O Dr. Eduardo Catroga já devia saber, agora que esta a chegar aos 69, que os portugueses estão habituados desde cedo a discutir pentelhos. Aliás é comum nas escolas o estatuto de um rapaz ou rapariga, a sua desenvoltura e até influência sobre os demais estar associada ao número de pentelhos que possui. Quem não se lembra da mítica frase "já pintas?" E isto com a idade tende de agravar-se, quando a atitude deveria ser precisamente a oposta, até por uma questão natural de perda de pêlo ao longo dos anos, que começam a crescer nos sítios errados.
Que a solução para este país segundo Eduardo Catroga passará por uma depilação total dos pelos "públicos" ficou mais ou menos explícito no programa do PSD. Não só uma máquina zero às empresas públicas que servem para preencher com a habitual e abundante pentelheira que emana dos partidos, como um tratamento definitivo a laser às Fundações que florescem neste país como cogumelos numa zona de mata húmida.
Eduardo Catroga afirmou, e bem, em entrevista à SIC, que preferia ver os partidos políticos e os Media a parar de discutir "pentelhos" e passarem a falar do matagal - da estrutura. Não olhar só para a árvore mas para a floresta. A floresta negra e sombria em que se tornou o país e em particular o Estado. Um verdadeiro novelo interminável, um emaranhado total de pêlos por entre os quais não se vislumbra qualquer luz a rasgar as trevas que se abateram durante a medieval governação socialista. Estamos de tal forma enfiados no buraco que já não lhe conseguimos ver o cimo ou fundo. Suspensos na penugem, tentamos respirar enquanto cuspimos bolas de pêlo como os gatos.
Li e ouvi meia dúzia de pudicos escandalizados com o uso do vernáculo. Meus amigos: de falinhas e debates "mansos" está tudo farto. Um pentelho é um pentelho. E há muitos políticos cujo desempenho não vale muito mais do que um charuto, para não cair na redundância do pentelho. Discutem alíneas, memorandos, cartas, compromissos, abanam pastinhas vazias, sorrisos cínicos, promessas, aldrabices, cortes aqui e ali mas ninguém está verdadeiramente preocupado com o futuro deste país. Estão preocupados em chegar lá, sem verdadeiramente se preocuparem com a forma, conteúdo ou com o dia seguinte. Uns porque têm pânico de perder o poder, outros porque têm sede de o beber. Depois se verá.
Mais pentelho menos pentelho, tudo se há-de resolver, à boa maneira portuguesa. E está-se mesmo a ver quem vai levar a habitual rapadela nas virilhas, à bruta, se ainda tiver sobrado alguma coisa para rapar.
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