A chanceler alemã Angela Merkel afirmou hoje que as novidades de Copenhaga "não são boas", esperando que a chegada de uma centena de chefes de Estado e de Governo para participarem na conferência consiga salvar as negociações sobre o clima.
"As novidades que nos chegam não são boas. Actualmente, não há processo razoável de negociações em vista", disse Angela Merkel perante os deputados no Bundestag.
"Mas espero, evidentemente, que a presença de mais de 100 chefes de Estado e de Governo vá dar a esta reunião o impulso necessário", acrescentou a responsável, que deverá estar em Copenhaga ainda hoje para participar nas negociações.
"Acredito que esta conferência é um excelente teste para ver se conseguimos tomar uma nova via para o desenvolvimento mundial, uma reorientação convincente em matéria de desenvolvimento duradouro", prosseguiu a chanceler.
Angela Merkel disse que "várias pessoas em todo o mundo estão a ver se conseguimos, se encontramos uma solução". A responsável defendeu também que as propostas dos EUA não eram "até agora suficientemente ambiciosas".
Consenso está difícil
O Presidente norte-americano Barack Obama prometeu levar os EUA a definir um objectivo de redução das emissões de gases com efeito de estufa em 17% em 2020, relativamente a 2005. Mas Angela Merkel recordou que esta meta só corresponde a uma redução de 4% por cento das emissões norte-americanas relativamente aos níveis de 1990, data geralmente aceite como referência nas negociações.
Delegações de 192 países estão reunidas até sexta-feira em Copenhaga naquele que é já considerado o maior e mais importante encontro de sempre sobre o clima. O objectivo é chegar a um consenso em relação a um texto para um acordo legalmente vinculativo, que concretize os objectivos necessários para assegurar que o aquecimento global não será superior a 2º centígrados em relação à era pré-industrial.
Está confirmada a presença de mais de cem chefes de Estado e de Governo na conferência de Copenhaga, convocada pela ONU, a que também assistem cerca de 15 mil delegados e o próprio secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.
O primeiro-ministro português, José Sócrates, participará na cimeira.