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Na Grécia, não ficou tudo na mesma

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Alexis Tsipras, eleito líder do Synaspismos (principal partido da coligação Syriza) há três anos e sério candidato a primeiro-ministro da Grécia nas últimas eleições, com apenas 38 anos, conseguiu um feito extraordinário: multiplicou por seis (tinha 4,6%) a percentagem do seu partido, em apenas três anos, e, desde as últimas eleições, há dois meses, passou de 17% para 27%. Mas tudo isto não chegou para ganhar as eleições. Os eurocratas e a senhora Merkel suspiraram de alívio. A chantagem a que se dedicaram, numa desenvergonhada e nunca vista ingerência na vida política de um país membro da União Europeia, não retira às eleições gregas as sua legitimidade democrática. Não foi ontem que a Europa sentiu o abalo de que urgentemente precisa para não se autodestruir.

Antes de coisas mais importantes, três lições menores destas eleições. A primeira: os comunistas ultraortodoxos do KKE baixaram, em dois meses, de 8,5% para 4,5%. O sectarismo de se recusarem a participar num governo de esquerda paga-se caro. Até na tradicionalmente sectária vida política grega. A segunda: os neonazis, mesmo depois das extraordinárias agressões na televisão, mantiveram a sua percentagem. O desespero de um povo torna o impensável aceitável. A terceira: segundo uma sondagem, entre os 18 e os 34 anos, 33% dos eleitores votaram no Syriza, e apenas 20% votaram na Nova Democracia; entre os 35 e os 54, 34% votaram no Syriza e 24% na Nova Democracia; acima dos 55, 39% votou na Nova Democracia e 20% no Syriza. Foi o eleitorado tradicionalmente mais temeroso da mudança que garantiu a vitória de Samaras. E a jovem Grécia, que quer emprego, não quer emigrar, e é a única que tem condições para fazer o país avançar, quer mudar de vida.

Mas não se julgue que tudo está na mesma na Grécia. Os coveiros da Grécia, que a faliram e que a entregaram à troika, Nova Democracia e PASOK, juntos, conseguem a maioria dos deputados, graças ao extra de cinquenta deputados para o partido mais votado. Mas os partidos que defendem o memorando têm apenas 41% dos votos. O governo, que o pode continuar a impor à Grécia, se chegar a existir, será extraordinariamente fraco e sem a maioria dos votos dos gregos. Com uma agravante: com o Syriza com uma votação tão próxima da Nova Democracia (apenas menos 3%), há, sempre à espreita, uma alternativa clara.

Compreendendo isto, o PASOK (que caiu ainda mais um bocadinho) quer amarrar o Syriza a um governo que aceite a continuação deste caminho. Os socialistas perceberam que, continuando a cumprir o papel que têm tido, se condenam à extinção. E querem o resto da esquerda no governo, assegurando-se que não há alternativa. Esta é a primeira vitória do Syriza: deixar claro, para o PASOK e para toda a social democracia desistente, que ou escolhem um lado e honram o seu legado histórico, ou outros tomarão o seu lugar.

Sabendo da insustentabilidade da aplicação desta receita suicida, Antonis Samaras prometeu uma renegociação dos termos do memorando. Esta foi a segunda vitória do Syriza: ao apresentar-se como real alternativa de poder conseguiu, mesmo perdendo por "uma unha grega", que a direita recuasse nas suas posições. Se a vitória da ND tivesse sido extraordinária, até podiam dar o dito por não dito. Assim, não chegará uma operação de cosmética para se manterem no poder. Lá estará um forte partido da oposição para pôr o governo em perigo e substitui-lo.

A Europa não mudou ontem. Tenho pena. Mas, com este resultado histórico e com o recuo a que obrigou os partidos da troika, o Syriza conseguiu que não ficasse tudo na mesma. A Grécia não conseguiu dar o empurrão para uma refundação das políticas europeias, mas pregou um susto que terá efeitos.

Ao contrário do que muitos pensam, a vitória da ND é um passo mais rápido para a saída grega do euro do que seria a vitória do Syriza. Não obrigando a Europa, que terá mais dificuldade em livrar-se da Grécia - pelos efeitos de contágio que isso provocará - do que se julga, a mudar de rumo, a austeridade tratará de fazer o que a direita julgava que um governo de esquerda faria. Estas eleições foram, desse ponto de vista, uma oportunidade perdida. Em vez de a travar, a Grécia apenas terá abrandado a loucura alemã. Mas todos os que o quiserem perceber, perceberam: paira sobre a Europa o espectro da revolta. O tempo do mais estúpido dos consensos - o da austeridade - acabou. Ela poderá continuar. Mas está cada vez mais frágil.


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Panfleto
Da crónica pretensamente analítica, passa ao panfleto partidário, quando a causa lhe é próxima.

Retiro só uma pérola de argumentação:

Para justificar a manutenção do score dos nazis cito "O desespero de um povo torna o impensável aceitável ".

Essas mesmas palavras, letra por letra, se aplicam para justificar os 27% do BE local.Um saco de contradições, não pagamos, mas ficamos no euro, os alemães são uns bandidos, mas gostamos da UE, em resumo, não pagamos mas queremos continuar a receber.

Só o desespero e a incongruência populares, aliás bem mostrada pela disparidade de resultados nestas duas eleições, é que podem justificar 27% numa bolha de gás, sem conteúdo, nem futuro.......
Re: Panfleto
pior que panfeleto......
Re: Panfleto
resultado kke
Louçã também perdeu na Grecia!
Na Grécia também perdeu Louçã : o Cyrisa queria rasgar os contratos com a Europa,mas os gregos disseram que não e ,ao contrário, honrariam os compromissis com a Comunidade.
Esta é a lição do resultado eleitoral: os gregos querem continuar no euro e não querem entrar num caminho de incerteza e que os conduziria ao abismo.
Não se pode pregar a revolução a estômagos vazios, já dizia Lenine: dentro de um mês a Grécia recisa de 1 bilião de euros para pagar ao funcionalismo: com os amigos de Louçã no poder, como é que isso ia ser possivel?
Re: Louçã também perdeu na Grecia!
Louçã também perdeu na Grecia!
Re: Louçã também perdeu na Grecia!
Re: Legitimidade é uma coisa de esquerda
Re: Legitimidade é uma coisa de esquerda
Re: A PERDER ALEGREMENTE DESDE 1989
Re: Louçã também perdeu na Grecia!
Re: Louçã também perdeu na Grecia!
Fim da utopia
Alexis Tsipras é uma figura jovem e simpática com um diiscurso sedutor e embora tenha obtido uma boa votação ,como conseguiria reverter a situação económica da Grecia? Ninguém gosta de politicas de austeridade mas como resolver? Foi bonito de ver o Louçã a apoiar o Syriza e aos abraços ao seu lider mas era uma pura utopia querer rasgar memorandos com a Troika, continuar mesmo assim no Euro e a receber ajuda financeira !!.
A pequena "LCI" de Louçã
Re: Fim da utopia
Só se foi na Grécia...
...porque na UE ficou tudo infelizmente na mesma!!!

O Partido Socialista Francês iniciou outro ciclo de realeza num País que nunca deixou de ter a nostalgia da Monarquia (De Gaule, Pompidou, Mitterrand, Chirac).

É porém previsível que, bafejado pelas circunstâncias, Hollande se esqueça de duas coisas: do Socialismo (como Jospin e Sócrates), e do facto de que o principal credor da França é a Alemanha... mas não tardará a que a Srª Merkel lhe lembre esse facto.

Os Socialistas europeus não "perceberam que, continuando a cumprir o papel que têm tido, se condenam à extinção", e Seguro é disso o melhor exemplo. O mesmo vale para o BE, pois em Portugal é possível que daqui a uns tempos se repitam os resultados destas eleições gregas...
Quanto ao "honrar dos compromissos", obviamente os Gregos gastaram demasiado, tal como os portugueses, mas é bom não esquecer que não só uma parte das Dívidas resulta da acumulação de juros, como os montantes "emprestados" nunca chegaram a existir como dinheiro real, mas sim sob a forma de "garantias". A crise "financeira" é na realidade uma crise contratual e contabilística, permitida e fomentada pela desregulação financeira dos mercados de capitais. Os credores contabilizam como activos os próprios empréstimos que concederam, e utilizam-nos como garantias para conceder mais empréstimos, "criando moeda" de cada vez que o fazem, e são eles que, pelo seu comportamento irresponsável e ganancioso deviam pagar a Crise, e não os ...
Continuação
Re: Continuação
Estou triste!!!!
Queria ver onde o Syriza ia buscar o dinheiro para acabar com a austeridade que a Grécia vive!
O desespero d um povo torna o impensável aceitável
Nunca se me ocorreria melhor frase para caracterizar a” viabilidade” dos comunas reciclados do Syriza.

Como se entre estes e os pseudo nazis existissem diferenças… só na indumentaria.

Hoje você provou que também consegue ter piada… hilariante, mesmo!
!
"Os eurocratas e a senhora Merkel suspiraram de alívio".
kkkkkkk.
Se Portugal lançasse a bomba atómica e dissesse que não pagava os banqueiros alemães ficavam com as pernas a tremer...Sem comentários!!!
Re: Na Grécia, não ficou tudo na mesma
Acho que a Tsipras o melhor resultado que lhe poderia acontecer foi exatamente ter perdido por poucos, pois no atual clima de chantagem a que a Europa (não só a Alemanha, sublinhe-se) se diverte arrostando contra os gregos (democracia? qual democracia?), uma vitória do Syriza iria gerar, devido a fatores externos, um clima insuportável perante o país helénico. Como é mais que evidente a austeridade segue dentro de momentos naquele país, a rua continuará a fazer-se ouvir cada vez com mais intensidade, e enquanto a Europa não perceber que só a emissão de moeda pelo BCE (um tabu alimentado pelos eurocratas ali para os lados de Munique à volta de uma caneca de cerveja e umas salsichas enroladas em folha de couve) no sentido de os países pagarem as suas dívidas permitirá sair deste nó górdio...
eles não querem e elas quererão......
"...não quer imigrar..."

Eles de imigrar já não precisam. Já lá estão.

O que eles poderão querer é emigrar....mas isso já é outra conversa.
Boa sorte Syriza
Espero que esta gente do Syriza, tenha mais cabeça que os seus amigos do BE... que subiram, subiram, mas ao não se quererem comprometer com responsabilidades, viram os eleitores voltar-lhes as costas. O BE é uma imitação do PCP, querem o poder absoluto, dizem para não trair os seus eleitores... eles não querem trair 10 % de votantes e o PS devia trair 30% de eleitores e governar com o programa do PCP... não está bem visto?

A culpa de, em Portugal, não ser possível uma coligação de esquerda, é do BE e PCP que se recusam lininarmente a negociar um programa de governo comum. As pessoas ainda pensaram que o BE poderia ser um parceiro da esquerda, mas o que se viu foi uma cópia do PCP... para quê votar em cópia, quando se tem o original? Dificilmente o BE me voltará a enganar... é só conversa... e ambição, veja-se o comportamento do BE na câmara de LIsboa, continuam com a mentalidade dos grupelhos que lhe deram origem.
A Grécia iniciou a crise do Euro mas já não conta!
A Grécia iniciou a crise do Euro mas já não conta para nada, ou conta muito pouco para a resolução da crise! Apesar da vitória da ND os mecados continuam a penalizar a dívida Espanhola que hoje esteve outra vez acima dos 7%.

O que vier a acontecer na Grécia sendo importante já não é decisivo para o futuro do Euro e da UE como muitos analistas pretendem. Neste momento os mercados e o sistema financeiro internacional já "colocaram a desconto", e portanto estão preparados, para aquele que é o pior cenário: a implosão da Grécia resultante de falência e subsequente saída do Euro!

O futuro do Euro e da UE está mais dependente de os dirigentes Europeus conseguirem ou não:

1- O mais breve possível apresentar um plano global para colmatar as fragilidades do Euro e da UE, o que poderá passar no curto prazo pela União Bancária e mais tarde a União Fiscal, a União Política, Eurobonds e novo papel do BCE;

2- Convencer os mercados do mérito do referido plano e do compromisso da UE (leia-se Alemanha...) de que o plano em questão vai ser executado se hesitações.

Devemos portanto recear mais a indecisão crónica da UE (leia-se Alemanha...) sobre as medidas a tomar para salvar o Euro, do que propriamente a evolução da situação Grega.
E se a Grécia sair do euro?
E se a Grécia sair do euro? >>> boom-or-doom.blogs.sapo.pt/3365.html
Daniel, o chauvinista canhoto!
Ai, ai, Daniel, que já não há paciência para te ouvir!
És patético e nem sequer notas! Olha-te ao espelho e sê mais sério nas tuas infelizes afirmações.
Então os eurocratas e a Merkel tiveram uma "desenvergonhada e nunca vista ingerência na vida política de um país membro da União Europeia"? Francamente, ninguém os viu por lá, contrariamente, todos nós vimos o BE e o cacique Louçã em campanha na Grécia.
E isso não é uma gritante ingerência? Por ser do BE e do Louçã, já não te aflige?
Como alguém pode lançar falsas acusações e fazer exactamente o que acusa e pensar que fica impune? Quem é que julgas que és?
Daniel, não tens escrúpulos, nem tão pouco és uma pessoa séria.
Não grites por mudança, nem aqui nem na Grécia. As pessoas não têm que amargurar devido a ideias doentias como as tuas.
No passado povos que estavam em grandes dificuldades, entraram em regimes negros, devido ao extremar de posições como as tuas.

Na Grécia, não ficou tudo na mesma
Pois não. As dividas são mesmo para se pagar.
O desespero de um "jornalista"...
torna o impensável aceitável.
Não vou referir as teses, conclusões e certezas com que DO mais uma vez nos brinda, a tentar mostrar que nunca tem dúvidas e raras vezes se engana; tenta levar água ao seu moínho, como é lógico a um político que usa um jornal para fazer propaganda à sua agenda política: passa em silêncio sobre o referendo irlandês, tinha esperança que o BE grego ganhasse e agora entretém-se a justificar uma pseudo vitória "moral".
Vou-me preocupar com as 3 "lições menores", que para mim são chave de uma dada argumentação, a de DO.

1º "O sectarismo de se recusarem a participar num governo de esquerda paga-se caro" - não era preciso ter esperado por ontem para chegar a essa conclusão, em Portugal já o sabemos vai para 30 anos, com o PCP (o pai) e depois o BE (o filhote).

2º - "O desespero de um povo torna o impensável aceitável" mais uma vez DO descobre o óbvio e coloca a negrito o que milhares de anos de história da humanidade tornam um dado adquirido e evidente. Vale tanto para extremismos de "direita" como de "esquerda". Apenas capas para disfarçar a intolerância, a fraca inteligência e o populismo.

3º "Foi o eleitorado tradicionalmente mais temeroso da mudança que garantiu a vitória de Samaras" Aqui roçamos uma deriva antidemocrática perigosa: há votos que contam mais do que os outros, os jovens têm mais legitimidade para decidir sobre o seu país que os menos jovens.... Patético.

Isto é inaceitável, mesmo que seja, para DO, pensável.
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