Benfica, agora no Estoril, o miúdo de 15 anos que fala como gente grande descobriu que tinha um sonho: ser futebolista. Como Drogba.

26 mil esferográficas, 14 mil urnas e 760 quilos de lacre. Os números de uma eleição histórica

Mais de mil caixas de lacre foram usadas pelas secções de voto que por todo o país, no dia 25 de abril de 1975, recolheram os boletins de milhões de eleitores. O Expresso percorreu os quatro mapas de despesas das eleições para a Assembleia Constituinte, elaborados pelo STAP, para saber quanto dinheiro esteve envolvido, onde e como foi gasto. Cada valor em escudos foi convertido para euros a preços correntes, tendo em conta a inflação. 

Todas as ilhas têm a sua nuvem

Raul Brandão chamou-lhe 'A Ilha Branca'. Como viajante digo que tem um verde diferente das outras oito que com ela formam o arquipélago dos Açores. É tenra, mansa, repousante e simultaneamente desafiante. Esconde segredos como a lenda da Maria Encantada e um vulcão florestado a meio do século passado que nos transporta para uma dimensão sulfurosa e mágica. Obrigatória para projetos de férias de natureza.

Em três quartos de hora não se esquece só a idade. "Esquece-se o mundo"

Maria do Céu dá três voltas ao lar sempre que pode. Edviges vai a todos os velórios, faz hidroginástica e sopas de letras. António dá um apoio na Igreja e nos escuteiros. Tudo é uma ajuda para passar os dias quando se tornam todos iguais. No Pinhal Interior Sul, a região mais envelhecida da União Europeia, quase um terço da população tem mais de 65 anos. Os mais velhos ficaram, os mais novos partiram.

Profissão: Sniper

O Expresso foi ver como são selecionados, que armas usam, para que missões estão preparados os snipers da Força de Operações Especiais do Exército. São uma elite dentro da elite. Um pelotão restrito. Anónimo. Treinam diariamente com um único objetivo: eliminar um alvo à primeira, mesmo que esteja a centenas de metros. Humano ou material. Sem dramas morais, dizem.

Xarém com conquilhas

Especialista em pratos de confeção acessível, com ingredientes ao alcance de qualquer pessoa, Tiger escolheu a gastronomia como forma de estar na vida. Veja, confecione, desfrute e impressione com esta nova receita.

O que se passa dentro da cabeça dele

O que leva um tipo a quem iam amputando uma perna a regressar ao sítio onde os ossos se desfizeram, uma e outra vez, e testar os limites do seu corpo? Resposta: a busca pelo salto perfeito, que ele diz existir dentro dele e que ele encontrará mais dia menos dia. É a fé e a confiança que o movem e o levam a pular para lá do que é exigido a um campeão olímpico e mundial que não tem mais nada a provar a ninguém - a não ser a ele próprio. Este é um trabalho que publicámos em agosto de 2014, quando o saltador se preparava para os Europeus e falava das metas que tinha traçado para 2015 e 2016: mostrar que não estava acabado. Sete meses depois, provou-o no Europeu de pista coberta em Praga, onde venceu este fim de semana.

Amadeu, que aprendeu o mundo no campo e tinha o coração na ponta dos dedos

Em Portugal, a dedicação à língua mirandesa tem nome próprio: Amadeu Ferreira, o jurista da CMVM que - quando todos diziam que "era uma loucura impossível" - arranjou tempo para traduzir "Os Lusíadas", a "Mensagem", os quatro Evangelhos da Bíblia e ainda duas aventuras do Asterix para uma língua que pertence a um cantinho do nordeste português e é falada por menos de 15 mil pessoas. No final de 2014 deu ao Expresso aquela que viria a ser a sua última entrevista. Morreu no passado domingo e esta quinta-feira foi lançada a sua biografia, "O fio das lembranças", com quase 800 páginas.

Temos 16 imagens que não explicam o mundo, mas que ajudam a compreendê-lo

O júri do World Press Photo queria dar o prémio maior da edição deste ano (e talvez das edição todas) a uma fotografia com "potencial para se tornar icónica". A primeira imagem desta fotogaleria, por ser "esteticamente poderosa" e "revelar humanidade", é o que o júri procurava. A fotografia de um casal homossexual russo, a grande vencedora, é a primeira de 16 imagens de uma seleção onde há Messi desolado, migrantes em condições indignas no Mediterrâneo, a aflição do ébola, mistérios afins e etc - são os contrastes do mundo.

Vamos falar de sexo. Seis portugueses revelam tudo o que lhes dá prazer na cama

Neste primeiro episódio de uma série que vai durar sete semanas, seis entrevistados falam abertamente sobre aquilo que lhes dá mais satisfação na intimidade. Sexo em grupo, sexo na gravidez, prazer sem orgasmo e melhor sexo após a menopausa são alguns dos temas referidos nos testemunhos desta semana. O psiquiatra Francisco Allen Gomes explica ainda a razão de muitas mulheres fingirem o orgasmo. O Expresso e a SIC falaram com 33 portugueses que deram a cara e o testemunho de como são na cama. Ao longo das próximas sete semanas, contamos-lhe tudo.

Elvis. Gostamos ou não gostamos?

Ele não é consensual, mas é incontornável. Dispunha de penteado majestoso e patilha marota, aparentava olhar matador e pose atrevida. E deixou canções: umas fáceis e outras nem tanto, por vezes previsíveis e às vezes inesperadas, ora gentis ora aceleradas. E ele, Elvis, nasceu em janeiro de 1934 - há precisamente 40 anos, ao oitavo dia. Temos quatro textos sobre o artista: Nicolau Santos, Rui Gustavo, Nicolau Pais e João Cândido da Silva explicam o que apreciam, o que toleram e o que não suportam.

A última viagem do navio indesejado

Construído nos Estaleiros de Viana e pensado para fazer a ligação entre ilhas nos Açores, o Atlântida foi recusado pelo Governo Regional por alegadamente não atingir a velocidade pretendida. Contando com os custos associados à dissolução do contrato, o prejuízo ascendeu a 70 milhões de euros. Foi agora comprado a "preço de saldo", para mudar de nome e ser reconvertido num cruzeiro na Amazónia. Fizemos a última viagem do Atlântida e vamos mostrar-lhe os segredos do navio.

Desfile de vedetas

Saiba tudo sobre os modelos concorrentes ao Carro do Ano 2015/Troféu Essilor Volante de Cristal. Conheça o essencial sobre os 20 automóveis participantes nesta iniciativa, da estética, às características técnicas, do preço ao consumo. A apresentação ficará completa no dia 3 de janeiro.


Comentários 27 Comentar
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HR
Uma pergunta sem ofensa, afinal quem é o seu patrão?
Re: HR
Re: HR
tb pago
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Raposo, de vez em quando, assume calmamente o papel de porta-voz governamental. Mune-se de tintas suaves e pinta-nos um quadro idílico do país em recuperação.

Do saco das tragédias, respiga o único indicador que não está no vermelho, tentando convencer-nos de que está tudo bem. Deixa no tinteiro o milhão de desempregados, as falências diárias, as lojas e restaurantes vazios e a cultura de subsistência que está a invadir largos sectores da população. Uma sopa, uma carcaça,um copo da água da torneira, são , cada vez mais, o menu de muitos portugueses.

Mas isso não interessa ao Raposo, na cus cruzada mistificadora......
Que disparate de crónica !
Um amontoado de palavras bairristas, sem essência que se aproveite.
Bah!
A Capital vs O Capital
- Braga reza, o Porto trabalha, Coimbra estuda e Lisboa diverte-se.

O problema não é o divertir-se ou não.

O problema é o facto de pensarem que Portugal é Lisboa e o resto é paisagem ou a parvónia.

Triste a mente de quem pensa assim.

PS: que me desculpem todos os que pensam de uma maneira diferente da descrita no comentário.

Re: A Capital vs O Capital
Re: A Capital vs O Capital
Re: A Capital vs O Capital
Re: A Capital vs O Capital
Não é bem assim...
Para já, tem de considerar Bens e serviços e não apenas bens. Nos serviços somos excedentários, tendo conseguido um superávit da Balança de B&S pela primeira vez desde há muito. Aliás, em termos de serviços, exportamos o dobro do que importamos...
Embora a Região Norte seja mais exportadora (é lá que se localizam uma grande parte das indústrias), a maior parte dos serviços estão localizados em Lisboa.
Estar a fomentar uma guerra Norte Sul por causa das exportações é uma estupidez que não leva a lado nenhum.
Já no que respeita ás corporações, há muito que se percebeu isso: temos um estado corporativista onde as corporações (desde os médicos aos maçons, passando pelos funcionários públicos, juízes, sindicatos, etc...) dominam. porventura, será por isso que o País está tão em baixo, pois cada uma destas corporações só se preocupam em sugar para si própria.
Norte Sul...
Caro Raposo

O seu texto tem alguma verdade, mas como não apresenta dados, provas ou indícios do que diz, vale tão pouco como uma conversa de café entre adeptos de futebol.

Se quer pegar em alguma coisa com mais substância, experimente pesquisar um bocadinho sobre os estado das finanças autárquicas em Lisboa e Porto e a forma como os dois presidentes da câmara têm gerido as suas dívidas.

Cmps,

António

oreivaivestido.blogspot.com
Chorar sobre o leite derramado: para que?
Caro Henrique Raposo,

Gostei das sua palavras, e da forma como explanou as ideias.

Há realmente um faixa muito extensa de gente que só lhe interessa as notícias, se elas forem más e especialmente tristes.

E os jornalistas, são o número 1 dessa gente pessimista, tristonha e derrotista.

Bem sei que no caso deles, é tudo uma questão comercial: vendem-se bem, as notícias das desgraças; às boas notícias, ninguém dá importância.

Por isso achei oportuna a sua intervenção.

É bom que haja alguém com comentários/notícias razoáveis e optimistas.

Chega de choros e pieguices!!!
Mera curiosidade...
Se é assim com diz caro Raposo pode explicar-me porque é o distrito do porto o nº 1 na taxa de desemprego e onde tem mais pobres a receber o rendimento minimo? Hum....os indicadores são traiçoeiros...!
Ah..já agora srº Raposo faça um bocadinho de trabalho sério de jornalista e investigue onde se tem torrado mais dinheiros do QREN ao longo dos anos e vai ficar boquiaberto com o dinheiro gasto (torrado) a norte do Mondego em relação ao Sul do País...!
Re: Mera curiosidade...
Conversa de chacha

Com argumentações deste tipo HR pode fazer sucesso numa tasca de Campanhã.
No Expresso online apenas pode causar perplexidade nos leitores.
Comentários? Para quê?
Esta crónica nem comentários merece.É assim... como chover no molhado !!
E o Socrates pá!!!
Andamos tão esquecidos da turculência do passado recente! O "jornalismo já não é o que era! Mudam-se os tempos mudam-se as vontades, como dizem os espanhois as ganas. Espero que não seja míopia intelectual...pois com artigos a escrever sobre "flores" parece que o país está a ser bem conduzido, com gente séria e qualificada. Tenha a decência de deixar de ter VÓMICAS jornalísticas!
Mais um disparate
Este individuo vai alternando entre as croniquetas a dar graxa ao (seu?) partido no governo, e outras a falar sobre mundanices sem interesse nenhum. Agora lembrou-se, à falta de melhor, de tentar ressuscitar essa inefável guerrilha norte-sul, como se já não tivéssemos problemas que cheguem sem estes bairrismos bacocos!
Re: Mais um disparate
O vómito continua...
Eu é que não vou perder tempo a procurar a crónica do Raposo em que diz que o principal problema é a dívida que as famílias possuem... que segundo a memória não me falha é de cerca de 20% do total. Agora, que já se sabe (mais-ou-menos) os valores de todas essas dívidas, já diz que o principal problema é do endividamento externo. É uma autêntica trapalhada de quem não tem a mínima noção do que diz... (e eu também não, basicamente...).

É ridículo este artista...
Re: O vómito continua...
Mais um artigo insignifcante do sr. Raposo...
Parte 999
Re: O desprezo de Lisboa pelo Norte, parte 34
"O comportamento das exportações e o lado positivo (menos importações e mais poupança) da queda do consumo e do consequente aumento do desemprego "

Hahahahahahahaha

Pois, desde a antiguidade clássica que as pessoas aproveitavam o facto de estarem desempregadas para "poupar"...

se o PS voltar a ser governo imagino que venham às centenas os textos sobre o lado negativo "da queda do consumo e do consequente aumento do desemprego "

Que personagem
Re: O desprezo de Lisboa pelo Norte, parte 34
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