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Expresso

Professores na parada

6 de Junho de 2018

A meteorologia anda enganada no calendário mas o ano letivo não. No fim desta primavera, os alunos verão as notas finais afixadas… ou talvez não. Porque os professores que começaram por sair à rua ameaçam ficar em casa, em greve às avaliações. Não são braços cruzados, são braços-de-ferro pela contagem de tempo de carreira, contra o governo que outra contagem faz: “não há dinheiro”. Onde é que já ouvimos esta simplicidade?

“O PS acabou de perder 80 a 90% do apoio dos professores”, afirma Paulo Guinote no jornal i, que assinala o divórcio entre António Costa e professores, o que “põe em causa maioria absoluta”, titula o jornal. É uma matemática interpretativa, depois do agreste debate parlamentar de ontem em que o PS ficou sozinho: “chantagem inédita” e “prepotência”, disse Catarina Martins; “arrogância”, escolheu Heloísa Apolónia, dos Verdes; “autoritário”, acusou Jerónimo de Sousa. E isto foi só a esquerda, reagindo à intransigência do governo contra a intransigência dos sindicatos.

“Já ninguém se lembra do mavioso cantar dos passarinhos de todas as vezes que Mário Nogueira jurava amor eterno a este Governo”, escreve Pedro Ivo Carvalho no Jornal de Notícias. Mas toda a gente se lembra do poder político desta classe.

Isto é uma negociação? Sim, sempre. Mas talvez não inabilidade. “Se me pergunta se o Governo está a provocar crises e crispações, a resposta é sim. Está, sabe o que faz e é mesmo isso que quer. É uma estratégia e está a ser seguida meticulosamente”, escreve Francisco Louçã no Expresso Diário. Três dissidências: primeiro, “o Governo arrumou a negociação com as entidades patronais (e a UGT, o hábito faz o monge) sobre o Código do Trabalho”; segundo, “estando o Governo a acompanhar o trabalho de António Arnaut e João Semedo para uma nova Lei de Bases da Saúde, resolveu opor-lhes uma comissão, chefiada por Maria de Belém, com um mandato prolongado e resultados previsíveis”; terceiro, a resposta agressiva do ministro da Educação aos sindicados “é simplesmente uma provocação”. Louçã conclui: “Duas seriam dificilmente coincidência. Três é intenção. (…) Agora é que começou a campanha eleitoral de 2019”.

Há quem ainda saiba saltar à corda, esticando-a.

OUTRAS NOTÍCIAS
O Governo anuncia hoje mais um pacote de medidas de simplificação da relação entre os cidadãos e o Estado – o simplex+ 2018. Entre elas está a possibilidade de os comerciantes passarem a emitir faturas eletrónicas, que comunicam diretamente ao Fisco, dispensando a sua impressão em papel.

As faturas vão passar a ter um QR Code que permite o envio direto para o e-fatura. O objetivo é evitar a cedência de dados pessoais e a incerteza sobre quais as faturas que chegam ao Fisco. Os prazos para a comunicação dos ficheiros com a faturação das empresas também vão encurtar.

A Anacom quer que os operadores de telecomunicações passem a incluir na fatura mensal nova informação, nomeadamente a data em que termina o período de fidelização ou o montante de eventuais cargos a suportar caso o cliente pretenda terminar o contrato.

Portugal será dos países europeus com maior redução de população nos próximos 50 anos, fixando-se nos oito milhões de habitantes, menos 23% do que hoje. Deles, só 4,2 milhões terão então idade para trabalhar. É o “retrato desolador” do Relatório de Envelhecimento da Comissão Europeia, com que o DN faz hoje manchete. O potencial de crescimento da economia portuguesa será o mais baixo da Europa.

Um grupo belga liderado pelo milionário Phillipe Austruy vai investir 200 milhões em lares de idosos em Portugal, noticia o Negócios. As primeiras 14 unidades arrancam em 2019.

Rui Rio defende que há margem orçamental para medidas do PSD pela natalidade. No documento "Uma política para a infância", o partido propõe a criação de um subsídio para todas as grávidas a atribuir no 7.º mês de gravidez, a substituição do abono de família por uma prestação fixa (independente da condição económica) para todas as crianças que até aos 18 anos totalizaria 10.722,50 euros, o alargamento da licença de parentalidade para 26 semanas e a gratuitidade das creches e jardins de infância a partir dos 6 meses.

No site do PSD, que foi agora remodelado, todas as setas que antes estavam no logótipo do PSD desapareceram, escreve o Público.

O PS quer que os políticos sejam obrigados a revelar as suas fontes dos seus rendimentos. A proposta, apresentada numa reunião da Comissão da Transparência, foi vista com bons olhos pela esquerda, mas valeu acusações de intromissões à privacidade e até “voyeurismo” à direita.

Agora a secção de desporto, perdão, de crime:

Fraude fiscal e branqueamento de capitais são dois crimes sempre associados, quando alguém paga ou recebe dinheiro “por fora”, não pagando impostos, que depois põe “dentro” do sistema, “lavando-o”. São essas as suspeitas que levaram o Ministério Público e a PJ a realizar buscas no Benfica, como revela hoje em manchete o Jornal de Notícias. “A investigação procura esclarecer se os montantes faturados por várias empresas ao Benfica tinham na sua base efetivas prestações de serviços, ou se foram apenas uma forma de justificar a saída de alguns milhões de euros das contas dos encarnados”, escreve o diário (que celebra 130 anos com um grafismo novo, que o colunista Manuel Serrão elogia).

Por falar em desporto, perdão, em crise:

Jaime Marta Soares, presidente da mesa da Assembleia Geral do Sporting, confirma a realização de uma Assembleia Geral de destituição da direção a 23 de junho. E reafirma que os órgãos anunciados pelo Conselho Diretivo são "ilegais", pedindo aos sócios para não participarem nas Assembleias Gerais marcadas pelo Conselho Diretivo, que apelida de "fraude estatutária". Henrique Monteiro, antigo diretor do Expresso e um dos membros da Comissão de Fiscalização do Sporting, lembra a necessidade de "devolver a palavra aos sócios do Sporting". O jornalista sublinha que cabe à Comissão de Fiscalização "pedir ao Conselho Diretivo as contas do clube de 2017, que teriam de ser submetidas ao Conselho Fiscal e Disciplinar".

Por falar em sportinguistas, sem perdão:

Num longo texto publicado no Expresso Diário, Daniel Oliveira escreve que “Bruno de Carvalho teve tudo para ser o melhor presidente de sempre”, mas “a sede de mais poder e uma personalidade egomaníaca deitaram tudo a perder”. Neste momento, “Bruno de Carvalho instiga a instabilidade internar para, no meio do caos, segurar e reforçar o seu poder”, enquanto “Álvaro Sobrinho está a aproveitar a confusão para impedir a redução iminente do seu peso na SAD. E, no limite, conquistar a maioria”. É por isso que, conclui Daniel Oliveira, “o Sporting está entalado entre um louco e um oportunista”.

Enquanto isso, em entrevista exclusiva à SIC, Fernando Santos nega ter falado com os jogadores do Sporting sobre a crise atual no clube. E, sobre a seleção, declara: "O sonho é sempre importante, mas eu prefiro ser realista e menos sonhador"

Jorge Jesus foi confirmado esta terça-feira à noite como treinador do Al Hilal, o maior clube da Arábia Saudita. São contas principescas, explica a Tribuna Expresso.

Uma investigação do consórcio internacional de jornalistas EIC, de que o Expresso faz parte, revela como alguns dos maiores fabricantes de automóveis aumentaram artificialmente o preço das suas peças. A Renault, a Nissan, a Peugeot, a Citröen, a Jaguar e a Land Rover ganharam pelo menos 2,6 mil milhões de euros a mais nos últimos anos com a venda de peças sobressalentes à custa de um sofisticado programa informático, desenvolvido pela Accenture, que faz subir os preços de forma inteligente (para os fabricantes) mas desproporcionada (para os consumidores).

O Tribunal de Contas chumbou, a Câmara do Porto convocou a cidade contra o chumbo, a Associação Comercial do Porto fez eco: a Empresa Municipal de Cultura do Porto deve superar o travão do TdC, que tem “históricos tiques” de “entrave à descentralização e à autonomia dos municípios”.

O início das obras no Matadouro do Porto, um projeto de grande envergadura com assinatura de Kengo Kuma para a zona de Campanhã, estão previstas para abril de 2019.

Inquilinos do Norte alertam para necessidade de se fiscalizar condições dos imóveis arrendados.

O Parlamento quer chamar mais de 70 pessoas à comissão de inquérito às rendas da energia. Entre elas estão Ricardo Salgado, Manuel Pinho, António Mexia, José Sócrates e Pedro Passos Coelho, lista o Negócios.

Os chineses já se reuniram com Bruxelas para impedir travão à OPA à EDP. A maior preocupação da CTG é a negociação que em breve arrancará com as autoridades norte-americanas para viabilizar o sucesso da compra.

Na Guatemala, as autoridades mandaram retirar populações perto do Vulcão do Fogo, temendo um aumento da atividade, dos gases quentes e das cinzas. Os últimos dados contabilizam 72 mortos, continuando os bombeiros à procura de pessoas nos escombros.

Um total de 121 pessoas foram mortas e cerca de 1.300 feridas na Nicarágua devido a confrontos nas várias manifestações realizadas em abril contra o Governo do presidente Daniel Ortega.

Em Espanha, Aznar oferece-se para liderar uma reunificação do centro-direita, que está dividido entre o PP e o Ciudadanos, escreve o El Pais. Depois da queda de Mariano Rajoy, Alberto Núñez Feijóo parece ser o sucessor mais apoiado dentro do PP, garante o El Mundo. Já o novo presidente do governo, Pedro Sánchez, acalmou a Comissão Europeia e os mercados financeiros com a escolha de uma ministra da Economia trazida de Bruxelas (onde era diretora geral do Orçamento na UE), Nadia Calviño. A presidente do Santander, Ana Patricia Botín, celebrou no Twitter: a escolha “é uma garantia de que Espanha continuará a aumentar o seu peso nas instituições europeias”.

Pela primeira vez, o El Pais vai ter uma diretora, escreve o DN. É a jornalista Soledad Gallego-Díaz.

Arranca hoje no Estoril o 70º Congresso Mundial de Imprensa e Fórum Mundial de Editores. Durante três dias, várias das mais importantes personalidades do jornalismo e da inovação tecnológica na produção de notícias de todo o mundo debaterão o futuro da área da comunicação. O Expresso fará a cobertura.


FRASES
“Qual o investidor que vai entrar [em Angola] se não dão autorização aos atuais investidores estrangeiros para levarem os lucros em dólares?” Isabel dos Santos no Twitter, citada pelo Observador.

“O problema não é pois a Itália ou a Grécia. O problema é o défice de políticas europeias no domínio das migrações.” Maria de Lurdes Rodrigues, no DN.

"Os recentes progressos económicos não podem ser tidos como garantidos. O pesado ambiente pós-crise é terreno fértil para argumentos populistas". Mário Centeno, no Expresso.


O QUE EU ANDO A LER
“Quem Meteu a Mão na Caixa”, o novo livro da jornalista Helena Garrido, é um guião completo sobre política e negócios. Ou sobre os desmandos na Caixa Geral de Depósitos, que levaram a um enorme aumento de capital no ano passado.

Os projectos de Sines, a La Seda, os negócios com as familias Matos Gil e Espírito Santo, a Barbosa & Almeida, a Artland, Vale do Lobo, Cimpor, PT e Oi... é um autêntico catálogo de destruição de capital no banco público e através dele, com intervenientes e muitos pormenores. É como ver um filme de que já conhecemos o final mas afinal não conhecemos todo o enredo. Não é um filme bonito. Mas é útil vê-lo (e lê-lo), porque nunca nada acontece por acaso.

Esta noite, Fatboy Slim dá um espetáculo na Avenida dos Aliados, no Porto (entrada livre). É o aquecimento para o NOS Primavera Sound, que começa amanhã na Parque da Cidade. A Blitz dá-lhe uma playlist com o que pode ouvir. E o Miguel Cadete escreve sobre “tudo o que interessa saber sobre o concerto de Nick Cave” de sábado.

É ainda primavera, está de chuva. Tenha um excelente dia.

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