Este último, que ontem terminou por terras da Beira Baixa, teve de tudo isto e mais ainda: com a turbulência em que Portugal se encontra devido ao ataque dos mercados internacionais, Cavaco Silva quis, acima de tudo, vincar, com a sua reconhecida autoridade de professor de Economia e Finanças, que a avaliação dos mercados e agências de rating estão erradas e não têm fundamento. Os destinatários desta mensagem estão fora do país.
Depois, internamente, as notícias fizeram germinar mais uma crise política. Ainda mal apagado o fogo do derradeiro frenesim em torno da Lei das Finanças Regionais, a revelação do alegado envolvimento do Primeiro-ministro no processo de silenciamento do jornal da TVI conduzido por Manuela Moura Guedes e do controlo da TVI. Pela pena dos magistrados de Aveiro, ficam patentes os caminhos tortuosos que conduziram a esse objectivo.
Cavaco Silva é cauteloso e prudente. O tema e os tempos são sensíveis e delicados. Disse o essencial e o recado foi ferino: num Estado de direito, há que respeitar a lei e, em especial, "os princípios constitucionais da liberdade de expressão e do pluralismo da comunicação social".
No seu estilo parco, a seta aponta ao alvo. Os próximos tempos vão trazer mais novidades e até pode ser que, rebobinando a máquina, se consiga perceber a razão última do mal fadado e pouco esclarecido caso das "outras" escutas, das que estouraram com o Verão de Cavaco Silva.
Agora, os tempos são outros. A tendência começa a ser a de apelar cada vez mais ao Presidente, a cada nova crise. Mas Cavaco não tem nem os instrumentos, nem sequer a vontade de resolver todas as crises.
Tem um poder último sim. E até tem um precedente já instituído pelo seu antecessor Jorge Sampaio. Mas também tem eleições à porta. Este vai ser um ano difícil, sr. Presidente!