26/05/2012 atualizado às 13:05

O cheiro que "Os Lusíadas" consagraram

Beneficiando de um clima tropical único, a árvore do incenso cresce de forma selvagem no Sul de Omã. Em 2000, a UNESCO inscreveu esta resina na lista de património da humanidade.

Margarida Mota, em SalalahOmã, Expresso, incenso, UNESCO
19:44 Domingo, 3 de maio de 2009
O incenso é uma resina extraída através de uma incisão nos troncos de uma árvore chamada "
Boswellia sacra"
O incenso é uma resina extraída através de uma incisão nos troncos de uma árvore chamada " Boswellia sacra"

"És cristã? Sabes que quando Jesus nasceu, o nosso rei foi a Belém oferecer-lhe incenso?" Em frente a uma loja de incenso no "suq" de Salalah (cerca de 1000 km a Sul de Mascate), Abdullah não se privou de recorrer à lenda de que os Três Reis Magos terão atravessado o actual território de Omã a caminho de Belém, para demonstrar o valor histórico daquele bem.

Apreciado nos mais antigos impérios e civilizações, onde chegou a ser mais valioso do que o ouro, o incenso é uma resina extraída, através de uma incisão, dos troncos de uma árvore chamada "Boswellia sacra". Usado na medicina tradicional, na indústria de perfumes e em actos religiosos, é, ainda hoje, um produto de exportação para Omã.

Neste Sultanato, a árvore do incenso cresce, de forma selvagem e sem intervenção humana, na região de Dhofar, no Sul. Devido às monções - que fazem com que durante três meses do ano (Junho, Julho e Agosto), esta região mais pareça a Irlanda, com prados e montanhas verdejantes -, Dhofar tem um clima único, que a diferencia geograficamente do resto do país.

A 2 de Dezembro de 2000, a UNESCO inscreveu a "Terra do Incenso" na sua lista de Património Mundial da Humanidade. Esse reconhecimento já, 500 anos antes, Luís Vaz de Camões o fizera no Canto X de "Os Lusíadas":

"Olha Dófar, insigne porque manda
O mais cheiroso incenso pera as aras;
Mas atenta: já cá destoutra banda
De Roçalgate, e praias sempre avaras,
Começa o reino Ormuz, que todo se anda
Pelas ribeiras que inda serão claras
Quando as galés do Turco e fera armada
Virem de Castelbranco nua a espada."

Palavras-chave  Postais, Enviados, Omã, Lusíadas, incenso
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THUNDERSSTORM (seguir utilizador), 1 ponto , 19:57 | Domingo, 3 de maio de 2009
ooops...enganei-me na página
 
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    correção..o guarda redes do maritimo tava comprado    Ver comentário
THUNDERSSTORM (seguir utilizador), 1 ponto , 0:49 | Segunda feira, 4 de maio de 2009
Augusto Boal morre aos 78 anos
aukistuxego (seguir utilizador), 1 ponto (Despropositado), 22:58 | Domingo, 3 de maio de 2009
Tal como Camões que foi longo tempo ignorado em Portugal esta noticia parece que não chegou a Portugal. As pessoas progressistas e de valor são ignoradas neste país. Por isso é que estamos culturalmente como estamos. Boal grande dramaturco brasileiro e criador do teatro do oprimido, metodologia criada que conjugava teatro e acção social em março último foi nomeado em Paris embaixador de teatro da UNESCO. Entre 68 e 70 andou com o teatro Arena pelos EUA, México, e outros países. Em 1971 foi preso pelo regime militar pelas suas ligações ao partido comunista brasileiro. Três meses depois foi libertado e foi para os EUA e em seguida para Argentina e Portugal. Com a amnistiaregressou ao Brasil em 1984. E em 1993 foi eleito vereador pelo PT no Rio de Janeiro e usou as técnicas do teatro do oprimido para ouvir as queixas da população e elaborar projectos de lei.
 
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A nossa ancestralidade
M.Farid (seguir utilizador), 1 ponto , 1:34 | Segunda feira, 4 de maio de 2009
Luís de Camões,apesar de viver na época da feroz repressão inquisitorial, e da sua obra épica estar sujeita à censura,soube preservar as nossas referências culturais em relação ao mundo islâmico,que tanto nos marcou como povo e como nação.
Na sua obra ,"o mouro" é amiúde citado,ora como temível adversário,ora como aliado e cooperante na empresa gloriosa que os Portugueses levariam a cabo.
Camões é um digno herdeiro do legado de poetas luso-árabes que existiram no Al-Andalus e poderia com toda a justiça subscrever o poeta Az-Zubaidi(ano 989) que dizia:"a terra inteira,na sua diversidade,é una,os homens todos irmãos e vizinhos".A Renascença tinha começado no Al-Andalus.
 
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