O pior pode ser a melhor coisa que nos acontece. Foi o ter perdido o emprego num colégio particular que forçou Sónia Leite, 29 anos, a procurar alternativas de subsistência. Sem saídas profissionais, a professora decide pedir 30 mil euros emprestados aos pais e enveredar num negócio por conta própria. A abertura de um centro Não + Pêlo na cidade onde mora (Odivelas) foi a saída encontrada.
O investimento reduzido e a promessa de retorno ao fim do primeiro ano de atividade seduziram Sónia, que em maio de 2009 começou a fazer as primeiras depilações com luz pulsada. Com apenas uma máquina, Sónia tem atualmente 450 clientes em Odivelas, que afluem em função da época do ano e do ritmo de crescimento dos pelos. Faz um ano em setembro que abriu o segundo centro, em Telheiras, em busca da capacidade financeira dos residentes desta zona de Lisboa, densamente povoada. Hoje, vai nos 298 clientes e a possibilidade de crescimento é mais limitada. É que na rua onde está instalada há outras opções, como a Lipocero ou a Clínica do Pêlo, mas isso não leva a ex-professora a querer mudar de atividade. Em breve vai começar também a fazer tratamentos de pele, para rentabilizar a máquina.
Sónia é parte do grupo de franchisados que compõem a rede de 80 centros da Não + Pêlo e que fazem da marca a maior neste segmento, com um total de 20 mil clientes. "Em 2009, a rede atingiu um volume de negócios de 7 milhões de euros, 17% acima dos 6 milhões de euros estimados inicialmente. Para os próximos anos prevemos aumentos anuais de 70%, o que se traduz num volume de negócios de 12 milhões de euros este ano e 20 milhões de euros em 2011", avança Luís Brás. O diretor-geral da Não + Pêlo justifica o êxito com a introdução do conceito de baixo custo e o crescimento dos negócios em franchising. O aumento da preocupação com a imagem, em particular por parte dos homens, está a ajudar. Luís Brás avança que 27% dos clientes da Não + Pêlo já são do sexo masculino e a tendência é para que esta proporção aumente. "Há uma variação entre os 23% de homens em 2009, no início da operação, e os atuais 27%. Acreditamos que irá aumentar para 30% até ao final do ano, valor coincidente com a média europeia para este segmento", explica.
Texto publicado no caderno de Economia do Expresso de 28 de Agosto de 2010