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Expresso

Bernardo Ferrão Subdiretor da SIC

A Web Summiu-se (e um “pitch” do país real)

10 de Novembro de 2017

Acabou a Web Summit.

A maior feira tecnológica do mundo levantou a tenda e deixou Lisboa. Mas com regresso prometido para novembro de 2018. Sou dos que acredita nas potencialidades do evento. Os impactos podem não ser imediatos e diretos, mas não tenho dúvidas sobre os ganhos para um pequeno país como o nosso. Não é todos os dias que Lisboa e Portugal surgem desta forma no mapa do mundo. E, como dizia António Costa, a Web Summit é também uma “inspiração” para as gerações mais novas.

Durante 4 dias (aqui o resumo da SIC) estiveram na feira quase 60 mil participantes vindos de 170 países. Trocaram-se milhares de cartões-de-visita. Ouvimos gurus, empreendedores, políticos e robôs. Falaram-nos da chegada em força da Inteligência Artificial. Fizemos shares, likes, posts. Discutimos investimentos, unicórnios, fake news, algoritmos, redes sociais, tecnologia e ecologia.

Enfim, o mundo passou por Lisboa mas o país real não deixou de girar.

No lado oposto da Lisboa tecnológica, as atenções continuam concentradas no Hospital São Francisco Xavier e no que por lá se passou. As respostas tardam, continuamos sem perceber qual foi a “falha técnica” referida pelo ministro da Saúde. Aliás, as bactérias que provocaram o surto de legionella ainda não foram identificadas. O Ministério Público e a Polícia Judiciária estão no terreno a investigar. A Entidade Reguladora da Saúde anunciou a abertura de um processo de averiguações.

A somar aos problemas na Saúde, o Público lembra-nos que na Educação há uma dívida que cresce desde janeiro. As Universidades reclamam €7,4 milhões ao Estado. Há salários em risco. O i avança que o Orçamento do Estado não tem verbas para os acertos de salários dos professores do Superior.

Xavier Viegas, o especialista da Universidade de Coimbra que fez um dos relatórios de Pedrógão, diz ao JN que não entende porque é que o Governo ainda não revelou cerca de 70 páginas do documento. Viegas faz um ultimato: dá um mês ao MAI para tornar público o capítulo “secreto”, senão ele próprio o fará.

Hoje é mais um dia sem chuva e até com um ligeiro aumento das temperaturas. Para combater a seca extrema, o ministério do Ambiente deverá transportar água para Viseu por comboio. O autarca de Viseu, Almeida Henriques diz que a “situação é crítica” e que na barragem de Fagilde a água “dará apenas para os próximos 20 dias”.

A EDP não exclui a possibilidade de a seca provocar subidas dos preços. As barragens não estão a produzir energia suficiente.

De Bruxelas chega o tom otimista em relação à economia portuguesa e a revisão em alta das previsões de crescimento. Mas chegam também dúvidas sobre o défice do próximo ano e o alerta: o esforço de consolidação orçamental pode não ser suficiente para cumprir as regras. António Costa está tranquilo: “temos grande credibilidade junto da CE”.

Teodora Cardoso mostra-se preocupada com elevada dependência do turismo. A presidente do Conselho de Finanças Públicas pediu “grande prudência” por se tratar de uma das fontes de receita mais voláteis.

O Governo inaugura hoje o novo Terminal de Cruzeiros. O DN escreve que Lisboa vai bater novo recorde de passageiros. O SEF não perdeu tempo e voltou a avisar: não há inspetores para controlar tantas entradas.

O Urban Beach avançou com providência cautelar contra o MAI. O Expresso explica que a intenção é contrariar a medida cautelar do ministro Eduardo Cabrita de encerrar aquele espaço de diversão noturna até seis meses. Hoje, as duas vítimas apresentam queixa-crime no DIAP. O Conselho de Segurança Privada reúne-se esta tarde para discutir o setor e novas medidas

OUTRAS NOTÍCIAS
A entrevista de Luis Filipe Vieira à BTV está a dar que falar. Na Bola o título é “Explosivo”, o Record puxa por uma citação: “Tivemos 4 capangas atrás de nós” e o Jogo escreve que “Vieira dispara em todas as direções”. O Presidente do Benfica garantiu que no clube “Não há nem nunca haverá corrupção” e acusou o Porto de querer “enxovalhar” o Benfica.

Jorge Nuno Pinto da Costa e Antero Henrique foram absolvidos no processo da Operação Fénix. O julgamento terminou com a condenação de 24 dos 54 arguidos mas quase todos com penas suspensas ou pena de multa. Apenas um foi condenado a prisão efetiva.

A seleção portuguesa defronta hoje a Arábia Saudita, no Estádio do Fontelo, em Viseu, às 20.45h. A SIC (e as outras TV) transmite o jogo solidário cujas receitas revertem para as vítimas dos incêndios. Ao longo do dia temos emissão especial na SIC e SIC Notícias. Não perca!

Notícia da noite: rutura na Altice. O presidente executivo, Michel Combes, demitiu-se do cargo. Dexter Goei volta a assumir as funções de CEO do grupo e Patrick Drahi regressa aos comandos. Esta manhã, na bolsa de Paris, as ações da empresa ja recuperavam 3%.

O Presidente angolano exonerou as administrações de todas as empresas públicas de comunicação social (TPA, RNA e Angop). Todos eles tinham sido nomeados por José Eduardo dos Santos.

Donald Trump e Vladimir Putin não vão ter nenhum encontro “formal” em Danang, no Vietname. É lá que decorre o Fórum de Cooperação Económica da Ásia-Pacífico (APEC). A assessora de imprensa da Casa Branca garantiu às agências noticiosas que "não há nenhum encontro formal nem nada programado". Mas reparem que foi usada a palavra “formal”…

FRASES
"É o mesmo se for perguntado a um jogador de ténis, no meio de uma partida, sobre o que está a pensar fazer no fim-de-semana, ou a um jogador de futebol, no intervalo, os planos para a próxima semana. Não tenho outro foco, senão as próximas 12 horas". Paddy Casgrave questionado sobre a continuidade da Web Summit em Lisboa.

"Estou preocupado com muitos políticos, demasiados decisores que negam a realidade, negam as alterações climáticas. Portugal continua empenhado nos Acordos de Paris”, Marcelo Rebelo de Sousa.

“A Federação tudo fará para ter um país mais unido”. Fernando Gomes, Presidente da Federação Portuguesa de Futebol ao JN.

O QUE ANDO A LER
Em 1935, 5 anos depois de se ter consagrado como o primeiro Nobel da Literatura nos EUA, Sinclair Lewis escrevia sobre os nossos dias. Mais precisamente sobre a história dos Estados Unidos de Donald Trump. “Isso não pode acontecer aqui” é um romance profético sobre a chegada ao poder de Buzz Windrip, um demagogo xenófobo, racista e iletrado. Windrip ganha as eleições prometendo o regresso da América à prosperidade e ao orgulho, mas acaba por instaurar um regime ditatorial altamente repressivo apoiado pelos militares. Leia o livro e descubra as diferenças. São assustadoramente semelhantes.

A escolha deste livro premonitório - que oitenta anos depois é republicado com toda a atualidade – tem uma razão óbvia: esta semana assinalou-se o primeiro ano da era Trump. O que nos parecia impossível aconteceu. Nestes 365 dias, fomos surpreendidos, ofendidos, provocados, maltratados: como pôde a América escolher tal figura para Presidente? – a resposta daria uma interessante discussão que não pode ser tida aqui e agora. Além do livro, que comecei a ler no passado fim-de-semana, deixem-me ainda recomendar-vos o trabalho da Cristina Boavida e do Marco Carrasqueira, jornalistas da SIC, que compilaram os melhores (piores) momentos desta já looooooonga aventura na Casa Branca. Veja aqui.

O Curto fica por aqui. Tenha um excelente dia e um ainda melhor fim-de-semana. Se esta noite ficar por casa não perca o Expresso da Meia-Noite. Hoje, eu e o Nicolau Santos, olhamos para o estado do Serviço Nacional de Saúde.

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