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O caos de África (II): a democracia é possível

No meio do caos africano, o Botswana é uma democracia de (relativo) sucesso. Em vez de dar lições de moral aos africanos, o Ocidente devia dignificar e publicitar estes exemplos de sucesso africano (Mali, Botswana, Benim, Gana).

Henrique Raposo (www.expresso.pt)
8:41 Quarta feira, 29 de dezembro de 2010
Henrique Raposo, A Tempo e a Desmodo - O caos de África (II): a democracia é possível

I. Os media ocidentais só prestam atenção a África quando surge algo como a presente situação na Costa do Marfim. Para os nossos media, "África" quer dizer "sangue" e "pobreza". É por isso que muita gente ainda não sabe que existem democracias consolidadas e - relativamente - prósperas em África: Mali, Gana, Benim, Namíbia, São Tomé & Príncipe, África do Sul e Botswana. Como não têm "sangue" e "violência" para dar, estes países não aparecem na CNN ou Sky News; estes países são factos empíricos que não encaixam na narrativa apocalíptica que o Ocidente gosta de reproduzir sobre África. O que é uma pena. Os outros países africanos não vão sair do buraco através dos conselhos morais e abstractos dos ocidentais. Os outros países africanos só encontrarão o caminho da boa governança quando quiserem olhar para as práticas dos seus vizinhos que têm a cor verde no mapa da liberdade . As Angolas caminharão para a democracia e prosperidade quando quiserem olhar para o exemplo que o Botswana oferece há várias décadas.

II. O Botswana (1.8 milhões de habitantes) é o líder moral, digamos assim, desta África minoritária e democrática. Hoje, depois de quarenta anos a apresentar uma das mais altas taxas de crescimento do mundo, o Botswana já é um middle-income country. O maior factor de crescimento tem sido a riqueza mineral do país (diamantes). Outros países africanos com um subsolo igualmente rico continuam a ser marcados pela pobreza, violência e autoritarismo.

III. Para perceber por que razão o Botswana escapou à maldição dos recursos, J. Clark Leith escreveu Why Botswana Prospered. A resposta de Leith foi encadeada em três fases. (1) A elite do país geriu de forma prudente a sua riqueza mineral, fazendo investimentos em infra-estruturas e no capital humano. Mas, pergunta Leith, por que razão estas medidas económicas resultaram? (2) Ora, o sucesso económico do Botswana não se deve apenas à perícia técnica na gestão macroeconómica; essa gestão foi possível devido à estabilidade político-institucional garantida pelo sistema político; várias instituições (ex.: Banco Central) criaram a confiança necessária para a actividade das empresas que investiram no Botswana (ex.: a gigante sul-africana dos diamantes, DeBeers). (3) A democracia per se não explica o rápido crescimento económico do Botswana. A democracia triunfou no Botswana porque respeitou a tradição do povo Tswana. Por exemplo, o tradicional fórum de consulta tribal, o Kgotla, continua activo e faz parte do sistema político. Por outras palavras, existe uma coabitação entre a modernidade institucional da democracia de inspiração britânica e a tradição local.

IV. A história de sucesso do Botswana não resulta da sorte; outros países africanos também tiveram a sorte de encontrar diamantes e outros recursos naturais, e, mesmo assim, continuaram na rota da violência. O sucesso do Botswana deve-se ao seu sistema político e às escolhas da sua elite política. Ou seja, a política pode vencer o fado africano.

 

 PS: "O Caos de África (I): a culpa não é dos 'branquelas'".

Palavras-chave  Blogues, democracia, África, Botswana
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Na Luta dos Povos está o caminho da Democracia
águiadois (seguir utilizador), 2 pontos , 11:01 | Quarta feira, 29 de dezembro de 2010
A Democracia não se "martela" de cima para baixo.É na luta dos Povos que assenta o caminho da sua construção.
E a História ensina que o Povo se libertará,mais cedo ou mais tarde, da "pata" de quem lhe quer impôr um destino que não é o seu e muito menos uma vida de escravo submisso.
 
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Será por lapso ?!?
BrincaNareia (seguir utilizador), 2 pontos , 20:52 | Quarta feira, 29 de dezembro de 2010
Como já frisaram alguns comentadores, o Henri esqueceu-se (?!?) de Cabo Verde.
Este sim, onde a democracia funciona, onde os poderes estão devidamente separados.

Este país africano, em que se aceita pacificamente o resultado da eleição presidencial por uma escassa diferença de 16 votos entre candidatos.

Este país africano, onde um ex presidente, na reforma, para pagar o que devia ao Banco referente a um crédito à habitação, só o conseguiu fazer com recurso à Sociedade Portuguesa de Autores que lhe adiantou uma verba sobre direitos futuros a receber, já que escritor e membro.

Sem recursos naturais ditos riquezas, já que nem água tem, este país cresce a 7% e a alfabetização supera os 80%.

Neste país, a saúde e a educação são totalmente grátis. A escolaridade obrigatória é de 9 anos e passará a 12 em 2012.

Neste país, cerca de 15 mil jovens chegam anualmente ao 12º ano, infelizmente nem todos tendo acesso à universidade.

Acho que merecia nem que fosse o estar incluído entre os que aponta como exemplos. Este sim, um exemplo maior !!
 
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    Re: Será por lapso ?!?    Ver comentário
avisaramalta (seguir utilizador), 1 ponto , 9:55 | Quinta feira, 30 de dezembro de 2010
    Re: Será por lapso ?!?    Ver comentário
BrincaNareia (seguir utilizador), 2 pontos , 14:01 | Quinta feira, 30 de dezembro de 2010
Cabala?
Jorge Duque (seguir utilizador), 1 ponto , 10:55 | Quarta feira, 29 de dezembro de 2010
Não há má vontade dos media internacionais para com África.

Ainda ninguém percebeu muito bem porquê, mas para as redacções só as más noticias e as noticias absurdas são relevantes. As boas noticias raramente passam do rodapé.

E África não foge a esta politica. Por isso só aparece na 1ª página quando há massacres ou desastres naturais.

Quanto aos países que referiu como casos de sucesso no continente negro, são um sinal de esperança para o futuro. Talvez dentro de 20 ou 30 anos a democracia e o progresso sejam realidade por lá.

Para já é uma desgraça que deveria envergonhar as elites locais.
 
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Até quando?
Worldinare (seguir utilizador), 1 ponto , 11:07 | Quarta feira, 29 de dezembro de 2010
Em relação ao ponto I, os media só se interessam por aquilo que dá show e isso não só acontece na Africa como na América do Sul, como todos os atentados bombistas são executados por terroristas Islamicos, isto porque outras religiões são só terroristas.
Depois as democracias, não só na África, só se constrõem quando se respeita maiorias e minorias.
Os ocidentais e orientais nem deviam ter uma palavra a dizer, mas dizem, porque alguns paises com tanta riqueza estão individados e estão na mão das poderosas economias e dos FMIs. Isto porque os seus governantes perferem guardar a riqueza numa conta pessoal na Suiça e garantir asilo politico numa mansão Londrina "quando a coisa der pro torto".
A corrupção é a pior doença da África e ela está há muito incluida no codigo genético. O problema só se resolve com educação mas ela não chega nem convêm. Por isso mete nojo os Eduardos dos Santos que existem por essa Africa que exibem luxos chupam o sangue derramado no chão dos seus próprios irmãos.
Será uma "sorte" essas democracias sobreviverem muito tempo. É só uma questão de tempo alguem vir com um grupo de rebeldes porque não gosta de ser derrotado nas eleições, ou então um presidente democrático ir ficando no poder e no fim acabar a tomar chá com a rainha de inglaterra.
 
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BANDIDOS INCOMUNS
Floriano Mongo(Pres) (seguir utilizador), 1 ponto , 11:12 | Quarta feira, 29 de dezembro de 2010
Henrique não referiu Cabo Verde, um país de fracos recursos, mas exemplo de liberdade e civismo em África.

A realidade africana é assustadora, com uma corrupção institucionalizada, como diz Rafael Marques, o mais mediático dos jornalistas angolanos, perseguido pelas denúncias corajosas q vem fazendo ao longo de muitos anos.

Com excepção de alguns países, África é um continente afundado no primitivismo, gerado por uma corrupção endémica, um tribalismo inflamado e guerras sucessivas.

A causa de tudo isto, são os próprios africanos e as suas lideranças fora-da-lei.

Remeter culpas aos colonizadores ao fim de 40, 50 ou mesmo 60 anos de independência, não abona muito a favor da verdade, e da maioridade desses países e de quem o faz.

Se as colonizações tiveram os seus malefícios, as lideranças q lhes sucederam, geraram outros malefícios infinitamente maiores.

África mantém no poder, bandidos de estimação. Ser-se “compreensivo” com estes facínoras, “justificando” as suas acções com o passado colonial, é ser-se cúmplice no holocausto de milhões de africanos.

  É compreensível que a morte de uma criança esquálida, provoque muita comoção.

Mas o triunfo e desresponsabilização de bandidos incomuns, consumará o assassinato da esperança de milhões de africanos.
 
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    Re: BANDIDOS INCOMUNS    Ver comentário
MUNDO CLEPTOMANÍACO (seguir utilizador), 1 ponto , 16:00 | Quarta feira, 29 de dezembro de 2010
África
moncarapacho (seguir utilizador), 1 ponto , 11:18 | Quarta feira, 29 de dezembro de 2010
Opina que a colonização foi uma praga que revolucionou toda sociedade africana. Estados desenhados a compasso, não respeitando os povos, imposição de sistemas de vida não tradicionais etc desmembraram todo o equilíbrio dessas sociedades.
Funcionavam com a sua hierarquia, em tribos e reinos, com os seus conselhos de velhos, os seus tribunais,as suas leis, etc.
O colonizador ao impor, primeiro ditaduras insuportáveis com escravidão incluída, e , ultimamente tentando vender o modelo de democracia ocidental, com votos e partidos, tem mais mal que bem as esses povos. Melhor ajuda-los tecnologicamente, que explorar-lhes as matérias primas.
 
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CAOS EM ÁFRICA
userEX167218 (seguir utilizador), 1 ponto , 12:41 | Quarta feira, 29 de dezembro de 2010
A democracia é uma lição mal entendida em África.Ela é entendida como ponto de convergência entre a burguesia,classe média,operários e camponeses.Como pode haver uma democracia plena sem que haja definição de classes socias na maioria dos países africanos só existem duas classes os riquissimos(endinheirados ilicitamente) e os paupérimos.Com estas duas classe não podem fazer a democracia porque não se encontra em nenhum lugar.
 
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E os San/bosquímanos?!
aderitus (seguir utilizador), 1 ponto , 14:46 | Quarta feira, 29 de dezembro de 2010
Então o Botswana é assim um exemplo tão fantástico? esquece-se é que os ditos Tswanas são colonizadores Bantos, que actualmente retiraram as populações San/ bosquímanos dos seus territórios ancestrais e colocaram-nos em bairros de lata, onde a miséria é o dia a dia e o alcoolismo também. a desculpa para tal é porque lá os San têm melhores condições de vida, na realidade é porque os territórios bosquímanos são ricos em diamantes. Mais uma população explorada até quase a sua extinção como etnia, e vem-me falar de democracia? o País de longe mais democrático de África é Cabo Verde, e estranho que nem uma palavra tenha dito sobre o mesmo.
 
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    Re: E os San/bosquímanos?!    Ver comentário
sacristão (seguir utilizador), 1 ponto , 18:34 | Quarta feira, 29 de dezembro de 2010
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