Apesar de proporcionarem "a segurança de poder praticar a nudez social num local próprio e de acordo com a lei", a meia dúzia de zonas balneares portuguesas onde o nudismo é permitido fica aquém dos desejos e necessidades dos naturistas.
"Além de, por norma, serem praias muito afastadas das localidades mais próximas, não têm as condições necessárias", denunciou hoje à agência Lusa Rui Martins, presidente da Federação Portuguesa de Naturismo (FPN).
A falta de vigilância e apoios de praia pauta a maioria dos areais, com excepção apenas da Praia das Adegas, no concelho algarvio de Aljezur, "a única onde, desde o início, a Câmara Municipal 'mete' nadadores salvadores", disse.
Nas restantes cinco - Meco (Sesimbra), Belavista (Almada), Salto (Sines), Alteirinhos (Odemira) e Barril (Tavira) -, os naturistas "não têm direito a ter necessidades fisiológicas, nem sequer segurança".
"Acabamos por estar por nossa conta e risco", lastimou.
A inexistência de concessionários nestas áreas leva muitas vezes "as pessoas que vêm de fora a questionar porque raio são as nossas praias tão desertas", conta Rui Martins.
Para inverter a situação, a federação já fez várias diligências junto das autarquias implicadas e assume que a "luta" vai continuar.
"Esperamos que as entidades responsáveis mostrem alguma abertura", frisou Rui Martins.
O dirigente revelou também já ter "sondado" alguns empresários, interessados em investir em concessionários nestas zonas.
Para além das seis praias oficiais, os naturistas podem ainda frequentar em Portugal cerca de duas dezenas de zonas toleradas.
Essa é outra "guerra" de Rui Martins, que pretende ver tal designação alterada para "praias mistas", argumentando que o termo actual "pressupõe" que os naturistas estão a "fazer qualquer coisa ilegal".
A FPN reúne 1.350 associados, embora estime que existam em Portugal mais de 15.000 praticantes do naturismo.