Siga-nos

Perfil

Expresso

Martim Silva Diretor-Executivo

Os meus destaques do Expresso esta semana

6 de Janeiro de 2018

Bom dia,
Há precisamente 45 anos nascia o Expresso, fundado por Francisco Pinto Balsemão. Nós fazemos anos, mas a prenda é para si. Espero que goste da edição. Boas leituras.

41% dos portugueses defende o voto obrigatório
A primeira edição do jornal, ainda no tempo do Estado Novo, tinha como manchete uma sondagem sobre a (falta de) participação política dos portugueses. Agora, em homenagem à primeira manchete, fomos ouvir especialistas e realizámos nova sondagem para ajudar a conhecer melhor os hábitos políticos dos portugueses. Costumam ir votar? Quais as eleições a que dão mais importância? Quais as razões para o crescente alheamento? Um trabalho que ajuda a perceber um pouco melhor não só o que os portugueses pensam do estado atual da democracia mas o rumo que desejam que ela tome.

Melhor preço da luz é de uma petrolífera
A contratação de um novo fornecedor de eletricidade é um processo rápido. Mas escolher a oferta mais barata pode ser mais complicado, quando o consumidor tem à disposição quase duas dezenas de comercializadores e mais de uma centena de tarifários. Se uns publicitam descontos sobre a parte fixa da fatura, outros oferecem preços mais baixos na componente de energia. E há também os que sem publicitar qualquer desconto têm, na realidade, preços mais baixos do que a concorrência. O Expresso recolheu as condições tarifárias de nove comercializadores que já divulgaram os seus preços de eletricidade para 2018, fez as simulações para cinco perfis de consumo (quatro em tarifas simples e um em tarifas bi-horárias), e para cada um desses perfis elencou as cinco melhores ofertas atualmente à disposição dos clientes domésticos.

Financiamento recorde da banca ao Estado
Não foi por acaso que o bater do pé dos banqueiros em 2011 ajudou a acelerar o pedido de resgate português. Quando os mercados internacionais se começaram a fechar para a dívida pública portuguesa, mal começaram os primeiros problemas com a Grécia, foram os bancos nacionais que asseguraram o financiamento do Estado. O travão imposto nessa altura, que empurrou Portugal para os ‘braços’ do Fundo Monetário Internacional (FMI), da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu (BCE), aconteceu quando o nível de financiamento praticamente já tinha quadruplicado face a 2008 e, mesmo a chegar, a troika não impediu que se mantivesse elevado até hoje. Houve uma descida em 2014, o ano do fim do programa, mas nos últimos dois anos os financiamentos dos bancos às administrações públicas voltaram a acelerar.


20 (r)evoluções nas nossas vidas
São as ideias que mudam a sociedade e não as tecnologias, meras ferramentas que tanto podem ser usadas para salvar vidas como para fazer ciberataques. Mas a verdade é que em 2018 a revolução digital estará em alta e muita gente ficará certamente deslumbrada com os novos dispositivos de todo o tipo que vão surgir no mercado. A tecnologia digital tem sido uma ferramenta poderosa para um modelo de desenvolvimento económico em que a competição, a rapidez e a eficiência são pilares decisivos para conquistar um mercado global de 7600 milhões de consumidores. Mas ao mesmo tempo estamos a ser invadidos diariamente por quantidades astronómicas de informação que só nos confundem e distraem, porque 80% a 90% do que recebemos é lixo.
O Expresso foi ver o que dizem as empresas, organizações e publicações da especialidade sobre as megatendências para 2018 e para os anos mais próximos. E na revista “Forbes”, na Pricewaterhouse Coopers, na Trendone, no Future Today Institute, na HP (Hewlett-Packard), na “What’s Next” e na OCDE, encontrou várias surpresas, não só nas tecnologias mas também nas mudanças sociais, culturais e económicas que estão a emergir.

Santana: “Digo a mim próprio: estás obrigado a ganhar a Costa”
Chegou à entrevista visivelmente confortável com os socos que desferira na véspera contra Rui Rio. Mas disposto a desfazer a ideia de que está nisto para lavar roupa suja. Durante uma hora, Pedro Santana Lopes explicou a rutura que se propõe fazer se chegar a líder do PSD: “Não me candidato para gerir o que existe, mas para seguir um caminho novo.” Quer tornar o PSD um case study de modernidade; tornar o país numa Finlândia; e acredita “ter condições desta vez para fazer o que não pude fazer antes”. Ao espelho, já confessou: se ganhar o PSD, está obrigado a derrotar António Costa.

O futuro a nós pertence. Dez consagrados escolhem dez rostos de futuro
Quando se muda de ano criam-se sempre novas expectativas. Queremos saber o que aí vem e quem serão os grandes protagonistas das mudanças que se seguem. Os velhos dão invariavelmente lugar aos novos, costuma dizer-se, e foi isso mesmo que pedimos para fazer aos nossos consagrados das mais variadas áreas. Da literatura à ciência, da gestão ao futebol, das artes plásticas ao teatro e à música, do humor à política, quisemos saber quem são as suas apostas e as novas promessas. Quisemos saber também porque o são e o que se espera delas. As respostas chegaram-nos na primeira pessoa. E, se em alguns casos o futuro é previsível, noutros é absolutamente surpreendente. Quando completa 45 anos de vida, o Expresso avança com os rostos do futuro:

Rui Tavares 
por António Barreto
Salvador Sobral 
por Carlos do Carmo
Gelson Martins 
por António Simões
João Luís Barreto Guimarães 
por António Lobo Antunes
Igor Jesus 
por Rui Chafes
João Pedro Mamede 
e Nuno Gonçalo Rodrigues 
por Jorge Silva Melo
Luís Araújo 
por Alexandre Soares dos Santos
Mónica Bettencourt-Dias 
por Carlos Fiolhais 

Marco Silva 
por Manuel José
Mariana Cabral Bumba na Fofinha) 
por Ricardo Araújo Pereira


Entrevista a Júlio Pereira, o ex-homem forte das secretas em Portugal
"Os serviços têm de navegar no meio de grande nevoeiro”

Começa assim a entrevista:
Foi difícil reconhecê-lo. Estava de calças jeans, camisola verde desportiva, um boné creme de Robben Island, oferecido por um ex-preso político, que partilhou a prisão sul-africana com Mandela. Júlio Pereira, 64 anos, o homem “mais secreto das secretas” sobre quem faltam currículos e perfis, está no seu refúgio em Vieira do Minho, a terra do pai. Foi por ali que nasceu, em Montalegre, mas acabou por construir casa na aldeia, cuja “rua principal” é uma vereda que vai dar à junção do rios Cávado e Rabagão. Em frente, contempla as montanhas do Gerês, em baixo mira a ponte de Misarela, dita “do diabo”, sob cujos pilares passavam a noite as mulheres que queriam engravidar — suave milagre! Não é fácil chegar ao reduto do homem que durante 12 anos chefiou os serviços de informações portugueses. Pela estrada que serpenteia desfilam nomes improváveis como Ortigueira, Choqueira, Salamonde, Fafião, Lama Longa, São Bento de Sexta Freita. São as terras da “Terra Fria” de Ferreira do Castro, com quem o avô Pereira cavaqueava. Terras de “nevões de sair pela janela e cortar à faca o gelo da porta”, perto das minas da Borralha, de onde se extraía a volframite que atraiu alemães e ingleses no tempo da guerra. O antigo secretário-geral do SIRP tem duas pequenas pedras dessas no pátio da casa. Pesam que se farta.

Tenha um grande fim de semana. Nós cá estaremos de volta para a semana. É assim há 45 anos. Obrigado por nos deixar fazer parte da sua vida.

Partilhe esta edição