Siga-nos

Perfil

Expresso

Luísa Meireles Redatora Principal

E o Carnaval, já é levado a mal?

14 de Fevereiro de 2018

Já ninguém liga ao Carnaval e tenho pena. Estamos cada vez mais europeus e, se calhar, ainda mais sisudos. Será? O maior Carnaval do mundo já não nos espanta (as imagens de sempre) e nem em Portugal, onde se finge que é verão debaixo de chuva e frio, conseguiu abrir os telejornais na terça-feira gorda. Eu por mim, confesso que gostei bastante desta história de primeira, “Como o Brasil tirou o Carnaval do Povo, na Renascença. E hoje, primeiro dia a caminho da Quaresma, estamos como sempre: preocupados. Até com o dinheiro que ele (Carnaval) custou!

Isto apesar de ter chegado o ano em que a imprensa internacional noticiou o Carnaval de Torres Vedras (et pour cause), esse verdadeiro “oceano de folia”…! Ups! Eu vi bem? Há um polvo com cara de Marcelo?!?!?!

Por isso, falemos de coisas sérias. E sem alarmismos, para já. Nas redes, nos jornais, na televisão, começa a espalhar-se um receio difuso: sismos. O trauma dos incêndios calou fundo e os portugueses não têm a certeza se os nossos males (ou defeitos) endémicos estejam curados, o comando restabelecido, a coordenação refeita e a gestão em pleno.

As notícias sobre o que se está a passar nos Açores inquietam. Surgiram depois dos abalos de Arraiolos, que já deram para assustar. Em S. Miguel, que registou cerca de 300 abalos num só dia, a dúvida é – sabendo que tiveram origem na mesma falha tectónica que destruiu a ilha há 500 anos – vieram para ficar, que é como quem diz, por quanto tempo? Dias, semanas ou meses, perguntava o Público. Ui!

Por estas e outras razões, não acharia nada mal se alguém no Estado que nos governa se desse ao trabalho de lançar uma pequena campanha informativa, rigorosa, sem alarmes nem ameaças de tsunamis, sobre o que se deve fazer, as zonas de risco as medidas que foram tomadas, as precauções a tomar, enfim, o que se pode fazer. Vale? Por mim, aqui está uma achega, mas pouco atraente. Convenhamos que ler mais 100 páginas, só relativamente a Lisboa, para me inteirar do plano de emergência, naa, não dá.

OUTRAS NOTÍCIAS

Da Política, por exemplo. Hoje é dia de debate quinzenal na Assembleia da República e o Primeiro-ministro quer começar a levar à discussão o Roteiro Conhecimento e Inovação para mostrar o que a economia tem de bom (onde é que eu já ouvi isto?).

Hoje, o Presidente da República começa a receber os partidos políticos, numa primeira ronda depois da entrada em vigor do orçamento, no quadro dos contactos regulares. Já fez entretanto um Conselho de Estado, mas era sobre o futuro que nos espera na União Europeia, desta vez é o já e o agora. O calendário dos encontros foi feito de molde a que o novo líder do PSD, Rui Rio, possa ir a Belém no dia 19, já depois de entronizado no respetivo Congresso do partido, que começa na sexta-feira. Marcelo está preocupado, lê-se aqui (para assinantes do Expresso, desculpe). Os encontros inauguram-se com o PAN e os Verdes.

A última novidade sobre o PSD é que a moção que o diretor de campanha do futuro líder apresentou foi rejeitada pela mesa do Congresso (e veja esta opinião sobre ele). Quem será o líder da bancada parlamentar ou quem integrará a direção são tudo interrogações que dentro em pouco deixarão de o ser. Tenha calma portanto. Hoje, no fim do debate quinzenal a bancada do PSD vai reunir-se e está tudo na expectiva para saber o que dirá Hugo Soares, o atual líder parlamentar e que não apoiou Rio.

Quanto a Carlos Abreu Amorim, homem do norte e vice-presidente do grupo, diz que não assumirá cargos e avisa que nenhum dos deputados disponíveis para a liderança reúne "consensos mínimos". No grupo, só 28 apoiaram Rui Rio. Para saber mais coisas de fundo, leia esta entrevista de alguém que não quer andar por aí. Ou este texto (também para assinantes, lamento), sobre as parecenças de um líder que faz lembrar outro, porque esconde o jogo enquanto a oposição se prepara. Aberto, tem este, no Público e também já tem uns dias.

De Política Externa. A nossa com Angola, que não para de subir patamares cada vez mais altos, tudo por causa do julgamento do ex-vice-presidente Manuel Vicente. Luanda procura aliados contra Lisboa, fez subir a parada e levou o caso à CPLP. Leia aqui (se ainda não sabia).

De Defesa, que também é política, claro. Hoje é o dia da reunião dos ministros de Defesa da NATO, que vão decidir sobre se vão criar um novo comando para o Atlântico (claro que sim!) e, depois disso, aonde. Alô! Alô Portugal, está a ouvir? As coisas não são assim tão simples, é verdade, há duas semanas o próprio secretário-geral deu uma entrevista ao Expresso, que está aqui resumida (e os Açores estão out). A original é fechada, sorry, e nela se dizia que "se Portugal quiser a NATO no Golfo da Guiné, faça a proposta”. Ontem, em conferência de imprensa, Jens Stoltenberg voltou a repetir que Portugal tem margem para aumentar os gastos com a defesa e Azeredo Lopes a confirmar (são aviões, sr., são aviões).

De Economia – A bomba já tinha estourado com o anúncio da venda da Partex (a petrolífera da Gulbenkian) aos chineses, agora há mais: a Fundação perdeu 22% do património entre 2006 e 2016. Foi uma década amarga. António Costa Silva, o presidente da Partex, vai com os chineses, em princípio. É mesmo?

E que tal ouvir o sr. Pingo Doce, que é como quem diz, Alexandre Soares dos Santos, dizer que “esta solução governativa não é má para o país?”. Estranho, não é? E logo ele – reconhece – que não era a favor. Não duvidamos. Muitos dias tem cem anos! Para a estima em alta, e no setor automóvel, boa nota para a PSA, que detém as marcas Peugeot, Citroën, DS e Opel, e anunciou que vai produzir três novos veículos em Mangualde. Também ficámos a saber que no dia em que o Tesouro avança para o primeiro leilão de dívida de longo prazo do ano, os EUA, Ásia e Reino Unido estão com apetite pela dívida portuguesa.

De Sociedade. Parece anedota, um guião de comédia, o que for, mas não é, foi mesmo a sério e aconteceu em Lourel (Sintra), durante um assalto em que tudo o que podia correr mal, correu mesmo. Assaltantes que dão tiros nos próprios dedos, perdem o dinheiro, estampam o carro, não conseguem roubar mais nenhum mas matam um homem, enfim, a lei de Murphy em todo o seu esplendor. E sabe que esta lei está comprovada? Pois veja aqui: o azar está mesmo programado para nos atormentar.

De Desporto, há muita coisa, para variar (digo eu). A primeira é que hoje há bola. O Porto recebe o Liverpool no Dragão a contar para os oitavos de final da Liga dos Campeões. É às 19h45. A Tribuna explica o que podemos esperar. Depois, o Sporting, que já chegou a Astana, no Casaquistão, por esta altura. A viagem equivale a fazer Lisboa e Porto 23 vezes seguidas.

Eu própria já fiz uma até à antiga capital desta ex-República soviética, Almaty, mas no sentido inverso e demorei 24h, contando com a diferença horária. Não foi por motivos desportivos mas fiquei bastante cansada – por isso estou em crer que os receios da falta de descanso dos jogadores se justificam. E por falar em Sporting, já sabe da última polémica, não sabe? A UEFA advertiu Bruno de Carvalho por causa dos comentários nas redes sociais e este respondeu: “pura ironia”! Souplesse!


Obituário. De uma grande escritora e de uma grande mulher: Natália Nunes, ontem, aos 96 anos. O funeral será hoje. O Expresso entrevistou-a há cinco anos: “O amor é um estado de graça”. Releia, vale sempre a pena. Era uma feminista que lutou contra a ditadura.


LÁ FORA

Alemanha. Instalou a confusão depois da negociação do acordo de uma nova grande coligação, a que se seguiu a demissão de Martin Schulz de líder do SPD e do cargo que deveria assumir num eventual futuro governo e a sucessora – será uma mulher, Andrea Nahles, que foi ministra do Trabalho e pertence à ala esquerda do partido, a "pegar o boi pelos cornos”.

Assim sendo, serão duas mulheres a liderar os dois maiores partidos alemães: Merkel versus Nahles (e esta será a primeira em 150 anos de história do partido - os tempos mudam mesmo). O pior é que nada está fácil. Porque, para já, não é garantido que o acordo vença (os militantes ainda têm que o referendar), muito por causa deste senhor (o líder da Jusos, a J do SPD); porque a queda de Schulz pode arrastar a de Merkel e pode ser o fim do “complexo Mutti”, a forma carinhosa como os alemães a tratam. Há quem antecipe que é mesmo o seu fim. Veremos.

África do Sul. O gigante sul-africano agita-se e isso não é uma boa notícia. O Presidente Jacob Zuma, acusado de corrupção já acedeu em sair antes de ser defenestrado, mas põe condições que podem colocar o seu partido em maus lençóis. O ANC governou sempre «o país desde a libertação de Mandela, mas Zuma, apesar das provas e do mau desempenho, ainda tem muita força. Hoje vai ter que se decidir. Tem a África do Sul refém.

França. De onde vem uma surpreendente notícia. O candidato Emmanuel Macron tinha anunciado que queria fazer regressar o serviço militar obrigatório… mas por um mês, o que pôs os chefes militares de cabelos em pé. Depois de eleito reconsiderou e, afinal, vai ser uma espécie de serviço cívico durante uma semana. Veja como. Será universal e obrigatório. Ponto.

Holanda. A notícia levou à demissão do ministro dos Negócios Estrangeiros. Pode contar-se assim: há uns políticos que nem querem ouvir falar de encontros com Putin - e tiveram-nos - e outros que querem falar e inventam-nos. A incrível capacidade do ser humano surpreender!

Migrações. Preste atenção no que diz este homem a propósito da situação migratória na Europa. É William Lacy Swing, diretor da Organização Internacional de Migrações (OMI), cargo a que concorre António Vitorino. E diz: a falta de unidade dos europeus é mais responsável pela crise no continente que o número de refugiados. Pode ler em francês ou inglês.

Horror. Mais um. Envolvendo organizações não governamentais. Desta vez é a Oxfam, uma das mais reputadas ong britânicas de ajuda humanitária. Os seus funcionários que foram (supostamente) ajudar a seguir ao terramoto promoveram “orgias dignas de Calígula” com prostitutas e menores. O presidente foi preso, a diretora-geral adjunta demitiu-se, a organização está em vias de perder todos os financiamentos.

A Oxfam gastava mil milhões de euros ao ano a fazer lobing juntos das instituições europeias, de onde recebia uma boa parte do dinheiro Os bons rapazes não são todos bons. Reflita como se pode chegar aqui. Porque o pior é que escândalos destes não são únicos. E histórias como esta doem: "Às vezes, quando estou sozinha com o meu bebé, penso em matá-lo. Ele lembra-me o homem que me violou".


Espaço. Esta é que é uma notícia lá de fora mesmo: o Tesla elétrico descapotável vermelho, que foi mandado para Marte com um boneco-astronauta a conduzi-lo, desviou-se da sua rota e agora ninguém sabe onde está. Para mim a notícia não é onde, é porquÊ? O que passou pela cabeça de Elon Musk, fabricante dos Tesla?



FRASES

“Não faço comentários sobre o futuro do partido porque é um futuro a que eu não concorri”, Pedro Passos Coelho

"Decidimos não investir mais em Portugal. Não vale a pena", António Costa Silva, presidente da Partex, ao Público

"Toda a gente fala do petróleo e do
gás, há uma espécie de demonização, e ninguém fala do elefante na sala, o carvão", Idem

"Amamos com o cérebro e não com o coração. E morre-se por amor", Leandra Cordeiro, psicóloga e professora universitária, ao I


O QUE ACABEI DE LER

Um romance seco, duro, violento, mas enxuto, esculpido palavra a palavra e fabulosamente belo. Chama-se “Intempérie” (Marcador, 2014), é do espanhol Jesús Carrasco, e foi considerado em 2013 o melhor romance do ano. Passa-se algures num mundo sem nome nem data, onde – como se diz – “a moral se escapou pelo mesmo lugar por onde se sumiu a água”. Um rapaz que foge e encontra um pastor que o ensina e cura da violência que sofreu. Não sei se nos transforma depois de ler, mas sim, não nos sai da cabeça. E vale muito a pena.

Se quiser algo pra já, já, e (não) tiver insónias leia este estudo: o suicídio demográfico europeu. Há uma espécie de manto de silêncio que envolve estas notícias. São más, sim. Mas vale sabê-lo que desconhece-lo.

E se gosta e quiser começar a preparar-se para o festival da Eurovisão, comece pela canção apurada pela Itália. Não direi que a escola Salvador fez escola, mas pelo menos algo está a mudar. O tema não é só o amor, mas o que se passa na Europa. “Non mi avete fatto niente” é sobre os ataques terroristas no Cairo, nas Ramblas, em França, em Londres…

Assim me despeço. Ah, não se esqueça: hoje é o Dia dos Namorados - aproveite e namore, que o amor faz bem à saúde! Mas cuide-se. Este dia sucede-se a um outro, assim como que relacionado (o Dia Mundial do Preservativo) e aí Portugal não prima pelo melhor: mais de 60% dos jovens estão muito bem informados sobre o assunto, mas assumem que têm relações sexuais sem o dito.

Nós, aqui no Expresso, estamos sempre ao alcance de um clic, a qualquer hora que queira.Tenha um Bom Dia!

Partilhe esta edição