26/05/2012 atualizado às 11:32
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Não é canalhice nenhuma

Nas grandes tragédias, como a da Madeira, é difícil fazer perguntas e levantar dúvidas sem causar a ira geral. Mas elas devem ser feitas. Sobretudo por quem não depende, no seu trabalho, da emoção dos outros.

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
9:43 Quarta feira, 24 de fevereiro de 2010

É nos momentos de grandes tragédias que a racionalidade mais tem de determinar o nosso comportamento. Assim é com as pessoas, assim é com os regimes. Perante as perguntas que têm de ser feitas - até porque são obrigatórias respostas rápidas mas, ainda assim, acertadas -, a tendência de todos é a de ceder à emotividade dominante. Não questionar nada e, sobretudo, não contestar nada, como se essa fosse a melhor forma de não atrapalhar. Compreende-se. Mas não se recomenda.

Perante críticas ao ordenamento do território na Madeira, Alberto João Jardim atalhou: quem as faz é canalha e não tem vergonha na cara. Perante as perguntas de um jornalista a propósito da decisão do Governo Regional e do Governo da República de não decretar o Estado de Calamidade, o vice-presidente regional revoltou-se. Perante o que a Madeira tem pela frente, o PS, com o apoio (e alívio) de toda a oposição, decidiu desistir da sua oposição à Lei das Finanças Regionais.

Como é natural, os vários líderes partidários irão por estes dias à Madeira. Dizer coisas de circunstância, que é a única coisa que podem realmente fazer. E, claro, mostrar a unidade do país (verdadeira) na solidariedade que os madeirenses merecem.

A vantagem de ser colunista, jornalista ou especialista (cada um com a sua função) é a de não depender dos votos dos eleitores. A não ser para quem viva para a popularidade fácil de cada momento, não se está obrigado a ficar refém da emotividade geral. Aguenta-se a indignação que causa o que se diz ou se escreve sem problemas de maior. É esse, mais do que fazer vídeoclipes informativos ou poesia barata com o sofrimento dos outros, o papel de quem pode ficar de fora da compreensível comoção nacional. O que não quer dizer que não se sintam as coisas. Por razões só minhas, sinto-as com toda a certeza.

Por isso, não é canalhice nenhuma ajudar a fazer algum balanço do que aconteceu e dos efeitos que determinadas decisões tiveram no que aconteceu para que se possa planear melhor a partir daqui. Sem termos, quando nem sequer todos os corpos foram resgatados, de procurar os responsáveis directos, o debate sereno pode e deve fazer-se, com a participação de especialistas. Até porque algumas das decisões de reconstrução são tomadas agora e devem ser melhores do que as anteriores. E houve coisas que falharam.

Por isso, é importante que seja explicado claramente o que se perde e se ganha com a não declaração do Estado de Calamidade. O que evidentemente se ganha para o turismo, compensa o que se perde na ajuda directa às pessoas? Para que todos percebam se é mesmo a melhor decisão.

Por isso, é legitimo perguntar o que raio tem a ver a Lei das Finanças Regionais com a ajuda que os madeirenses terão neste momento de receber. Se esta decisão de recuo resulta de alguma racionalidade financeira ou se, pelo contrário, apenas resulta do receio pelos efeitos políticos que uma oposição a esta lei teria num momento de natural simpatia e solidariedade nacional para com os madeirenses.

As sociedades com democracias saudáveis devem estar preparadas para viver momentos como este - ou piores -, que têm sempre uma enorme carga emotiva, sem deixarem de pensar e questionar as decisões que se tomam. Assim como as pessoas, é nestes momentos que o sangue frio é fundamental. E que são dispensáveis as cínicas carpideiras de serviço.

A Madeira precisa de ajuda. Tem de a ter. Mas isso não impede dúvidas, perguntas e respostas. E não é legítimo nem útil lançar insultos contra quem tem dúvidas, faz perguntas e pede respostas. 

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As viragens tortuosoas de quem começa num extremo!
PIANINHO (seguir utilizador), 4 pontos (Bem Escrito), 11:00 | Quarta feira, 24 de fevereiro de 2010
Daniel Oliveira está a desenvolver uma viragem politica, pretendendo mostrar nos seus escritos alguma racionalidade e bom senso, o que é salutar.
Aquele cisma de que ser de extrema esquerda, tem de se ser radical, acintoso e de uma agressividade sem limites, ao estilo dos seus lideres do BE e do seu próprio comportamento no Eixo do Mal da SIC esvai-se, quando passa as suas ideias a escrito, deve ser pelo tempo disponível de maturação a passar à NET.
Mas por outro lado, o seu frequente alinhamento com o Henrique Raposo, trauliteiro da extrema direita, imberbe na política dá que pensar, o que estará por de trás desta viragem de DO.
Normalmente, por via de tanto MALHAR no parceiro da esquerda, os ultra fazem uma ultrapassagem por cima, só parando onde encontram uma oportunidade de novos interesses, será o caso de DO ?
Nota-se claramente o seu desvio de posições radicais, de que era useiro e vezeiro, à semelhança dos seus líderes de bancada na AR, que estão sempre prontos para extremarem posições que atingem a irracionalidade, na defesa dos seus pontos de vista sectário, anti tudo o que possa contribuir para a libertação da sociedade, principalmente na área económica, sendo a defesa contínua de posições de estatismo a sua missão mais visível.
Contemporizar é a nova palavra de ordem, nota-se no pragmatismo deste texto de DO e está tortuosamente explícito, a meu ver, na sua mutação de ideias.
Vamos analisar e aguardar o percurso futuro de DO.

O tempo cura quase tudo.
 
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Não é canalhice nenhuma
Toni 2 (seguir utilizador), 2 pontos , 12:50 | Quarta feira, 24 de fevereiro de 2010
O despacho final do caso Freeport estará concluído em Março, mas até agora o Ministério Público continua sem ter provas que sustentem uma acusação ao primeiro-ministro (PM), noticia o Público. José Sócrates deverá assim ficar de fora da lista de acusados, resultante da investigação às suspeitas de corrupção, durante o processo de licenciamento do 'outlet' de Alcochete, construído numa área desafectada da Reserva Natural do Estuário do Tejo.
Sem duvida que a Comunicação Social vive da desgraça dos outros, porque os sucessos não vendem. A face Oculta está em banho maria, porque uma desgraça se abateu no País, ou seja na Madeira. Mesmo que Jardim queira esconder aos olhos do Mundo, o assunto é igual à barriga da menina que vai crescendo e impossivel de ocultar. Ele sabe mais que ninguém dos erros cometidos e por azar logo Nossa Senhora se deixou dormir. Culpados são muitos, mas condenações não vai haver nenhuma, a não ser na Comunicação, lugar habitual dos julgamentos como já estamos habituados. Aconteceu aqui e agora, mas já tudo esqueceu a tragédia das cheias de Loures há anos. No entanto de nada serviram, porque passado algum tempo voltaram a cometer os mesmos erros, porque o dinheiro fala mais alto que o bom senso e a razão. Vai ser assim na Madeira e noutros locais e no meio de tudo isto são sempre os mais desfavoridos que pagam as favas.
 
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    Re: Não é canalhice nenhuma    Ver comentário
jazão (seguir utilizador), 1 ponto , 13:56 | Quarta feira, 24 de fevereiro de 2010
Há coisas que....
Bairrada Vigilante (seguir utilizador), 2 pontos , 14:11 | Quarta feira, 24 de fevereiro de 2010
... têm limites.

Perante um desastre daquela natureza, perante tanta gente a sofrer, não será dispensável a opinião deste intelectual de m..... que, sempre que opina, consegue que tudo fique a cheirar mal.

É evidente que há coisas mal feitas, é evidente que João Jardim tem muitos defeitos mas, francamente, será em cima dos destroços, na hora que se choram os mortos, que é necessário "fazer mais sangue".

Gostaria de saber se este imbecil (para mim é) escreveria o que escreve se sentisse na pele aquilo que os Madeirenses sentem neste momento?
 
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Porque não te calas?
águiadois (seguir utilizador), 1 ponto , 10:35 | Quarta feira, 24 de fevereiro de 2010
Há um tempo para tudo:agora é o tempo do silêncio e da solidariedade para com o Povo da Madeira.Não compreender isso é uma imbecilidade intelectual.
 
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    Ele não é limitado    Ver comentário
mmj1969 (seguir utilizador), 1 ponto , 14:53 | Quarta feira, 24 de fevereiro de 2010
A seu tempo
nlpereira (seguir utilizador), 1 ponto , 11:10 | Quarta feira, 24 de fevereiro de 2010
É verdade, todos esperam uma resposta directa, principalmente os comerciantes e todos aqueles que perderam os seus bens e não têm forma para recorrer a qualquer seguro, no entanto penso, aliás tenho a certeza que esta será dada em tempo oportuno, pois acredito que os governos estão a pensar na melhor e mais rápida resposta a esta calamidade natural e que satisfaça o melhor possível todos que tiveram prejuízos. É um facto há determinadas respostas tem de ser dadas, mas também posso dizer que nesta altura, todos estão empenhados a arrumar a casa, deixar pronta para começar uma nova etapa, e acreditam que não faltara apoio do Governo Regional. É essa a fé que leva as pessoas a estarem concentradas nos seus trabalhos e deixar a burocracia para quem tem essa responsabilidade, acreditando convenientemente na resolução desses problemas que vão surgir a breve prazo.
 
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O Alberto João tb tem méritos...
pantufas67 (seguir utilizador), 1 ponto , 12:58 | Quarta feira, 24 de fevereiro de 2010
como por exemplo servir inspiração ao Daniel Oliveira para fazer o seu artigo mais isento que lhe li.
Com todo o respeito pela tragédia madeirense e pelas suas vítimas,o Alberto João Jardim foi o 1º a aproveitar-se da mesma para branquear os erros da sua governação.
O pior é que, 14 anos mais tarde, vai mais uma vez conseguir o perdão da dívida.
Agora anda também a brincar com o nº de vitimas para não fazer muitas ondas nos mercados turísticos.
Aproveita a enxurrada e branqueia os seus erros, branqueia a dívida, branqueia as divergências politicas, branqueia as vítimas, branqueia os maus modos ......
Talvez acrescente o nome Cavaco ao Sr. Silva durante a visita do PR, hoje.
Gente tonta.
 
 
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Precisam-se respostas, mas no momento certo
JJFF (seguir utilizador), 1 ponto , 13:02 | Quarta feira, 24 de fevereiro de 2010
Os jornalistas têm a preocupação, legitima, de informar e esclarecer, o mais rapidamente possível. As autoridades públicas, num momento de anormalidade, como este, têm a obrigação de encontrar soluções adequadas para as questões prementes e responder a jornalistas não é uma delas. Daí que se compreenda as respostas inconvenientes dadas aos jornalistas. Também é racionalidade fazer as perguntas certas, nos momentos certos.
 
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Relatório Tuga - factores de concordancia
relatoriotuga (seguir utilizador), 1 ponto , 13:30 | Quarta feira, 24 de fevereiro de 2010
Caro DO,

tendo noção da quantidade de comentários que receberei por fazer isto... CONCORDO CONSIGO.

Não é por não compreender a dor de quem perdeu familiares, propriedades e negócios que se deve omitir as questões que se devem colocar nesta altura. Mais do que uma questão politica, e veja-se já AJJardim a aproveitar-se da situação e veremos todos os politicos a visitar a Madeira com lágrimas de crocodilo a pedinchar votos, trata-se de uma questão civica.

É agora, como muito bem diz, na altura de reconstruir que se devem colocar determinadas questões no sentido de evitar novos erros. É agora que os politicos devem ser racionais, em vez de andarem com pseudo-sentimentalismos, confesso que sempre me fez uma certa confusão a necessidade das declarações de solidariedade, pesar, etc mas isso é apenas uma opinião pessoal.

Vá, agora venham de lá os comentaristas e opinadores chamar-me tudo e mais alguma coisa... a devida importancia a quem a merece...
 
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Mudem o Funchal de sitio
jazão (seguir utilizador), 1 ponto , 13:47 | Quarta feira, 24 de fevereiro de 2010
Na verdade, a única pergunta pertinente, sobretudo para quem conhece o Funchal, é se está no sitio certo - em havendo outro.
As outras perguntas são todas cheias de segundas intenções. E sem respostas válidas, porque em última análise a culpa é do S. Pedro.
Mas, claro, quando chove demais, alguém tem de ser culpado. Santa Bárbara?
 
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    Re: Mudem o Funchal de sitio    Ver comentário
Daniel Oliveira (seguir utilizador), 1 ponto , 14:01 | Quarta feira, 24 de fevereiro de 2010
    Re: Mudem o Funchal de sitio    Ver comentário
jazão (seguir utilizador), 1 ponto , 15:21 | Quarta feira, 24 de fevereiro de 2010
-Rodapé
Pedra-Mó (seguir utilizador), 1 ponto , 14:07 | Quarta feira, 24 de fevereiro de 2010

O QUE FICOU POR SABER

O que se perdeu ou deixou de ganhar não declarando o “estado de calamidade”?

Cá eu não sei.

Sei, contudo que já passei por uma situação tão ruim como a da Madeira, que se resolveu como é dado sem haver “declarações de calamidades”, com a ajuda da solidariedade sincera e competente dos Governos Central e Regional e de muita Gente deste País e do Mundo, sem que ninguém se arrogasse ao protagonismo dos tolos que pretendem passar por discretos.

É minha convicção que o Dr. Jardim já respondeu à questão de não «ir em calamidades» dizendo (cito de memória) que não o teria feito (também) «-por que estou mais preocupado com os pobres do que preocupado com os ricos».

Com as devidas ressalvas pelo facto de a minha memória já não ser o que era, foi o que disse à SIC o Dr. João Jardim.

Posto isto e por que parece ser boa (para a gente saber) deixo aqui ao Senhor Colunista a ideia de que seria melhor aprontar-se e escrever não apenas do que destacou como dito mas do que ficou por dizer.

 
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Realidade
sacristão (seguir utilizador), 1 ponto , 14:18 | Quarta feira, 24 de fevereiro de 2010
A grande parte dos madeirenses não está na ilha de onde tiveram de fugir por falta de condições, e os que lá ficam vão vivendo amontoados nos poucos e pequenos espaços planos. Quem mora nas encostas não vive, sobrevive.
Na Terra há 6 ou 7 biliões de humanos que estão esgotando os recursos tão depressa que em breve terão de fugir do planeta, mas fugir como e para onde? Quando será que os seres humanos em vez de se enganarem uns aos outros e a si próprios com religião e política, têm a coragem e o bom senso de encararem a realidade em que estão e a tragédia para onde caminham?
 
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Aos coices aos portugueses ...
aguiarpt (seguir utilizador), 1 ponto , 18:12 | Quarta feira, 24 de fevereiro de 2010
Para quê gastar dinheiro a produzir e gastar tempo a ver jornalistas avençados e petralhas como este ! quem lhe paga para dizer tanta asneira ..
 
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Acabei de ver/ouvir na SIC...
Marco de Salvaterra (seguir utilizador), 1 ponto , 21:09 | Quarta feira, 24 de fevereiro de 2010
... as "nojentas" declarações hoje proferidas por Ferreira Leite.

Não estivéssemos a viver em democracia o que mereceria esta srª.???

São assim os "patriotas" e quem os apoia!

"Quanto pior, melhor"... a ambição e o sectarismo são desmedidos e anti-patriotas!!!

Esta notícia - por não ser "importante" nem do "interesse público" - não teve honras de 1ª página num semanário cujo director esteve na AR a falar sobre "pressões" (o Bes cortou-nos a publicidade, há 6 (seis) anos, porque não gostou de uma notícia que publicámos - como se alguma empresa fosse obrigada a alimentar as "feras" - e o primeiro-ministro telefonou-me a PEDIR para não publicar ártigos sobre a licenciatura. Tendo esgotado assim as terríveis pressões sofridas e que tanto põem em perigo a "liberdade de expressão").

Não veicular notícias como esta - com o destaque dado a outras bem menos importantes - sobre as declarações de Ferreira Leite que adjectivação merecerá?
 
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Ó D.O...
relatoriotuga (seguir utilizador), 1 ponto , 22:26 | Quarta feira, 24 de fevereiro de 2010
e onde está a noticia das declarações de MFLeite? não encontro no expresso nem em nenhum outro jornal on-line!! depois dizem que o outro é que é ditador, que o outro se queixa de perseguição!!! isto é que é dualidade de critérios!! só interessa dar destaque ao PM e aos seus perseguidores de serviço!! tenham vergonha pá!!! Jornalismo da treta é o que se faz em Portugal!!!

revoltante!!verdadeiramente revoltante!!!

depois ainda tem a lata de dizer que o outro é que quer controlar a comunicação social!!! voces fazem o que querem com as ovelhinhas da opinião publica!!!

Revoltante!!!
 
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Concordo e permitam-me uma transcrição...
mmj1969 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:12 | Quarta feira, 10 de março de 2010
de um artigo publicado num jornal madeirense, de um madeirense com 2 palmos de testa, ao contrário de outros aqui:

Artigo do Diário de Notícias da Madeira
Duas linhas

Uma bofetada de luva branca -
Data: 26-02-2010

Faço parte daquele enorme grupo de madeirenses que nunca esqueceu a arrogância do presidente do Governo Regional da Madeira quando, em 1999, disse: "Nem um tostão para Timor!"

Fiquei ainda mais magoado quando, um ano depois, tive a oportunidade de visitar Timor-Leste integrado na comitiva que acompanhou o Presidente da República Jorge Sampaio em visita oficial. Vi casas destruídas, vi gente humilde, sem nada. Gente que ainda falava algum português, que pedia ajuda e que precisava mesmo dessa ajuda. E lembrava-me, nessa Díli ainda destroçada, do presidente do governo da minha ilha: "Nem um tostão para Timor!".

Agora que Timor começa a erguer-se mas revela ainda muitas fragilidades, é a nossa Madeira, a 'Singapura do Atlântico', a merecer a ajuda de fora. Ao contrário de mim, Ramos-Horta e Xanana Gusmão já esqueceram o que disse Jardim. E agora, em vez de nem um tostão para a Madeira, vejo com emoção um país bem mais pobre que a nossa rica Região a dizer: "100 mil contos para a Madeira!". Timor, um dos países mais pobres do mundo, desvia dos seus cidadãos 556 mil euros (ou 750 mil dólares) para ajudar a manter o bom nível de vida de uma Região que se apresenta com indicadores que a deixam como uma das mais ricas da União Europeia.
 
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    Re: Concordo e permitam-me uma transcrição...    Ver comentário
mmj1969 (seguir utilizador), 1 ponto , 16:40 | Quarta feira, 10 de março de 2010
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