Onze dias após o sismo que devastou o Haiti, uma equipa internacional de socorristas conseguiu sábado resgatar com vida um homem de 25 anos, que foi imediatamente hospitalizado.
Este jovem, Wismond Exantus, que conseguia mover-se e falar, foi transportado, sob os aplausos da multidão, por bombeiros franceses, ajudados por socorristas norte-americanos e gregos.
"Pode dizer-se realmente que é um milagre e podemos esperar que não seja o último", declarou o tenente-coronel Christophe Renou, que comandou a equipa de socorro francesa.
"O que se passou é extraordinário. Ele resistiu durante onze dias, o que é particularmente incrível", comentou Didier le Bret, embaixador de França no Haiti.
"Bebi Coca-Cola todos os dias
"Sinto-me bem", disse o jovem deitado na sua cama de hospital, explicando em crioulo que "sobreviveu ao beber Coca-Cola".
"Bebi Coca-Cola todos os dias, e comi pequenas coisas", contou o jovem, algumas horas após ter sido retirado das ruínas da mercearia Napolitain.
Este novo salvamento aconteceu numa altura em que as operações de busca foram oficialmente suspensas na terça-feira à tarde.
Mas, "os sapadores de bombeiros são pessoas obstinadas", declarou Le Bret aos jornalistas presentes. "Vieram quando os chamámos", sublinhou.
Equipas não baixam braços
Wismond Exantus disse aos salvadores que cinco outras pessoas estavam vivas sob os escombros, mas os bombeiros não detectaram qualquer outro sinal de vida.
O tenente-coronel Renou acredita, no entanto, que podem "haver outras pessoas sob os escombros. A única coisa a fazer agora, é tentar contactá-las".
Renou explicou que a presença de Wismond Exantus nos escombros da mercearia foi detectada pela sua família, que ouviu a sua voz.
A família avisou os socorristas gregos, que contactaram as Nações Unidas, que, à sua volta, alertaram as equipas francesas e norte-americanas.
Sinais de vida
Wismond Exantus contou que ficou preso sob os escombros num pequeno buraco onde se podia mover da esquerda para a direita e tocar nalguns objectos para tentar atrair a atenção.
"Não gritei, simplesmente rezei", disse. Chegados ao local, os socorristas conseguiram estabelecer um contacto vocal com ele.
"Conseguimos falar-lhe. Respondeu-nos. Conseguimos abrir um buraco para lhe permitir receber luz. (...) Conseguimos dar-lhe água para o ajudar nas últimas horas da operação", contou o tenente-coronel.
Apesar do fim oficial das operações de busca, 62 equipas estrangeiras, segundo a ONU, continuam em Port-au-Prince, onde 133 pessoas foram retiradas dos escombros desde 12 de Janeiro, data do sismo.
Número de vítimas ascende a 112 mil
O balanço das vítimas do sismo que devastou
o Haiti a 12 de Janeiro elevou-se aos 112.226 mortos e 194.000 feridos,
segundo números fornecidos ontem pelo ministério haitiano do Interior.
Um anterior balanço tornado público sexta-feira pelo ministério do Interior
apontava para 111.499 mortos e 190.000 feridos.
"Os prejuízos são catastróficos", sublinhou o ministério num comunicado, que dá conta de um milhão de sem-abrigo.
Segundo este novo balanço, metade das casas estão destruídas em Port-au-Prince, Jacmel e Léogâne, as três cidades de Haiti mais afectadas pelo sismo.
"Pelo menos 23 centros hospitalares privados ruíram enquanto escolas, bancos, indústria e o comércio foram bastante afectados", acrescentou o ministério do Interior.
As Nações Unidas consideram que no total três milhões de pessoas foram afectadas por este sismo de magnitude 7.