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NATO sem data para sair do Afeganistão

Está aberta a transição no Afeganistão. Há "acordo" e "confiança" quanto ao prazo para que a NATO passe o testemunho da segurança no país aos afegãos dentro de quatro anos, mas tudo depende das condições e restam arestas por limar, como transpareceu durante a cimeira de Lisboa. Clique para visitar o dossiê Cimeira da NATO e para saber as ALTERAÇÕES DE TRÂNSITO EM LISBOA
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Hamid Karzai, Presidente afegão, cumprimenta o secretário geral da NATO, Rasmussen perante o olhar atento do secretário geral da ONU, Ban Ki-Moon
Hamid Karzai, Presidente afegão, cumprimenta o secretário geral da NATO, Rasmussen perante o olhar atento do secretário geral da ONU, Ban Ki-Moon  / Alberto Frias

A Aliança Atlântica permanecerá no país, em todo o caso, bem para lá de 2014. "Se os talibãs ou outros grupos pensam forçar-nos a sair, esqueçam!", afirmou o secretário-geral da organização, Anders Fogh Rasmussen, minutos depois de ter assinado um pacto com o Presidente afegão Hamid Karzai, perante a comunicação social.

Clique para aceder ao índice do DOSSIÊ CIMEIRA DA NATO

Rasmussen, Karzai e o secretário-geral da ONU, Ban Kimoon, confirmaram muito do que se sabia antes da reunião desta manhã entre o Afeganistão, a NATO e os restantes membros da força internacional ISAF. A partir do início de 2011, será gradualmente transferida para as forças armadas e polícia afegãs a responsabilidade pela segurança nacional. "Começaremos por algumas províncias e distritos, e o processo avançará de acordo com as condições no terreno", afirmou o secretário-geral da NATO.

Condições valem mais do que prazos


"Condições" foi uma palavra repetida várias vezes ao longo da conferência de imprensa, com Ban Ki-moon a defender que o processo deve ser "guiado pela realidade e não por um calendário pré-estabelecido", o que exige "paciência". Isto porque os afegãos têm de ser capazes de garantir a segurança do seu território, invadido há nove anos pelas tropas internacionais e, antes disso, dilacerado pela ocupação soviética e a guerra civil.

Coube a Rasmussen reiterar o otimismo, lembrando que o Afeganistão já não é um "santuário da Al-Qaeda" e que as condições de vida melhoraram. A capacidade das forças de segurança daquele país tem melhorado muito, estando até "adiantada em relação ao calendário". Os atuais 260 mil efetivos deverão crescer para 300 mil ao longo do próximo ano, anunciou. "A maioria já participa nas operações da NATO", informou, para em seguida elogiar os "vários aliados" que prometeram, em Lisboa, enviar mais formadores para o Afeganistão (entre eles Portugal ).

Karzai assegurou que o prazo de 2014 foi fixado "com base no conhecimento da realidade" e é consensual entre os aliados e o povo afegão. O que não é tão consensual é a estratégia a seguir, de tal modo que o líder afegão já tem criticado a NATO. Enquanto a Aliança ataca feudos talibãs nas províncias de Helmand e Kandahar, e coloca o "abandono da violência" como condição para reintegrar antigos rebeldes na sociedade afegã, Karzai defende o diálogo com todos, elogia as conversações em curso e diz que "há que saber falar mesmo com quem combate no seu país", pois "o desejo de paz é unânime entre os afegãos".

Recusando-se a falar em discórdia ("está a pregar-me uma rasteira", queixou-se à jornalista que referiu o assunto), Karzai garantiu que os líderes da NATO compreendem as preocupações de Cabul e que, embora haja discussões, elas são "amigáveis". "Queremos contribuir para a segurança do mundo e não ser um fardo", rematou.

Solução militar não basta


Para atingir tal fim, "o compromisso da NATO é a longo prazo", disse Rasmussen, que prometeu que nunca haverá um "vazio de segurança" no Afeganistão. A Aliança só deixará de combater quando as instituições do país puderem controlar todo o território e, depois disso, estará presente para dar o apoio que lhe for pedido, desejando envolver nesse esforço o problemático vizinho Paquistão. 

Jurando ter aprendido muito com a guerra, o secretário-geral explicou que a presença da NATO no Afeganistão obedecerá à filosofia de comprehensive approcah (estratégia global) ditada pelo novo Conceito Estratégico, e que implica parcerias com organizações civis, como as Nações Unidas. Ban Ki-moon está de acordo: "A solução não pode ser apenas militar, terá de ser política".


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