O desenrolar do caos na Madeira
Incêndio de grandes proporções assolou o Funchal
Octávio Passos
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"O inferno desceu ao Funchal", dizia uma madeirense já de noite depois de ver dezenas de pessoas a correrem nas ruas da cidade a fugirem das chamas que deflagravam na freguesia de São Gonçalo.
A situação no terreno tornou-se de tal forma caótica que o CDS-PP Madeira exigiu ao governo regional que solicitasse ajuda ao governo de Lisboa.
Pouco depois surgia a confirmação de fonte do MAI: um avião militar C-130 partiria rumo à Madeira com 83 homens especializados no combate a fogos florestais.
Cooperação entre Portugal e Espanha
Soube-se também que os governos de Portugal e Espanha chegaram a avaliar uma possível cooperação no combate às chamas na freguesia de São Gonçalo, no Funchal, através de uma ajuda de corpos de bombeiros das Canárias.
Perante a gravidade da situação o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, anunciou que se desloca ao Funchal, chegando à região por volta das 10h30.
Apesar de muitos populares referirem que a violência das chamas terá atingido várias habitações, a verdade é que o secretário regional dos Assuntos Sociais da Madeira, falando aos jornalistas já de madrugada para fazer um balanço da situação do fogo, negou a existência de casas destruídas e afirmou desconhecer a existência de qualquer ferido na sequência do incêndio que deflagrou na quarta-feira na zona do Palheiro Ferreiro, no Funchal.
Dizendo ser impossível quantificar, Jardim Ramos mencionou que "algumas pessoas foram assistidas no Hospital do Funchal devido a problemas de inalação de fumo e ataques de pânico".
PJ: "Estamos a investigar"
Entretanto o coordenador da Polícia Judiciária no Funchal revelou à Lusa que todo o Departamento de Investigação Criminal do Funchal da Polícia Judiciária (PJ) está mobilizado para apurar as circunstâncias em que ocorreu o incêndio com origem no Palheiro Ferreiro, concelho do Funchal.
"Neste momento, o que posso dizer é que o departamento está totalmente mobilizado e estamos a investigar", afirmou Ricardo Silva.
Devido à gravidade do fogo, foi ativado o Plano Municipal de Emergência.
De acordo com o vice-presidente da Câmara do Funchal, Bruno Pereira, o Plano Municipal de Emergência foi ativado cerca das 21h e foram convocados autocarros para transportar as pessoas daquela zona para os Viveiros onde a câmara do Funchal tem uma cantina, local onde os que foram afetados pelo incêndio poderiam ficar esta noite "em caso de necessidade".
O incêndio, que atingiu grandes proporções, era visível desde a baixa do Funchal, destruindo uma extensa área verde na freguesia de São Gonçalo, ameaçando dezenas de habitações, numa zona onde existe um campo de golfe, perto do estádio da Choupana, do Nacional da Madeira.
A Madeira tem sido fustigada desde terça-feira por vários incêndios em diferentes concelhos, com diversas corporações envolvidas no combate a fogos nos concelhos da Calheta, Ribeira Brava, Santa Cruz e Funchal.
Destes, os mais graves foram os focos na Ponta do Pargo (Calheta) e o do Palheiro Ferreiro, que ameaçaram habitações que tiveram que ser evacuadas como medida preventiva.


