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Expresso

Martim Silva Diretor-Executivo

Bruno deixa o Facebook mas Trump não larga o Twitter

17 de Maio de 2017

Bom dia,
Bruno de Carvalho já não anda pelo Facebook mas Trump não há meio de deixar o Twitter. Assim acordamos neste dia 17 de maio de 2017.

Falar de Bruno e Trump na mesma frase parece estranho. Mas talvez não o seja tanto assim. Ambos adoram comunicar através das redes sociais (embora agora um deles anuncie que não vai falar mais). O último texto de Bruno de Carvalho no Facebook tem uns milhares de carateres a mais que os tweets de Trump mas o raciocínio errático e a capacidade de dizer disparates é semelhante nos dois.
Ambos são perigosos. A diferença é que um é um perigo para o mundo, o outro só o é para o Sporting.

No Facebook, o presidente do Sporting escreveu ontem um longo texto, cheio de recados e críticas e ataques, a anunciar que vai deixar de escrever na rede social que nos últimos anos foi o seu meio favorito de comunicação. Veremos se aguenta a promessa. O texto do presidente do Sporting, intitulado “Chegou a hora de abandonar o Facebook”, foi abundantemente citado nas últimas horas mas aparentemente já não está disponível para consulta.


TRUMPLAND
Este não é o retrato de quatro meses de uma presidência arrepiante. Este é o relato (tão só) dos últimos dias:
Trump demite o diretor do FBI que estava a investigar as ligações entre a campanha presidencial de Trump e elementos próximos do presidente aos russos; Dias antes, o diretor demitido pedira um reforço de meios para essa investigação; Trump recebe o chefe da diplomacia russa e revela dados secretos e sensíveis sobre o Estado Islâmico; Descobre-se que essa informação sensível passada a um país não aliado veio de um aliado tradicional dos EUA, Israel; Os israelitas ficam furiosos e outros aliados também; Fica ainda a saber-se que Trump pedira ao demitido diretor do FBI para por termo à investigação sobre as ligações russas do antigo conselheiro nacional de segurança do presidente americano.

Não é preciso ser-se um génio para chegar a duas conclusões: isto é mais do que uma enorme trapalhada. E o elemento comum entre tudo o que se passa tem duas palavras, Trump e Rússia.

Aqui pode ler o que o Financial Times escreve sobre o assunto. Aqui é o New York Times quem apresenta uma cronologia completa de todo o caso. E na New Yorker, John Cassidy afirma que se fosse um CEO (coisa que foi em boa parte da vida, aliás), Trump já teria sido despedido. A Rolling Stone fala em ‘disgrace’. No Expresso explicamos em detalhes o que foi partilhado por Trump e porque é que isso importa.

Para os próximos dias, aguarda-se com expetativa a nomeação do novo diretor do FBI. Correndo o risco, como ontem li, de Trump ter aqui o seu momento Calígula…

Não despiciendo é o facto de pela primeira vez nesta presidência, com esta sucessão de casos, parecer haver agitação mesmo entre o Republicanos. Que já começam a fazer exigências.

OUTRAS NOTÍCIAS
Cá dentro,

Quem é leitor fiél destas missivas matinais não pode ter deixado de reparar que nos últimos dias temos sido inundados por notícias positivas e manifestações de júbilo que se multiplicam. Hoje há mais:
O número de portugueses em risco de pobreza é o mais baixo dos últimos seis anos.
O governo vai antecipar pagamentos ao FMI.
O procedimento por défice excessivo a Portugal deverá cair na próxima semana.
As festas de São João no Porto vão durar… um mês!
O Correio da Manhã afirma que até um milhão de portugueses poderão ser beneficiados com um novo escalão do IRS.
E até parece que Madonna anda por Lisboa. Que mais poderiamos querer?

Perante isto, Marcelo diz que andarmos a comparar quem tem o mérito de quê é um perfeito disparate. Acrescento eu: para quê tal exercício quanto todos já percebemos que o mérito de tudo, tudinho, é mesmo do professor Marcelo...

Ainda assim, uma pequena nota para colocar alguma calma. Nem o país era o pior do mundo há uns tempos nem é hoje o melhor do planeta. Os portugueses não eram umas bestas e não são seguramente hoje todos geniais. Esta nossa mania de oscilarmos entre a euforia e a depressão é assim levemente para o irritante…

Os números, assustadores, da obesidade, estão na capa dos jornais de hoje. “Portugal é um dos cinco países com mais adolescentes obesos”, é o título do artigo do Público sobre o relatório da Organização Mundial de Saúde, que analisou dados de 27 países. O documento é hoje apresentado no Porto. O Diário de Notícias afirma que o “abandono da dieta mediterrânica atira Portugal para o top 5 da obesidade infantil".

Enquanto andamos entretidos com a polémica à volta do próximo Festival da Eurovisão (é em que cidade, em que pavilhão e quem paga) o Correio da Manhã parece ter arranjado novos motivos para festejar a vitória de Salvador Sobral e coloca na capa uma foto da "dona do seu coração". Critérios editoriais...

No Público, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, escreve um artigo de opinião sobre Salvador Sobral. Bizarro? Não, meus caros, chama-se política pura (ou de como surfar mais uma onda de notícias positivas…)

A música de Luísa e Salvador Sobral é que continua a somar fãs e agora foi Pablo Alborán a fazer uma versão de “Amar Pelos Dois”.

Maria Luís Albuquerque reconheceu ontem no Parlamento que a decisão de não divulgar os dados de transferências para offshores foi errada.

A polémica sobre Almaraz e a construção de um armazém para resíduos continua, apesar das explicações que ontem foram dadas no Parlamento. Faltam estudos e o que parece mesmo confirmado é a intenção do governo espanhol de prolongar o tempo de vida da central nuclear para lá de 2020, data prevista do encerramento.

Nas autárquicas, Ana Catarina Mendes, número dois do PS, continua a ser alvo de polémica interna, desta vez com um voto de repúdio dos socialistas de Braga à sua atuação.

A entrevista de Manuel Pinto Coelho ao Expresso dá origem a novo inquérito disciplinar na Ordem dos Médicos.

Porque desistem tantos alunos no curso de comandos? A explicação pode estar nos fins de semana com a família.


Lá fora,
Em França, Macron continua a sua caminhada de tomada do poder no país e agora a próxima batalha são as eleições legislativas, em que prossegue a pesca à linha de candidatos de esquerda para as suas listas. Ao mesmo tempo, indicou um conservador moderado para primeiro-ministro, Édouard Philippe. O novo governo liderado por este ex-colaborador de Juppé deve ser conhecido hoje mesmo, depois das necessárias verificações dos perfis e biografias dos novos ministros.

No Reino Unido, o governo de sua majestade anunciou a saída do capital do banco Lloyd’s, liderado pelo português Horta Osório. Eis um caso (que a nós portugueses até parece estranho) de uma intervenção estatal bem sucedida num banco após a crise financeira da última década.

Os Estados Unidos e a China estão a preparar sanções contra a Coreia do Norte, que ainda no fim de semana testou um novo míssil.

Jimmy Kimmel voltará a ser o apresentador da cerimónia dos Óscares em 2018. A ver se desta vez sem troca de nomes no anúncio do filme vencedor…


DESPORTO
Hoje é o dia em que o Mónaco se pode tornar oficialmente o novo campeão francês de futebol. A equipa de Leonardo Jardim, João Moutinho e Bernardo Silva está a um empate do feito.

Em Espanha é o Real Madrid que tem um decisivo embate em Vigo. Se escorregar pode deixar voar o pássaro da mão.

Já são conhecidos os horários dos jogos da última jornada da I Liga de futebol, e com as coisas decididas no topo da classificação os jogos de Benfica, Porto e Sporting não se vão sobrepor.

No FC Porto, enquanto o presidente Pinto da Costa é alvo de vandalismo, começa a discutir-se o que fazer com Espírito Santo. O nome de Marco Silva, que acabou de despromover o Hull em Inglaterra, aparece como potencial sucessor.

Em Espanha, Fábio Coentrão é acusado de fraude fiscal, um caso que já tinha sido denunciado nos Football Leaks revelados pelo Expresso há uns meses.

E o Sporting já apresentou mais dois reforços para a próxima temporada. Um deles já era célebre ao nascer, quando o pai, Bebeto, festejou um golo no Mundial de 1994 com o gesto de embalar uma criança…


FRASES
“Questiono se ainda faz sentido a eleição direta do Presidente”, Manuel Braga da Cruz, em entrevista ao Público

“Não embarquemos mais uma vez naquele ciclo de heroicização seguida de decepção”, afirma Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros num artigo de opiniao do Público sobre a vitória de Salvador Sobral

“I hope you can let this go”, a frase fatal atribuida a Donald Trump, numa conversa com o então diretor do FBI a propósito da investigação à conexão russa do antigo conselheiro nacional de segurança. Em bom português, algo como ‘deixa lá isso’, ‘esquece lá isso’ ou ‘atira lá isso para debaixo do tapete’.


O QUE ANDO A LER
Há dois tipos de livros que valem muito a pena ler. Aqueles que nos fazem sonhar, imaginar, levitar, voar, etc... E aqueles em que nos sentimos como crianças a absover conhecimento e informação, em que nos transformamos em esponjas ao longo das páginas, sempre a aprender.
Neste último capítulo está "Homo Deus - história breve do amanhã", de Yuval Noah Harari, autor do best seller internacional "Sapiens - história breve da humanidade".
Nesta nova obra deste historiador da universidade de Jerusalém, falamos do futuro da humanidade. De como o século XXI se prepara para ser marcado pela busca da imortalidade, felicidade e divindade pelo homem. Uma leitura absorvente e global, mas que também nos traz pequenos rebuçados de conhecimento que parece inútil (por exemplo, porque somos loucos por relvados gigantes?) ou nem por isso (a evolução na pesquisa dos elétrodos transcranianos e as suas implicações na utilização em humanos).
Imperdível para quem gosta de olhar para o que se passa no planeta numa perspetiva mais macro e global.

Outra das minhas leituras dos últimos dias foi “The Speechwriter - a brief education in politics”, por Barton Swaim. Swaim trabalhou no gabinete do antigo governador da Carolina do Sul Mark Sanford entre 2007 e 2010 e traz-nos um relato essencial para percebermos como funciona a política do outro lado do aquário. Como são montadas as estratégias e mensagens políticas, como são preparados os atores políticos para responder às exigências mediáticas do mundo atual, e como o mundo da política é tantas vezes cruel e implacável. Sanford, que chegou a ser um nome falado para cargos mais altos na política americana, acabou por cair em descrédito depois de ser conhecido um affaire extraconjugal e Swaim retrata-o como alguem irascível mas empático, sem grande profundidade e que tratava quem com ele trabalhava como verdadeiros capachos.

Por hoje é tudo, tenha um grande dia

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