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Expresso

João Vieira Pereira Diretor-Adjunto

De que ris Ivanka?

15 de Maio de 2018


ISRAEL Enquanto esta fotografia era tirada, não muito longe milhares de pessoas eram alvo da fúria dos militares israelitas. Numa luta desigual, pedras contra balas, fundas contra aviões, o saldo foi tragicamente negativo para os palestinianos. Pelo menos 55 mortos, milhares de feridos, num dos maiores massacres dos últimos anos. Não foi Trump quem premiu o gatilho. Mas foi Trump quem deu a ordem. A abertura da embaixada norte americana foi a razão para os protestos e a desculpa para o banho de sangue. Numa guerra não há inocentes, mas há vítimas, todas elas desnecessárias.

A fotografia foi publicada na conta de Twitter de Benjamin Netanyahu. O primeiro ministro de Israel e a sua esposa, ao lado de Ivanka Trump e Jared Kushner, conselheiro sénior da Casa Branca. De um lado os sorrisos, as selfies e o luxo, do outro as lágrimas, a dor e o sangue. O contraste das imagens é brutal.

Netanyahu reagiu aos confrontos com o argumento de que o país tem o direito de defender as suas fronteiras contra a organização “terrorista” Hamas. “Todo o país tem a obrigação de defender o seu território”, escreveu no Twitter.

O Estado de Israel faz 70 anos, mas não foi feito de sorrisos. Nasceu do horror e parece carregar consigo uma maldição eterna. Ou como diz José Cardoso, “um Estado fundado há 70 anos, que aproveitou um pretexto surgido há um século, se baseou numa ideia lançada há 123 anos e se escora em documentos com mais de dois milénios”. O ‘Estado impossível’ foi retratado numa edição especial gratuita do Expresso Diário que não pode perder. Aproveite também para ler o excelente trabalho de Luciana Leiderfarb, enviada do Expresso a Israel, publicado no último sábado.

SPORTING No final do campeonato de futebol do ano passado o Sporting recebeu o Chaves em Alvalade. O Sporting ganhou mas não me recordo do resultado ou de quem marcou o(s) golo(s) do jogo. Mas lembro-me muito bem de Bruno de Carvalho ter entrado, acompanhado pelo seu homónimo e filho do presidente do Chaves, no mesmo espaço onde eu assisti ao jogo. No seu próprio estilo, mostrava que já levava mais de 90 minutos de festa e vociferou alguns daqueles comentários, a que ele gosta de chamar loucuras, para dizer: “Se para o ano não formos campeões demito-me. Demito-me.”

Um ano depois Bruno de Carvalho mostrou o cartão vermelho a Jorge Jesus. Não, afinal foi só amarelo, nas vésperas do final da taça que o Sporting vai disputar no próximo dia 20 contra o Aves.

O futebol é um mundo. Em Portugal é uma imundície. Estranho, fétido e demasiadas vezes podre. A maior parte dos dirigentes desportivos tem, ou vai ter, problemas com a Justiça. Há jogadores acusados de fixar resultados, há claques violentas e envolvidas nas mais diversas atividades ilícitas, há comentadores que mais parecem partisans acéfalos em debates intermináveis. Fico espantado como no meio disto tudo ainda conseguimos ser campeões da Europa e formar vários dos melhores jogadores do mundo. Só pode ser fado. Entretanto, já se conhecem os 35 pré-convocados de Fernando Santos para o mundial. Destes, 12 ficarão pelo caminho.

A crise no Sporting é real. Os jornais de hoje dão conta disso. Todos os desportivos enchem as espalhafatosas capas com títulos que vão desde ‘Ponto final’ a ‘Terramoto’. O DN diz que Jesus tem os dias contados, o JN que o treinador sai depois da Taça, e o Público conta como a relação com o presidente do Sporting se está a desfazer.

OPA As ações da EDP subiram mais de 9% depois de, na sexta feira, ter sido conhecida a OPA da China Three Gorges (CTG). No final do dia de ontem o preço de cada ação já estava bem acima do valor oferecido (€3,40 contra de €3,26), o que mostra que os investidores esperam uma subida do preço por parte da CTG ou que apareçam ofertas concorrentes. A operação está cheia de potenciais problemas, onde o preço é apenas mais um. A OPA está chumbada pela mão de investidores e analistas, escreve o Negócios. Hoje as ações da EDP abriram no mercado a subir ligeiramente.

A CMVM vai investigar a fuga de informação que levou a que fosse conhecida a OPA antes de ter sido anunciada ao mercado. Na passada sexta-feira, o Expresso deu a notícia da operação um minuto após o fecho do mercado e o supervisor quer saber quem teve acesso à informação e se houve ordens de bolsa suspeitas.

POR CÁ Seis meses depois das agressões que foram filmadas à porta da discoteca Urban Beach, em Lisboa, o Ministério Público acusou três seguranças (Pedro Inverno, David Jardim e João Ramalhete) do crime de homicídio qualificado na forma tentada. "Os arguidos sabiam que a cabeça aloja órgãos vitais e que os ferimentos daí resultantes poderiam determinar a morte dos ofendidos", defende a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa.

Em resposta ao pedido da sua demissão por deputados do PSD, Adalberto Campos Fernandes diz que houve uma antecipação da “silly season”.

O Ministério Público acusa o ex-presidente da Câmara de Braga Mesquita Machado e o empresário António Salvador de um crime de prevaricação na concessão dos lugares de estacionamento pago à superfície.

As grávidas vão poder escolher como querem que seja o parto. O PS vai avançar com uma proposta para que passe a haver a figura do "Plano de Nascimento", um documento onde a grávida expressa as suas escolhas para o período do parto e pós-parto, escreve o DN.

No dia em que começa a ‘Fase Bravo’ de combate a incêndios, só está disponível um terço dos meios aéreos previstos para esta época. Os italianos, a quem o Governo queria fazer o ajuste direto para garantir a disponibilidade de helicópteros, voltaram a falhar a assinatura do acordo, pela segunda vez, conta o JN na sua edição impressa.

Cerca de 800 militares foram apanhados a burlar o Estado para poderem comprar óculos de sol.

Lisboa e Porto vão ter menos 1100 vagas no Ensino Superior. A ordem vem do Governo, que quer obrigar os alunos a procurarem universidades no interior do país.

As baixas médicas não páram de subir, aumentaram 32% em quatro anos.

A carga fiscal também só sobe. Aumentou para 34,7% do PIB em 2017, o nível mais elevado desde 1995. Parabéns Centeno!

A Força Área fez saber que há atrasos relevantes na sua saída da base do Montijo. E aponta o dedo ao ministro da Defesa.

O regulador dos Seguros travou a venda de 60% dos seguros do Montepio aos chineses da CEFC China Energy.

Cancro. A SIC emite hoje o segundo capítulo da reportagem ‘O Mal Entendido’. Ao longo dos últimos meses, uma equipa de reportagem da SIC procurou respostas para as grandes perguntas sobre cancro, a doença que mais tem aumentado no mundo. O segundo capítulo de cinco grandes reportagens é dedicada aos números: como se explica o aumento da incidência? Como se prepara o país para dar resposta ao aumento de doentes? Como enfrentar a escalada de preços dos novos medicamentos? Como garantir que todos teremos acesso aos melhores tratamentos?

O Mal Entendido: As doenças a que chamamos cancro’ é um trabalho de Miriam Alves, Rogério Esteves, Rui Berton e Diana Matias, com ilustrações de António Jorge Gonçalves e grafismo de Paulo Alves e Rui Aranha e é transmitido hoje no Jornal da Noite. Se perdeu o primeiro capítulo, pode vê-lo aqui.

LÁ FORA Morreu Lois Lane, a primeira namorada do Super-Homem. Margot Kidder tinha 69 anos de idade e ficou conhecida ao contracenar com Christopher Reeve em quatro filmes.

Rajoy vai discutir esta terça feira com Pedro Sanches, líder do PSOE, e na quinta com Albert Rivera, dos Ciudadanos, a investidura do independentista Quim Torra como o novo presidente da Catalunha. Rajoy diz que só julgará os atos e não as palavras de Torra, mas o seu discurso de rutura não caiu bem.

A poucos dias de mais uma boda real que está a marcar a atualidade em todo o mundo, foi revelado que o pai de Meghan Markle não estará presente, por ter tido um ataque de coração.

O The Guardian publicou um trabalho impressionante que junta depoimentos sobre todas as 71 pessoas que morreram na Grenfell Tower.

O peso argentino voltou a cair para um novo mínimo face ao dólar, mostrando que o plano do Governo e do FMI não está, para já, a ter os efeitos pretendidos. Na sexta, o Fundo vai analisar o pedido de apoio do Governo de Mauricio Macri para enfrentar a crise cambial da Argentina.

Elon Musk, o CEO da Tesla, está a limpar a casa, neste caso a gestão, para preparar a companhia para o futuro.

A Coreia do Norte já iniciou o desmantelamento das suas instalações nucleares. Diplomatas americanos divulgaram imagens que provam a operação.

Se tiver tempo não perca o último The Big Read do Financial Times, sobre a ascensão e queda do grupo chinês Anbang. O mesmo que esteve interessado no Novo Banco.

O QUE EU ANDO A LER
O francês Jean Tirole ganhou o Nobel da economia em 2014 pelo seu estudo das falhas do mercado e de como a regulação pode e deve ser usada para suprir essas falhas. Hoje estará em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian às 18h30, para apresentar o seu novo livro.

Quase como um chavão, é vendido como um obra escrita para todos. Ao dizer que a linguagem é acessível, tenta quebrar a barreira à entrada do cidadão normal em temas por vezes demasiado aborrecidos e/ou impercetíveis. Confesso que neste capítulo os americanos são imbatíveis, mas Jean Tirole faz um esforço notável para aproximar o leitor de áreas bastante áridas da economia. É pena que a edição que estou a ler, da Guerra e Paz, não tenha feito esse esforço também. Não é fácil condensar o seu livro em pouco menos de 500 páginas sem recorrer a letra demasiado pequena, que nos gráficos chega a ser ilegível. Mesmo assim a obra vale a pena.

Com uma simples pergunta — 'O que aconteceu à procura do bem comum?'—, Tirole é capaz de nos prender na resposta que pode estar de facto escondida na economia. É por isso que parte da obra é a perceber a economia como disciplina e como profissão. O resto é a defender uma nova conceção de Estado (do seu papel como regulador, seja através da criação de empregos na função pública, seja como produtor de bens e serviços via empresas pública) e de como este papel é complementar e não exclusivo em relação ao mercado. Por fim o resto da obra ‘Economia do bem comum’ é dedicado a quatro temas que marcam a atualidade, as alterações climáticas, a Europa, a finança, o desemprego, a concorrência e a política industrial.

Como o livro é escrito em capítulos independentes, pode ser lido aos poucos e aos bocados consoante o seu interesse. Mas acredite que quererá correr por muitas páginas. Boa leitura.

Este Expresso Curto fica por aqui, tenha uma ótima terça-feira, que promete ser, finalmente, um dia de primavera com cheiro a verão.

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