O Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD) está a desenvolver um projecto que visa reduzir o tempo entre o diagnóstico e o início dos tratamentos do cancro da mama, cujo número de casos detectados na região duplicou relativamente ao ano passado.
Segundo Francisco Sousa Pimentel, médico responsável pelo serviço de imagiologia da patologia mamária, explicou ao Nosso Jornal que a nova abordagem envolve o trabalho em conjunto dos vários de profissionais no tratamento da doença, desde o médico responsável pela detecção até ao cirurgião, passando pelas áreas da oncologia, radiologia, anatomia patológica e apoio psicológico.
"Antes as pessoas eram obrigadas a vir três ou quatro vezes ao hospital desde a detecção até ao tratamento. Hoje não é assim, quando há suspeita a doente faz a consulta, a nomografia e a biopsia no mesmo dia", explicou o mesmo responsável.
No que diz respeito ao procedimento mais indicado para cada doente, as decisões são tomadas em conjunto de forma a garantir não só que seja tomada a terapêutica mais adequada mas também que todos os utentes tenham equidade de tratamento, segundo um protocolo de tratamento que se baseia em linhas orientadoras internacionais. "Agilizamos isso de tal forma que, actualmente, no hospital de Vila Real não se ultrapassa três semanas entre o diagnóstico e o início do tratamento, o que antes podia demorar meses", sublinhou.
O novo grupo multidisciplinar veio assim complementar a aposta do CHTMAD em equipamentos com tecnologia de ponta que permitem uma detecção mais eficaz dos tumores da mama, garantindo assim um intervenção precoce e, consequente, uma maior margem de sucesso no tratamento.
Considerado já como um hospital de referência em Trás-os-Montes, o Hospital de Vila Real garante todo o processo de tratamento do cancro, desde o diagnóstico até aos vários tipos de tratamentos possíveis. "Ao adquirir os equipamentos mais recentes de imagiologia, como o mamógrafo digital equipado com estereotaxia digital, foi possível fechar um circuito completo desde a detecção da doença até ao tratamento do cancro da mama. O que quer dizer que as doentes já não têm qualquer necessidade de se deslocar ao Porto", sublinhou o médico.
No que diz respeito ao grande aumento no número de casos, Francisco Sousa Pimentel explica que se deve a vários factores, sendo o primeiro dos quais a qualidade dos equipamentos, que garantem "métodos de observação de maior sensibilidade que detectam cada vez tumores mais pequenos".
Outros factores que influenciam o número de novos casos são o desenvolvimento de mais rastreios organizados pela Liga Portuguesa Contra o Cancro e uma maior consciencialização por parte das mulheres para a prevenção.
"Um tumor da mama detectado numa fase precoce tem uma cura", isto é, em mais de metade dos casos em que o tumor é detectado numa fase muito inicial, com uma dimensão à volta de um centímetro, ou menos, as pessoas não voltam a ter a doença.
Segundo a Liga Portuguesa Contra o Cancro, o cancro da mama "é o tipo de cancro mais comum entre as mulheres (não considerando o cancro da pele)", registando em Portugal, por ano, cerca de 4500 novos casos e mais de 1500 mortes.
Caminhar para sensibilizar no próximo sábado
"Se for detectado precocemente o cancro da mama tem tratamento rápido e eficaz, e na grande parte dos casos a cura é definitiva", sublinhou Carlos Vaz, presidente do Conselho de Administração do CHTMAD, para justificar a importância do evento que, organizado pela Unidade de Patologia Mamária, vai pôr Vila Real a caminhar pela prevenção do cancro da mama no próximo sábado, dia 22.
Além de garantir equipamentos com tecnologia de ponta, profissionais de referência e um centro oncológico que serve toda a região, o Centro Hospitalar está também empenhado em alertar a população para a prevenção deste tipo de cancro.
A caminhada, que terá um percurso total de cinco quilómetros, e adequa-se a qualquer idade, passará por várias ruas de Vila Real, partindo da Câmara Municipal pelas 9h00.
No fim da caminhada, os participantes vão criar "um cordão humano para dar força a todas as mulheres que passaram ou estão a passar por esta doença", explica a organização.
A inscrição é gratuita e pode ser feita através de mail (geral@chtmad.min-saude.pt e gci@chtmad.min-saude.pt) ou por telefone (259 300 500, extensões: 4314 ou 4831)