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O "Big Brother " está mesmo a segui-lo

Não é preciso estar sob vigilância nem elaborar teorias da conspiração: um mero cartão de cliente pode contar mais sobre a sua vida do que imagina. Aquilo que você julga privado está cada vez mais exposto.

Filipe Santos (texto), Cristiano Salgado (ilustração)
22:00 Terça feira, 25 de agosto de 2009
Os cartões de fidelidade existem também para lhe "
tirar a fotografia"
 e conhecê-lo melhor. Às vezes, bem de mais
Os cartões de fidelidade existem também para lhe " tirar a fotografia" e conhecê-lo melhor. Às vezes, bem de mais

Tem um cartão de fidelidade do supermercado onde costuma fazer compras? Esse bocadinho de plástico que lhe pode valer descontos conta mais sobre a sua vida do que você gostaria.

O cartão está em seu nome e tem agregada a sua morada e provavelmente outros dados pessoais. Mas não é tudo: numa base de dados algures (a incerteza deste algures é relevante) estão listadas todas as compras que você fez sempre que apresentou esse cartão. Ou seja, conta até coisas que você considera privadas.

Se tem a mania da comida saudável, se enche a despensa de comida de plástico ou legumes e produtos dietéticos, se bebe álcool e que tipo de álcool (se é mais amigo das cervejinhas ou do uísque), se usa preservativos ou lubrificantes íntimos, se tem bebés ou crianças a seu cargo, se há lá em casa problemas de incontinência urinária, até mesmo se começou a praticar desporto, se vai de férias ou se fez mudanças em casa. Tudo isso pode ser inferido do seu historial de consumo apenas no supermercado. Os cartões de fidelidade existem também para lhe "tirar a fotografia" e conhecê-lo melhor. Às vezes, bem de mais.

Se está com ideias de deitar fora esse cartãozinho que lhe dava tanto jeito, pense duas vezes. Provavelmente teria que abdicar de inúmeros cartões que traz na carteira: o das Farmácias de Portugal (o seu nome e dados pessoais, mais toda a medicação que compra), os cartões bancários, do seguro de saúde, da bomba de gasolina, do clube de vídeo... Mais os cartões de muitos organismos públicos.

A protecção de dados cruza-se com a privacidade: o direito básico a termos o nosso espaço, livre de intrusão ou da necessidade de dar explicações e a decidirmos que aspectos da nossa vida ficam nesse recato e quais são públicos.

É um direito reconhecido na Declaração dos Direitos do Homem e na Constituição. Não é coisa pouca: é um pilar da dignidade humana e uma condição de liberdade. Apesar disso, é um espaço que está a estreitar-se. Uma das razões é que nos esquecemos de o proteger.

Já lhe aconteceu olhar para os seus movimentos de conta ou para a factura detalhada do telemóvel e sentir a estranheza de estar ali o relato do que foi a sua vida naqueles dias? E se forem outros a ver esse relato?

Texto publicado na edição do Expresso de 22 de Agosto de 2009

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hdm (seguir utilizador), 3 pontos (Interessante), 10:27 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009
Agora já está feito, não há volta a dar. Seria cínico da minha parte, discordar de todas estas formas camufladas de invasão da minha privacidade, quando eu próprio que vivo numa sociedade cada vez mais consumista e materialista, todos os dias consumo e regra geral faço-o de forma exagerada. Pessoalmente já não consigo viver sem cartão de débito, sem internet, home banking, bilhetes de avião electrónico, etc…e se o preço a pagar é ter o historial da minha vida á mercê de algumas pessoas, pois bem! Que se divirtam a perder tempo a observa-la, não tenho nada a esconder logo não tenho nada a temer. No entanto para todos aqueles que se sentem incomodados com estas situações, sugiro que vão viver isolados de todos estes “vícios”, há muitos “cámones” espalhados por as serras lindas e saudáveis deste País que vivem felizes (pelos menos assim o aparentam), completamente desprovidos de todos estes bens materiais.
 
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    POLITEÍSMO DE SUPERMERCADO    Ver comentário
cofrage (seguir utilizador), 1 ponto , 10:32 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009
    Não há ninguém que não tenha nada a esconder    Ver comentário
Sakata (seguir utilizador), 1 ponto , 12:35 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009
    Re: Não há ninguém que não tenha nada a esconder    Ver comentário
hdm (seguir utilizador), 1 ponto , 13:58 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009
E que alternativa temos?
dedalo11 (seguir utilizador), 2 pontos , 22:52 | Terça feira, 25 de agosto de 2009
Tudo o que está escrito é verdade. Mas não temos já outra forma de vida que não seja repleta desses cartões. E pelos descontos, não é muito importante se compramos preservativos ou batata frita. De uma forma ou de outra a vida mudou e aquilo que era do conhecimento da família e de alguns amigos mais íntimos agora é da camada "aldeia global". O que importa saber é quem e como nos pode prejudicar por aquilo que adquirimos? O cartão do supermercado apenas servirá para que eles saibam que produtos se vendem mais e não consigo vislumbrar qual o mal que daí possa advir.
 
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    Serve para muito mais que isso !    Ver comentário
Xico Taxista (seguir utilizador), 1 ponto , 7:02 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009
    POLITEÍSMO DE SUPERMERCADO    Ver comentário
cofrage (seguir utilizador), 1 ponto , 10:30 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009
    Re: E que alternativa temos?    Ver comentário
socrates_lisboa (seguir utilizador), 1 ponto , 13:13 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009
É seguir o utilizador por todo o lado
aukistuxego (seguir utilizador), 2 pontos (Divertido), 23:46 | Terça feira, 25 de agosto de 2009
Recentemente tirei o meu cartão de cidadão e estava lá um código muito estranho. Será o registo das vezes que vou à casa de banho?...
 
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Tecnologia à altura
Miranda07 (seguir utilizador), 2 pontos , 8:47 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009
Do ponto de vista dos recursos tecnológicos, na era da electrónica, é evidente que hoje quem quer que tenha acesso a localizações centrais nos sistemas de colecção de dados sabe tudo sobre nós. Um cartão de crédito é o melhor feixe de impressões que se pode deixar para trás. Um telemóvel é uma central de informação permanente sobre quem o tem e quem o usa. E outras coisas assim. Nada de novo, portanto. Mas o meu ponto é este: a tecnologia que nos regista deste modo também é a tecnologia que nos deve proteger. Mas claro, há sempre aquele alguém que, no final, tem o poder de nos proteger ou não. Pelo que voltamos ao nosso ponto de partida, ao de sempre: a vida social só é possível mediante o respeito total por regras, de direitos e de deveres, que sejam verdadeiramente universais e imperativos. Sem isso, com o infiltrar da fraude e do abuso, é um enorme sistema, o da nossa vida social em sociedades avançadas, que, pura e simplesmente, vem abaixo. Daí que todas as inovações tecnológicas, sobretudo no que se refere aos “chips” que permitem o “acompanhamento” dos utilizadores, sejam rigorosamente acompanhadas das necessárias leis e regras, as quais devem contemplar severas penas e castigos para toda e qualquer forma de abuso. Violar a liberdade de alguém deve ser, sempre, o pior de todos os pecados sociais. Mas nós, os consumidores, sobretudo na fase em que o assunto se encontra, precisamos, urgentemente, de ter os olhos bem abertos e analisar o que, à nossa volta, se passa!
 
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cofrage (seguir utilizador), 1 ponto , 10:33 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009
POLITEÍSMO DE SUPERMERCADO
cofrage (seguir utilizador), 2 pontos (Divertido), 10:29 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009
Meus Amigos, há que acreditar! Deus está em todo o lado e a olhar por nós!
Na conjuntura actual, em que podemos desfrutar de tantas comodidades e luxos, acabámos por perder um pouco da nossa privacidade, é o preço a pagar pela evolução.
Hoje todos os nossos movimentos podem ser controlados, mas nem todos são, veja-se o caso das fugas ao fisco; veja-se o caso do empresário que decreta a falência da sua empresa mas tem uma choruda conta bancária, bons carros, videnda no Algarve; Veja-se o caso das prescrições de processos nos tribunais. Etc, etc.
Quanto aos cartões do supermercado quem não tem não tem desconto! e o bigbrother observa-nos na mesma através dos movimentos bancários.
Se não quer que o deus belmiro tenha conhecimento de tudo o que anda a comprar! vá variando de supermercado!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Viva o Verão, Viva Portugal.
 
 
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    Re: POLITEÍSMO DE SUPERMERCADO    Ver comentário
userEX50677 (seguir utilizador), 1 ponto , 11:56 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009
    Re: POLITEÍSMO DE SUPERMERCADO    Ver comentário
userEX50677 (seguir utilizador), 1 ponto , 12:04 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009
Ora ainda bem!
makiavel (seguir utilizador), 2 pontos , 10:42 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009
Façam favor de me ajudar em situações complicadas: chamem a polícia em caso de assalto, carjacking, etc.

Ou, sem ser tão pessimista, avisem-me quando o trânsito está péssimo e não devo sair de casa, quando os meus produtos favoritos vão entrar em promoção ou se devo ou não comprar o último livro do escritor X ou Y.

Já que me seguem, avisem-me da data das consultas do meu cão - tenho uma tendência crónica em esquecer-me de levar o pobre animal ao veterinário na data certa.
Ou melhor ainda - levem-no vocês mesmo e mandem-me a conta.

Ah, e já agora, tratem-me das ervas daninhas no jardim. Sabem qual é o herbicida que costumo usar, certo?
Obrigada.
 
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isto parece um artigo de 1995...
mascas (seguir utilizador), 1 ponto , 22:37 | Terça feira, 25 de agosto de 2009
hoje em dia nao e pelo cartao e mesmo pelas camaras e satelites...
 
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QUE CHATISSE
SSTHUNDER (seguir utilizador), 1 ponto , 23:20 | Terça feira, 25 de agosto de 2009
.
 
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    Barbie és tu ? thunder menino ?    Ver comentário
Guru-espiritual-BPN (seguir utilizador), 1 ponto , 12:42 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009
O artigo é interessante....
Kikas_o_je (seguir utilizador), 1 ponto , 23:40 | Terça feira, 25 de agosto de 2009
....mas não diz nada de novo!

A situação piora com os telemóveis...já na década de 90 (inicio) a sua utilização era interdita em instalações militares americanas devido há capacidade de poderem ser ligados à distância servindo de "escutas"....só há pouco tempo esta informação chegou ao conhecimento do grande público, muito embora qualquer pessoa que trabalha-se ou conhece-se os sistemas GSM soubesse disto.

No final dos anos 90 disse isto a um amigo, ele não acreditou e gozou até comigo. Por mim quando tenho conversa intímas ou momentos em que trato de coisas que são só minhas, desligo o telemóvel.

Não pago quase nada com cartões, uso normalmente o dinheiro, não uso cartões de descontos; já sei que o esforço é em parte em vão, contudo faço sempre isto. É o que dá ter sido educado por um militar, fica-se sempre com alguma "paranóia" sobre estes assuntos.

A minha paranóia aumentou quando um dia cheguei ao banco e o meu gestor de conta (um amigo) me disse "então foste a Coimbra?", pois, após pensar um pouco descobri que o banco com jeito sabia que nº de cuecas eu tinha, daí para a frente agravei a atitudes e a postura.

Vai piorar com o cartão único e chips nas matriculas!

Cps.
 
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    Re: O artigo é interessante....    Ver comentário
cofrage (seguir utilizador), 1 ponto , 10:42 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009
Multibanco, Telemóvel e Finanças
Xico Taxista (seguir utilizador), 1 ponto , 6:01 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009

É quanto baste para saberem tudo (literalmente) sobre nós.

O cartão multibanco, conta a nossa vida toda.

A que horas levantamos dinheiro numa ATM; o montante; a data e hora e o Nr. da máquina (logo, o local onde o fizemos).

Depois, se ao longo do dia, fizermos compras em 10 lojas diferentes (ou qualquer outro número de lojas), fica registado a data e hora de cada uma das compras, qual o local (loja) em que fizemos as compras e respectivos montantes.

Se formos de carro e pagarmos as portagens com multibanco, ficam a saber o percurso que fizemos assim como a data e hora qem que passamos em cada uma das portagens.
Quem utilizar via verde, acontece o mesmo.
Se pararmos em bombas de gasolina para atestar, sabem quando o fizemos, onde e quanto gastamos.

Se dormirmos num hotel, sabem quando e onde ficamos alojados.

Por outro lado o nosso telemóvel está PERMANENTEMENTE a informar a nossa operadora qual a nossa localização.
A nossa operadora sabe a cada instante o local onde nos encontramos.

Finalmente, as Finanças têm em base de dados, o registo de todo o nosso património.

Um banco, uma operadora de telemóvel e as finanças, sabem tanto da nossa vida, como nós próprios.

 
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E se forem outros a ver esse relato?
Xico Taxista (seguir utilizador), 1 ponto , 6:06 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009

TODOS OS DIAS, OUTROS VÊEM ESSE RELATO.

 
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Acreditem que comico estão tramados.
Sakata (seguir utilizador), 1 ponto , 7:25 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009
As estatístiscas deles, saem todas furadas !!!
 
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Espionagem invisível
Mensagero (seguir utilizador), 1 ponto , 8:39 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009
Quando vou a uma grande superfície fazer compras, a menina da caixa pergunta-me se tenho cartão. O tal! Respondo sempre com alguma altivez, que não. Fico a pensar no que o artigo jornalístico refere, (que era óbvio) no mau serviço prestado muitas vezes por essa superfície, e outras coisas mais. Não tendo cartão, compro onde me apetece e escolho a qualidade e os preços. Mas uma vez que a nossa vida já é global e se nada posso fazer para mudar esse estado de coisas, gostava mesmo era de ver câmaras na via pública, para a segurança ser efectiva e não ter de suportar, volta e meia, o ministro da Administração Interna dizer nas TVs, enquanto se ruboriza como uma donzela, que tudo está controlado. Assim, como assim, se a nossa vida já é um espelho aberto, gostava de dobrar a esquina sem receio de ser surpreendido por algum "gang" de rapazinhos mal comportados ou algum estrangeiro ilegal!...
 
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Despropositado...
aukistuxego (seguir utilizador), 1 ponto , 12:13 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009
Anda a circular na Internet uma petição no sentido de impedir que os bancos, que se andam a movimentar, no sentido de cobrarem 1,50 euros por cada levantamento nas caixas multibanco. Já constam mais de 404.000 assinaturas e quem quizer assinar o site é o seguinte:
http://www.petitiononline...
 
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    É assim:http://www.petitiononline.com/bancatms/    Ver comentário
aukistuxego (seguir utilizador), 1 ponto , 12:17 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009
    Re: Despropositado...    Ver comentário
socrates_lisboa (seguir utilizador), 1 ponto , 12:59 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009
PROGRESSO vs RISCO
Ci (seguir utilizador), 1 ponto , 16:27 | Quarta feira, 26 de agosto de 2009
Será um "mal" necessário, não?
Fujo quanto posso a aceitar cartões de plástico, mas quando tem mesmo que ser, que remédio!
Dá jeito em muias circunstâncias, mas o jeito pode ser para o detentor do cartão ou para quem dos dados se serve indevidamente.
Travões para esta corrida não há!
 
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