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Até já Parlamento da Saúde

Francisco Pedro Balsemão, CEO do Grupo Impresa, um dos intervenientes do último plenário do Health Parliament Portugal, realizado na Sala dos Embaixadores do Palácio da Ajuda

Nuno Botelho

No último plenário do Health Parliament Portugal o tom não era de despedida, mas sim de vontade de mudança e de continuação do trabalho feito este ano

Os seis meses de Health Parliament Portugal (HPP), projeto do Expresso, Janssen, Microsoft e Universidade Nova, valeram hoje elogios de toda a assembleia no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa. A sessão começou com Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, que depois de salientar o trabalho dos deputados do HPP lembrou que “serviços públicos para pobres acabam em serviços públicos pobres”. O Presidente da Republica, na impossibilidade de estar fisicamente presente, deixou um vídeo onde assinalou o vibrante sangue inovador e pensador dos jovens parlamentares.

À presidente do Parlamento da Saúde, Ana Castro, coube o resumo destes últimos meses e o agradecimento aos parceiros e acima de tudo aos curadores que sempre apoiaram os parlamentares. Da parte dos parceiros, António Rendas, reitor da Universidade Nova de Lisboa; Filipa Mota e Costa, Diretora-geral da Janssen Portugal; Paula Panarra, diretora-geral da Microsoft; e Francisco Pedro Balsemão, CEO do Grupo Impresa também houve consenso. Elogios aos deputados e, acima de tudo, a valorização do trabalho e do espírito de iniciativa que os trouxe até aqui.

A sessão terminou com uma entrevista de Ricardo Costa, diretor-geral de informação da Impresa, ao Ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, e que pode ser lida na edição de sábado do Expresso. Antes tinham-se ouvido as recomendações aprovadas das várias comissões – “Barreiras aos Cuidados de Saúde"; “O Doente no Centro da Decisão”; “Saúde Mental”; “Economia do Conhecimento”; “Ética em Saúde” e “Tecnologias de Informação em Saúde” – que puderam ser discutidas mais uma vez.

Os presidentes das várias comissões, ainda sem saberem que iriam ser desafiados pelo ministro, que espera que “para o ano haja nova sessão legislativa”, tinham já prometido a implementação das recomendações.

O balanço feito pelos presidentes

Afonso Duarte; Presidente da Comissão de Economia do Conhecimento :

“Os últimos seis meses foram bastante positivos. Permitiu-nos estudar mais aprofundadamente o que se faz de inovação em saúde em Portugal e a nível europeu. Ter uma perspectiva dos desafios que ainda existem no país e o que podemos combater para melhorar a inovação no SNS - essa é uma das grandes propostas que temos. E também para perceber como é que podemos avaliar o que se faz em saúde em Portugal a nível da investigação fundamental até à aplicada e translacional. Esse foi o grande desafio. Temos uma comissão muito variada no conhecimento básico e técnico, por isso, houve uma troca de ideias muito forte, muito positiva. Esperamos continuar com um grupo mais informal. Queremos estar presentes, estamos de corpo e alma neste projeto que apresentamos.”

Sofia Couto da Rocha; Presidente da Comissão de Tecnologias de Informação em Saúde:

“Muito positivo. Antes de tudo é um grupo fantástico. É um grupo que se vai manter seja como grupo de trabalho ou de investigação. Fizemos um trabalho que é difícil encontrar fora deste contexto porque raramente há equipas tão multidisciplinares. São medidas que podem ser aplicadas de forma imediata, com impacto imediato e com valores de investimentos que acreditamos ser bastante baixos. Como não tínhamos tanto espaço para desenvolver as medidas como queríamos acabamos por desenvolver uma plataforma online - saudeit.pt - em que pretendemos dar impacto, desenvolver, aplicar e explicar todo o trabalho que fizemos até agora.”

João Marques Gomes; Presidente da Comissão O Doente no Centro da Decisão:

“O balanço é extraordinariamente positivo. Trabalhamos afincadamente ao longo dos seis meses, tivemos uma grande intervenção de peritos, fizemos visitas de campo e revisão de literatura. O futuro agora é tentar implementar, podemos fazer a diferença. Sou optimista, não acho que nada vá ficar pelo caminho. Esta geração e este parlamento da saúde, com uma extraordinária organização, com este andamento e ritmo vai fazer com que aconteça alguma coisa. Há neste parlamento profissionais de saúde, advogados, gestores, investigadores, economistas e especialistas de comunicação. Temos a representação da saúde, agora é continuar com as mangas arregaçadas.”

António Teixeira Rodrigues, Presidente da Comissão de “Barreiras aos Cuidados de Saúde”:

“Chego ao final e não sei se fico contente pelo bom trabalho feito, ou se me sinto muito mais desafiado hoje do que no início. Primeiro pela discussão com pares tão diferentes e tão interessantes. E depois pelas recomendações que produzimos e que podem fazer verdadeiramente a diferença na saúde das pessoas. Agora como cidadãos fazemos a questão de estar presentes, de fazer diferença na sociedade.”

Teresa Reis, Presidente da Comissão de Saúde Mental

“Foi extremamente positivo conseguimos encontrar quatro áreas pelas quais nos interessamos e aprofundamos conhecimento para conseguirmos propor medidas que pensamos que tinham todo o potencial para implementação. Foi um grupo que trabalhou muito bem, muito coeso. Uma das grandes mais-valias foi as diferentes áreas de origem e um cruzamento tão polivalente que permitiu a construção de conhecimento. O balanço é muito positivo e esperamos que as medidas que desenvolvemos nas áreas do emprego, as medidas simplex, de inovação e de conhecimento possam vir a ser implementadas. Aquilo que sentimos é que nada termina hoje. É apenas o final de uma primeira fase e que há muito trabalho para fazer, um trabalho de implementação onde fazemos questão de estar presentes.”

Inês Campos Costa, Presidente da Comissão de Ética:

“Muito positivo, as nossas recomendações estão muito bem estruturadas, muito firmes, são o resultado de muitos meses de uma profunda discussão, de leitura e articulação com os stakeholders. Realmente não podíamos desejar nada melhor. Resta-nos esperar que as agarrem, que as queiram trazer a palco e que nos envolvam. Os decisores políticos do SNS, agora, têm seis ferramentas adicionais que podem jogar a seu favor. E continuarão a ter depois de hoje seis grupos de jovens proactivos com vontade de dar o seu contributo, que querem continuar a estar envolvidos nesta discussão. Apenas pela vontade de melhorar e evoluir.”