24 de abril de 2014 às 4:13
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Novo Presidente do Egito promete respeitar tratados internacionais

Mohamed Morsy, candidato da Irmandade Muçulmana e novo Presidente do Egito, promete prosseguir com a revolução e respeitar acordos bilaterais, inclusive o Tratado de Paz com Israel. Clique para visitar o dossiê Crise no Egito
Maria Luiza Rolim (www.expresso.pt)agências
Apoiantes de Mohamed Morsy celebraram ontem, na praça Tahrir, a vitória do candidato da Irmandade Muçulmana Amr Abdallah Dalsh/Reuters Apoiantes de Mohamed Morsy celebraram ontem, na praça Tahrir, a vitória do candidato da Irmandade Muçulmana

"Sou o Presidente de todos os egípcios, sem exceção", afirmou domingo Mohamed Morsy, 60 anos, no seu primeiro discurso como chefe de Estado. O candidato da Irmandade Muçulmana foi eleito pelo povo egípcio, é islamista, não é militar, e derrotou nas urnas o primeiro-ministro do antigo regime, Ahmed Shafik, favorito do Exército.

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Morsy prometeu prosseguir com a revolução e respeitar os tratados internacionais, entre os quais supostamente estará incluído o que foi assinado com Israel em 1979, ao qual o novo Presidente não se referiu explicitamente. E pediu o apoio de todos os egípcios para a reconstrução do país.

Entretanto, o Presidente norte-americano Barack Obama já prometeu a Morsy "apoio na transição para a democracia"..

Morsy disse que respeitará os direitos das mulheres


No seu discurso, Morsy agradeceu aos mais de 900 mártires da revolução de 25 de janeiro, que morreram na sequência de confrontos com as autoridades quando pediam a renúncia de Hosnio Mubarak. "Sem esse sacrifício, eu não poderia estar aqui como o primeiro Presidente eleito da história no Egito. Temos que saudar a todos que regaram a árvore da liberdade com o seu sangue", disse.

O novo Presidente agradeceu também, por diversas vezes, a Alá, graças a quem "chegamos a este período histórico". Horas depois de reiterar o seu slogan de campanha, "o Islão é a solução",  Morsy acrescentou: "Alá é o nosso guia para o caminho certo. Não trairei Alá, e não trairei vocês. Não irei contra a vontade de Alá", deixando claro que vai governar para todos, muçulmanos e cristãos.

"Respeitaremos os direitos das mulheres e das crianças, os direitos humanos e os nossos acordoes internacionais", afirmou, enfatizando que o Egito deve buscar "relações internacionais equilibradas e basedas nos interesses mútuos e no respeito".

O Presidente eleito disse, também, que "não permitiremos qualquer interferência nos nossos assuntos internos, protegendo a nossa soberania nacional,  do mesmo modo que não apoiaremos interferências noutros países. O Egito tem capacidade para se defender sozinho".

Candidato islamista conquistou mais de 51% dos votos


Mohamed Morsy obteve 51,7% dos votos na segunda volta, o que pressupõe que contará com o apoio de pouco mais da metade da população egípcia. A outra metade (48,3%) apoiou Ahnmed Shafik, general na reserva e ex-primeiro-ministro de Mubarak.

A julgar pela celebração que se seguiu ao anúncio dos resultados das eleições, com dezenas de milhares de pessoas a tomarem conta da cidade do Cairo e da simbólica praça Tahrir para celebrar a sua vitória, o candidato islamista representava muito mais do que a alternativa possível ao candidato apoiado pelo Exército e pelos defensores do antigo regime.

Os islamistas e a Irmandade Muçulmana, que foi o maior partido de oposição durante a era de Mubarak, querem de volta o poder presidencial, recentemente esvasiado por decisão do Conselho Supremo das Forças Armadas. Resta saber até que ponto os militares estão dispostos a deixar o poder.


Vitória do Presidente islamista levanta onda de inquietação em Israel

O novo Presidente já prometeu que vai respeitar os acordos bilaterais, mas que quer também restabelecer as relações com o Irão, interrompidas há mais de 30 anos. Mohamed Morsy afirmou que o reforço das relações entre o Irão e o Egito "criará um equilíbrio estratégico regional e faz parte do programa" da sua candidatura Adiantou, ainda, que vai "rever os acordos de Camp David" que estabeleceram a paz com Israel, mas que isso será feito pelos órgãos governamentais. "Não tomarei qualquer decisão sozinho.A nossa política face a Israel será baseada na igualdade porque não somos inferiores a eles. Debateremos o direito dos palestinianos porque isso é muito importante", adiantou.
Pouco depois do anúncio dos resultados eleitorais no Egito, o Governo israelita emitiu um comunicado. "Israel apoia o processo democrático no Egito e respeita os resultados eleitorais das presidenciais. Israel espera continuar a cooperação com o Governo egípcio em função do tratado de paz entre ambos os países, que é de interesse mútuo e contribui para a estabilidade regional", afirmou Benjamin Netanyahu.
Também o Irão congratulou-se com o novo Presidente do Egito, assinalando que a sua vitória, esplêndido exemplo de democracia, marca o despertar islâmico do país.

Esta segunda-feira, os jornais israelitas expressam de forma unânime a sua inquietação sobre a nova situação na região após a vitória de Mohamed Morsy, o novo Presidente islamista do Egito, uma vez que os muçulmanos são pró-palestinianos.
"Trevas no Egito" é a manchete do "Yediot Aharonot", o principal jornal popular de Israel, fazendo alusão a uma das dez pragas descritas na Bíblia. "Israel inquieta-se com a chegada ao poder do Islão extremista no Egito, apesar de Mohamed Morsy (o novo Presidente egípcio) ter prometido respeitar os compromissos internacionais do país", refere o jornal.
"O temor tornou-se realidade: a Irmandade Muçulmana está no poder no Egito. O tratado de paz está em risco", afirma na primeira página o jornal "Maariv".
"Nada vai mudar a curto prazo nas relações com o Egito, pois Morsy enfrenta desafios muito mais urgentes do que uma guerra com o Estado judeu", afirma Yaakov Katz, analista do "Jerusalem Post", acrescentando que "a chegada ao poder da Irmandade Muçulmana terá uma influência sobre a ameaça terrorista crescente no Sinai. A questão é saber se Morsy vai tomar ou não medidas para modificar esta situação".
O jornal "Haaretz" também dedica a primeira página da sua edição de hoje à preocupação, de Israel, com a eleição do Presidente islamista egípcio. Mas cita uma fonte oficial, segundo a qual o Governo de Benjamin Netanyahu "espera" que Morsy considere que é primordial para o Egito recuperar a sua economia vacilante, ao invés de questionar os acordos bilaterais.
O autor do blogue "Shalom Israel" afirma hoje, na Internet, que a "eleição do novo Presidente egípcio preocupa Israel. (...) o candidato da Irmandade Muçulmana ainda não "aqueceu a cadeira" do poder e já começa a causas justificadas razões de preocupação ao vizinho Israel. (...) Desde os acordos de paz feitos entre Israel e o Egipto em Camp David, em 1979, que não havia relações entre o Irão e o Egipto. Este sinal da "Irmandade Muçulmana de querer estreitar os laços com o Irão não surpreende, mas aumenta a preocupação dos israelitas, uma vez que esta declaração de Morsy evidenciam a ameaça de Israel estar sob a potencial pressão deste eixo composto pelo Irão- Hezbollah-Hamas e Egipto. Este "eixo do mal" com o Egito a sul, a Síria e o Hezbollah a norte e os terroristas do Hamas em Gaza constitui uma "tenaz ameaça" que vai abafando cada vez mais qualquer esperança de paz na região. Israel precisa de tudo menos dessa vitória dos islamitas num país com o qual podia até aqui viver tranquilo. Mas o bater do relógio profético não pode parar, e o Egipto ainda vai desempenhar um papel importante e trágico (para si) nestes dias finais da humanidade".
Ontem, tal como aconteceu durante as eleições, o Egito fechou a fronteira de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, tal como aconteceu durante a realização das presidenciais. Fonte oficial do Hamas disse que o encerramento, ontem, foi comunicado de forma repentina, logo após a passagem, nos dois sentidos, de alguns palestinianos, e que a medida deveria estar relacionada com o anúncio dos resultados das presidenciais.





Comentários 9 Comentar
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Militares nos quarteis?
Vamos ver se o Presidente tem força para meter os militares nos quarteis.
Se tal não acontecer a Democracia não passa de uma miragem no deserto!
Situação instável...
Um presidente democraticamente eleito mas sem uma constituição que lhe defina os poderes. Um parlamento inexistente depois das movimentações dos sistemas judicial e militar para afastar aqueles que - melhor ou pior - representavam a sociedade egípcia. E uma junta militar que se agarra ao poder com unhas e dentes...

Situação muito complicada. Esperemos que o bom senso e espírito democrático vençam. Para já gostei das palavras de Morsi, mas vamos a ver se vai seguir um estilo turco ou iraniano, ou uma terceira via de resultados incógnitos...

oreivaivestido.blogspot.pt/2012/06/egipto-um-beco-sem-saida.html
A situação desse novo governo do Egito,
eleito pelo voto popular, não parece clara. Diz que vai respeitar os tratados internacionais, mas será que terá forças para comandar seu país, sem a interferência dos militares? Rio Grande
Até agora...
...não está claro quais os motivos que levaram os militares a retirarem os poderes presidenciais previstos na lei que foi revogada parcialmente sob uma pretensa ilegalidade.

O início do mandato começa a ser exercido numa situação de debilidade constitucional que não favorecerá o cargo do presidente.

Urge clarificar a situação supondo que haverá alguém empenhado em minar,à partida, as relações institucionais no Egipto.
Re: Novo Presidente do Egito promete respeitar tra
Um caso muito interessante. Tenho sempre receio quando vejo o poder político associado à religião. Esperemos que Morsi, um homem que inclusivé leccionou nos EUA e que conhece bem a cultura ocidental, mantenha um profile equilibrado. A sua tarefa é extremamente difícil pois os militares tentarão controlar a sua zona de acção. Penso que a situação não ficará como está, prevejo que a acção presidencial será incompatível com a manutenção do poder do antigo regime. Veremos também como se comportam (e quem apoiam) os EUA e Israel...tal também dependerá muito de quem Morsi se revelar ser enquanto presidente.
Para lá do lip service...
Para lá do inevitável politicamente correcto e do q não podia deixar de dizer, o q temos é um Presid. q assentou tudo em q " O Islão é a solução!" e q "Alá é o nosso guia " e "não irei contra a vontade de Alá". Como , com estas bases, poderá respeitar, nomeadamente, os direitos das mulheres, no sentido de promover a sua igualdade com os homens? O Islão, tal como é actualmente entendido e praticado, nesta, como noutras matérias, não só não é solução, como constitui o maior obstáculo. E como saber "a vontade de Alá" para se prometer não a contrariar? Esta vontade só a sabem buscar, literalmente, no Corão. Isto não promete nada de bom...Oxalá me engane!
Re: Para lá do lip service... Ver comentário
Re: Para lá do lip service... Ver comentário
Trabalho difícil.
É o que o espera. Para não dizer quase impossível de realizar. Tal como diziam os "Taxi", grupo de rock português que, num dos seus discos publicado nos anos 80, abordava a problemática egípcia na música "Cairo", cuja letra dá a ideia da complexidade da vida no Egipto, mais concretamente na super-povoada Cairo. Se não for radical q.b., terá os radicais do seu partido e de outros a chateá-lo; se for demasiado pró-ocidental, arrisca-se a ter um destino idêntico ao de Sadat. Tem uma presidência muito difícil pela frente....
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