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Expresso

Martim Silva Diretor-Executivo

Irma, nome de furacão, nome de devastação

11 de Setembro de 2017

Bom dia,
hoje é segunda-feira, 11 de setembro (sim, passam dezasseis anos do mais terrível atentado terrorista da história dos atentados terroristas).
Este é o seu Expresso Curto desta manhã. Que começa com uma coleção de números daqueles que doem e que ninguém gosta de dar.


Depois de vários dias de devastação na zona das Caraíbas, com cerca de três dezenas de mortos e várias ilhas totalmente destruídas, o furacão Irma chegou ontem à costa dos Estados Unidos, entrando pela Flórida e provocando novamente um rasto de destruição.
Para já, o balanço aponta para mais de 6 milhões de pessoas evacuadas, 100 mil colocadas em abrigos, mais de 2,6 milhões de lares sem electricidade, prejuízos muito avultados. E pelo menos três mortos.

O furacão, que começou por ser de escala 5, entrou nos EUA já com força mais reduzida, de escala 2, e já esta manhã foi novamente reclassificado em escala 1

(Para quem queira perceber um pouco melhor o impacto e violência dos furacões, sempre lhe digo que a chamada escala de Saffir-Simpson, que mede estes fenómenos, indica que os furacões de escala 5 são os que registam ventos acima dos 250 quilómetros por hora, os de 4 acima de 209, os de três acima dos 177, os de dois acima dos 151 e finalmente os furacões de escala um são os com ventos compreendidos entre os 117 e os 151 quilómetros por hora. Abaixo dos 117 falamos de tempestades tropicais.)

Depois da destruição causada pelo vento, a preocupação seguinte, e talvez maior, é a água (chuvas a inundações são a principal causa de mortes nestes casos). O nível das águas pode subir até quatro metros e causar uma destruição maior do que a provocada pelas rajadas de vento. “O nosso maior medo é a água”, reconheceu o senador da Flórida Marco Rubio.

Nesta altura o furacão caminha (a uma velocidade acima dos 30 quilómetros hora) para o norte do Estado da Flórida, devendo depois chegar à Georgia e Carolina do Sul. Mal chegou a terra, começou a provocar devastação e mortes. Trump já veio falar e promete deslocar-se à região o mais rapidamente possível.

O Financial Times fez as contas e afirma que o furacão pode custar às seguradoras até 60 mil milhões de dólares. Diz o Guardian que os prejuízos nos EUA podem atingir os 300 mil milhões de dólares.

As autoridades portuguesas disponibilizaram entretanto um avião para resgatar mais de 50 portugueses afetados pelo furacão nas ilhas caribenhas.


Deixo-lhe aqui mais uns links que vale a pena espreitar:
-Aqui algumas das melhores imagens, pelo NYT

-Aqui, além do texto, vale a pena espreitar o vídeo de Miami.

-Aqui uma reportagem sobre o que está a acontecer numa das ilhas da Caraíbas mais afectadas. Depois da destruição das chuvas, a destruição causada pela violência e assaltos.

-Finalmente, aqui, um interessante (sobretudo para quem é jornalista, mas também para quem gosta de pensar os jornalismo) debate sobre a forma como este tipo de fenómenos são e devem ser cobertos pelos media – o debate surgiu depois de aparecerem uns jornalistas em situações potencialmente perigosas a relatar a destruição do furacão.


Mudando de longitude, mau tempo e cheias em Itália (onde choveu em poucas horas o equivalente a vários meses) provocaram pelo menos sete mortos

Um atentado na Somália também provocou quatro vítimas mortais.

Mais de 300 refugiados sírios tiveram de ser assistidos ao largo de Chipre.

Um líder de uma tribo afirmou que pelo menos 18 índios foram mortos na Amazónia.

O grave sismo que assolou o México no final da última semana provocou mais de 90 mortos.

OUTRAS NOTÍCIAS
Cá dentro,

Começou hoje a greve dos enfermeiros, prevista para durar toda a semana. Depois do ministro da Saúde a ter considerado ilegal e imoral, um responsável sindical veio garantir logo após a meia-noite que a adesão estava acima dos 80 por cento. No Público a responsável pela Ordem, Ana Rita Cavaco, dá hoje uma entrevista que vale a pena ser lida.


Vamos ao pingue-pongue entre os políticos da nossa praça, agora que estamos a uma semana de começar oficialmente a campanha eleitoral autárquica e quando as caravanas, e os seus líderes, já andam pelo país em comícios e iniciativas:
-Passos Coelho continua a malhar. Agora voltou a ser em António Costa, que acusa de poluir o debate político.

-Catarina Martins, voluntariamente ou não, aparece como defensora oficiosa de Costa, acusando Passos e Cristas. O primeiro de cinismo, esta de hipocrisia.

-Já Jerónimo de Sousa veio a público recusar dramatismos e garantir que as conversações em torno do OE para 2018 estão a caminhar no bom sentido.

-Depois de há uns dias ter afirmado que o PCP se preparava para abster-se na votação do Orçamento do Estado para 2018, Marques Mendes veio ontem garantir que na hora da verdade os comunistas acabarão por votar o documento ao lado de PS e (tudo indica) Bloco de Esquerda.


TANCOS
É verdade, ainda o furto de material militar dos paiois de Tancos. O tema voltou com estrondo à agenda política motivado pelas declarações (bizarras) do ministro da Defesa, que depois de passar dois meses a falar em roubo (ele e os responsáveis militares e os outros membros do Governo que falaram do assunto) veio agora admitir que até pode nem ter havido roubo. Confuso? Não é caso para menos.
O CDS já protestou e voltou a pedir a cabeça de Azeredo Lopes.
O PSD veio exigir que se prestem esclarecimentos imediatos no Parlamento. Pretensão semelhante à do CDS, que pelos vistos tanto quer a demissão do ministro como que este preste esclarecimentos.

A Galp é a campeã nos contratos de eletricidade feitos pelo Estado.

Tema forte da edição semanal do Expresso do último sábado era a conversa com Nádia Piazza, a brasileira radicada na zona de Pedrógão, que é jurista da Câmara de Figueiró e que tem dado a cara nos últimos meses como líder da associação das vítimas do terrível incêndio naquelas localidades. Aqui se revela a intenção de investigar autonomamente tudo o que se passou.

Há sete anos que não entravam tantos alunos no Ensino Superior em Portugal. Se é sinal de confiança, como afirmou Costa, não sei dizer, mas que o número é factual, é.
Curioso o facto de este ano serem os cursos de engenharia os que tiveram as notas de acesso ao Superior mais altas do país. Veja aqui a reportagem.
Se é dos que ficou de fora, ou se conhece alguém que esteja nesta situação, tenha calma que ainda pode haver esperança, como se conta aqui.

O primeiro-ministro promete falar com o ministro sobre a colocação de professores. Ontem, António Costa foi confrontado com um protesto, em Matosinhos, recebeu uma delegação de professores e deu garantias de que o assunto vai, pelo menos, ser avaliado.

Ainda em matéria orçamental, revela o Negócios que a nova isenção de IRS vai beneficiar salários brutos até aos 669 euros.

Este ano, três mestrados de gestão de universidades nacionais aparecem entre os melhores do planeta, no ranking elaborado pelo Financial Times: o da Nova (o melhor colocado), o da Católica e o do ISCTE.

Há uns dias, Salvador Sobral anunciou uma pausa na carreira para entregar o seu corpo à ciência. Leia aqui como o El Pais relatou o que se passou no seu último concerto, no Estoril.


Lá fora,

Foi há dez anos que Steve Jobs apresentou ao mundo o primeiro iPhone. Numa década, este tornou-se o mais importante vendido telemóvel à escala global e os smartphones revolucionaram a forma como comunicamos (em todos os sentido, abalando por exemplo a forma como os jornais são lidos). Amanhã, dia 12, está prevista a apresentação do novo modelo da Apple e a expectativa, como sempre nestes momentos, é mais que elevada.

Pela primeira vez desde que se soube que lhe tinha sido diagnosticado cancro, o senador norte-americano John McCain (antigo candidato presidencial republicano e um dos mais ferozes opositores de Trump) falou pela primeira vez em público.

Na Foreign Policy, este antigo oficial norte-americano escreve sobre os planos de guerra americanos para a crise nuclear norte-coreana. Em resposta à possibilidade do endurecimento das sanções das Nações Unidas promovidas pelos esforços dos Estados Unidos, o regime da Coreia do Norte veio ameaçar os EUA com “o maior sofrimento e dor”.

A Índia ameaça deportar dezenas de milhares de refugiados Rohingya

O ciclista britânico Chris Froome conquistou a sua primeira Volta a Espanha em bicicleta.

Não em Espanha, mas nos Estados Unidos, um espanhol brilhou a grande altura. Rafael Nadal venceu o US Open de ténis, derrotando sem espinhas na final o sul-africano Kevin Anderson e conquistando assim o seu 16º Grand Slam da carreira.


FRASES
"No limite, pode não ter havido furto nenhum", o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, em entrevista ao DN e TSF. No limite, acrescento, podemos não ter ministro nenhum

"Há enfermeiros que já nem se importam de ser despedidos", Ana Rita Cavaco, Bastonária da Ordem dos Enfermeiros, ao Público


O QUE ANDO A LER
Na última quarta-feira chegou às livrarias o quinto volume da saga Millenium (editado pela D. Quixote), um policial sueco eletrizante cujo autor dos primeiros três volumes (Stieg Larsson) faleceu, tendo sido outro escritor escandinavo, David Lagercrantz, o autor dos últimos dois livros. A receita é a mesma (crime, mistério, hackers), os personagens centrais também (Lisbeth Salander e Mickael Blomqvist). Para os fãs, como eu, continua a valer a pena, embora, como é natural, se vá detectando algum cansaço e repetição na fórmula. Ao quarto volume eu próprio já tinha dito ‘basta’ mas a verdade é que não resisti e estive os últimos dias agarrado ao quinto episódio, “O Homem Que Perseguia a Sua Sombra”. Recomendado, mas só para fanáticos!

Já na cabeceira, outros dois livros que entretanto me chegaram às mãos. O último de Joseph Stiglitz, "A Economia Mais Forte do Mundo", da Bertrand. Em que o Prémio Nobel se propõe apresentar precisamente um plano para revitalizar a economia americana.
E, da mesma editora, uma investigação sobre a atuação da CIA em Portugal, da autoria do meu antigo colega no Diário de Notícias Luís Naves. "Portugal Visto Pela CIA". Voltarei a estas páginas.

​​​​​​​Por hoje é tudo, tenha um grande início de semana.

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