24 de maio de 2013 às 14:46
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Não é o FMI. É a União Europeia

Criou-se um mito estranho: "O FMI vem aí". Ora, isto não é bem assim. Não estamos em 1983, e, por acaso, estamos no euro. Portugal tem de pedir ajuda à União Europeia. O mito da invasão do FMI é o que resta a José Sócrates.
Henrique Raposo (www.expresso.pt)

I. Não se fala de outra coisa: "o FMI vem aí". As pessoas falam da intervenção do FMI como se estivessem a falar de uma invasão estrangeira. Manuel Alegre é perito nisto. Aliás, começo a achar que o bardo de Águeda quer ir até Badajoz com o objetivo de parar logo ali a invasão do FMI. E, para isso, conta com uma ala dos namorados composta por jovenzinhos do BE e por velhinhos do PCTT/MRPP.

II. Mas a questão nem sequer é essa. Não devíamos estar a falar do FMI, mas sim da União Europeia. Se chegar a pedir ajuda, Portugal terá de pedir esse auxílio ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira da União Europeia - FEEF (o FMI é apenas uma parte dessa ajuda). Ou seja, o ator que nos está a pressionar não é o longínquo e externo FMI (um mau da  fita muito conveniente). O elemento que nos está a pressionar é a nossa União Europeia, essa coisa que tem sido o centro da legitimidade da democracia portuguesa desde 1985. Então, por que razão se agita tanto o fantasma do FMI? Porque isso dá muito jeito à esquerda, em geral, e ao PS, em particular. Por duas razões.

III. Primeira razão: o PS não tem uma narrativa anti-União Europeia. Além de julgar que é o dono da nossa democracia, o PS pensa que é proprietário da relação Portugal-União Europeia. Desde Mário Soares ("o pai da entrada de Portugal na UE") a José Sócrates ("o pai do Tratado de Lisboa"), o PS assentou a sua - suposta - superioridade moral sobre os outros partidos num ponto essencial: o PS, dizem, é o partido mais europeu, é o partido da União Europeia em Portugal. Ora, no último ano, esta relação especial entre o PS e a UE tornou-se complicada, porque a UE (Euro Grupo) está a impor mudanças económicas que o PS considera "neoliberais", esse terrível papão que a esquerda portuguesa gosta de agitar. E, como já escrevi aqui, esta tensão coloca o PS perante um dilema sério: ou está com a União Europeia, ou está com o statu quo português . Para evitar confrontar-se com este dilema central, o PS encontrou duas válvulas de escape: atacar a Alemanha ("ai, a Alemanha está a destruir a UE, porque, imaginem, não quer simplesmente pagar o nosso défice") e agitar o fantasma da entrada do FMI (quando o que está em causa é a entrada da União Europeia, do Euro Grupo).

IV. Segunda razão: a entrada do FMI limparia do calendário 15 anos de governação socialista. Nós estamos a ser governados pelo PS desde 1995. Portugal está em crise desde 2000 (a crise internacional é de 2008). Entre 2000 e 2008, a economia mundial e europeia tiveram taxas de crescimento nunca vistas, mas Portugal não as sentiu, porque já estava em crise. Em 1996, a nossa dívida externa era de 10% do PIB. Hoje, está acima dos 100% (dados do Banco de Portugal, revelados pelo "i" de 19 de março). Ora, como também já aqui escrevi, a entrada wagneriana do FMI seria algo que limparia as culpas do PS. O FMI em Portugal seria o dilúvio salvador do PS. Sócrates podia dizer "reparem, a culpa é desses tipos que aterram na Portela". Numa semana, o spin socrático limparia da história 15 anos de péssima governação socialista, e haveria apenas dois maus da fita: o FMI e os traidores internos que lidam com o FMI. Ou seja, a "direita" (ler com a entoação enojada de Manuel Alegre) já não seria acusada apenas de blasfémia ideológica. Também seria acusada de traição à pátria.

V. Como eu gostava de ser de esquerda. Juro. Era tão mais fácil. Havia os bons e os maus, e não era preciso pensar.

Comentários 34 Comentar
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Não é o FMI. É a União Europeia
Pelo andar da carruagem, não tarda que qualquer dia a direita venha culpar a esquerda em geral e Sócrates em particular pelos males passados, presentes e futuros, não só de Portugal, da Europa e até do Mundo. Já nada me admira que digam que os bois até voam e que os elefantes rastejam, mas se aperecer um destes dias como titulo a letras garrafais de que Sócrates foi o culpado por D. Afonso Henrique não ter pago as quatro onças de ouro ao Papa, não fico admirado. Já todos esqueceram a deslocação de fábricas, apoiadas pela União para acudir aos Países de Leste, mas também para os Países emergentes. A Europa está a suicidar-se e o Mundo assiste sem saber o que fazer. A questão é se o Mundo não ficará pior.
Re: Não é o FMI. É a União Europeia Ver comentário
Re: Não é o FMI. É a União Europeia
De 2002 a 2005, como se sabe Portugal foi governado pelos socialistas Barroso e Santana, aliás...
Re: Não é o FMI. É a União Europeia Ver comentário
Re: Não é o FMI. É a União Europeia Ver comentário
Re: Não é o FMI. É a União Europeia Ver comentário
Re: Não é o FMI. É a União Europeia
É natural que a extrema-direita reaccionária Con esteja a colocar-se cócoras perante a entrada do FMI ou cham-se lá o que se chamar: a banca portuguesa está em sérios apuros e precisa de injecção de dinheiro. Os nossos problemas têm de ser resolvidos por nós. Assumirmos um estatuto de ininputabilidade orçamental é o pior que nos pode acontecer. O alibi dos Cons, (derradeira tábua de salvação?) da entrada desta gente em Portugal, não é mais do que a tentativa desesperada de chegar ao poder. Precisa-se de saber em que medida é que Passos, caso chegue lá, se diferencia de Sócrates. O que faria diferente?
No fundo eu gostaria de ser de extrema-direita: havia o anjo (Passos), e o demónio (Sócrates). E a 'Alice no país das maravilhas' vivia no idílico mundo das ajudas externas...
Re: Não é o FMI. É a União Europeia
Discordom com a visão do Raposinho no ponto IV. Não acho que o FMI/FEEF limpasse a governação Socrática. A retórica do Zé poderia bem ser "olhem, os maus são eles, que estão a fazer os cortes" - e de facto são, mas quem provocou esta situação? Que colocou o país no abismo e deu um passo em frente? O Zé!

Assim, pelo contrário, a entrade de entidades estrangeiras representam o redondo falhanço da era Socrática. Eu sei, tu sabes, ele sabe... o Zé continua "in denial"...
HR
Conhece aquela organização do ALI-BABA que começaram com 40 membros hoje é uma empresa de sucesso pois já conta com mais 400 milhões de membros, e Portugal aderiu em grande força para acompanhar a evolução.
Porquê? Estavam a dormir quando publicaram isto?
O conceito "estranho" no mínimo de FMI...(por favor consulte http://www.imf.org/extern... - simmmm eles têm site!!!!) a sede do FMI é em Washington, DC, Estados Unidos, detentores de 17% do fundo que se atribuído é sujeito a juros - não nos dão nada e especulam o juro como entendem através do Independent Evaluation Office (IEO). O juro, para além do lucro inclui também o risco de financiamento.
Todos os membros da ONU fazem parte do FMI - outra coincidência? Dizem que a ONU é e só pode ser anárquica, mas o soft power exercido pode bem ser chamado de coação porque não serve os interesses da humanidade, e na grande maioria serve o interesse "maior" dos bolsos de privados (o que para mim é tenebroso e aberrante, mas não fui eu que obriguei todos os países a fazerem parte de uma instituição financeira).
Os membros permanentes do FMI são Estados Unidos (único accionista com poder de veto), Japão, Alemanha, França, Reino Unido, China, Rússia e Arábia Saudita. Todos os outros são eleitos acessórios e transitórios. E dos que vimos aqui, qualquer mente minimamente iluminada percebe que cheiram cada vez pior... A UE NÃO TEM VANTAGENS NA ESPECULAÇÃO DOS SEUS MERCADOS, NEM SÃO AMIGOS DA "FITCH" que tem Dual-headquartered in New York and London (outra coincidência...), e a quem se tenha esquecido, a Libra é a moeda em Londres, ficam aborrecidos também com o Euro. E esta guerra existe entre moedas, nos campos de batalha estão os coitadinhos. É pior que um jogo de computador.
Continuação...
É o FMI que controla o Direito Especial de Saque (é uma moeda "virtual" entre bancos centrais). O cálculo do DES é determinado pela variação média da taxa de câmbio dos CINCO MAIORES EXPORTADORES DO MUNDO: França (Euro), Alemanha (Euro), Japão (iene), Reino Unido (libra esterlina) e Estados Unidos (dólar). - Outra coincidência? Há mais uma, a média ponderada: soma de uma quantia específica das 4 moedas com a cotação em DÓLAR, com base nas taxas diárias de câmbio do mercado de LONDRES. Portanto os senhores não só calculam o juro perante o risco, como o fazem de forma a nem o mercado britânico, nem a moeda norte americana serem prejudicados.

A actual presidência do FMI é francesa, quem quer apostar que a próxima será alemã?

O FMI financiou a maioria das ditaduras e regimes opressivos em que a ONU interviu. Estranho...Andam a financiar os países para se portarem mal, e depois vão lá "repôr" a paz e a justiça - O FMI, caso não se lembrem, faz parte da ONU, é um dos organismos ditos especiais. Abaixo vem uma lista de países com o valor de financiamento concedido pelo FMI durante os ditos regimes e após as intervenções da ONU, em Biliões de Doláres e respectiva percentagem sobre o total da divida dos países:

Argentina 39.6 42%
Bolívia 2.7 52%
Brasil 100 56%
Chile 12.8 47%
El Salvador 1.3 59%
Etiópia 3.7 37%
Haiti 0.7 78%
Indonésia 126 98%
Quênia 4.2 61%
Libéria 1.3 62%
Malawi 1.9 83%
Nigéria 13.6 43%
Paquistão 7.6 17%
Paraguai 2.3 96%
Filipinas 26.8
...
A entrada do FMI é a falência da politica do poder
Se o FMI entrar isso é a falência politica de cinco anos de Governo Sócrates.
Essa é a questão central: o Governo não soube governar,não tem condições para se financiar e quem empresta o dinheiro só o continuará a fazer se passar a mandar onde ele se gasta.
Tão simple quanto isto.
Infelizmente Sócrates desdobra-se em árabes,venezuelanos e mais alguns sítios,mas está cercado.
Resta-lhe.depois das presidenciais,ser derrotado em eleições antecipadas e ir para a rua.
O PS vai para a quarentena e sabe-se já que muitos dos seus quadros-bem posicionados na administração central-começaram a arrumar os armários.Enquanto tem tempo.
Tudo muito bonito.... Ver comentário
Sócrates pede a demissão,depois de 23? Ver comentário
Re: Tudo muito bonito.... Ver comentário
ahahahahah!!!
Este raposo tem piada!!!

ahahahah!!!
Re: Não é o FMI. É a União Europeia
SONDAGEM:

Raposeira ficou assim, porque:

a) Foi vítima de 'bullying' extremo quando andava no secundário;

b) Os pais não lhe ofereceram no Natal a consola 'Wii';

c) Após casting, não foi recrutado para o elenco dos 'Morangos'...
Crise
Questões partidárias à parte, de salientar que a crise mundial começou precisamente em 2000. Como se sabe as crises não são de um dia para o outro, e se forem analisados os dados macro-económicos mundais é facil de ver que a crise mundial começou em 2000 e atingiu o seu máximo em 2008.

Não querendo com isto tirar a culpa do governo Português da situação actual mas sim repor a verdade, porque quando se elabora um artigo com a visibilidade que este tem, deve-se fazer melhor o trabalho de casa para evitar informar mal os leitores.
Re: Crise Ver comentário
Ponto V
"V. Como eu gostava de ser de esquerda. Juro. Era tão mais fácil. Havia os bons e os maus, e não era preciso pensar. "
Gostei muito deste ponto. É um facto. Estes socialistas sao umas miséria para o pais. Portugal sempre esteve em crise. So nos podemos queixar de nós proprios e nao da crise internacionalizaçao. Nao temos nada a ver com o caso da irlanda. Eles perderam o dinheiro todo que era muito e estavam muito bem na banca. Portugal se perdeu dinheiro foi nas bananas.
" Somos um pais de bananas governado por sacanas"
Re: Ponto V Ver comentário
Re: Ponto V Ver comentário
Não é preciso pensar?
Sr. Raposo claro que tem direito a sua opinião, a qual respeito, e até concordo em certos pontos...contudo afirma que os cidadãos de esquerda não pensam, e ai não poderia estar mais errado. Pensam e demais, dai a tentativa de resolver os problemas de todos e não apenas os particulares, dai a tentativa de distribuir a riqueza e não atribui-la a poucos para que governem e pastoreiem os muitos. Pode não ser fácil ser de esquerda e muitas vezes não se tomem as melhores decisões, mas serem acusados de não pensar é algo profundamente injusto e de quem não tem noção do que diz.
Re: Não é preciso pensar? Ver comentário
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Re: Não é preciso pensar? Ver comentário
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FMI
Está a por a hipótese de o FMI vir no tempo do governo de Sócrates. Mas não devemos por de lado a hipótese de haver eleições antecipadas, ganhar o PSD/CDS e o FMI entrar nessa altura.
Mas quais eleições??? Ver comentário
Re: Mas quais eleições??? Ver comentário
Não o FMI.Sim União Europeia
Portugal deve arrumar suas contas para poder ser um bom pedinte.O fundo europeu para vestabilização não difere muito do FMI porque os maior contribuintes naquela organização são países da CEE.
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