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Expresso

Martim Silva Diretor-Executivo

As cheias de 67. A legionela. A segurança da noite. E a Web Summit (os meus destaques do Expresso desta semana)

11 de Novembro de 2017

Bom dia,
De que andámos todos a falar na última semana? Ou, pelo menos, de que ouvimos todos muita gente a falar na última semana? Legionella e Web Summit estão seguramente à cabeça da resposta a estas questões. E, não por acaso, estes são dois dos temas fortes na edição desta semana do Expresso, que já está disponível nas versões em papel e digital.
Mas temos mais novidades. Das contas do Orçamento do Estado para 2018, de uma reportagem sobre as cheias de 1967 que fazem agora 50 anos e foram o maior desastre natural em Portugal depois do terramoto de 1755. Da entrevista de Ken Follett à de Francois Hollande (e para os fãs do Benfica, à de Ruben Amorim, que diz que um dia vê-se treinador dos encarnados).


WEB SUMMIT
Lisboa foi nos últimos dias palco de um cenário futurista que fascina e inquieta: robôs humanizados, carros que voam, a invasão das moedas digitais, a ascensão das notícias falsas e o poder dominante dos gigantes da Internet mostraram-se num encontro que reuniu cerca de 59 mil pessoas, de 170 países, 2100 startups e 1400 investidores.
A Web Summit, pelo segundo ano em Portugal, pôs em confronto o mundo tecnológico em acelerada transformação, onde o progresso e o fosso entre os que apanharam a onda digital e os que estão fora se vem acentuando. Se o otimismo está no ADN da Web Summit, uma das marcas deste encontro foi a ameaça que poderá esconder a inteligência artificial (IA) para a humanidade – o robô Sophia subiu ao palco do antigo Pavilhão Atlântico para dizer que os robôs vão colocar os nossos empregos em risco. Será?

Vários dos autores de colunas de opinião no Expresso decidiram esta semana escrever sobre este assunto: Pedro Santos Guerreiro, Ricardo Costa, Henrique Monteiro, Nicolau Santos, Luís Marques, Daniel Oliveira


Pugilistas, skins e Hell’s Angels. Todos lutam pelo controlo da noite
O submundo da segurança da noite é feito de alianças estratégicas e rivalidades extremadas. O negócio ilegal tem como ponto de partida a vigilância e domínio de bares e discotecas, passa pelo controlo formal ou informal de algumas empresas do sector e pode acabar no tráfico internacional de droga, de armas e de pessoas. As equipas da Polícia de Segurança Pública e da Polícia Judiciária, bem como os serviços de informações, monitorizam com especial atenção dois grupos que se têm imposto pela força: os Hammerskins, constituído por elementos da extrema-direita, e os Hell’s Angels, motards ligados a atividades ilícitas um pouco por todo o mundo.


Surto de legionela começou no exterior do hospital
Todas as provas recolhidas até ao momento atestam que o surto de legionela decretado há uma semana no Hospital de São Francisco de Xavier, em Lisboa, e que já matou quatro pessoas, teve origem nas torres de refrigeração, no exterior do edifício. Só falta um teste laboratorial para dar a última confirmação de que o contágio começou no lado de fora e que o ar contaminado, expelido pelo sistema, acabou depois também por entrar na unidade por portas e janelas. As elevadas concentrações de legionela encontradas sustentam a convicção de que o ponto de origem foram as três torres de arrefecimento, estando por apurar se todas ou alguma em particular.


Seis ex-governantes que assumiram o lugar de deputados falam sobre as novas rotinas, 'períodos de nojo' e tabus
Esta é uma reportagem muito curiosa e que vale a pena ler. Começa assim:
"Palmadas nas costas, abraços efusivos. Quem está no corredor junto à entrada do hemiciclo assiste à cena: Jorge Gomes, acabado de deixar o cargo de secretário de Estado da Administração Interna para assumir o lugar de deputado no Parlamento, é cumprimentado pelo presidente do PS, Carlos César, e por outros parlamentares que o rodeavam. Ali perto, Constança Urbano de Sousa, também ela acabada de sair do Governo — neste caso, deixara de ser ministra da mesma pasta —, abraça Paula Teixeira da Cruz, ex-ministra da Justiça de Passos. Ao lado, um grupo de deputados socialistas indecisos hesita se deve dirigir-se à ministra para mostrar apoio ou entrar diretamente no hemiciclo."


Medidas negociadas pesam €1200 milhões até 2019. Cerca de metade é para as pensões
As cedências do Governo aos partidos de esquerda vão custar cerca de €1200 milhões entre 2016 e 2019. Este valor corresponde ao acréscimo de despesa (ou diminuição de receita) acumulado durante os quatro anos de legislatura perante o que estava originalmente previsto pelo PS. É um montante que corresponde a cerca de 0,5% do PIB mas que, na prática, acaba por não ter grande impacto orçamental já que está diluído por vários anos e, além disso, o crescimento económico tem batido as expectativas iniciais. O grosso da ‘fatura’ das propostas do PCP, Bloco de Esquerda e PEV, calculada pelo Expresso a partir de dados e estimativas do ministério das Finanças e do Conselho de Finanças Públicas, está relacionado com as atualizações extraordinárias de pensões, o descongelamento mais rápido das carreiras no Estado, os novos escalões de IRS e a integração de professores.


IMOBILIÁRIO
Há muito a mexer no mercado imobiliário no nosso país. Todas as semanas escrevemos sobre o assunto. Esta não é exceção. Na Economia, o artigo intitulado "Há 24 novas casas por dia no mercado" explica:
Depois de nos últimos três anos os centros das cidades de Lisboa e do Porto terem sido tomadas por um frenesim de reabilitação urbana, eis que começa a surgir um número crescente de projetos construídos de raiz em zonas emergentes e com capacidade construtiva. Um resultado da consolidação da procura e da necessidade de expansão imobiliária para fazer face a essa mesma procura. Segundo dados da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI), nos primeiros oito meses deste ano foram licenciados um total de 12.347 fogos, dos quais 8392 são de construção nova. Destes, 5809 destinaram-se a habitação familiar. Ou seja, uma média diária de 24 unidades de construção nova.

A VIDA QUE A CHUVA LEVOU
Na noite de 25 para 26 de novembro de 1967 mais de 500 pessoas morreram numa enxurrada que arrasou as zonas mais pobres da região de Lisboa e Vale do Tejo. Foi o maior desastre natural em Portugal desde o terramoto de 1755. A ditadura de Salazar quis silenciar a tragédia, que marcou o despertar político de toda uma geração.

Se só quiser ler um grande texto ou uma grande reportagem nos próximos dias, esta é a escolha acertada:
"Muitos já dormiam quando a desgraça chegou. Guilhermina, 16 anos, apagara o candeeiro a petróleo pouco tempo antes e adormecera na cama de ferro, com a mão sobre a barriga que guardava o filho a poucos meses de nascer. Era quase meia-noite e faltavam cinco horas para se levantar e caminhar mais de cinco quilómetros até à fábrica da conserveira nacional, onde descascava marmelos a troco de 20 escudos por mês. Nunca chegou a ir trabalhar. Acordou com os gritos do pai e com o barulho de uma torrente de lama a entrar de rompante na pequena barraca de lusalite onde viviam. Em segundos, a água, barrenta e viscosa, chegou-lhe à cintura. Depois ao pescoço"

O texto é da Joana Bastos e as fotos foram cedidas por Eduardo Gageiro, um dos maiores fotógrafos portugueses.


Portugueses que estão 
a cercar o cancro

Um criou células com ‘pistolas’ que matam os tumores, outro descobriu o truque usado pelo cancro da pele para não ser detetado, outro ainda sabe como injetar drogas e afetar só células cancerígenas, evitando efeitos como a queda do cabelo. Estes cientistas estão na linha da frente do combate ao cancro e apostam em ativar o sistema imunitário e numa medicina de precisão e dirigida a cada doente


A última fronteira
Ontem ficámos a saber o dia a hora o mês e o ano exatos do Brexit. Theresa May colocou essa meta na lei. Uma forma de tentar tornar inexorável a saída do país da União Europeia. Na Revista desta semana temos precisamente uma reportagem sobre a fronteira que se arrisca a ser a meior fronteira física entre o Reino Unido e a União Europeia (embora esse debate exista e não esteja ainda fechado), entre a Irlanda e a Irlanda do Norte.

"Em 2019, a linha de 499 quilómetros que separa as duas Irlandas passará a ser a única fronteira terrestre entre o Reino Unido e a União Europeia. Uma fronteira praticamente invisível, atravessada por milhares de pessoas todos os dias. Mas será que continuará assim depois do ‘Brexit’?"

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