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Expresso

Martim Silva Diretor-Executivo

A ministra que conta como lutou contra o cancro

9 de Setembro de 2017

Bom dia,
aqui lhe deixo os meus destaques da edição semanal do Expresso. Boas leituras

Está dado o pontapé de saída no Portugal 2030
António Costa já tinha desafiado (sem sucesso) o líder da oposição, Pedro Passos Coelho, para um compromisso sobre os grandes investimentos que devem constar do próximo quadro comunitário de apoio (um pacote de investimento ainda ele envolto em incertezas decorrentes do Brexit). O presidente do PSD chutou para canto. Mas o primeiro-ministro e o Governo prepara-se para dar o pontapé de saída no debate do assunto. E já na próxima terça-feira, com uma reunião com o Conselho Económico e Social.

"O meu filho foi apanhado por uma onda de incompetência"
Neste verão, seguramente que reparou numa senhora de sotaque brasileiro que deu muito a cara como representante da associação das vítimas dos incêndios de Pedrógão Grande. Ela chama-se Nádia Piazza. E agora chegou a hora de deixar, em entrevista ao Expresso, o testemunho da trágica situação que ela própria viveu. Jurista da Câmara de Figueiró, estava na Irlanda em trabalho no dia do incêndio. O filho foi uma das vítimas mortais da estrada da morte. O seu relato é impressionante, cru e brutal. Na véspera Nádia soube que estava novamente grávida.

Descongelar carreiras na Função Pública? Manta do Governo é curta
Tema do momento são as negociações à esquerda para a elaboração do Orçamento do Estado para 2018. E dentro destas, o descongelamento das carreiras da Função Pública é dos temas mais bicudos. A esquerda à esquerda do PS quer tudo e tudo o mais rápido possível, os socialistsa pretendem ir a um passo mais moderado. Ontem, nas negociações com os sindicatos, o Executivo apresentou um documento que mostra que para 2018 a verba disponível do Governo para as carreiras dos funcionários não chega a metade do total necessário. Eis um problema para resolver.

Relvas, Catarina e Pedro Nuno Santos
Neste pacote destaco três trabalhos da edição desta semana que resultam de três conversas com Miguel Relvas, Catarina Martins e Pedro Nuno Santos. O social-democrata, que vai ensaiando os passos de regresso à política, diz que o PSD devia tratar melhor e proteger o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. A bloquista afirma que o acordo da geringonça tal como o conhecemos é irrepetível e apresenta novas propostas para o OE de 2018, com a criação de novos escalões nos rendimentos mais baixos, de forma a aumentar a progressividade do imposto e a fazer com que mais gente pague menos impostos. Finalmente, o socialista que está à frente dos Assuntos Parlamentares no Governo dá alguns sinais de que a sua ambição no partido poderá não se ficar por aqui.

Aga Khan, um deus na Terra
Príncipe Karim Aga Khan IV. Mas chamam-lhe Sua Alteza. O título foi-lhe atribuído por Isabel II, a rainha de Inglaterra, logo depois de Karim, aos 20 anos, assumir o cargo de imã, o 49º imã dos 15 milhões de muçulmanos xiitas ismaelitas. Há cerca de um mês, a 11 de julho, iniciou as celebrações do seu jubileu de diamante e prepara-se para deixar a região de Paris e estabelecer residência em Lisboa. É um dos homens mais ricos do mundo, dizem as revistas estrangeiras da especialidade, que há pouco tempo situavam a sua fortuna nos quase 14 mil milhões de dólares. Mas é ao mesmo tempo líder espiritual de uma comunidade que doa ao Imamato, que ele próprio gere, cerca de 10 a 12% do que ganha.

Que Lisboa é esta?
Um casal de japoneses de meia-idade passa numa destas manhãs pela Rua dos Lagares, no castiço bairro da Mouraria, e é atraído por um prédio cor de salmão. Na janela do terceiro andar, um gato cinzento e branco insinua-se por trás de umas cuecas pretas de senhora que estão a secar ao sol. De máquina apontada para cima, fazem um disparo para memória futura. Mas a sua atenção demora-se mais nas dezenas de retratos a preto e branco dos moradores do prédio que ornamentam a fachada. Estes são os rostos dos despejados do nº 25, pode ler-se em português e em inglês. (...) Claro que isto ‘é chinês’ para aqueles japoneses, que apenas sabem responder de onde vieram num muito mau inglês e parecem maravilhados com a velha e típica Lisboa. O que eles talvez não suspeitem é que o mais certo é que, daqui a cinco anos, quem apontar uma máquina fotográfica (ou um selfie stick) a este mesmo prédio apanhará na janela outros estrangeiros a espreguiçar-se ao sol, a estender toalhas de praia ou a espreitar a vista, que chega até ao Castelo e à Igreja da Graça. Serão turistas a fotografar turistas, em mais um prédio que esteve para se transformar este ano num negócio de alojamento local. Mas, por intervenção da autarquia, o processo foi adiado por mais cinco anos. É esta realidade que se observa atualmente nas principais zonas históricas da cidade, sobretudo nas freguesias lisboetas de Santa Maria Maior (onde se inclui Mouraria, Alfama, Castelo, Baixa e Chiado) e Misericórdia (Bairro Alto e Príncipe Real, entre outros), em que a pressão turística e a procura maciça dos estrangeiros pelo aluguer ou compra de casas está a acelerar a gentrificação dos bairros (processo de valorização imobiliária de uma zona urbana) e a respetiva saída dos moradores, uma população maioritariamente de classe média-baixa, carenciada, que não vê os seus contratos renovados.

Ana Paula Vitorino. Como a ministra lutou e venceu o cancro
Ana Paula Vitorino recebe-nos no seu gabinete, no Terreiro do Paço. Para as fotografias basta descer a escadaria de pedra, virar à direita, dar uns passos até ao Cais das Colunas que ela mandou repor, em 2008, quando era secretária de Estado dos Transportes, no governo Sócrates. Agora, aos 55 anos, é ministra do Mar, ela, menina de Maputo, que não sabe viver sem ele. Muito tempo longe e surge o desconforto, um vazio. Gosta de portos, navios, contentores, do vento salgado. Ali a aragem é quente, doce, de rio, mas serve. Desce quase até molhar os pés e sorri. Ri-se até. Fala de assuntos sérios à mistura com piadas. É preciso brincar com a vida, e com a morte também. Esteve próxima. O cabelo curto não é opção, é o lado de fora do cancro que lhe diagnosticaram dentro, agressivo, há pouco mais de ano e meio. Não tinha ainda dois meses de Governo. Fala pela primeira vez sobre o assunto.

A crise na Autoeuropa: “Sem sábados “não seremos uma grande fábrica”
O braço de ferro entre trabalhadores e administradores ‘chumbou’ as negociações iniciais que permitiriam adotar um novo modelo laboral na fábrica do Grupo Volkswagen, em Palmela — motivando a primeira greve na história da Autoeuropa, realizada a 30 de agosto. Na perspetiva da administração da fábrica, é preciso aumentar radicalmente a cadência de trabalho em Palmela, para “poder passar de uma unidade de produção de carros de nicho, para uma fábrica de grande volume”, disse ao Expresso fonte oficial da Volkswagen Autoeuropa. Mas neste processo os trabalhadores contestaram a obrigatoriedade de trabalho aos sábados. Além disso, temem que o novo regime de produção também possa impor a laboração aos feriados para cumprir o novo objetivo de produzir 240 mil carros por ano. Fonte oficial da fábrica esclareceu ao Expresso que “tendo em conta as previsões de encomendas, é essencial implementar um novo modelo de laboração contínua assente em 18 turnos, assegurando assim este elevado volume de produção”.

40 gestores do futuro
Uma recomendação enquanto olha para as páginas que publicamos esta semana: fixe os 40 nomes que hoje revelamos e prepare-se para ouvir falar muito do número 40. Vai ouvir falar deles no futuro e assim, quem sabe, pode recordar que foi aqui que começou a prestar-lhes mais atenção. Porque a expectativa é que vão ser (muitos já são) alguns dos grandes rostos da economia em Portugal. Quem são? Trata-se dos gestores com menos de 40 anos selecionados em Portugal para o projeto “40 Líderes Empresariais do Futuro”, que une a revista “Exame” e a FAE (Fórum de Administradores e Gestores de Empresas) com base numa iniciativa já com historial a nível europeu e que arrancou em França em 2013. “É uma reflexão necessária sobre o potencial de liderança e talento para conduzir as empresas”, atira Pedro Rebelo de Sousa, da SRS Advogados e um dos membros do júri responsável pela escolha dos distinguidos.

A Crise nuclear norte-coreana
Neste ponto vou destacar três textos (mas há mais na edição).
O do Rui Cardoso, editor de Internacional do Expresso:
"A fuga para a frente de Kim Jong un neste último ano, com ensaios de mísseis supostamente capazes de chegar à orla de território norte-americano mas seguramente ameaçadores para japoneses, sul-coreanos e outros deixou de servir os interesses chineses. Não só se gerou uma reaproximação política aos EUA, como a liderança da Coreia do Sul se sente tentada a abandonar o relativo pacifismo dos últimos anos. No Japão o conservador Shinzo Abe tem um pretexto de ouro para defender a revisão da constituição de 1947 que impõe um nível residual ao poder militar do país. Ironicamente tendo a Coreia sido ocupada pelos japoneses até ao fim da II Guerra Mundial o esforço nuclear do Norte corre o risco de despertar os velhos demónios do militarismo nipónico, coisa na qual a própria China não está interessada. O crescente número de testes norte-coreanos é contraproducente para os chineses por outra razão. A última coisa que Pequim queria eram baterias anti-míssil americanas às suas portas pois, os chineses (tal como os russos durante a crise do leste da Ucrânia) vêem-nos como armas também ofensivas (podem servir de escudo para ataques americanos), capazes de alterar o equilíbrio estratégico local."

O do especialista em assuntos internacional Miguel Monjardino:
"A Coreia do Norte está a mudar as percepções estratégicas da China, Coreia do Sul, Japão e EUA. Como Lee Mak-yon, Primeiro-Ministro da Coreia do Sul, disse na quinta-feira em Seul, “A situação é muito grave. Não parece restar muito tempo até que a Coreia do Norte consiga ter o seu programa nuclear.”

E ainda o de Miguel Sousa Tavares:
"Ninguém em seu perfeito juízo pode imaginar que mesmo o ‘nosso’ Donald Trump, que partilha com Kim o penteado de palhaço (em versão McDonald’s), poderia ter o menor interesse em atacar, invadir, ocupar, esse absurdo país. Ninguém, excepto uma entidade, igualmente original e rara: o Partido Comunista Português. O PCP — que, oficialmente, ainda não desistiu da tese de que não é certo que a Coreia do Norte não seja uma democracia — acha que o doente mental a norte do Paralelo 17 tem todo o direito de disparar mísseis sobre o Japão, fazer explodir bombas nucleares debaixo de terra e ameaçar atacar os Estados Unidos, tudo em legítima defesa e em nome da “paz”. Em todo o planeta Terra, não há mais ninguém — nem a China nem a Rússia, nem sequer Nicolás Maduro — que não esteja assustado com a ameaça nuclear do louco da Coreia. Só o nosso PCP é que vê ali um direito de legítima defesa e de resistência ao imperialismo ianque."

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