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Expresso

Martim Silva Diretor-Executivo

Os meus destaques do Expresso desta semana

4 de Novembro de 2017

Bom dia e bom fim de semana,

Nesta edição do Expresso damos grande destaque aos temas mais quentes da atualidade nacional, como sejam o episódio de violência à porta da discoteca Urban (revelamos que oito dos seguranças daquele espaço são reincidentes em casos de agressões e violência) ou os últimos desenvolvimentos no despique verbal e político entre Governo e Presidente da República (Augusto Santos Silva diz que o Governo se dá lindamente com Marcelo, tal como se dava com Cavaco; Manuel Alegre pede maturidade política aos protagonistas, Costa incluido; e Marcelo faz saber que não confia minimamente no plano para os incêndios apresentado pelo Executivo socialista).

Fomos ainda falar com a mulher que ao longo dos últimos nove anos liderou a Entidade das Contas, que tem a incumbência de fiscalizar as contas dos partidos políticos. O relato de Margarida Salema é arrepiante (palavra da própria). Salema diz que descobriu por exemplo que os partidos não pagam estacionamento à EMEL, em Lisboa, apesar de tal dever ser considerado uma forma ilegal e encapotada de financiamento não previsto aos partidos. Há casos de processos parados de coimas que correm o risco de prescrever, casos de financiamentos ocultos. Enfim, eis uma matéria em que teremos evoluído muito nos últimos anos mas em que muito mais há ainda por fazer.

O dia em que a EDP fez de Governo. Era quarta-feira. Às 11h56 de 15 de novembro de 2006 João Manso Neto enviava a António Mexia uma mensagem de correio eletrónico sobre um dos dossiês mais importantes que a nova administração da EDP tinha em mãos: a entrada em vigor dos CMEC — Custos para a Manutenção do Equilíbrio Contratual, em substituição dos Contratos de Aquisição de Energia (CAE). “Este é o draft de RCM [resolução do conselho de ministros] que propusemos ao Governo. Sei que o Dr. Miguel Barreto e o Dr. Rui Cartaxo estão a fazer-lhe alguns ajustes formais”, escrevia Manso Neto a Mexia, referindo-se ao então diretor-geral de energia e ao assessor de Manuel Pinho, ministro da Economia na altura.
A mensagem incluía o conteúdo de um e-mail que dois dias antes Manso Neto tinha enviado a António Castro Guerra, secretário de Estado da Indústria. “Estimado Sr. Professor, como combinado na nossa reunião de ontem, junto remeto draft do documento em epígrafe [sobre os CMEC e o domínio hídrico], que tem o acordo da EDP e da REN”, apontava Manso Neto na mensagem para Castro Guerra.
As mensagens de correio eletrónico de 2006 fazem parte do acervo que o Ministério Público (MP) obteve nas buscas à EDP, realizadas a 2 de junho, no âmbito da investigação sobre os CMEC. O MP suspeita que as circunstâncias em que foram aprovados os CMEC e a extensão do domínio hídrico e o relacionamento com alguns dos decisores políticos consubstanciam atos de corrupção. O MP tenta ligar os 1,2 milhões de dólares que a EDP doou a partir de 2010 à Universidade de Columbia (onde o ex-ministro Manuel Pinho foi dar aulas) às condições asseguradas à EDP nos CMEC.

Web Summit: 60 mil na Meca da tecnologia
Lisboa vai ser mais uma vez na próxima semana a Meca das novas tecnologias. Pela Web Summit, que vai decorrer na FIL, no Parque das Nações, nos próximos dias 7, 8 e 9, vão passar mais de 60 mil pessoas de quase todos os países do mundo. A equipa de Paddy Cosgrave, o irlandês fundador da Web Summit, consegue de novo trazer à capital portuguesa oradores de grande nível e especialização, incluindo lideres de grandes empresas mundiais e figuras políticas internacionais de primeiro plano.
Além do dinheiro que o evento injeta diretamente na economia portuguesa, nomeadamente na hotelaria (cerca de €200 milhões, segundo dados oficiais), a realização da Web Summit em Lisboa tem o mérito de voltar a colocar Portugal no mapa mundial do empreendedorismo, beneficiando também da presença de mais de 2000 jornalistas de todos os cantos do mundo.
Para Pedro Rocha Vieira, presidente da Beta-i (associação de apoio ao empreendedorismo), a Web Summit tem ajudado a dar visibilidade a Lisboa como “uma cidade vibrante e acolhedora para startups tecnológicas” e “como destino de investimento junto de grandes multinacionais”, afirma, referindo-se ao anúncio no último ano da instalação em Lisboa de centros de competência de grandes empresas, como a Mercedes-Benz e mais recentemente a Uber e a Zalando (anunciadas esta semana).

O TEMPO DE AL GORE
A passagem do tempo é um processo imparável: avança-se uma fração de segundo de cada vez e, quase sem darmos por isso, já temos 69 anos, como Al Gore. Uma década depois de ter sido protagonista do oscarizado documentário “Uma Verdade Inconveniente”, que lhe valeu um Nobel da Paz (em conjunto com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU), o antigo vice-presidente dos Estados Unidos — que ficou conhecido por ter perdido a eleição presidencial de 2000 apesar de ter tido mais votos do que o seu adversário, George W. Bush — tem agora o cabelo quase inteiramente tingido de branco e a cara mais redonda e enrugada. O tempo meteorológico, por outro lado, é bem menos linear: ora faz chuva, ora faz sol, e, por vezes, andamos de t-shirt à noite quando já deveríamos estar a usar casacos aconchegantes. Diz-se que a culpa é das alterações climáticas, mas, na verdade, ela é de todos nós — por dia despejamos na atmosfera, “como se ela fosse um esgoto aberto”, 110 milhões de toneladas de gases que provocam o aquecimento global. A boa notícia é que, ao contrário do tempo cronológico, este processo não é irreversível: “Vamos vencer! Vamos resolver a crise climática”, assegura-nos Gore, que falou em exclusivo ao Expresso antes de vir a Lisboa na próxima semana, onde será cabeça de cartaz da Web Summit.

Xutos. De sempre. Para sempre
O maior grupo de rock português está à beira de completar 39 anos. Nas páginas da Revista, Tim escreve sobre os dez momentos mais marcantes de uma história que começou numa noite de chuva. A digressão de 2017 acaba hoje, no Coliseu dos Recreios. E o concerto vai começar com ele a gritar: “Boa-noite, Lisboa. Aqui Xutos & Pontapés”

Dos nomes, quando existem
A economia alemã durante a II Guerra Mundial assentou no trabalho escravo. E a neutralidade portuguesa não impediu que muitos cidadãos nacionais fossem apanhados na engrenagem. Um grupo de historiadores passou quatro anos a pesquisar sobre esta realidade e a 17 e 18 deste mês vão apresentar as primeiras conclusões num colóquio internacional e numa exposição que terão lugar no CCB, em Lisboa

Entrevista a Emmanuel Macron: "Precisamos de desenvolver o heroísmo político”
(deixo-lhe um excerto, para aguçar o apetite)
Como deve um Presidente, um político, comportar-se para fazer avançar as coisas e mudar a História?
Pessoalmente, não acho que seja possível fazer grandes coisas sozinho ou através de ações individuais. Pelo contrário, acho que só é possível saber o que fazer num determinado momento quando se compreende o Zeitgeist, e só é possível fazer avançar as coisas se tivermos um sentido de responsabilidade. Esse é exatamente o objetivo que estabeleci para mim: tentar encorajar a França e o povo francês a mudarem e a desenvolverem-se mais. Mas isso só pode ser feito em coletivo, uns com os outros. Temos de agregar a força daqueles que querem dar esse passo. O mesmo vale para a Europa.

“A revolução degenerou, mas ficou uma mensagem de esperança”
De que forma se olha cem anos depois para a Revolução de Outubro, dentro e fora da Rússia? Fernando Rosas, historiador, analisa a tentativa de criação de uma memória seletiva da revolução por parte do atual poder russo. Compara Estaline e Putin, mas sublinha que o património ideológico e cultural da revolução não pertence aos russos mas à humanidade. Se a esquerda que tomou o Palácio de Inverno acabou por se burocratizar e militarizar no decurso da guerra civil, a esquerda atual é plural e não acredita em verdades absolutas. Passado o período de refluxo subsequente à queda do Muro de Berlim abre-se a novos campos de luta, desde os direitos das mulheres à defesa do ambiente. Sem esquecer o combate à “desmemória” que quer fazer de outubro de 1917 um mero golpe de Estado dos bolcheviques e não um movimento social.

Trump de A a Z 

Um ano depois da vitória do candidato republicano nas presidenciais dos EUA, esmiuçamos o trumpismo por ordem ordem alfabética, desde as tentativas mal-sucedidas de revogar o Obamacare, aos decretos anti-imigração e àquilo que mais o abala politicamente: a pista de conluio com o poder russo para desacreditar Hillary Clinton, cada vez mais quente. Trump continua igual a si próprio e perante um atentado artesanal com viatura em Nova Iorque (terça-feira, oito mortos), levado a cabo por um homem vindo em 2010 do Uzbequistão (com autorização de residência em dia), prometeu voltar a endurecer as restrições à entrada de estrangeiros e, fazendo de acusador e juiz, pediu a pena de morte para o acusado. Este trabalho inclui uma reportagem no Ohio, junto de operários, ainda hoje desiludidos com a desindustrialização e o fecho de fábricas e que continuam a acreditar no homem que elegeram há um ano.

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