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Expresso

Martim Silva Diretor-Executivo

Os previventes do cancro. Eurogrupo. Santana e Simone (os meus destaques do Expresso)

1 de Dezembro de 2017

Bom dia e bom feriado,
Esta semana (tal como na que vem) o Expresso chega às bancas na sexta-feira. Eis os meus destaques da edição desta semana:

Os portugueses “previventes” de cancro
Genética estuda cada vez mais famílias 
com genes propícios a tumores. Deixou de ser raro 
retirar órgãos antes de ter cancro

"Era mais um turno no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa. Tamara foi chamada para ajudar uma jovem de 27 anos, mãe recente de duas crianças, a quem tinha sido retirado o peito cancerígeno. Enfermeira experimente, daquela vez deixou-se comover, e isso salvou-a. A ela e a outras mulheres. A doente viria a morrer dois anos depois. Tamara esteve presente na morte, que desde então tem sido a sua vida: “Prometi-lhe que não ia deixar que voltasse a acontecer, que mais mulheres morressem desnecessariamente por ignorância.” O caso da jovem despertou Tamara para uma realidade que agora partilha: há quem nasça com genes mais suscetíveis ao cancro, mas essa fragilidade pode ser descoberta a tempo de agir. Foi o que Tamara fez. Estudou a história familiar e percebeu que estava em perigo. A mãe teve cancro da mama e duas tias paternas tiveram tumores da mama e ovário, que atingiu ainda a avó paterna. Com origem germânica, Tamara fez os testes na Alemanha e confirmou o pior. Herdara do pai uma mutação que lhe dava 87% de risco. Em 2009, com 41 anos e um ano depois do decisivo turno no hospital, submeteu-se a uma intervenção preventiva. A cirurgia para retirar a mama foi realizada no IPO-Lisboa, onde regressou aos 42 anos para extrair o útero, os ovários e as trompas. Com duas filhas e quatro sobrinhas, Tamara Milagre já lhes explicou o perigo que vivem."


Quando Santana fez 170 km para ganhar um voto
O Expresso fez-se à estrada 
com o candidato 
a líder do PSD

"De Loulé a Mértola são mais de 120 quilómetros. De Mértola até à A2, por Castro Verde, são outros 50. Por junto, foi um desvio de mais de 170 quilómetros o que Pedro Santana Lopes fez no sábado, 25 de novembro, para ir falar com Miraldina Seno (“Dina”, como se apresenta). Só não foi campanha ao domicílio porque o encontro aconteceu na Pastelaria Ninho Doce. Mas foi tão personalizado quanto é possível. Dina não domina um sindicato de voto, nem arrasta outros sociais-democratas, pelo simples facto de que em Mértola, onde vive, é a única militante do PSD. Mas Santana fez questão de lá ir. Para a conhecer, para sinalizar a atenção ao partido profundo e para frisar que esta eleição, por muito que dependa de caciques e do aparelho, se decide voto a voto."


Capítulo 6 O relatório escondido de Pedrógão
Expresso revela documento

"As pessoas fogem, quase todas de carro, perdem visibilidade, fazem várias inversões de marcha, embatem, entram em pânico, morrem dentro do carro, morrem saindo do carro, sempre a fugir. Só quatro pessoas morrem em casa. 64 morrem naquela mesma noite de 17 de junho, uma dois dias depois, a 66ª vítima morreu esta quinta-feira, no hospital, uma mulher de 68 anos, que foi atropelada ao fugir das chamas numa cadeira de rodas. A maioria não morreu apenas no mesmo dia — muitas morreram ao mesmo tempo, em acidentes simultâneos a poucos metros ou quilómetros umas das outras: entre as 19h30 e as 20h30. Os incêndios de Pedrógão Grande mataram mais pessoas do que qualquer outro incêndio antes em Portugal. Histórias que estão contadas, uma a uma, no capítulo 6 do relatório “Complexo de Incêndios ocorridos em Pedrógão Grande e concelhos limítrofes”, elaborado pelo Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais, da Universidade de Coimbra. Um capítulo que nunca foi revelado até hoje, e que o Expresso hoje revela, sem identificar vítimas, citando três acontecimentos nestas páginas do semanário e o relatório de 96 páginas na íntegra na edição digital."


Carlos Puigdemont Presidente demitido do Governo Regional da Catalunha
“Rajoy vai perder as eleições de 21 de dezembro”


"Refugiado em Bruxelas com elementos da sua equipa, o presidente demitido da Catalunha falou ao Expresso e à SIC. Carles Puigdemont refere as ameaças que lhe fizeram, a falta de solidariedade do Governo central no combate à ameaça jiadista e o impacto que a chantagem económica sobre a região pode ter na economia espanhola e na economia europeia. Diz também que não é apenas uma luta pela independência mas uma nova forma de fazer política e de devolução do poder ao povo."

A entrevista é do Henrique Cymerman

Eurogrupo: Conversa de Costa com Merkel foi decisiva
Os bastidores das negociações decisivas

"Nas últimas semanas, quando se intensificou a corrida para a presidência do Eurogrupo, a máxima do Governo português sempre foi a de que só avançaria se tivesse a certeza da vitória. Essa certeza chegou ontem às redações, às 10h54, na forma de um comunicado do gabinete do primeiro-ministro: “O Governo português apresentou esta manhã a candidatura do ministro das Finanças, Mário Centeno, à presidência do Eurogrupo”. A hora limite de apresentação em Bruxelas era às 11h (TMG). A eleição está marcada para a próxima reunião do Eurogrupo, na segunda-feira, e António Costa terá selado a decisão nos contactos bilaterais que manteve nos últimos dois dias em Abidjan, à margem da cimeira UE-África. Ciente já do apoio da família socialista ao seu candidato, António Costa avançou com as contactos com dois países-chave: França e Alemanha. Os encontros com os respetivos líderes, Angela Merkel e Emmanuel Macron, foram fundamentais, e permitiram-lhe sair da antiga capital da Costa do Marfim com a certeza de que “temos candidato e temos presidente, a menos que haja uma surpresa”."

Como Belmiro construiu a Sonae 
sem dar palmadinhas nas costas a ninguém
O grande perfil do empresário nortenho, escrito pela Margarida Cardoso

"Olhe que o seu filho vai longe”, disse o professor da escola primária ao pai de Belmiro Mendes de Azevedo para convencer o carpinteiro a deixar o rapaz mais velho ir estudar no Porto à procura de um futuro melhor. É verdade que Miro começou mal a escola, com um chumbo na primeira classe, mas com a ajuda do mestre Carlos acabaria por saltar diretamente para o terceiro ano e revelar, logo ali, na pequena aldeia de Tuías, capacidade de ultrapassar metas. Nas palavras de Carlos Moreira da Silva, quadro histórico da Sonae, presidente da Barbosa & Almeida, amigo de longa data, “Belmiro é um homem irrepetível”, uma frase curta mas eficaz para definir um empresário único que em 25 anos transformou a Sonae, uma empresa quase na falência, no maior grupo privado nacional e deu um empurrão para mudar os hábitos de consumo dos portugueses combinando visão, engenho, trabalho e formação, sem poupar críticas a políticos de todos os quadrantes, sem hesitar na hora de sair de cena e passar o seu lugar aos mais novos. Numa espécie de autorretrato, o próprio Belmiro apresentou os ingredientes da receita do seu sucesso: “A formação permanente, informação fresca, coragem, liderança para motivar todos os colaboradores em geral e o management em particular foram as qualidades que me trouxeram até onde cheguei”, afirmou em 1999, na Aula do Comércio, ainda antes de passar a ser presença habitual na lista das pessoas mais ricas do mundo da revista “Forbes” e de ser apontado como o homem mais rico de Portugal."

Turismo: o próximo ano, o sector antecipa aumentos de 5% a 10%
Na área dos cruzeiros poderão elevar-se a 15%

"O ano de 2017 vai ficar marcado pelo turismo. É não é só pelo facto de Portugal estar na moda, ter conquistado 2500 prémios internacionais ou Madonna e outras celebridades terem decidido comprar casa no nosso país. É, sobretudo, pelo impulso que o sector está a dar à economia. Em comparação com o ano passado, que já foi de crescimento, as exportações geradas com o turismo deram um salto de 19% até setembro e de 21% só neste mês, segundo os últimos dados do Banco de Portugal. Por dia, os estrangeiros deixaram no país receitas de €42,3 milhões, contabilizadas como exportações turísticas. “É o maior crescimento do século”, considera Ana Mendes Godinho, secretária de Estado do Turismo. Segundo Augusto Mateus, economista e ex-ministro da Economia, “2018 vai ser um 2017 aumentado, continuará a haver uma oportunidade conjuntural fortíssima para o destino Portugal e uma procura turística a manter um ritmo de crescimento muito mais significativo do que o da economia portuguesa”. Mas adverte que “não nos podemos entusiasmar excessivamente com as notícias do presente, precisamos de amparar esta tendência de crescimento da procura turística com uma oferta de maior valor, alargando a despesa média dos turistas e ganhando mais projeção internacional”."


Entrevista a Simone de Oliveira:
“Tenho a obrigação 
de ser uma mulher feliz!”


Foi vítima de violência doméstica mal casou?
Fui. Não gosto muito de falar disso. É uma coisa que está lá atrás, não foi apagada. Tudo o que aconteceu na minha vida, daí em diante, foi motivado por essa fuga. Não houve mais nenhum motivo. Fujo porque sei o que não quero. Fi-lo mais vezes na minha vida. Também não fui viver para uma tenda no mato, em África, com duas crianças...

Com o pai dos seus filhos?
Sim, com o qual não cheguei a casar. Não é uma má pessoa. Esqueceu-se é que tinha filhos. É um problema da cabeça dele. Imaginava o mundo à maneira dele, era como ele queria ou não era. Ora, eu tinha 23 anos, um filho com 6 meses, o Pedro, e uma filha com 2 anos, a Maria Eduarda. Ir com eles para a Beira, em Moçambique, era como ir viver para a Lua. Eu pensava: agora deixo o meu país, os meus pais, e vou para o mato? O que é o mato? O que é uma tenda? Possivelmente, outra mulher teria ido. Eu não fui. Estou arrependida? Não. Voltava a fazer a mesma coisa? Voltava. Quando não quero, salto. O que está do outro lado? Não sei.

De onde vem essa força?
Não sei. Não sei mesmo! É uma pergunta que faço a mim própria. Gostava que alguém me explicasse. Tenho uma grande apetência de viver e uma cabeça tão no sítio. Espero que se mantenha! Perder a lucidez é uma daquelas coisas que não quero imaginar. Vejo mulheres da minha idade que parecem minhas mães ou mesmo avós, pela forma de vestir, de falar... Algumas até mais novas. Penso: o que é que aconteceu dentro de mim para que eu não fosse aquilo? O normal era ser aquilo. Sei que não o sou. Não sei explicar porquê. Há qualquer coisa que me ultrapassa.

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