17 de abril de 2014 às 12:51
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Narcotráfico no México já fez 50 mil mortos

Desde 2006, milhares de pessoas foram mortas na guerra cruzada dos cartéis da droga do México e a ofensiva do Estado contra o narcotráfico. Um números muito próximo ao de baixas que os EUA sofreram em 16 anos de guerra no Vietname. 
Maria Luiza Rolim (www.expresso.pt)
Fotografias de desaparecidos fixadas à porta da morgue em Acapulco, a segundo cidade mais violenta do México, depois de Juarez Getty Images Fotografias de desaparecidos fixadas à porta da morgue em Acapulco, a segundo cidade mais violenta do México, depois de Juarez

Em seis anos, mais de 50 mil pessoas (55 mil, segundo dados  não oficiais) foram assassinadas de forma cruel no México, vítimas da guerra envolvendo o narcotráfico. Até 30 de setembro do ano passado, eram já 47.515 os homicídios contabilizados, segundo dados divulgados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontavam para 27 mortes por dia, 819 por mês e 9830 por ano.

Os números estão contabilizados a partir de 2006, ano em que o Presidente mexicano, Felipe Calderón (PAN), declarou guerra ao narcotráfico. Desde então, os traficantes têm respondido com violência, procuram impedir as investigações, fazem ameaças e tentam calar a imprensa.

É uma guerra sem precedentes, o que levou o senador  Francisco Labastida Ochoa(PRI, um dos dois partidos da oposição) a afirmar no início deste ano, após a divulgação do balanço de vítimas da guerra contra o narcotráfico, que "quando o mandato de Felipe Calderón chegar ao fim, o país vai contar com um número de vítimas superior às baixas (58.000) que os EUA tiveram na Guerra do Vietname".

80 jornalistas assassinados


É também uma guerra contra a liberdade de imprensa,  e que tem tirado a vida de de muitos jornalistas. Desde 2000, foram mortos 80 jornalistas  mexicanos.

Nos últimos 15 dias, a sede de um jornal sofreu um atentado com tiros e explosivos, tendo cinco jornalistas sido assassinados. Por medo, alguns jornais suspenderam, por tempo indeterminado, a publicação de qualquer notícia sobre a violência no México.

As forças do Governo - Exército e Polícia - estão nas ruas mas não conseguem acabar com a  violência por parte dos cartéis, que controlam pelo menos 71% dos municípios mexicanos. No passado domingo, as autoridades de Monterrey, no Estado de Nuevo León, encontraram 49 corpos decapitados.

Além disso, o México tem inimigos dentro do próprio Governo. Na passada quarta-feira, o ex-subsecretário da Defesa Nacional, o general Tomás Dauahare,  antigo número dois das Forças Armadas Mexicanas, foi detido por suspeita de ligação ao narcotráfico. Suspeita idêntica levou também para a prisão outro general, Roberto Gonzalez, que comandava uma unidade de elite do Exército.

Por tudo isso, os partidos de oposição (PRI e PRD) afirmam que a violência que assola o México é a prova o fracasso da política de segurança implementada pelo chefe de Estado.

Em novembro do ano passado, a ONG Human Right Watch denunciou que a justiça mexicana é praticamente incapaz de investigar e prender os responsáveis, e em apenas "uma fração desses casos foram iniciadas investigações".  O ano de 2011 terminou com um morto a casa meia hora, milhares de detenções e poucas sentenças.

E é num país em guerra, praticamente controlado pelo narcotráfico e onde a imprensa está acossada, que os mexicanos vão às urnas no dia 1 de julho  para escolher o novo Presidente e parlamentares.

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Mexico
Cheguei ha ano e meio ao distrito federal e posso dizer que este pais e uma mina de ouro para quem venha aq fazer negocio. E nem quero maginar o que seria esta econmia livre desses criminosos. Apoio a guerra. Contra estes animais, so com o uso da forca se consegue diminuir o fenomeno. Em algumas cidades, com juarez, monterrey ou saltillo ja se ve alguma melhoria mas outras infelizmente pioraram. Os grandes responsaveis sao os governanes do pri, o ps ca do sitio que levou o pais a bancarrota nos 90s e nos estados onde governam, nao aplicam as medidas do govern central. Estao totalmente vendidos aos criminosos. O pior e que apos 12 estes senhores arriscam se a voltar ao poder... Controam os media, forjam sondagens, etc... Se tudo correr pelo melhor em 2020 ja seremos a setima economia mundial
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