19 de junho de 2013 às 2:55
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O Acordo 20 anos depois

Duas décadas depois de concluído, quatro anos depois de aprovado por ampla maioria no Parlamento, milhões de euros de investimentos depois, renasce a ofensiva contra o Acordo Ortográfico. Vamos falar de forma diferente? Claro que não! O que há é muita teimosia e alguma ignorância.
Henrique Monteiro (expresso.pt)
Henrique Monteiro - O Acordo 20 anos depois

Dedicado a Vasco Graça Moura e a todos os opositores do Acordo Ortográfico

A minha adesão pessoal ao Acordo Ortográfico (AO) tem a ver simultaneamente com confiança e humildade. Confio na sabedoria de quem o fez (não na sua infalibilidade) e sou suficientemente humilde para reconhecer que muitos aspetos que dizem respeito à etimologia e à fonética, tais como outros menos relevantes para este caso, me escapam. Além da confiança e respeito por nomes como Lindley Cintra ou António Houaiss, de que não vejo muita gente comungar, mas antes desprezar, dediquei eu próprio algum tempo ao assunto. E, uma vez que faço da escrita a minha profissão há mais de 30 anos, penso ter algo a dizer.

Rodrigues Lapa, que foi um mestre da língua portuguesa, filólogo distinto, sustinha que as mudanças de ortografia eram sempre violentas. Esta asserção é hoje inteiramente justificada pela quantidade de pessoas que apenas se opõem ao Acordo 'porque sim' - sem quaisquer argumentos.

A verdade é que ninguém se conforma, depois de ter sido obrigado a pôr um p em ótimo, agora lhe dizerem que afinal esse p (no qual nunca encontrou utilidade) não faz falta. Há quem argumente com esse pai tirano, o latim, e com a etimologia da palavra optimus. A palavra sem o p perderá a identidade. Alguns enxofram-se e dizem que lhes matamos o português! Mas qual português, Santo Deus (ou melhor diria Sancto Deus?). O português do assucar ou do açúcar? O de Viseu ou Vizeu?

Philosophia, pharmacia ou phleugma também terão perdido essa identidade (para filosofia, farmácia e fleuma)? Ora, o facto de o phi grego deixar de se distinguir do f na grafia não me parece ter provocado dano ao idioma. Mas há, insistem, o problema do fechamento das vogais. Ou seja, a mania portuguesa (que não brasileira, angolana ou moçambicana) de comer as vogais. Este argumento é o que afirma que passaremos a dizer aspêto em vez de aspéto, uma vez que a retirada do c fecha a vogal. Pode parecer um argumento poderoso, mas não é. Não dizemos Mêlo desde que o apelido deixou de se escrever Mello (Vasconcellos ou Sampayo também se dizem do mesmo modo).

Reparem - e repare o excelente poeta e tradutor, a quem o texto é dedicado - que a forma de acentuar nada ou pouco tem a ver com o modo de escrever, mas sim com o modo de ouvir. Logo ele, que nasceu na Foz do Douro, bastava-lhe andar até à Ribeira para ouvir dizer Puârto e muitas outras coisas que foram morrendo com a voragem unificadora fonética da televisão. No norte dizia-se baca sendo a palavra com v; e o macho da baca era o voi apesar de lá estar um b. Mais estranho: em Lisboa sempre se disse contiúdo apesar do e, ao contrário de Coimbra e Porto onde se diz contêúdo. Em Lisboa, ôito, dezóito, vinte e ôito; no Porto, óito, dezôito e vinte e óito. E sempre se escreveu da mesma forma... Aliás, segundo a professora Maria Helena da Rocha Pereira, o fechamento das vogais pré-tónicas começou em Portugal em finais do século XVII ou princípios do século XVIII - ainda não havia acordos nenhuns.

Agora, se me perguntarem por que razão em 1911 pae passou a pai e mãi passou a mãe (como até hoje se escreve) não sei dizer, do mesmo modo que me irrita o espetador no acordo atual. Mas a propósito daqueles que juram que 'espetador' não distingue o que assiste a um espetáculo de um picador de gelo, refiro a frase: senti os pelos eriçarem-se pelos braços. E eis que toda a gente compreende onde está o quê. Ainda sobre confusões e fechamentos e aberturas de vogais, vejam a frase: 'Gosto particularmente do teu gosto' - quando a leem dizem (pelo menos os cultos, como o presidente do CCB) gósto e gôsto instintivamente. Como em 'Faz força e força aquela porta' sabem que primeiro é fôrça e depois fórça.

Permitam-me, ainda, referir que, durante a minha vida, sòzinho ou sòmente perderam o acento. Pois bem, nunca notei qualquer inflexão (para suzinho ou sumente) no modo de pronunciar aquelas e muitas outras palavras (advérbios de modo e diminutivos) a que aconteceu o mesmo.

Há ainda os que afirmam não gostar do acordo por razões estéticas. É aceitável. Mas a ortografia, sendo uma representação, não pode agradar a todos, e menos ainda reproduzir a pluralidade (e até pessoalidade) de pronúncias e modos de dizer. Exigi-lo seria como pedir a um pintor que pintasse o céu não como ele o vê, mas como cada um de nós, pessoalmente, o vê. Tarefa impossível.

Posto isto, o AO é importante porque aproxima da fonética uma série de palavras. E fá-lo, pela primeira vez, em função de um idioma que, sendo português, é também propriedade, matriz e identidade de outros povos e de outras latitudes. Cedemos? Não sei, nem me importa. Não quero uma língua para me distinguir do Brasil. Prefiro uma que me aproxime. E quem diz Brasil, que tem 200 milhões de falantes, diz naturalmente Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde, São Tomé e Timor.

Respeito o argumento de que a língua deve evoluir por ela, sem intervenção governamental. Creio, no entanto, que deve haver uma única e determinada ortografia nos manuais escolares e nos documentos. Ainda que cada escritor (como cada editora ou jornal) prefira o seu modo de escrever (Pessoa nunca respeitou o acordo de 1911), a ortografia escolar e oficial não pode ser espontânea nem à vontade do freguês. Acrescento que, curiosamente, nenhum de nós (ou quase) lê Pessoa (nem Eça, nem Camilo, nem sequer Aquilino ou Nemésio) na ortografia que os autores escolheram, assim como, apesar de usarmos a língua de Camões, há muito que não grafamos as palavras como ele ("Armas & os barões" ou "Occidental praya"). Quero com isto dizer que um jornal, uma editora, um escritor ou um Centro Cultural de Belém que não adira ao AO, ver-se-á, a breve prazo, a braços com uma escrita anacrónica... E um dia, tal como Pessoa ou Camões, será lido com a ortografia que então estiver em vigor.

Eis porque fui um dos entusiastas, na altura como diretor do Expresso, da utilização do AO nas publicações do Grupo Impresa. Eis porque não aceito que uma lei discutida durante mais de 20 anos seja constantemente colocada em causa. Ou que os opositores do AO esqueçam sistematicamente que a forma como escrevem resulta também de um AO imposto por lei.

Não vale a pena pensarmos que cada geração tem a pureza da grafia. O que pensar de Marco Túlio Tiro que, para poder transcrever os discursos de Cícero, abreviou diversas palavras com sinalética que até hoje usamos (etc., v.g., e.g.). Talvez o mesmo que muitos pensam das abreviaturas feitas pelos jovens nos telemóveis e redes sociais. E, no entanto, é a grafia que tem de estar ao serviço da comunicação - não o contrário.

Acirrar ânimos, insultar adversários, fazer juras solenes em torno de uma simples representação do nosso idioma faz-me lembrar aquele padre tio de Brás Cubas que o genial Machado de Assis (e não por acaso cito um autor brasileiro que devia ser mais lido em Portugal) descreve assim: "Não era homem que visse a parte substancial da igreja; via o lado externo, a hierarquia, as preeminências, as sobrepelizes, as circunflexões. Vinha antes da sacristia do que do altar. Uma lacuna no ritual excitava-o mais do que uma infração dos mandamentos". (E aqui, a palavra infração segue o modo como ele a escreveu... em 1881).

Defender que o fim das consoantes mudas altera o modo de acentuar as palavras é desconhecer que dizemos as palavras tal e qual as ouvimos dizer e não como as vemos grafadas. Só assim se explica a forma diferente de dizer inúmeras palavras, (como conteúdo, dezoito) a troca dos vês pelos bês ou a diferença entre lixo e fixo


Não lemos os autores portugueses com a ortografia que eles escolheram. De Camões a Pessoa, de Bernardim Ribeiro a Eça, todos são vulgarmente lidos na ortografia atualmente em vigor (e que vem essencialmente de 1911). A guerra em torno do Acordo é inútil, anacrónica e, sobretudo, nada tem a ver com uma mítica pureza da língua que é algo que nunca existiu


Texto publicado na revista Atual da edição impressa do Expresso de 18 de fevereiro de 2012

Comentários 125 Comentar
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Numa sala estão dois homens
Um assiste a um filme, enquanto outro prega um prego.
Ambos são "espetadores", segundo o Acordo Ortográfico.

Brilhante!

Já agora, se defendem a modernização da escrita, pq não se inclui no acordo a verdadeira grafia actual : axo k era do best, k4u.
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As "mangas" pronunciam-se do mesmo modo Ver comentário
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'O Acordo 20 anos depois
É bom vê-lo com um texto completo aqui no Expresso online, Henrique. Lê-lo na edição impressa é bom, mas aqui pode-se comentar, e eu até sei que se for necessário, entra nos comentários.

Este é um assunto onde tem o meu acordo total. O acordo é um esforço para se fazer coisas em conjunto dentro da comunidade de falantes da língua Portuguesa e tudo o que seja nessa direção, tem o meu apoio. A história dos vários acordos convenceu-me que não existe uma legitimidade particular nas várias ortografias, pelo que as diferenças entre elas só significam uma irritação para quem gosta de ler livros de todas as proveniências: é que o Brasileiro escrito é demasiado parecido como o Português para podermos pensar nele como uma língua diferente da materna, o que nos incita automaticamente a "corrigi-lo". O que não faltam por ai são estrangeirismos a que ninguém liga a mínima, mas se a escrita é brasileira, logo chamam a atenção para os brasileirismos. E isso está errado. A ortografia não devia ser um instrumento de divisão.

Quanto à suposta perda do Português falado com o AO, só posso oferecer a minha experiência. Eu aprendi a ler cedo, gosto de livros e muito do meu vocabulário foi lido antes de ouvido. Alguns vexames corrigiram-me os erros mais evidentes de tal experiência mas foi preciso aparecer a polémica do acordo para perceber que houve outros que me escaparam: eu pronuncio todas as consoantes mudas!

Aí está, falo mal Português por causa da ortografia anterior.
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TEIMOSIA E IGNORÂNCIA, DE FACTO!!! (2)
Quanto ao facto de a grafia alterar a pronúncia, temos inúmeros exemplos, tanto em 1911 como em 1945.

E até casos em que foi o Brasil que continuou a grafia e a pronúncia cultas, ao invés de Portugal: atente-se no caso do TREMA!!!

Em palavras como "adquirir", "quinquenal", "subsequente" ou "ubiquidade" o Brasil usou até agora o trema que indica a pronúncia correcta dos "u" sonoros (como em "frequente" e não como em "quente"), QUE PORTUGAL TEM VINDO A PERDER POR CAUSA DO ACORDO DE 1945 - que os Brasileiros NÃO seguiram!!!

O mesmo se passou com a perda dos acentos graves e de alguns agudos e circunflexos em 73, pois já há quem diga "âcerca" em vez de "àcerca", etc. Ou nas palavras como Túlipa e Flórida, que ora se pronunciam como graves.

O "g" sonoro em "Phleugma" acabou por desaparecer, mas não em "sintagma". E a pronúncia correcta de "Egito" e "ótimo" É, OBVIAMENTE, "Egipto", e óptimo", pois ainda ninguém diz "otimizado" nem "egitologia"... e só os brasileiros é que dizem "egitos" em vez de "egípcios"...

Quanto aos "c" e "p" supostamente mudos, como em "acto" ou "excepção", se atentarmos cuidadosamente, eles não o são: a pronúncia correcta nestes casos implica uma brevíssima suspensão ou prolongamento da vogal (que na verdade muita gente já não faz) pois o "a" de "acto" ou de "cacto" é mais longo do que em "ato" ou "cato" (dos verbos atar e catar).

Se a escrita é apenas uma convenção, que se respeite A QUE EXISTE, que é A DE 1945!!!
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Nem uma coisa nem outra, mas gostei
Como luto desesperadamente para não dar erros de “palmatória”, ainda não me permiti ao atrevimento de diagnosticar os males de tal Acordo.

Mas apreciei a argumentação de Henrique Monteiro.

Não lhe garante a razão, mas garante que a decisão tomada está alicerçada em “gigantes”. Não como muitos, que optam por decisão própria. Cujos alicerces são a importância que dão a eles próprios.

Henrique Monteiro observou os primórdios, anotou as mudanças e concluiu não existirem razões para que parassem. Encontrou mesmo causa para a mudança.

Como até agora, a discussão - que me tenha apercebido - se tem limitado ao chocalhar de egos, aprecio quem explica a escolha de determinado caminho.

Como existe a liberdade de abortar, pois que abranja os Acordos, mas o tempo vai passando indiferente às circunstâncias de cada momento, continuando inexorável nas mudanças…
Re: Nem uma coisa nem outra, mas gostei Ver comentário
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As consoantes mudas
As consoantes estão lá por alguma razão. Ou essa razão acaba e desaparecem ou pelo contrário devem lá continuar. Que se saiba há (ou havia?) regras para ler o Português, uma era que se abriam as vogais antes de duas consoantes e outra era que as esdrúxulas se acentuavam Ainda não vi escrito em lado nenhum o fim destas, ou outras, regras: logo a cacofonia resultante do N A O será gigantesca.
É pena que só agora, que o assunto caiu narua, se veja o disparate. mas, enfim, antes mais tarde do que nunca. Espero que o NAO seja inviabilizado pela não assinatura dos africanos (quem diria) e que o sr Casteleiro e os seus discipulos se restrijam ao estudo gramatical e deixem a escrita em paz.
Detesto o VGM mas neste caso há que lhe dar razão.
Por outro lado creio inviável a escrita com duas grafias, que farão os correctores ortográficos???
Quanto ao Brasil, gosto demais dele para o ter como muleta para um falso internacionalismo: deixem lá estar o Pt (Brasil) no seu lugar que o Pt (Pt) está bem e recomenda-se (sem o NAO, claro).
Neste assunto, o Expresso e a Impresa precipitaram-se. Vá lá, façam um plano de reparação dos estragos.....
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Tem rasao
O dotor, sabe uma cousa, atão no é que tem rasao, e mais lhe diguo é assim é que é pra frentex qunado agora mi perguntam porquè que escrevo assim, a resposta é muito fássil... - Olhe, inda ando ás voltas com o acordo...
no meio disto todo e agora que já sei escreber como jente grande... ainda só não entedi é porque raios são os egipcios habitantes do egito, atão os homes num debiam ser egitos!!!

Digitado (ou escrevido) cem cualquer acordo ortográficu para melhor compreensão dos leitores oubintes do que estou dizendo.

Passe bem :) (tambem num sei se :) já aparece nu acurdo... mas nao debe faser male
Re: Tem rasao Ver comentário
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O nao e o sim do sr. monteiro
O seu argumento inicial é quase inenarrável...Então entre os que renegam o a.o. não há insígnes linguistas? E levaram 20 anos para parir tal aberração? Olhe, é quase a parição de um burro...Nenhuma das razões invocadas justificam este atentado à língua portuguesa. Deixem-na evoluir normalmente e deixem de utilizar é estrangeirismos inúteis, que de si também já ouvi na televisão. Abaixo o a.o., mais um atentado de um bando de luminárias ao nosso maior património que é a língua portuguesa.
Um português de Angola, descendente de outros que se deslocaram por todo o mundo...
Acórdo ou Acôrdo?
Leem. Espetador. Detetado. São apenas alguns dos disparates que o AO permite. Disparates que dificultam não só a leitura da língua como a sua aprendizagem — tema a que foge no seu artigo de opinião.
Aquilo que talvez mais surpreende os autores (e defensores) do AO é que hajam tantos portugueses que realmente se preocupam com a sua língua e não a querem ver, mais uma vez, abastardada. Não se trata de teimosia e muito menos, como refere sobranceiramente, de ignorância.
Re: Acórdo ou Acôrdo? Ver comentário
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O português falado no Brasil muda
velozmente, mas é distinto em várias regiões do país. A influência, primeiro do francês e, agora, do inglês, principalmente por conta dos meios de comunicação, tem desfigurado o idioma. No Sul, exatamente no Rio Grande do Sul, temos a densa influência espanhola, pois boa parte do território pertencia aos domínios daquele país. Por isso, a pronúncia e os muitos vocábulos castelhanos, no nosso linguajar diário. Não sei a razão de tanta celeuma acerca desse acordo ortográfico, se constitucional ou não. Em ambos os países tivemos ditaduras, nada constitucionais, que quebraram inúmeros legados jurídicos, enviados às favas, pelo então ditador e sua sustentação oligárquica. Qualquer jurista de parcos conhecimentos, com certeza, encontrará um amontoado de leis contrários à ordem institucional vigente. Sendo que ninguém protesta acerca do detalhe. Não acho (pessoalmente) que, o tal acordo possa prejudicar tanto. Se verdade, o bastante é congregar forças, como feito no Brasil, para obrigar o legislador a mudar e voltar atrás, através de projeto-de-lei de iniciativa popular. Rio Grande
O Acordo 20 anos depois
Concordo em absoluto com tudo o que Henrique Monteiro escreveu neste artigo em defesa do AO. É surpreendente o facto de intelectuais como Vasco Graça Moura e outros (e também de muitos que assim se consideram mas que não o são) continuarem a cometer a estupidez (desculpem, mas não encontro outro nome para designar os seus arrevesados ataques ao AO).

Um dos mais incríveis argumentos que tenho ouvido e lido contra o AO é que Portugal está a ceder ao Brasil a sua "soberania" sobre a língua portuguesa! Que estranha forma de patriotismo!

Os meus parabéns a Henrique Monteiro.
Re: O Acordo 20 anos depois Ver comentário
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Aborto ortográfico
Concordo consigo quando diz que a lei é para cumprir. No entanto, tal como o Henrique Monteiro - que já anda nisto da escrita há mais de 30 anos - sabe melhor do que eu, as pessoas têm o direito de não concordar com esta reforma radical e muitas vezes incompreensível, afastando-nos de vez da grafia anglo-saxónica e aproximando-nos de uma forma perigosa de países que nos estão muito distantes. Eu gostava de saber o que é que o Sr. director do Expresso sente de cada vez que escreve Egito. É porque eu sempre disse Egipto. E que sentido faz tirar o "P" de Egipto, se depois acabamos por dizer egípcios??????
E qual é a lógica de retirar o assento ao Pára? Eu não quero escrever "pára" e "para" da mesma forma . Qualquer dia estamos a escrever "Churraisco" e "légau", israelense e Iran.

Que alterações na grafia fizeram os brasileiros para que isto seja de facto um acordo? Que cedências fizeram?
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O acordo 20 anos depois
Já fez correr muita tinta e eu já aqui gastei alguma. No entanto posso dizer que acabo de ver escrito tudo aquilo que disse e que eu queria dizer, mas que a limitação do meu espaço não me permitia. Só posso dar-lhe os parabéns por mais esta achega contra os Velhos do Restelo, que nem vêem as figuras ridículas que andam fazendo.
AI
Ó Henrique, para, para, para, para com isto.

Espera, eu queria dizer pára. Espero que tenha entendido.
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Re: AI, mas são berdes... Ver comentário
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Talvez Henrique Monteiro se interesse...
... pela opinião do brasileiro João Pereira Coutinho.

"Naufragar é preciso?", publicado na Folha de São Paulo no dia 10/01/12.

http://veja.abril.com.br/... ao-pereira-coutinho/

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O Acordo e a Aproximação
Resumo do argumentário: Eu sou a favor do acordo porque uns senhores muito doutos o fizeram e porque é lei; quem não está de acordo é ignorante; porque aproxima a língua da fonética, mas quando não o faz não há problema porque a gente sabe como se diz; porque nos aproxima do Brasil. É melhor começarmos a falar com sotaque brasileiro, a ver se nos aproximamos ainda mais. Já que estamos numa de vender a pátria ao desbarato, que se venda a língua também! Que cambada...
A união entre os povos promove-se com o respeito pela cultura e diferença de cada um, e não com estas febres unificadoras. O Francês e o Inglês, línguas predominantemente etimológicas, demonstram à saciedade que não há necessidade de aproximar a língua à fonética. Não havia em 1911, e continua a não haver. Esta tentativa de unificação das ortografias resulta ou de interesses comerciais ou de uma visão bacoca e autoritária de que os tais senhores doutos devem definir, do alto do pedestal da sua sobranceria, a forma como todo um povo deve escrever e este deve acatar sem protestar porque é lei. O resto é conversa.
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