16 de abril de 2014 às 19:40
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Naipaul e a pornografia africana

A Tempo e a Desmodo - Naipaul e a pornografia africana

Quando lemos A Curva do Rio de V. S. Naipaul, é impossível não pensarmos em Joseph Conrad e Coração das Trevas. A par do "dom quase conradiano" de Naipaul para "criar tensão numa história" (New York Times, 1979), existem as óbvias semelhanças de cenário e de simbolismo: nos dois romances, o rio africano funciona como uma espécie de portal que nos transporta para um lugar fora do tempo e das balizas morais. Tal como diz Mahesh, uma das personagens de A Curva do Rio, "o problema aqui não é entre certo e errado, bem e mal, legal e ilegal. Aqui está tudo errado". Neste sentido, atrevemo-nos a dizer que A Curva do Rio (1979) está para a selva amoral da África pós-colonial como Coração das Trevas (1899) está para a pornografia amoral da África colonial.

A história gira em redor de Salim, o narrador omnipresente, que deixa a costa e a família de comerciantes indianos em direcção a uma cidade do interior com o objectivo de criar o seu negócio. Situada num país sem nome, a aventura de Salim acaba por ser um relato da violência e, sobretudo, da incerteza da África pós-colonial. Mesmo quando não há sangue, tudo depende da vontade do "The Big Man", o típico marajá negro que governa África ao sabor do seu arbítrio. A esta tensão política, Naipaul acrescenta uma tensão interior nas meditações de Salim, um jovem adulto que não consegue encontrar a sua terra. Não é indiano, apesar da sua tez; não se sente da costa, mas também nunca consegue a integração naquele interior rodeado pelos "homens do mato" (só tem sexo com prostitutas); e também não se sente bem em Londres (há uma pequena viagem), apesar de essa ser a morada da esposa prometida e do exílio normal da sua gente. 

Que escape encontra Salim para esta tensão política e pessoal? Por breves momentos, o leitor ainda pensa que a relação sexual com Yvette, a mulher de Raymond, o intelectual branco do "The Big Man", é esse escape. Contudo, a relação evolui para a violência latente e, depois, para o tabefe. Nas descrições e, digamos, nas meditações de cama, percebemos que o prazer de Salim é o alter-ego do prazer de Naipaul, pois Yvette é Margarita (Margaret Gooding), a amante argentina que deu, pela primeira vez, prazer sexual a Naipaul. Problema? Esse prazer exigia violência, implicava o espancamento, em diversos graus, de Margarita . Esta tormenta sexual e amoral varreu a vida de Naipaul e, por osmose, varre a vida de Salim. Entretanto, lá fora, uma tormenta política final varre a esperança daquele país sem nome. A redenção, pessoal e colectiva, não é possível do lado de lá do rio. "O mundo é o que é".
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africa-e-naipaul-alem-do-bem-e-do-mal
É claro que nem li o texto na integra nem mesmo em diagonal, porque sou daqueles que escutando toda a gente independente da sua cor, não estou com pachorra para estas cortinas de fumo, este tapar o Sol com a peneira e este deitar de areia para os olhos, afim de distrair o povo do que está a fazer este governo e da sua incompetência. Para quem não se cansava de diabolizar Sócrates aqui todos os dias e nem uma palavra de repúdio pelo que está a acontecer, com o desemprego, as falências e a fome que já graça um pouco por todo o País, mas ainda um governo que perdoa dívidas a Duarte Lima e Victor Baía no caso BPN, mas que se propõe estender o corte dos subsídios ao Privado não é normal e até muito estranho que nunca se refira estes casos, que são os que preocupam os portugueses e deviam preocupar os jornalistas.

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Sócrates recebeu luvas do Freeport! Ver comentário
Re: Sócrates recebeu luvas do Freeport! Ver comentário
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'África e Naipaul: além do bem e do mal

Que falta de sentido de oportunidade, Henrique. Serei sempre dos primeiros a saudar as suas crónicas de críticas a livros, para mais quando não lhes vejo segundos sentidos... o livro é uma coisa preciosa que deve ser promovida. Mas isso também significa que deve haver um tempo e uma oportunidade para isso. Com a recente decisão do tribunal constitucional, quem esperaria aqui (ou compreenderia) que apresentasse a crítica a um livro, sem nenhuma relação com o momento atual, como se estivesse a Leste de tudo?

O livro lucra alguma coisa em ser promovido quando ninguém tem paciência ou abertura para o ouvir? Ou será possível que esteja de férias, e as suas crónicas em piloto automático?

Boa crítica de qualquer forma, parece um bom livro.
HR
Será que pertence a uma restrita classe de pessoas que compram os livros e após os lerem os doam para bibliotecas públicas para que quem não tem posses de o adquirir os possa ler?
Ganda Raposão

Quando a actividade diária da nova União-Nacional não lhe convém, enche chouriços !!
Re: África e Naipaul: além do bem e do mal
Palpita-me que as "crónicas" do Raposo vão passar a ser todas sobre livros. Depois do mais que esperado anúncio do alargamento do corte dos subsídios a todos os portugueses, não se deve atrever a vir outra vez com os exemplos absurdos da tia, da prima ou da amiga dos states que fizeram isto ou aquilo. Mas como esta malta não tem vergonha nenhuma na cara, nunca se sabe ...
Assobiar para o lado.
O raposo é uma vergonha as "crónicas" são uma vergonha e o expresso é uma vergonha por o deixar aqui vomitar o que vomita. Só consegui ler metade de uma linha.
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Durante a noite, um vulto a andar
...sorrateiramente no quintal de casa. Em silêncio, eis q uma silhueta passa pela janela do quarto.

A casa até era muito segura, c/ alarme, grades nas janelas e nas portas, não houve preocupação, mas claro que não se ia deixar um ladrão andar ali tranquilamente.

Após telefonema para a polícia, a informar sobre a ocorrência e dado a morada, perguntaram se o ladrão estava armado ou se já estava no interior da casa. Esclarecendo q não. Então disseram, q não tinham nenhuma viatura por perto para ajudar mas enviariam alguem logo q possivel.

Dois minutos depois, o dono da casa, em voz bem calma:
- Eu liguei há pouco porque estava alguém no meu quintal. É para informar q já não é preciso muita pressa, porque eu já matei o ladrão com um tiro de uma pistola calibre 9 mm, que tinha guardada cá em casa, já há anos, para estas situações. O tiro fez um belo buraco no pobre diabo!

Em menos de três minutos, apareceram cinco carros da PSP, um carro do INEM, uma unidade de resgate, duas equipas da TVI, uma do Expresso, O Henrique Raposo e um representante duma entidade de direitos humanos. O ladrão foi preso em flagrante, ficando boquiaberto a olhar para tudo o q se estava a passar. Talvez estivesse a pensar q aquela era a casa do Comandante Geral da PSP.

No meio do tumulto, o policia encarregue desta operação, aproximou-se do dono da casa e disse:
-Pensei q tivesse dito que tinha morto o ladrão!
O dono da casa comentou: ...
Durante a noite, um vulto a andar... II

- E eu pensei que tivesse dito que não havia nenhuma viatura!
Re: Durante a noite, um vulto a andar... II Ver comentário
Vergonha!
Continuo sem perceber como é possível o Expresso permitir "tempo de antena" a este pirralho. Se dúvidas houvesse, ficou hoje provada a parcialidade deste palerma. Depois da decisão de ontem do tribunal constitucional, este atrasado mental vem para aqui falar de um livro ?!?! Palhaço!
Que bonito...
temos critico literário.

E cavar, sabes?

dois pesos e duas medidas???
Com tantos assuntos da nossa actualidade que se poderiam comentar, o Henrique Raposo continua a desviar atenções com o que é importante.
Posso-lhe dar uma pequena ajuda. Pode falar do caso da licenciatura do Miguel Relvas, uma vez que num caso pseudo similar, fartou-se de criticar e de comentar. Será que tem dois pesos e duas medidas????
Re: África e Naipaul: além do bem e do mal
Henrique Raposo não é um crítico literário. Poderá dizer-se,contudo, que ele não faz crítica literária,propriamente dita, mas antes desenvolve temas a partir de livros, o que não é a mesma coisa. No entanto, se a análise de uma obra,hoje, envolve um conjunto de opiniões sobre a mesma onde já não é fácil estabelecer uma nítida distinção entre os conceitos,então o H.R. também faz crítica literária...
        Esta "confusão", quando as obras são já suficientemente conhecidas e já foram objecto de múltiplos estudos de vários comentadores,ou estudiosos, ou críticos, permite que qualquer amador da literatura ( o Cinema também pode igualmente ser considerado), se possa abalançar a análises pouco originais ou ,pelo menos, de uma "similitude" dos temas,mesmo que as abordagens dos autores seja,no tempo e na forma,radicalmente diferente. É este o caso de "Coração das Trevas" e " A Curva do Rio" e uma vez que o primeiro é um clássico permanentemente citado, o segundo não será muito menos referido nos dias de hoje. Aliás, esta edição que vem "publicitada" no blogue é uma segunda publicada em Portugal. A primeira teve lugar já ,pelo menos, há uma dezena de anos e a presente,embora possa ter uma nova tradução, é a mesma obra de N.S.Naipaul.
        Tudo isto é,de facto, muito confuso. Quanto ao presente artigo, que cada um tire as conclusões que entender sobre o trabalho do cronista...
Estamos á Espera da sua Opinião
Sobre o caso da licenciatura honoris causa...lol....do DOUTOR Miguel Relvas. Será que o senhor Raposo anda distraido?????...vá lá homem, seja lesto, pois a actualidade é efemera e perdera esta oportunidade....lol
As Incongruências do HR.
Ainda não percebi porque motivo o HR se dá a tanto trabalho para se fazer passar por um missionário ao serviço do governo. Sempre que o vento não é a favor que se faça trabalho de missionário, assobia para o lado!! Defende as medidas do governo com unhas e dentes, mas agora que se tornou indefensável, escreve sobre os livros. Quer queiramos quer não, as crónicas do HR poderão eventualmente influenciar quem as lê. Se fosse verdade o que escreve, até a mim me podia influenciar. Mas não é tudo verdade o que escreve. Eu até defendo que a mentira deveria ser considerada crime. Assim resolviam-se muitos problemas!!
Re: As Incongruências do HR. Ver comentário
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