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Expresso

Helena Pereira Editora de Política

E tudo o veto levou

3 de Janeiro de 2018

Dois dias depois de ter saído do hospital, Marcelo Rebelo de Sousa vetou a nova lei de financiamento dos partidos, tal como o Expresso antecipava na sua manchete deste sábado. O Presidente não perdou o segredo em que a lei foi cozinhada e alegou a falta de "fundamentação publicamente escrutinável quanto à mudança introduzida no modo de financiamento dos partidos políticos". O CDS, que tinha votado contra a lei, aplaudiu. E os outros partidos que aprovaram a lei? Ainda em silêncio, depois de muitas contradições nos últimos dias, como notou o Observador. A lei volta agora ao Parlamento onde pode ser reconfirmada - mas isso será difícil, BE já se demarcou e o PSD ficará de mãos atadas depois das críticas severas dois dois candidatos à liderança. É a sexta vez que o Presidente usou o veto político.

Marcelo Rebelo de Sousa foi rápido na lei do financiamento quando os partidos ainda estavam a digerir a sua mensagem de Ano Novo em que apelou à "reinvenção" do país. O PS só ontem tinha comentado o discurso pela voz do discreto deputado João Paulo Correia que apenas viu elogios ao Governo na mensagem de Ano Novo. A Ângela Silva analisou as mensagens de Marcelo e António Costa, no Dia de Natal, para concluir que, para Presidente e primeiro-ministro, há dois países. E agora, como vai Marcelo monitorizar as falhas do Estado, pergunta Ricardo Costa enquanto Daniel Oliveira, no Expresso Diário, aponta os riscos da atitude, por vezes, populista de Marcelo. O DN foi questionar várias personalidades sobre de que modo pode o país reinventar-se.

OUTRAS NOTÍCIAS

Reinvenção é a palavra do momento. Também Pedro Santana Lopes promete "reinventar" o país. Neste texto, explicamos-lhe em 9 pontos o que separa e une Santana e Rui Rio, que já apresentaram as moções de estratégia com que se candidatam à liderança do PSD.

Mistério. Há dois meses que ninguém sabe do candidato do PSD à Câmara da Covilhã, suspeito de ter desviado 115 mil euros de uma associação de defesa do património judaico.

O Governo quer penalizar os médicos que abandonem o interior.

A direção da Raríssimas continua sem candidatos e hoje reunião da Assembleia Geral.

No dia de regresso às aulas, o DN conta que há várias escolas sem dinheiro para aquecer as salas e renovar os materiais escolares.

A EDP cometeu erros na leitura dos consumos de energia e milhares de consumidores pagaram mais do que deviam.

Estas são as 22 lojas dos CTT que vão fechar este ano.

Os trabalhadores dos casinos e da restauração estão revoltados com nova lei do tabaco.

A Provedoria de Justiça já abriu 43 processos de indemnização aos familiares das vítimas dos incêndios de junho e outubro.

Hoje é dia de derby. Bruno de Carvalho vai assistir ao Benfica-Sporting mas PSP não vê risco acrescido na presença do presidente dos leões em pleno Estádio da Luz. O Pedro Candeias conta o que está em causa: é que o Benfica tem muito mais a perder do que o Sporting.

E também é dia de despedidas à atriz Guida Maria, que morreu ontem aos 67 anos, e à atriz e escritora Maria Teresa Ramalho, ou Tareka.

As revistas do grupo Impresa foram vendidas à sociedade Trust in News, do empresário Luís Delgado.

Momento histórico. A Coreia do Norte anunciou esta noite a reabertura de um canal de comunicação com a Coreia do Sul. E o Presidente norte-americano voltou a twittar só para avisar que tem botão nuclear "maior" que o de Kim Jong-un.

Israel ordenou a saída de milhares de migrantes africanos, sob ameaça de prisão.

Ayatollah Ali Khamenei, o Guia Supremo do Irão, comentou pela primeira vez a onda de protestos e manifestações que já duram há uma semana no Irão e fizeram, pelo menos, 22 mortos. A Helena Bento explica o que desencadeou a indignação geral: “Isto é a voz das pessoas desesperadas, não é a voz dos partidos políticos ou dos intelectuais”.

O regime de Teerão também já respondeu a Trump. O governo iraniano aconselhou o Presidente norte-americano a ocupar-se "dos milhões de sem-abrigo e esfomeados" nos Estados Unidos, em vez de estar a enviar 'tweets' sobre a situação no Irão.

No Iémen, o conflito armado já causou mais de 10 mil mortos em áreas controladas por rebeldes desde o início da intervenção da coligação militar liderada pela Arábia Saudita em março de 2015.

Prepare-se para o frio. As temperaturas vão cair 10 graus até ao fim de semana.

Espreite o melhor da arquitectura e do design para 2018. A escolha é do The Guardian.

Se tiver curiosidade, clique aqui para calcular quanto tempo já passou em frente à televisão para assistir à sua série favorita.

E a BBC dá-lhe dicas para ajudá-lo a manter as promessas de Ano Novo. Não diga que já desistiu ao terceiro dia!

MANCHETES DO DIA

"Governo quer penalizar médicos que abandonem o interior", no Público

"Escolas sem dinheiro para aquecer salas", no DN

"Erros na leitura levam EDP a cobrar milhares a mais", no Jornal de Notícias

"Fisco perdoa 2,4 mil milhões", no Correio da Manhã

"Presidente soube das mudanças pelos jornais", no jornal i

"Ricos da bolsa ganharam 3.000 milhões", no Jornal de Negócios

FRASES

“Congratulamo-nos com este veto, que consideramos compreensível, esperado e até inevitável, face à reação da opinião pública, e bem

Nuno Magalhães, líder parlamentar do CDS, sobre o veto do PR à lei de financiamento dos partidos

“Reinventemos, então. Mas reinventemos exactamente o quê, ou, o que é mais difícil, reinventemos como?

Francisco Louçã, ex-coordenador do BE, sobre discurso de Ano Novo do Presidente

“Mails? Aquilo que eu sei é que não mando mails para ninguém e ninguém manda mails para mim. Por isso estou tranquilo"

Jorge Jesus, treinador do Sporting


O QUE ANDO A LER

Se não teve tempo de ler durante a pausa do Natal, sugiro-lhe duas reportagens do Expresso. Raquel Moleiro acompanhou a apanha da ameijôa no Tejo em plena época alta e descobriu como este é um negócio de milhões e palco de exploração laboral e alegado tráfico de imigrantes.

"São mais de mil. Todos os dias apanham no Tejo toneladas de amêijoas japonesas, contaminadas mas que geram milhões. Não para eles. Tailandeses e romenos são controlados por redes que começam no estuário e terminam na Galiza. Pelo caminho há agressões, armas, furtos, falsificações, fraude fiscal, atentados à saúde pública, exploração laboral e suspeitas de tráfico humano", lemos em Escravos do rio.

A Carolina Reis mergulhou na quase centenária Maternidade Alfredo da Costa, a que carinhosamente podemos chamar de "fábrica de bebés". O primeiro berço conta como esta maternidade de referência junta várias realidades: os partos de alto risco; as mães que não têm recursos; e os que preferem abdicar da “hotelaria” dos hospitais privados.

"Uma árvore de Natal à entrada da unidade está decorada com fotografias dos bebés que entraram prematuros e são hoje crianças iguais às outras. Um quadro ao lado junta mais imagens enviadas pelos pais, numa vontade de não cortar o cordão umbilical com aquele lugar. A MAC é um espaço de luta pela vida e de medo. Porém, também é um espaço de sobrevivência e superação. Pegar num bebé prematuro ao colo não é só pegar num bebé ao colo. Ver crescer um bebé não é só vê-lo crescer. São gestos simples que sabem a vitória".

Hoje fico por aqui. Tenha uma boa quarta-feira e uma ótima semana! Continue bem informado com o Expressoonline, com o Expresso Diário às 18h e com a Tribuna, o site dedicado ao desporto. Até já!

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