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Martim Silva Diretor-Executivo

O que tem (mesmo) de ler no Expresso desta semana

4 de Março de 2017

Bom dia,
Vou dar-lhe dez boas razões para ler a edição do Expresso desta semana.
Razões que passam pelas conversas sobre o futuro da Europa que tivémos com António Costa e Jean Claude Juncker, por temas quentes da semana como a Operação Marquês e a guerra entre o Governo e o Governador do Banco de Portugal, pelo assinalar de um ano de Presidência de Marcelo Rebelo de Sousa, pela surpreendente denúncia de descontrolo nos salários e remunerações dos deputados. Ou ainda pela entrevista a Júlio Pomar e pelo mistério das coleiras desaparecidas no Museu Nacional de Arqueologia.

1. António Costa e Juncker falam do futuro da Europa
Com a Europa em estado comatoso, o Presidente da Comissão, Jean Claude Juncker, pretendeu lançar esta semana o desafio de debater o futuro da UE (lembra-se concerteza do polémico discurso no Parlamento Europeu em que o luxemburguês se indignou e soltou dois sonoros "merde"), apresentando cinco cenários ou percursos possíveis. O tema pode parecer árido mas é seguramente estruturante para o nosso futuro.
Fomos, pois, falar com António Costa para perceber a visão do primeiro-ministro sobre este debate. E ainda ouvimos o Presidente da Comissão, na primeira entrevista que deu a um jornal português. Costa entende que o debate sobre o futuro da União não pode "fingir que não há um elefante na sala", sendo imperioso corrigir os erros com que o Euro foi construído. Já de Juncker destaco o facto de o próprio confessar agora que já não se sente um federalista: "A Europa não pode ser construída contra as nações".

2. Um ano de Marcelo em Belém: 750 intervenções de um Presidente dos afectos
Para a semana, dia 9, assinala-se o primeiro ano de mandato de Marcelo Rebelo de Sousa em Belém. Um ano particularmente intenso, pelo próprio ritmo e estilo que o sucessor de Cavaco tem mantido . A Raquel Albuquerque fez de formiguinha e foi olhar à lupa para estes 365 dias. Deixo-lhe alguns números que não podem deixar de impressionar: Marcelo fez 750 intervenções públicas. Só sobre a polémica da Caixa Geral de Depósitos já falou 28 vezes. Neste período só ficou calado 50 dias. Além disso, falamos com o Presidente, que confessa que o mais difícil foi lidar com a crise do sistema financeiro, que acredita que a geringonça é "de cimento armado", mas também acha que a liderança nos partidos da oposição não está em causa. E que sobre a sua colagem ao governo, afirma que os anteriores presidentes estiveram colados aos governos da altura por muito mais tempo que ele.

3. PGR pressiona investigadores a concluírem acusação a Sócrates
Nesta matéria relacionada com a Operação Marquês temos vários textos e abordagens. Contamos como o Ministério Público quer tornar arguido (o 24º do caso) o primo de Sócrates José Paulo Bernardo Pinto de Sousa, que vive em Angola, por suspeitas de canalizar vários de milhões de euros que teriam como destino final o antigo primeiro-ministro. Explicamos como a Procuradora Geral, Joana Marques Vidal, está a pressionar a equipa liderada por Rosário Teixeira para que a conclusão do caso, com a respetiva acusação, seja mesmo feita até 17 de março, a data limite estipulada, Este é seguramente um tema que vai dominar as próximas duas semanas.
Contamos ainda como as notícias sobre o interrogatório judicial a Ricardo Salgado mostram a importância das revelações feitas pela investigação jornalística internacional aos Panama Papers, seja pela divulgação da existência do sazo azul no GES, seja pela deteção de três sociedades offshores pelas quais foram feitos pagamentos, seja pela denúncia da existência de contratos fictícios, seja ainda pelas declarações de Helder Bataglia acusando Salgado de ordenar pagamentos.

4. Ex-deputado denuncia descontrolo nas remunerações no Parlamento
Lembra-se de José Magalhães? Seguramente que sim. Foi muitos anos deputado (primeiro do PCP depois do PS), foi secretário de Estado e foi durante anos comentador residente da Quadratura do Círculo (antes Flashback). Pois, o socialista decidiu escrever um livro. Chama-se "Políticos.pt - guia prático das remunerações de altos cargos políticos" e é lançado para a semana. No Expresso já o lemos e podemos garantir que o seu conteúdo é altamente incómodo. Sobretudo por, pretendendo combater o populismo reinante em matéria de salários dos políticos, denunciar práticas e procedimentos que se julgavam já inteiramente extintos da vida política e parlamentar nacional. A ler.

5. O mistério das coleiras desaparecidas
O Museu Nacional de Arqueologia vai realizar a partir de abril uma exposição no âmbito da iniciativa "Lisboa, Capital Ibero-Americana de Cultura". A Christiana Martins e a Anabela Natário andaram a investigar e contam uma história digna de Poirot. A ideia da exposição é mostrar ao público objetos como algemas, grilhetas e correntes utilizadas por escravos. No meio disto, as jornalistas descobriram que duas coleiras raras que eram usadas em humanos simplesmente desapareceram. Em vez delas, os visitantes vão poder ver... desenhos das referidas coleiras. Só que dos objetos propriamente ditos não há nem sinal. Mas há pistas e versões sobre o que pode ter acontecido.

6. Afinal, quais são as aves que ameaçam o aeroporto do Montijo?
Com a decisão praticamente tomada de se avançar para o Montijo como localização do novo aeroporto de suporte ao Humberto Delgado de Lisboa, apenas um ponto parece colocar-se entre a vontade dos políticos e a concretização do projeto: as aves que por lá vivem ou por lá passam nas suas rotas migratórias. Pois o que fomos fazer, e mostramos num trabalho infográfico de excelente qualidade, é perceber exatamente de que aves falamos. E se são ou não espécies protegidas ou em risco. Há flamingos e não só...

7. A guerra entre o Governo e o Banco de Portugal
Pois que apesar de se chamar Costa, o Governador do Banco de Portugal não é propriamente amado pelos socialistas atualmente no poder, já todos sabiamos. Mas esta semana o clima de verdadeira guerra aberta entre Governo e Governador teve novos desenvolvimentos. Como a escolha de nomes para a adminitração do regulador do sistema financeiro. Além disto, a reportage esta semana emitida na SIC sobre o fim do Banco Espírito Santo e o papel do regulador nesse período permitiu aos socialistas lançarem novo ataque a Carlos Costa. O problema aqui, entre outros, é que o Governador não pode ser demitido ou afastado facilmente, tendo uma palavra decisiva na matéria o Banco Central Europeu. Este é o principal tema da primeira página do Caderno de Economia desta semana.

8. Porque é que Março é o primeiro mês crítico do ano?
Outro tema de economia que queria aqui destacar são as páginas assinadas pelo Jorge Nascimento Rodrigues e pela Susana Frexes e que têm como título "Março - o primeiro mês crítico de 2017". Fui ver e a verdade é que este mês apresenta um conjunto de datas particularmente críticas e delicadas para a evolução dos mercados e das nossas economias. Senão repare: dia 9 há reunião do Banco Central Europeu, dia 15 a Holanda vai a votos (tema que esmiuçamos melhor na Revista) e o FED pode subir os juros, dia 17 os ministros do G20 reúnem-se na Alemanha. E há mais, muito mais.

São cinco os temas centrais da Revista desta semana: entrevista a Júlio Pomar; quem são os maiores devedores aos bancos nacionais, como Nuno Lopes se inspirou para protagonizar um bouxeur no filme de Marco Martins que estreia esta semana; o que é o império da Netflix; e o que podemos esperar das eleições na Holanda no próximo dia 15.

9. Júlio Pomar, uma grande entrevista aos 91 anos.
"Sou um bocado canibal", é o título da conversa que a Alexandra Carita teve com um dos mais consagrados pintores nacionais (as fotos, inclusivamente a que está na primeira página do jornal, são do António Pedro Ferreira). Assim escreve a Carita: "a obessão pelos ´bonecos´nunca lhe foi contrariada. Desde que se lembra e até hoje viveu a construir telas e a admirar obras. Passou pela política e foi preso ao lado de Mário Soares. A memória límpida recorda os tempos da Brasileira de Almada Negreiros, o homem que lhe comprou o primeiro quadro, tinha ele 16 anos".

10. Quem são os maiores devedores aos bancos?
Há anos que a Anabela Campos e a Isabel Vicente escrevem sobre estes temas. Aqui, juntam um conjunto de pontinhos dispersos que nos permitem ter o quadro global de uma situação sinistra. De como nos últimos anos, o famoso malparado da banca atingiu valores astronómicos superiores a 40 mil milhões de euros. E de como "o mais assombroso no filme de terror que são as perdas dos bancos é que uma boa parte do crédito em risco está concentrado em 50 grandes devedores". De Nuno Vasconcelos, a Joaquim Oliveira, a Luís Filipe Vieira, a Ricarod Salgado, a Joe Berardo ou José Guilherme.


Há isto e há muito mais na edição deste sábado.
Boas leituras

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