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Na estrada do Haiti

Bem sei que a pilhagem e o caos passam bem na TV. Mas no meio do caos há quem, no apocalipse que se abateu sobre o Haiti, faça com que a auto-organização ocupe o lugar deixado vago por um Estado falhado.

Daniel Oliveira (www.expresso.pt)
11:26 Quinta feira, 21 de janeiro de 2010

Em "A Estrada", de John Hillcoat (adaptado do livro de Cormac McCarthy), pai e filho caminham para Sul no meio da destruição de um mundo em agonia. Para a criança, os homens que sobram do apocalipse dividem-se entre bons e maus. Mas depressa perceberá que até o seu pai vacila.

No entanto, quando tudo o que parece garantir a humanidade dos homens desaparece, quando nada sustenta a civilização, a solidariedade não chega a desaparecer. Não porque seja clara a fronteira entre a crueldade e a sobrevivência. Mas porque o sentido de comunidade é tão natural ao homem como o egoísmo.

Bem sei que a pilhagem e o caos passam bem na televisão. Mas no meio do caos há quem, no apocalipse que se abateu sobre o Haiti, faça com que a auto-organização ocupe o lugar deixado vago por um Estado falhado. Como mostrou uma reportagem da Al-Jazeera, em muitos bairros de Port-au-Prince vizinhos sem nada organizam-se para se ajudarem uns aos outros.

Bem sei que o cinismo em relação à condição humana vive mal com a naturalidade da solidariedade. Mas estas histórias são tão reais como as pilhagens. E o que leva pessoas comuns a apoiarem-se não é nenhum idealismo, até porque a fome deixa pouco espaço para isso. É  a luta pela vida. E tão humana como a violência. 

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Ponto fundamental
Miranda07 (seguir utilizador), 2 pontos , 12:01 | Quinta feira, 21 de janeiro de 2010
Bem visto! O seu ponto é absolutamente fundamental; infelizmente, só o vê quem tiver olhos para tal. Mas repito: o ponto é fundamental! E o ponto é este: a inclinação do ser humano para a paz e a solidariedade é muito mais importante do que a inclinação para a guerra e o conflito. E eu não tenho dúvidas de que a tragédia do Haiti o mostra à saciedade: a estrutura humana de todas a mais fundamental é ser para os outros e com os outros; os predadores do Bem e da Justiça, e com isso também de Deus, bem tentam mostrar o contrário, mas não conseguem. As imagens de TV são uma coisa; a realidade é sempre outra. E eu não duvido que, tal como aquele grupo de pessoas reunidas sobre os escombros para celebrar a Eucaristia no domingo passado, há muitos grupos assim no Haiti: gente que sabe que é melhor dar do que receber, por mais importante que receber também para nós o seja; que é mais importante servir do que ser servido; amar do que ser amado; praticar a justiça do que aproveitar-se do caos. O Haiti, oxalá, possa vir a ser uma grande lição para todos nós: Deus está ali e quem se abre a Deus abre-se à comunhão, neste caso de necessidade, com os outros. O seu ponto, portanto, caro Daniel Oliveira, é absolutamente certeiro e de extrema importância. Bem haja por o fazer; bem haja por o dizer; bem haja por colocar um ponto de contenção no cinismo que por aqui tanto abunda. De resto, fez muito bem em o fazer, pois a realidade é assim: nós somos feitos para o bem, não para o mal!
 
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Maus e cínicos são os outros
CM84 (seguir utilizador), 2 pontos (Bem Escrito), 12:52 | Quinta feira, 21 de janeiro de 2010
Sei que está no sítio de "saco de pancada", e que o seu texto não a justifica, porém...

De todos os quadrantes políticos, mesmo de todos os Regimes e de toda a gente, sempre ouvi o elogio da solidariedade.

Portanto era importante, mesmo muito importante , que definisse quem e quando, viu, ouviu ou assistiu a demonstrações cínicas perante a solidariedade entre humanos, principalmente quando se processam em situações extremas, como é o caso?

É difícil para si, limitar-se a expor uma situação, sem a pitada de veneno subliminar: a televisão dominada pelos grandes grupos económicos que como tal só adora a desumanidade, mostra o caos e a violência dos grupos armados, para justificar a entrada de militares na pretensa manutenção da ordem.

Que para seu azar, que se saiba, no Haiti não há petróleo, justificação mesmo a calhar para a "ocupação" militar.

E só na Al-Jazeera, televisão sediada num país, onde a Democracia e os Direitos humanos são os principais valores, se mostra a "maravilhosa" realidade.

Que de certeza, além dessa reportagem, fez uma outra a realçar o forte empenhamento na ajuda ao povo Haitiano, com o envio de meios, por parte dos riquíssimos países Árabes.

E tenho a certeza que para DO, essas hordas de indivíduos que armados de catanas pilham e matam, com uma boa "converseta" de pacifismo, largariam as armas e organizavam-se em cooperativa.

Haja paciência

 
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Cada um capta, transmite e interpreta o quer
CondestavelXXI (seguir utilizador), 2 pontos , 21:34 | Quinta feira, 21 de janeiro de 2010
Se considerarmos a humanidade no seu conjunto, os humanos são capazes de fazer maravilhas e barbaridades. No entanto, quando falamos de seres humanos individualmente, há que admitir que nem todos são capazes de tudo ainda que as circunstâncias sejam as mais extremas.
Numa situação limite como a do Haiti tem que forçosamente haver histórias que servem para ilustrar todos os comportamentos possíveis do ser humano desde os mais nobres aos mais animalescos. O uso de exemplos retirados do contexto é uma forma de enfatizar aspectos específicos e cabe ao receptor esclarecido dar o devido desconto no sentido de resistir à emoção que pretendem provocar nele.
Nenhum repórter, nem nenhuma cadeia de televisão, nem todos no seu conjunto são capazes de transmitir a realidade na íntegra, chegando mesmo a utilizar imagens e informação que nada têm a ver com essa realidade.
Não duvido que no meio do caos e da desgraça haja cenas que retratam o melhor lado da humanidade. Cada um capta, transmite e interpreta o que quer.
 
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Concordo
1963777 (seguir utilizador), 1 ponto , 14:32 | Quinta feira, 21 de janeiro de 2010
Concordo. É em situações extremas que se revela o verdadeiro carácter do ser humano e, felizmente, nem sempre essa revelação aponta no sentido do egoísmo e da barbárie. Até porque, como muito bem refere, a solidariedade, a inter-ajuda e a organização comunitária são, em muitas situações, a única forma de garantir a sobrevivência.
 
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Pilhagens?
jazão (seguir utilizador), 1 ponto , 15:04 | Quinta feira, 21 de janeiro de 2010
Quais pilhagens? a maioria daquilo que a imprensa internacional descreve como «pilhagens» são simples actos de sobrevivência. Por amor de Deus! Pilharam um supermercado, ou um armazém da ONU? Eu também pilho todos os dias um restaurante...
E, é verdade! a Al - Jazeera é um dos melhores canais noticiosos que há. Nem sei se é Árabe, mas com toda a simpatia que tenho pelos Estados Unidos, já dá fartum só ter noticias do estreito ponto de vista do Hemisfério Ocidental, num mundo tão vasto e tão diferente...
 
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Adorei
Durruti Blak (seguir utilizador), 1 ponto , 16:44 | Quinta feira, 21 de janeiro de 2010
"a fome deixa pouco espaço para isso (o idealismo). É a luta pela vida. E tão humana como a violência."
Temos um comentador a sério, contra o asno (entendido como atrevido) do Henrique Raposo.
Até que enfim que o Expresso faz algo de geito.
 
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EU QUERIA VER OS SENHORES LÁ NA SITUAÇÃO DOS HAITI
Tibiriçá.... (seguir utilizador), 1 ponto , 20:02 | Sexta feira, 22 de janeiro de 2010
EU QUERIA VER LÁ HAITI OS SENHORES NESSA SITUAÇÃO;E SEM COMIDA SEM CASA;SEM FAMÍLIA;SEM NADA DE NADA..O QUE FARIAM..????E acordavam vivos;e junto a um super-mercado;iam dizer que não iam comer e beber do que esse super tivesse..???Mas que gente honesta;aí em portugal..??E AIANDA gostava de ver lá os isaltinos da vida;e os ias loureiro e os oliveira e costas;e outros mais que aqui ainda nem se pode apontar o dedo; e aí sim;gostaria o que este tubarões iriam logo fazer após acordarem vivos..??ME PARECE QUE A PRIMEIRA COISA QUE FARIAM;ERA IREM LOGO LÁ NO COFRE E VER QUANTOS MILHÕES TERIAM LÁ.. HÓ XENTE HONESTÍSSIMA DA NOSSA TERRA DA ANTIGA LUSITÂNEA...ATÉ QUANDO..???CUMPTS.KANTIFLAS.
 
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