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Fugido da prisão, Hosmany Ramos fala do famoso pianista português

"Não matei o Varella Cid. E até pode ser que esteja vivo!"

Preso há 27 anos, Hosmany Ramos juntou ao invulgar estatuto de cirurgião plástico e romancista de sucesso, o de mais famoso foragido do Brasil. A monte desde 2 de Janeiro - quando deveria ter regressado à penitenciária de Valparaíso, em São Paulo -, deu no dia 13 uma entrevista ao Expresso algures no interior do Brasil. Na semana passada, falou das razões que o levaram a fugir da cadeia e do projecto de se candidatar às eleições presidenciais de 2010. Nesta edição, Hosmany Ramos, de 61 anos, aborda o mistério do famoso pianista clássico português Sérgio Varella Cid, de que foi sócio e amigo, e a cujo desaparecimento e provável morte o seu nome costuma ser associado.

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Hosmany Ramos, foragido, fala ao enviado do Expresso, algures no interior do Brasil

Já concluiu a sua prometida biografia?
A primeira parte está pronta. É tão grande que até seria desconfortável se ficasse num só volume. Hemingway dizia que um livro não deveria ser grande demais que não pudesse ser lido na cama... Para não a perder e como medida de segurança, pedi ao meu filho que a levasse para a Noruega.

Está escrita à mão, como os anteriores livros?
Sempre escrevi à mão e está toda manuscrita.

Mas o primeiro volume já está concluído?
Dividi-a em duas partes. A primeira vai desde que nasci até à minha ida para a penitenciária de Avaré, em 1998, onde descobri a literatura.

Quando tenciona publicá-la?
O meu próximo livro, "O Goleador", vai sair em Março. A biografia pode ser no ano seguinte. Talvez até uma editora portuguesa se interesse por ela.

Na sua biografia, vai certamente falar do pianista português Sérgio Varela Cid.
Sem dúvida. Conheci o Sérgio aqui no Brasil. Fizemos uma amizade relativa e viajámos juntos até aos EUA, onde fui defender a sua mulher.

Ana Palhavã, que era a terceira mulher de Varela Cid, fora detida em 1979 em Boston.
Sim. Como sou um escritor, penso melhor quando escrevo. Tenho um compromisso com a verdade. Na biografia, escrevo o que realmente aconteceu.

Não se trata, portanto, de ficção.
Não. Como já vou no oitavo ou décimo livro, na biografia a minha responsabilidade é muito maior. O Sérgio ocupa um ou dois capítulos dessa biografia. E você, quando tiver oportunidade de a ler, até se vai surpreender com determinadas passagens e que são a verdade - só, única e simplesmente, a verdade. Como dizia, apanhámos um avião, um DC-10 da Varig. Até trouxe o meu passaporte, para você ver e fotografar.

Vê-se que saíram do Brasil a 11 de Maio de 1979.
Fui com o Sérgio, porque a mulher estava detida em Boston. Eu era um cirurgião plástico super-conceituado no Rio de Janeiro. Tinha uma clínica muito boa, era um cirurgião de sucesso. Operava também em São Paulo e foi lá que conheci o Sérgio, numa garagem da Mercedes - eu estava com um pequeno problema no meu Mercedes e fui até lá. E ele interessou-se, porque tinha um problema: uma ptose palpebral num dos lados, não me lembro qual. Ele interessou-se para que fosse corrigido. Explicou-me que já tinha feito uma tentativa, mas sem sucesso.

Ele já tinha sido operado várias vezes a essa deficiência congénita na pálpebra.
Pois é. Procurou-me depois, para que fosse testemunhar a favor da mulher, porque o advogado dele em Boston disse que eu preenchia todos os requisitos a fim de que a mulher fosse libertada. O meu depoimento até está na internet. O juiz era de Porto Rico, falava muito bem o espanhol e conseguia ler o português. Quando o advogado mostrou a minha biografia - eu sou de Minas Gerais, mas tinha ganho recentemente o título de cidadão honorário do Rio de Janeiro -, isso foi o suficiente para que o juiz entendesse que a minha palavra seria suficiente para ajudar a que se libertasse a mulher, apesar do promotor ter colocado obstáculos. Ela foi libertada, deu-me um abraço e fomos comemorar num restaurante em Boston, onde almoçámos.

Creio que a Ana fora detida ao tentar levantar um cheque sem provisão passado por si.
Não, não passei. O Sérgio recebeu esse cheque. Eu só fui lá para defender a Ana. Se lhe passasse um cheque, seria um cheque brasileiro. Na época, até tinha crédito ilimitado no Banesto [mostra um cartão desse banco, bem como de outras instituições e clubes privados]. Eu era uma pessoa responsável, jamais iria emitir um cheque estrangeiro em dólares - só se fosse maluco! Não sei como é que ele recebeu esse cheque, mas chamou-me para ir até Boston ajudar. Essa viagem foi muito importante. Passámos juntos dez horas, que era o que demorava na época. Dez horas, em que fomos conversando o tempo todo, sentados lado a lado. O Sérgio estava muito preocupado. Ele fez-me uma revelação que foi marcante na minha vida - e que talvez até me tenha colocado na situação em que estou hoje. Vou falar nisso pela primeira vez. Disse-me: "Fui um pianista do mais alto gabarito. Ganhei todos os concursos de piano e fui brilhante em tudo o que fiz. Entretanto, nunca consegui uma coisa: ganhar dinheiro. Porque todo o dinheiro que ganhei, perdi-o".

Preso há 27 anos, por vários crimes, Hosmany Ramos tenciona apresentar a sua candidatura a Presidente da República em 2010

Ao jogo!
No jogo! Ele era uma pessoa com dupla personalidade. E continuou: "Agora, que estou numa idade avançada, em que a gente realiza que a arte não é tudo, estou a visualizar uma possibilidade de ganhar o dinheiro que não ganhei na arte". A resposta está na biografia, que você há-de ler e que o irá surpreender.

Foi aí que ele entrou no contrabando de automóveis?
Não. Isso foi antes e tratou-se apenas de um preparo. Ele saíra de Inglaterra pressionado pelas dívidas do jogo. De início, o pai da sua mulher inglesa (que era rico), pagou-lhe algumas dívidas. Mas quando descobriu que o Sérgio estava queimando o dinheiro no jogo, disse que não lhe pagava mais nenhumas dívidas. Nesse minuto, o Sérgio desinteressou-se da mulher. Esta é a verdade. Era tão compulsivo a jogar que, uma vez, no Paraguai, não fomos capazes de o tirar da banca, onde ficou todo o tempo a jogar uma coisa atrás da outra. Quanto mais perdia, mais queria jogar.

Você também jogava?
Não. Eu era apenas um curioso. Pus-me então na pele dele. A arte não dá dinheiro. Ora, a cirurgia era a minha arte. Estava a fazer cirurgia há 12 anos. Trabalhava o tempo todo, tinha três empregos: no Rio, em São Paulo e na Santa Casa da Misericórdia. E chegava ao final do mês com pouca coisa... Tudo o que tinha eram praticamente dois apartamentozinhos - foi tudo quanto consegui comprar com todo esse meu trabalho.

Voltemos à conversa no avião.
Ele conseguiu colocar, como se diz aqui no Brasil, um "macaquinho na minha cabeça": que havia outras maneiras, muito mais fáceis, de ganhar dinheiro. Ele precisava de dinheiro, porque tinha débitos a outras pessoas, razão por que tinha vindo da Inglaterra para o Brasil.

Ele sofria ameaças?
Tinha débitos, com prazos, para pagar.

Entrou no negócio do submundo por sugestão do Sérgio?
Não foi por sugestão, mas foi um belo empurrão. Mas não cheguei a entrar, porque, quando estava para entrar, fui preso. Foi quando houve o espancamento do inglês Tony Lynch, no Rio. Ele acabou por dar a cabeça do Sérgio, a minha e de outros.

Esse Tony Lynch é que vos denunciou?
Sim. Mas a polícia não queria os outros. Queria-me a mim. Eu é que era o cara conhecido, o famoso. Os outros eram desconhecidos - nem brasileiros eram.

Dedicavam-se apenas ao negócio dos carros?
Não. Por exemplo, o Cadillac que o Sérgio trouxe dos EUA de maneira ilegal deu-o de presente a um general ou polícia, um alto comandante de Assunção, no Paraguai, para ele libertar uma série de coisas.

Hosmany brinda, com um copo de vinho do Porto, "à saúde do Brasil"

Como se chamava esse comandante?
Pastor Coronel.

Está vivo?
Não sei. Era o "manda-chuva" daquela região.

Os carros vinham através do Paraguai?
Não. Vinham da seguinte maneira. Eram roubados na Alemanha, através do Tony Lynch e do Eddy.

Quem era esse Eddy?
Edward Andersen. Tinham um pacote de documentos alemães, em branco, impressos na Inglaterra. Eu vi. Transportavam os carros para a Bélgica, num navio, mas eram desviados para Amesterdão, onde eram enfiados num porta-contentores e despachados para o Uruguai, por onde entravam depois no Brasil.

Carros todos roubados, de alta cilindrada.
Todos carros especiais.

Quem os recebia no Brasil?
O Sérgio, o Diniz (que trabalhava com ele).

Esse António Dinz era uma espécie de guarda-costas do Sérgio e fora agente da PIDE, a extinta polícia política portuguesa.
Era o braço direito dele. Foi o Diniz que descobriu essa conexão com o Paraguai, porque, como era um ex-polícia, tinha conexões com elementos policiais. Foi talvez o homem que levou o Sérgio para esse caminho.

Comprou carros ao Varela Cid?
Não. Não cheguei a comprar. Eu usava os carros dele, era meu amigo e usava-os quando eu queria. Não podia ter um carro daquele tipo, porque eram ilegais. Eu era muito visado. Não seria idiota para andar com um carro daqueles. Era um cidadão público, honorário do Estado de Guanabara, saía nas colunas sociais. Seria muito arriscado.

Os automóveis eram apenas uma faceta...
Foi apenas o início. Queriam dar uma boa impressão lá em baixo, aos homens que tinham o produto que queriam.

Está a referir-se à droga?
É verdade. Foi a conexão que durou mais tempo. Se eu não tivesse sido preso e tivesse entrado nesse negócio, seria hoje um milionário. Mas fui para a prisão, onde fiquei calado. A conexão continuou, com outras pessoas e outros amigos deles e durou mais de dez anos. Era a Cocaína na Carne.

Como?
A Cocaína na Carne. Só acabou uns 15 anos depois.

Como era feito o tráfico?
Era muito simples. Havia uns frigoríficos em Niterói que pertenciam a um grupo de portugueses, que exportavam carne para Portugal. Abriam o quarto do boi - a parte traseira do animal - com uma faca eléctrica, faziam um buraco, tiravam uma certa quantidade, colocavam lá a droga, costuravam como se fosse uma sutura cirúrgica, punham no congelador e a carne congelada ia directa para Portugal, onde a droga era distribuída por Portugal, Inglaterra e outros países.

O Sérgio estava ligado a essa rede?
Foi um dos principais, senão o idealizador. Ele, o Diniz e os ingleses.

O Tony Lynch e o Eddy?
Sim. Os carros eram apenas para agradar aos paraguaios.

A cocaína vinha donde?
Da Bolívia para o Paraguai, dali para o Brasil - Niterói (não sei se havia outros frigoríficos nesse jogo) -, e dali para Portugal, Inglaterra e outros países. Esta é a verdade. Eu já sou um homem idoso, não tenho necessidade de estar a inventar histórias, até porque não sofreria nenhuma sanção.

Esses factos já prescreveram?
Sim. Mas eu quero que a verdade venha à tona, às claras. O Sérgio confidenciou-me isso em dez horas de voo. Mas não cheguei a entrar no negócio: quando fui ao Paraguai para ver se conseguia entrar no esquema, fui preso. Toda a imprensa e televisão brasileiras estavam lá no dia em que fui preso.

O que ia fazer ao Paraguai?
Encontrar-me com eles os três.

Cartão de identidade do cirurgião plástico Hosmany Ramos. Pelas suas mãos passou grande parte do jet-set carioca dos anos setenta

Eles, quem?
O Sérgio, o Tony e o Diniz (o "grandão"), que estavam a trabalhar a conexão. Levei, inclusivamente, 50 mil dólares em dinheiro, para poder colocar no negócio.

Onde arranjou esse montante?
Vendi coisas que tinha, para poder levantar esse dinheiro.

Era a sua quota?
Exactamente.

Você foi das últimas pessoas a ver o Varela Cid vivo.
Não. Estou a falar a verdade. Quando fui preso, falei ao telefone com ele no Paraguai. Foi no dia seguinte à minha prisão. Não tive mais contactos com ele.

A versão da mulher, Ana Palhavã, é que você terá sido das últimas pessoas a vê-lo.
Essa é uma versão que ela talvez tenha razões para dar. Se a Ana tinha algum motivo particular para inventar algo semelhante, não sei.

Varela Cid não lhe pediu para fazer uma cirurgia à pálpebra?
Falou nisso, mas achou que não era o momento adequado. Ele estava com muitos problemas. Só de olhar para ele, sentia-se o que a gente aqui no Brasil chama "in danger" - tremido. Nem conseguia tocar piano. No dia em que a Ana foi libertada em Boston, fomos a um restaurante muito bom, a convite do advogado, onde havia um piano Yamaha enorme. O advogado pediu-lhe para tocar, para comemorar a vitória jurídica, mas ele recusou-se. Acho que já não estava interessado no piano.

Viu-o tocar alguma vez?
Nem uma vez! Sabia que era um pianista, mas até cheguei a duvidar. Não era normal um pianista tão conceituado não ter em sua casa, na rua Cuba, um piano!

Foi a casa dele?
Só uma vez. Estava lá a Ana, a criança, um cachorro enorme e três Mercedes na garagem. Foi no dia em que o conheci.

Ele falou-lhe muitas vezes da deficiência congénita que tinha na pálpebra direita?
Inicialmente.

E você dispunha-se a fazer uma intervenção?
Exactamente. E também uma cirurgia nos olhos, para lhe tirar um pouco das rugas, porque ele queria dar uma remoçada, já que vivia com uma mulher muito mais jovem.

Era fácil resolver aquele problema?
Não, porque era uma re-operação. Numa intervenção em cima de outra corre-se o risco de não conseguir o resultado adequado na sua totalidade. Mas dava para corrigir.

O Varela Cid desapareceu em 1981. Em 1994, foi dado como morto, mas o corpo nunca apareceu. Tem ideia do que lhe terá acontecido?
Se eu tivesse uma ideia, seria o primeiro a dizer-lho, agora. Já passaram tantos anos, sou pai, sei que ele tinha filhos - e sei a angústia que é... Quando você me disse ao telefone (em 2007, para a prisão Presidente Bernardes) que a filha dele tinha tentado visitar-me no presídio em S. Paulo e não deixaram, achei até uma certa infantilidade. Se ela tivesse escrito uma carta, eu teria respondido.

Ela enviou-lhe uma carta em 1999, que foi devolvida.
Não chegou às minhas mãos. Teria que insistir e enviar registada. Porque, num presídio, existe uma série de barreiras para quem está lá dentro.

Também não recebeu a minha carta de 1998?
Não recebi.

Você já escreveu oito livros de ficção. Peço-lhe para fazer um pouco de ficção neste caso: quem matou Sérgio Varela Cid?
Francamente: se eu tivesse uma bola de cristal, seria fácil achar, mas não tenho nenhuma. Talvez o Sérgio até nem tenha morrido e esteja por aí. É uma possibilidade. Um cara tão complexo, tão, tão...

Está a dar alguma esperança à família?
Não sei. Talvez, de repente, com os media em cima, ele apareça. Quem sabe? Talvez o negócio tenha dado certo e, como ele estava sob sérias ameaças da Mafia inglesa, pode ser que tenha ido durante um tempo para algum lugar. Mas a Ana sabia de tudo. Isso é um facto, também.

Ela estava envolvida?
Sem dúvida!

Ela sabia do negócio dos automóveis e da droga?
De tudo. Com certeza absoluta.

O Diniz também?
O Diniz era sócio dele. Aliás, o Diniz foi quem o levou para esse campo.

Hosmany mostra dois dos seus oito títulos já publicados: «Delitos Obsessivos» e «Pavilhão 9. Paixão e Morte em Carandiru»

Está a acusar pessoas que já morreram e não o podem contradizer. O Varela Cid, o Diniz, a Ana - todos já morreram!
Mas eu não sabia! Não sabia que o Diniz e a Ana tinham morrido. A Ana era tão jovem... Não sabia!

Mas a biografia de Varella Cid, que lhe ofereci, diz que ela morreu em 2006.
Mas eu nem cheguei a ler o livro. Nem entrou na penitenciária.

Mas você escreveu-me uma carta a comentar o livro...
Escrevi uma carta a comentar o que estava na Internet sobre o Varella Cid. Foi o meu filho quem me alertou para isso. Esta é que é a verdade.

A família está convencida que você matou o Sérgio.
Então estão errados. Não matei o Sérgio Varella Cid, com toda a sinceridade. Se o tivesse feito, tinha-lhe dito agora, porque não tenho mais nada a perder nem a esconder.

E não matou ninguém?
Absolutamente não. Eu sou um médico. Nunca matei ninguém.

E aquelas mortes todas que aparecem habitualmente quando se fala em si?
Pelo amor de Deus! Quando fui preso pela polícia, todos os cadáveres que apareceram no ABC Paulista foram jogados nas minhas costas, como se os tivesse matado. Daqui a pouco era um "serial killer"... Isso é da responsabilidade da polícia - e é por isso que estou a colocar o meu dedo nessa ferida. Mas o Sérgio não era bem aquela pessoa que ele tentava mostrar. Ele tinha os seus problemas (ninguém é perfeito), e isso ficou comprovado ao longo de toda os episódios da vida dele, os inúmeros casamentos, etc.. Em suma: era um homem que tinha uma dupla personalidade.

Você também não tem?
Não sei se tenho. Se tiver, é muito bom, porque quem tem dupla personalidade tem duas maneiras de viver: a mão e a contramão.

É médico, não é capaz de se auto-analisar?
Não, porque a minha especialidade é outra. Ser psiquiatra é uma especialidade muito complexa.

Arrepende-se de alguma coisa?
O maior arrependimento da minha vida foi o de não ter dado ao meu filho (Erik, de 32 anos) aquilo que eu gostaria de lhe ter dado.

Arrepende-se de mais alguma coisa?
O de não ter tido oportunidade de ajudar outras pessoas com mais amplitude.


Versão integral da entrevista publicada na edição do Expresso de 24 de Janeiro de 2009, 1.º Caderno, páginas 26 e 27.


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SUSESSO...
Mas que jornalismo é este ?
Alguém compre um corrector ortográfico ao jornalista, por favor.
...se calhar o jornalista queria escrever susexo
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