Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Conta de Twitter de Donald Trump partilha vídeos da extrema-direita britânica

Jonathan Ernst

A conta na rede social Twitter de Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, partilhou recentemente três vídeos da extrema-direita britânica, todos eles ferozmente críticos da presença de muçulmanos no país. Foram partilhados há cinco horas e Trump ainda não os retirou nem acusou ninguém de ter entrado na sua conta

Ana França

Ana França

Jornalista

A conta de Donald Trump no Twitter republicou ontem à noite (madrugada de Lisboa) três vídeos originalmente publicados por Jayda Frasen, vice-presidente do grupo britânico de extrema-direita Britain First, os três de cariz anti-islâmico. A autenticidade dos vídeos não foi verificada mas as imagens são bastante perturbadoras. O primeiro vídeo parece mostrar um cenário de guerra, onde homens de longas barbas e bandeiras do auto-proclamado Estado Islâmico enfiadas no bolso de trás das calças, atiram um rapaz de um telhado. No segundo um homem aparentemente de origem muçulmana destrói uma estátua da Virgem e em outro um imigrante alegadamente também muçulmano bate num rapaz dinamarquês que está de muletas.

Donald Trump tem mais de 43 milhões de seguidores no Twitter e não é a primeira vez que na sua conta aparecem conteúdos e informação não verificada. O ano passado Trump falou de um ataque terrorista na Suécia que nunca aconteceu.

A própria Frasen foi condenada no ano passado por ofensa religiosa grave depois de ter insultado uma mulher muçulmana que passou pelos seus filhos de hijab. As publicações de Donald Trump foram recebidas com grande entusiasmo pelos apoiantes do Britain First (um grupo formado dos despojos do partido de extrema-direita British National Party). Como reposta à publicação de Trump, que não tinha qualquer comentário adicional do próprio, Frasen escreveu, em letras maiúsculas, um longo agradecimento. "O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retweetou três vídeos que a vice-presidente Jayda Frasen colocou no Twitter! O próprio Donald Trump retweetou e ele tem quase 44 milhões de seguidores! Deus te abençoe Trump! Deus abençoe a América!"

Nick Ryan, membro do grupo anti-racismo Hope Not Hate, disse ao diário britânico "The Independent" estar "completamente incrédulo" ao ver "o líder do mundo livre descer tão baixo ao ponto de partilhar conteúdo com origem num dos mais notórios grupos de extrema-direita do Reino Unido".

A seguir a estas publicações, Trump regressou à normalidade, publicando várias críticas aos meios de comunicação norte-americanos.