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Nicolau Santos Diretor-Adjunto

Costa dois anos depois: a resposta que está por dar

27 de Novembro de 2017

Bom dia. Este é o seu Expresso Curto.
O Governo assinalou ontem os dois anos que está em funções com a realização de um Conselho de Ministros em Aveiro, seguido de uma sessão de perguntas e respostas perante um painel selecionado por uma empresa especializada de sondagens, sendo o exercício supervisionado pelo professor naquela universidade e cientista político Carlos Jalali.

O mínimo que se pode dizer é que ou o painel foi tão bem seleccionado que se tornou praticamente asséptico ou que as pessoas que o integraram se intimidaram com o facto de terem à sua frente o primeiro-ministro e todos os ministros. Bactérias hospitalares, legionella, empregos para pessoas que estão na meia idade, fixação de pessoas no interior, etc, etc, foram as questões que se foram sucedendo, sem que se tenha verificado um momento de alguma tensão ou uma pergunta que tenha colocado em dificuldades António Costa e os seus pares.

Ainda por cima, cada um dos cerca de 50 participantes pode ter recebido até 200 euros, num total de 37 mil euros. É uma gota no oceano do orçamento, mas é uma despesa que já foi criticada pelo PSD, dizendo que o dinheiro dos contribuintes está a ser utilizado numa campanha política. O Governo, por seu turno, diz que é alheio à forma como foram escolhidos os participantes.

Por exemplo, o site do Expresso ontem a meio da tarde era bem mais incisivo do que tudo o que se passou em Aveiro durante hora e meia, a começar pela crónica de Miguel Sousa Tavares, publicada no sábado na edição em papel do Expresso e onde afirma algo que parece efectivamente ter acontecido: “António Costa desistiu de governar. Rendeu-se à Fenprof”.

O arranque do texto é demolidor: “Para memória futura e para quem isso possa vir a interessar, podemos situar na madrugada da última sexta-feira para sábado o momento em que António Costa desistiu de governar, desistiu de seguir o programa político que propôs aos portugueses e aceitou passar de primeiro-ministro a simples equilibrista político. Nessa madrugada, ao desautorizar pessoalmente os ministros das Finanças e da Educação, obrigando-os a ceder mais uma vez à Fenprof, António Costa abdicou de qualquer ideia de futuro sustentável que possa ter para o país, substituindo-a por uma simples estratégia de sobrevivência no poder, pronto a ceder, passo a passo, ponto por ponto, milhão por milhão, tudo o que os seus insaciáveis aliados de Governo vão exigir, além de tudo o que já obtiveram.”

Ora esta é uma questão-chave para o futuro do país. Se efectivamente o Governo aceitar que o tempo em que as carreiras dos professores estiveram congeladas, entre 2010 e 2017, conte para efeitos de progressão, então o esforço financeiro será de €650 milhões; e se isto for aceite todos os outros funcionários públicos exigirão o mesmo, o que custará mais €440 milhões ao Orçamento do Estado. Saber se António Costa está efectivamente a pensar ceder nesta matéria é crucial não para os professores mas para os portugueses – porque, pura e simplesmente, não é possível repor esse passado sob pena do défice voltar a disparar e de o país ter de pedir de novo ajuda internacional. E se há coisa que nenhum português quer é que venha de novo uma troika mandar no país.


Já agora: o Público fez as contas e garante que hoje mesmo, ao aprovar o OE 2018 a Assembleia da República está já a assumir compromissos de aumento da despesa e de perda de receita para 2019 num montante total de 593 milhões de euros.


Por seu turno, Valdis Dombrovskis, vice-presidente da Comissão Europeia, lembra em entrevista ao Expresso que a política orçamental portuguesa está em risco de incumprimento, por causa do défice estrutural.

Logo abaixo no site do Expresso, o líder da CGTP, Arménio Carlos, avisava: “O Governo terá problemas se não negociar com os sindicatos”. E sublinhava que o número de greves está a aumentar, mesmo no sector privado.

Finalmente, o Presidente da República já tinha deixado um suave aviso: “É bom que o Governo tenha presente uma série de metas que foram definidas no seu início e que são importantes em matéria de política externa, de política de defesa, em matéria económica e financeira", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa no sábado no Porto, a propósito da passagem de dois anos de governação socialista.


Ou seja, um artigo de opinião e três declarações são bem mais incómodas para o Governo que hora e meia de debate em Aveiro com uma amostra de 50 representantes do bom povo português.

OUTRAS NOTÍCIAS
Nuno Morais Sarmento é o mandatário da candidatura de Rui Rio à presidência do PSD. “Rui Rio é o candidato que representa maior futuro para o Partido Social Democrata”. Foi com esta mensagem inequívoca de apoio que o antigo ministro do Estado e da Presidência, advogado e militante do PSD, se assumiu em comunicado como mandatário da candidatura do ex-presidente da Câmara do Porto.

Ricardo Salgado e a sua mulher, Maria João Salgado, foram parados e revistados no aeroporto de Lisboa este verão na noite de 27 de junho quando regressavam de uma viagem à Suíça. Maria João Salgado trazia extractos bancários que foram recolhidos na investigação da Operação Marquês, que suspeita que Ricardo Salgado tem fortuna oculta fora de Portugal.

Paulo Portas alertou ontem para as consequências que as redes sociais estão a ter sobre os mídia tradicionais e os partidos políticos. O antigo líder centrista defendeu que depois de terem "colonizado os jornais clássicos", que hoje se tornaram "uma imitação das redes sociais", aquelas plataformas "preparam-se para colonizar os partidos políticos e tornarem os partidos políticos em brigadas de reação rápida, sem crivo nenhum". Num debate na 'escola de quadros' da Juventude Popular, em Peniche, sobre "nacionalismos e populismos", Paulo Portas alertou para o caráter emotivo das redes sociais, ao contrário das instituições, que são racionais e albergam maiorias e minorias "definidas em silêncio no voto".

O Presidente angolano, João Lourenço, garante que Angola tem divisas, só que estão fora do controlo do circuito legal, criticando o facto de até agora "ninguém" ter feito "nada" para inverter o cenário e justificando assim as recentes mudanças na direção do Banco Nacional de Angola (BNA) e no comando-geral da Polícia Nacional.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou ontem o seu apoio ao candidato republicano ao Senado, Roy Moore, acusado de vários casos de assédio sexual de adolescentes nas décadas de 1970 e 1980 no Alabama.

A Ordem dos Médicos (OM) quer garantir que a formação é realmente contínua e está a preparar uma nova exigência: que os clínicos demonstrem as suas competências a cada três anos. Requisito deverá vigorar a partir do próximo ano.

A presidente do Infarmed, Maria do Céu Machado, avisa que, se houver mudança para o Porto, como o Governo anunciou, perderemos “muitos milhões” de euros em processos europeus de avaliação de medicamentos.

O destino da cadeia de vestuário Quebramar vai ser decidido pelo Novo Banco, accionista e detentor de 83% dos 30,2 milhões de euros de créditos reconhecidos sobre a empresa. Atolada em dívidas da ordem dos 30,2 milhões de euros, aderiu ao Processo Especial de Revitalização (PER) em Abril passado. Mas as negociações com o Novo Banco não correram bem. Esta segunda-feira, 27 de Novembro, realiza-se uma assembleia de credores para decidir o futuro da empresa.

E para os que jogam com feriados e pontes para ganhar uns dias extras de descanso há boas notícias: há mais de uma dezena de fins de semana prolongados daqui até ao início de 2019. Já a partir da próxima semana.

As autoridades indonésias elevaram esta segunda-feira para o nível máximo o alerta relacionado com a erupção vulcânica na ilha turística de Bali e ordenaram a retirada de toda a população num raio de 10 quilómetros. O aeroporto de Bali foi encerrado por pelo menos 24 horas, com as autoridades a admitirem a sua reabertura na terça-feira após avaliação da situação. O monte Agung está a expelir uma coluna de cinzas em direcção à atmosfera que ultrapassa os quatro quilómetros de altura. As autoridades indonésias ordenaram a distribuição imediata de máscaras, dado que as cinzas vulcânicas continuam a cair em inúmeras aldeias.


FRASES
“A verdade é que Portugal cresce apesar do Governo”. Hugo Soares, líder parlamentar do PSD. Ora então se Portugal cresce apesar do Governo, isso quer dizer que o Governo pelo menos não atrapalhou o crescimento económico. Não é isso que o PSD faria se estivesse no Governo?

“Redução do défice devia ter sido feita de modo gradual”. Nuno Magalhães, líder parlamentar do CDS. Espera, será que Nuno Magalhães está a dizer que se fosse o CDS a governar teríamos défices superiores aos que tivemos em 2016 e vamos ter em 2017? Ena, isso sim, é uma mudança e tanto no pensamento do dr. Nuno.

“As linhas vermelhas continuarão a ser duas: a do metro de Lisboa, que liga São Sebastião ao Aeroporto, e a do metro do Porto, que liga o Porto à Póvoa de Varzim”. João Oliveira, líder parlamentar do PCP, respondendo à questão do DN “Qual a linha vermelha nos próximos dois anos?” e mostrando assim que, ao contrário do que reza o mito urbano, os comunistas sabem fazer humor, além de andarem de metro.

“Sem cultivar qualquer espécie de daltonismo político, não descortino o perigo com que a pergunta acena”. Carlos César, líder parlamentar do PS, respondendo à mesma questão sobre a linha vermelha – mas com menos humor e desconhecendo manifestamente as linhas dos metros de Lisboa e Porto.


O QUE ANDO A LER. E O QUE QUERO OUVIR.
“4321” de Paul Auster é um livro fascinante – mas que leva tempo a ler devido à sua dimensão. Conta a história de um jovem e dos seus pais e os diferentes caminhos que teriam seguido, consoante os acontecimentos envolvendo os três fossem num sentido ou noutro. Mal comparado, é como “O dia da marmota: em cada capítulo que começa o conta-quilómetros volta ao zero e tudo pode seguir um rumo diferente. É, no fundo, aquilo que muitas pessoas desejam – ter a oportunidade de recomeçar no ponto onde as coisas não correram bem e construir outro futuro.

Quanto a música, espero presentear-me com os novos CD’s de Seal, que canta ‘standards’ de jazz e de swing (entre os quais ‘Autumn leaves’, ‘I put a spell on you’, ‘Love for sale’, ‘My funny Valentine’ e ‘I’ve got you under my skin’), e de Stacey Kent ‘I know I dream’, onde interpreta três temas em francês (‘Les Amours Perdues’, de Juliette Greco, composição original de Serge Gainsbourg, ‘La Rua Madureira’ de Nino Ferrer e ‘Avec le temps’ de Léo Ferré), quatro novos temas e cinco versões de clássicos brasileiros, como ‘Fotografia’ de António Carlos Jobim.

E pronto, está servido o primeiro Expresso Curto desta semana. Tenha um excelente dia – e entretanto, para se manter informado, vá-nos seguindo no Expresso online e no Expresso Diário, que é servido todos os dias de segunda a sexta, às 18 horas, mesmo em ponto.

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