Já passaram praticamente 10 anos desde que adotamos o Euro ou, como preferirem, que o Euro nos adotou. Quem não se lembra de ir ao banco trocar Escudos por Pesetas para um passeio no país vizinho? E do período de transação em que uns faziam contas rápidas de cabeça enquanto que outros delegavam essa tarefa para pequenas máquinas conversoras?
Quem não tem em casa uma pequena coleção de notas e moedas em Escudos como recordação?
São apontadas várias vantagens ao Euro como: os salários, poupanças e reformas são mais estáveis visto o Euro ser mais estável; torna a Europa mais competitiva no comércio internacional; facilita o comércio o que contribui para o desenvolvimento de todas as atividades e aumento de oportunidades de emprego; torna a economia de cada país mais estável; eliminação de flutuações das taxas de câmbio; os empresários têm maior facilidade em planear as suas decisões de investimentos; eliminação de vários custos de transação: operações nos mercados cambiais, operações de cobertura, pagamentos transacionais, contabilidade plurimonetária; transparência nos preços; maior concorrência devido à facilidade de comparação de preços; maiores oportunidades para os consumidores na facilidade de viajar sem necessidade de câmbio de moeda e custos inerentes, conjugados com os progressos do comércio eletrónico; oportunidades mais atraentes para investidores estrangeiros; o Euro contribui para a criação de um mercado único para os operadores financeiros, como bancos e seguradoras, e por outro lado, passa-se de mercados nacionais de capital pequeno e fragmentado para mercados financeiros mais vastos e fluidos; estabilidade dos preços; finanças públicas sólidas; taxas de juro baixas; e é uma fator aglutinador e de paz pois aproxima pessoas e nações.
São referidas algumas desvantagens ao Euro como a perda de soberania sobre a taxa de câmbio e a taxa de juro; aumento da concorrência entre as empresas e os setores; e a grande interdependência dos mercados da União Europeia aumentando o risco sistémico porque em caso de recessão os efeitos da sua propagação são maiores. Já ultrapassamos grande parte das desvantagens do Euro numa fase inicial, que estavam associadas ao período de adaptação, que implicou um grande investimento.
As desvantagens desta fase de adaptação ao Euro seriam as mesmas que teríamos de fazer agora se quiséssemos fazer um retrocesso. Contudo, neste momento não faz grande sentido pensarmos nisto visto termos a obrigação de pagar a elevada dívida externa e os respetivos juros do nosso país. Primeiro temos de honrar os nossos compromissos de pagamento da dívida e tornarmo-nos independentes financeiramente. O objetivo é olharmos para a frente e não para trás.