"Sempre actuei dentro do quadro de competência que tinha", garantiu aos deputados Rui Pedro Soares, ex-administrador da PT, no início da sessão da Comissão de Ética sobre Ética e Liberdade de Expressão.
Rui Pedro Soares diz nunca ter recebido instruções do Governo.
O ex-administrador da PT, Rui Pedro Soares, garantiu hoje no Parlamento nunca ter recebido instruções do primeiro ministro em relação à Portugal Telecom nem nunca ter falado do negócio PT/TVI com o ministro Mário Lino.
"Nunca recebi nenhuma ordem nem instrução do primeiro ministro em relação à PT", afirmou na audição da comissão de Ética, Sociedade e Cultura que está a decorrer no Parlamento a propósito de liberdade de expressão e da alegada intervenção do Governo na tentativa da PT de comprar a Media Capital.
Duas reuniões com Governo
"Nunca estive presente nem nunca representei a PT em nenhuma reunião com o primeiro ministro ou com o ministro Mário Lino [ex-ministro das Obras Públicas com a tutela da Portugal Telecom]", acrescentou.
"A relação com acionista Estado e com o Governo nunca foi minha responsabilidade enquanto vogal da comissão executiva da PT", disse Rui Pedro Soares.
A comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura está a realizar, desde 17 de fevereiro, audições a quase 60 pessoas e entidades ligadas ao sector da comunicação social, na sequência de acusações ao Governo por alegadas interferências na comunicação social, nomeadamente na TVI através da PT.
Rui Pedro Soares explicou que apenas duas vezes representou a PT em reuniões com o Governo, uma delas com o secretário de Estado João Cravinho, por causa da Timor Telecom e a segunda com o secretário de Estado do Emprego para analisar legislação sobre incentivo à contratação de jovens.
"Foram as duas únicas reuniões em que representei a PT junto do Governo", disse Rui Pedro Soares.
Explicações da demissão
O ex-administrador da PT começou a audição com quatro pontos prévios indicando o seu percurso na PT e referindo que quando se demitiu, há cerca de uma semana, fê-lo para se poder defender ser livre para falar.
"Tomei essa decisão livremente para me defender livremente de todas a calúnias que têm sido ditas sobre mim. Quando falo comprometo-me a mim e não à PT. Quem quiser ataque só a mim e não à PT", disse.
O ex-administrador da PT também garantiu nunca ter falado com outro partido sobre o negócio da TVI e adiantou nunca ter tido responsabilidade na compra de publicidade na PT.
Rui Pedro Soares é visado nas escutas do caso "Face Oculta", divulgadas pelo semanário "Sol", como sendo um dos elementos que terá participado na alegada tentativa de controlo dos media pelo Governo, sai da administração executiva da PT, onde entrou em 2006.