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Miguel Cadete Diretor-Adjunto

Adrien em Leicester e atentado terrorista em Lisboa. A verdade está lá fora

1 de Setembro de 2017

Nos anos 90, mais precisamente, a 19 de maio de 1993, estreou na Fox a série “X-Files”. “Os Ficheiros Secretos”, em português, ficaram para a história da televisão por ter dado azo a dez temporadas num total de mais de 200 espisódios, dois filmes e, muito provavelmente, terão continuidade ainda este ano ou em 2018, caso se confirmem os rumores da estreia de uma nova temporada. Um dos seus motes era “a verdade está lá fora” (“the truth is out there”, no versão original em inglês), capaz de produzir variantes como “não confies em ninguém” (“trust no one”) e “nega tudo” (“deny everything”).

Ontem, como hoje, a agenda dos media parece, tal como há 24 anos, possuída pelas angústias dos agentes Mulder e Scully. Do encerramento do mercado de transferências fez-se um espectáculo como nunca se tinha visto.

Os canais te televisão colocaram ao canto do ecrã um relógio em contagem decrescente. Mas o momento zero não deu mais do que um anti-climax. Hoje, acordámos sem saber se o jogador do Sporting Adrien Silva se transferiu realmente para o Leicester.

Na Tribuna do Expresso, todas as movimentações foram seguidas ao pormenor e em cima do acontecimento. Fernando Santos dispensou o jogador da Seleção para tratar do assunto e Adrien voou para Leicester, onde foi fotografado por jornalistas da Sky.

E ainda que o clube inglês tenha chegado a pedir um prolongamento do prazo para inscrever o médio-centro do Sporting mas o certo é que na lista de transferência da Premier League, o nome de Adrien Silva não consta.

O “Record”, porém, garante que ele vai para Inglaterra, na primeira página, por 29 milhões de euros, caso cumpra os objectivos. Já “A Bola”, mais discreta, escreve na capa que o “possível negócio” é de 24 milhões de euros. A contratação, ao que parece, depende da FIFA. Onde está a verdade: ainda não sabemos, se é que saberemos alguma vez.

Mas há sinais. O Sporting foi o clube português que mais gastou em transferências (Acuña, Bruno Fernandes e Battaglia) e precisa de encaixar dinheiro. E o Leicester vendeu, está confirmado, um jogador de características semelhantes, o internacional Danny Drinkwater, ao Chelsea por 37,9 milhões de euros. Não só tem dinheiro como precisa de preencher aquela posição.

Mas se não há confirmação para Adrien, muito menos ela apareceu para o regresso de Slimani ao Sporting, rumor não confirmado que surgiu a meio da noite e que colocava o avançado no mesmo pacote de transferência.

Quem também não se transferiu foi William Carvalho, também do Sporting, que passa a ser o mais recente reforço de Jorge Jesus. A ida para o West Ham ou para o Monaco não se concretizou.

Se o Sporting era o clube que mais comprou, o Benfica era quem mais tinha vendido (Ederson, Lindelof, Nélson Semedo). Estava na altura de se reforçar. Ontem garantiu Douglas, (lateral do Barcelona) e Gabigol (avançado brasileiro do Inter de Milão). E ainda vendeu Mitroglou ao Marselha por 25 milhões de euros.

O FC Porto não vez qualquer transferência de vulto, mas garantiu a permanência de Aboubakar.

Outras transferências: Nani vai para a Lazio (que também ficou com Jorge Silva, defesa júnior do Benfica; Pedro Neto e Bruno Jordão do Braga); Renato Sanches foi emprestado ao Swansea; Hugo Almeida foi para o Hajduk Split.

Mais bola: Portugal venceu as Ilhas Faroé, por 5 – 1, no Estádio do Bessa, em jogo de apuramento para o Mundial 2108. William Carvalho marcou um golo (e de cabeça!). Também o regressado Nélson Oliveira fez golo. Mas não tantos como Cristiano Ronaldo que fez um hat-trick. Ronaldo já marcou 78 golos pela Seleção, tendo ontem ultrapassado a marca de Pelé no escrete canarinho. A história do jogo está toda aqui e tem um nome: CR7, diz Lídia Paralta

A lista dos melhores marcadores de sempre por seleções é liderada pelo lendário Ferenc Puskas, da Hungria, com 84 golos. Faltam sete para Cristiano bater este outro recorde. Ainda no grupo de apuramento para o Mundial da Rússia, falta a Portugal jogar com a Hungria (domingo, às 19h45, em Budapeste), Andorra e Suíça (no jogo que deverá decidir tudo).

Se a estas horas não sabemos o destino de Adrien, também não conhecemos o que aconteceu relativamente a uma hipotética ameaça de ataque terrorista em Lisboa. O Expresso Diário foi investigar o que sucedeu e descobriu uma menção a Lisboa num fórum na internet frequentado por terroristas.

O “Diário de Notícias” vai mais longe e no artigo que faz hoje manchete diz que o SIS (Serviço de Informações de Segurança”) recebeu há dois dias informação “difusa” de um serviço secreto estrangeiro que não menciona sobre um possível ataque em Lisboa. Essa informação terá levado a uma reunião, na quarta-feira, em que participaram todos os diretores e comandantes de polícias de Portugal que teve lugar na sede da Unidade de Coordenação Antiterrorista (UCAT), no Sistema de Segurança Interna (SSI).

Uma fuga de informação terá provocado, ontem, algum alerta entre a população, sobretudo devido à difusão em redes sociais como o WhatsApp e Facebook de mensagens que prenunciavam a possibilidade de um ataque terrorista (mas que já suscitaram humor). O alarme subiu de tom quando a PSP reforçou a segurança em algumas zonas da baixa de Lisboa e também quando montou operações stop nalgumas vias de acesso à capital.

As autoridades foram, contudo, perentórias a desvalorizar o sucedido, que classificaram como “rumores”, afirmando não existir qualquer “aviso” ou “indício concreto”. A ministra da Administração Interna disse ainda que: “não há um perigo concreto de um atentado no local A ou B. Não existe nenhum aviso de que vai haver um atentado terrorista aqui ou acolá”.

O primeiro-ministro garantiu que o nível de alerta “em todo o país e também na cidade de Lisboa” se mantém moderado. Na mesma linha, o Presidente da República sublinhou que “não há razão para alterar o nível de alerta” que existe em Portugal uma vez que foram “ouvidas as entidades competentes”.

O nível de alerta é 2 numa escala que vai até 5. Nas redes, as fontes de informação eram “a amiga cuja mãe trabalha numa embaixada”, “amigo que trabalha no SIS” ou ainda “amigo com cargo de alta informação no Estado”.

Tal como notícia o jornal de Madrid “El Páis”, estas informações começaram a circular no mesmo dia em que, na Catalunha, a Generalitat admitiu ter recebido um aviso sobre um atentado terrorista nas Ramblas. A 25 de maio, a polícia de Barcelona, terá recebido a informação de que estaria a ser preparado um ataque nas Ramblas, como se veio a verificar a 17 de agosto, provocando 16 mortos.

O conselheiro do Interior, Joaquim Forn disse que “nem a polícia catalã nem a espanhola atribuíram credibilidade” a esse aviso e que não teve qualquer relação com o atentado no centro de Barcelona.

E agora, para não nos ficarmos pelas referências americanizadas dos capitalistas X-Files, um fadinho de Amália, “Sabe-se Lá”:

“Sabe-se lá

Quando a sorte é boa ou má

Sabe-se lá

Amanhã o que virá

O preciso é ser-se forte

Ser-se forte e não ter medo

Eis porque às vezes a sorte

Como a morte

Chega sempre tarde ou cedo

Ninguém foge ao seu destino

Nem para o que está guardado

Pois por um condão divino

Há quem nasça pequenino

Pr'a cumprir um grande fado”

OUTRAS NOTÍCIAS

Salários e pensões até 632 euros livres de IRS.
O governo quer aumentar o número de famílias isentas de imposto sobre os rendimentos, pelo que se pode ler na manchete do “Correio da Manhã”. O patamar mínimo para escapar ao IRS poderá ser fixado nos 8850 euros.

Governo pode colocar bombeiros na prevenção a incêndios. O “Público” diz que o entrevistado Miguel Freitas, novo secretário de Estado das Florestas quer ver os “bombeiros a limpar as matas”. Enquanto isso, o presidente da Associação Nacional dos Bombeiros Voluntário acusa: “há um esquema de financiamento à custa da alimentação”.

CNE multa Facebook e candidatos às autárquicas. A Comissão Nacional de Eleições abriu processos de contra ordenação às candidaturas de Assunção Cristas em Lisboa e Manuel Pizarro no Porto por patrocínio de conteúdos no Facebook. Ao Expresso, João Tiago Machado, porta-voz da CNE, garantiu que também o Facebook será punido. As multas podem oscilar entre os 15 mil e os 75 mil euros.

A morte do cartunista Pedro Palma tem emocionado o país, até porque ainda não estão esclarecidas todas as circunstâncias do seu falecimento. Colaborador do Expresso entre 1986 e 1994, prestamos aqui homenagem à sua memória republicando alguns dos desenhos que semanalmente eram dados à estampa nas nossas páginas.

Estreia hoje a terceira temporada de “Narcos”, a série baseada na vida (e na morte) do narco-traficante Pablo Escobar. A representar Chepe Santacruz Londoño está Pêpê Rapazote. João Miguel Salvador falou com o ator português e já viu todos os dez episódios desta nova temporada. Aqui não há spoilers!

Diana e Mário Soares. Ontem completaram-se vinte anos desde o acidente de automóvel em Paris em que Diana Spencer perdeu a vida. Por estes dias, as televisões, jornais e revistas têm lembrado a efeméride e o legado da ex-mulher do Príncipe Carlos. História deliciosa, porém, é aquela contada por Paulo Anunciação e publicada sábado na Revista do Expresso, em que relembra os encontros, em Portugal, corria o ano de em 1987, do então Presidente da República Mário Soares com a “princesa do povo”, como lhe chamou Tony Blair. Em fevereiro, numa noite fria de Inverno, no Palácio da Ajuda, Diana perguntaria a Soares: “o senhor tiraria o casaco para me manter aquecida?”




FRASES (especial Cavaco)

“Se os sucessivos Presidentes da República não têm respeito naquilo que dizem uns dos outros em termos de forma e conteúdo, acabam por não se fazer respeitar pelo povo”

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República

“É natural que alguém que durante tantos anos foi político profissional tenha agora algumas saudades do palco, e é também natural que haja pessoas que tenham saudades do estilo presidencial que o professor Cavaco representou”

António Costa, primeiro-ministro

“Criticou tudo e todos, revelou viver um ressabiamento doentio, com uma agressividade a roçar a raiva de quem convive mal com o passado”

João Semedo, do Bloco de Esquerda

“As reaccionarices que disse não são novas, são o habitual num político que passou décadas na política sempre a fazer de conta que não era político. Bendita esta democracia em que as pessoas podem dizer aquelas coisas sem serem perseguidas”

Porfírio Silva, deputado do PS

“A reação do PS, e do resto da esquerda, transformando Cavaco no bombo da festa, mostra que há muita coisa mal resolvida com o ex-líder do PSD e ex-Presidente. E a coisa é esta: os piores resultados do PS, nas legislativas (1985,1987,1991) e nas presidenciais (2001, 2006) ocorreram sempre que Cavaco concorreu”

Henrique Monteiro, jornalista e comentador



O QUE ANDO A LER

Porque passaram os estrangeiros a gostar tanto de nós?
Enquanto discutimos os malefícios do alojamento local e a turismofobia vai crescendo, não há prejuízo em tentar compreender as razões desta paixão assolapada. E elas são tantas e estão publicadas em tantos lugares que todos poderão satisfazer-se encontrando as razões que de antemão já procuravam.

No meu caso, uma delas é Fernando Pessoa. Para tentar entender a admiração de alguns estrangeiros pelo maior poeta português do século XX talvez seja necessário recorrer à sua prosa. Foi o que fez a conceituado revista norte-americana “The New Yorker” que ontem publicou online um dos seus admiráveis textos, desta vez assinado por Adam Kirsch, versando o “Livro do Descontentamento”.

“Fernando Pessoa’s Disappearing Act” surgirá numa outra versão na edição em papel que leva a data de 4 de setembro mas já se encontra disponível online. E começa assim: “Pessoa is the Portuguese word for ‘person’, and there is nothing he less wanted to be. Again and again, in both poetry and prose, Pessoa denied that he existed as any kind of distinctive individual”.

Depois de inserir o português numa escola de escritores europeus que fizeram da nulidade a sua musa, como Samuel Beckett ou Giacomo Leopradi, acaba a citar o próprio “Livro do Desassossego”: “A liberdade é a possibilidade do isolamento”.

Não sei se é exatamente isso o que consideram os ativistas da gentrificação ou alguns nativos de Alfama. Mas sei que o também reputado “The New York Times” acabou de re-produzir um dos seus afamados trabalhos sobre cidades precisamente sobre Lisboa. Na série “36 Hours”, já havia um capítulo sobre Lisboa, produzido em 2015. E um vídeo, de uns meros seis minutos, que entretanto foi novamente publicado no Facebook, tornando-se viral.

Mas o que diz o “NYT”? Uma série de lugares comuns que reproduzem mil variações sobre a cidade histórica que também é moderna; onde o estilo convive a meias com a tradição, e as colinas e o Tejo servem para poesia barata, tal como a gastronomia em geral e as sardinhas em particular. O fado enquanto canção de Portugal (?!) também não pode faltar.

E claro, os novos bares que abriram que ao tempo da reportagem estavam na berra mas que agora nem por isso.

Para o “New York Times”, o perímetro de Lisboa chega ao Palácio de Sintra, onde nos oferecem mais clichés: o romantismo, a mistura e o povo de viajantes regressam arrumadinhos como dantes. Não é certamente por aqui.

Mas experimente-se o texto de Rui Gustavo, amanhã, na Revista do Expresso sobre Miguel Rovisco, o dramaturgo português que morreu duas vezes. Ou, se é amante de sensações fortes, leia Portugal pelos olhos de Ljubomir Stanisic, o chef que parte a louça toda em entrevista de fundo também a ser publicada na Revista do Expresso.

Por hoje é tudo. Acompanhe todas as atualizações sobre o mercado de transferências no Expresso Online. É muito provável que, lá para as 18 horas, já se saiba para onde vai Adrien e que isso esteja explicado no Expresso Diário. Amanhã, estamos outra vez nas bancas.

Tenha um bom dia!

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