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Lisboa pareceu-me bem estranha!

equipa MVASM (www.expresso.pt)
14:05 Terça feira, 20 de setembro de 2011

Pouco antes da invasão alemã e da capitulação dos franceses, Joseph Dresner e sua família fogem de França. Aqui vos deixamos um excerto de uma das etapas dessa fuga. Oportunamente, outros excertos ser-vos-ão transcritos.

Carris de Lisboa
Carris de Lisboa
http://espoliado.blogspot.com/2010/06/greve-dos-electricos-um-carro-da.html

(...) A chegada a Portugal

(...) Quando chegamos à estação do Rossio já tinha escurecido. Ficamos no hotel Frankfurt que era numa transversal ao pé da rua Augusta. Não me lembro quanto tempo aí ficamos mas penso que cerca de duas semanas. Os meus pais estavam preocupados em conseguir as passagens para o Brasil. Não tinha, por isso, muito que fazer. A minha mãe deu-me alguns escudos e assim pude ir com o meu primo Jules explorar a velha cidade . Esta pareceu-me bem estranha.

Lembro-me dos eléctricos que tinham uma espécie de cestas à frente e atrás que impediam os transeuntes de ser atropelados, já que se fossem colhidos por um eléctrico cairiam na cesta e não se magoavam. Todos os carros eram ingleses, os táxis eram Austins velhinhos com modelos dos anos 20, com radiadores de latão. (...) As vezes, à tarde, íamos a um dos cafés da Avenida da Liberdade tomar sorvetes. O meu pai aconselhou-nos a ter cuidado com o que dizíamos, porque podia haver ali agentes alemães. E era verdade; muitas vezes ouvíamos alemão nos cafés, mas quem sabe se não eram apenas refugiados como nós?

Estava nessa altura, em Lisboa, a Exposição do Mundo Português . Fomos visita-la. (...) Na verdade não havia nada ali que me interessasse muito. Fizemos, como em Espanha, uma volta pela cidade de táxi. (...) O meu pai mandou-o levar-nos ao cais para vermos o nosso barco. Foi a primeira vez que ouvi o nome de Serpa Pinto.

Num outro dia a minha mãe levou-nos aos Grandes Armazéns do Chiado para nos comprar roupa apropriada para o Brasil, onde já era verão. Lembro-me que um dos vendedores, que falava francês nos deu bons conselhos: eu ainda usava calções, o que era habitual em França, mas ao que parece um bocado ridículo no Brasil e outras coisas como estas.

Finalmente chegou o dia em que fomos para bordo do Serpa Pinto. (...) Ficamos todos na ponte quando o navio saiu para o mar e lá ficamos até a terra desaparecer. Não senti quase nada, a verdade é que nessa altura eu ainda não sabia que se iriam passar mais de vinte anos até voltar a pisar a Europa. (...)

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5.000 médicos vão deixar a Alemanha!

equipa MVASM (www.expresso.pt)
13:52 Quarta feira, 7 de setembro de 2011

6.09.1938 - Transcrição de uma carta confidencial escrita pela PVDE, a alertar o MNE sobre os perigos que se avizinham, devido ao facto de 5.000 judeus irem deixar a Alemanha.

(1938-1939) Judeus alemães fogem do nazismo
(1938-1939) Judeus alemães fogem do nazismo
http://www.annefrank.org/

Exmo. Senhor Director Geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros

Com referência ao ofício de V. Ex.ª nº 75-Proc.33, 1 de 3 do corrente, tenho a honra de sobre o assunto fazer referência ao nosso ofício nº 72/38 de 23 de Março de 1938.

 

Nestas circunstâncias, parece a esta polícia que os nossos consulados devem dificultar a imigração de judeus, tanto mais que a Itália deliberou ultimamente a sua expulsão, o que vem a engrossar a massa invasora.

É do nosso conhecimento que 5.000 médicos vão deixar a Alemanha. A sua fixação em Portugal seria funesta para os médicos nacionais.

A prática tem-nos demonstrado que o judeu estrangeiro é, por norma, moral e politicamente indesejável.

A Bem da Nação

(...)

 

P.S.

De acordo com a imagem que se apresenta, no período de 1938-1939 fugiram, da Alemanha, cerca de meio milhão de judeus que se espalharam por cerca de 30 países, a saber:

África do Sul, 26.100; Argentina, 63.500; Austrália, 8.800; Bélgica, 30.000; Bolívia, 7.000; Brasil, 8.000; Canadá, 6.000; Caraíbas, 3.500; Dinamarca, 2.000; Eslováquia, 5.000; Espanha, 3.000; Filipinas, 700; França, 30.000; Holanda, 30.000; Hungria, 3.000; Itália, 5.000 Japão (não contabilizado), antiga Jugoslávia, 7.000; Noruega, 2.000; Palestina, 33.400; Polónia, 25.000; Portugal, 12.000; Reino Unido, 52.000; Xangai, 20.000; Síria, 3.000; Suécia, 3.200; Suíça, 7.000; Uruguai, 20; USA, 102.200 e Venezuela, 600.

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Bolas de Berlim e chá frio!

equipa MVASM (www.expresso.pt)
17:38 Quarta feira, 10 de agosto de 2011

Pequeno excerto sobre a Avenida da Liberdade, escrito por Hermann Grab.

Lisboa, Maio de 1941 foto da reportagem - "Europa América Via Lisboa" (Vida Mundial Ilustrada)
Lisboa, Maio de 1941 foto da reportagem - "Europa América Via Lisboa" (Vida Mundial Ilustrada)
Hemeroteca Municipal de Lisboa

Hermann Grab - oriundo de uma família de judeus aristocratas de Praga, nasceu no ano de 1903. Educado como católico, Hermann estudou em Praga, Berlim e Viena. Formado em Filosofia e Direito, Grab torna-se professor de música, critico de música e escritor. Após a ocupação nazi foge para Paris seguindo, depois, para Espanha e Portugal. Mais tarde, irá, finalmente, para os EUA. Em Lisboa ficará até conseguir garantir a sua passagem para os EUA.

Aqui se transcreve um pequeno parágrafo do seu livro, "Ruhe auf der Flucht":

(...) Falava-se das condições de entrada e de vida no Brasil e no Peru, uma vez que o paraíso da América do Norte estava praticamente fora de alcance.

Entretanto, o sol iluminava as fachadas limpas das casas e o verde da avenida da Liberdade. Um dos cafés tinha mesas com toalhas brancas, numa zona da faixa central que dividia a avenida, onde as pessoas se sentavam, à sombra de árvores altas, comendo bolas de Berlim cobertas de calda de açúcar e acompanhadas de chá frio. (...)

Fonte: Selecção de texto feita por Daniel Blaufuks no seu documentário "Sob Céus Estranhos" produzido pela Lx Filmes.

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P.S.: A equipa do MVASM vai de férias. Prometemos regressar em Setembro!

Pela janela vi a destruição!

equipa MVASM (www.expresso.pt)
16:18 Quarta feira, 3 de agosto de 2011

Barcelona (1936-1939)
Barcelona (1936-1939)
http://guerra-civil-espanhola.blogspot.com

1940 - Pequeno excerto da fuga de Joseph Dresner e sua família, pouco antes da invasão alemã e da capitulação francesa.


(...)

A passagem por Espanha

(...) Do outro lado na aldeia de La Junquera o meu pai esperava-nos. Depois veio um táxi que nos levou até à pequena cidade de Figueiras. Durante o trajecto vi que este país era muito diferente. Tudo o que conhecia de Espanha era o que tinha lido em D. Quixote. Quando vi um camponês andando com um burro, fiquei convencido que nada deveria ter mudado desde essa época até agora.

(...) No dia seguinte fomos para a estação ferroviária para irmos para Barcelona. Havia muitos homens a trabalhar na linha. Soubemos então, que eram presos republicanos da guerra civil. Fiquei triste, dois anos depois de tudo ter acabado e aqueles homens, ainda não eram livres. (...) Um dos republicanos disse-nos que o comboio estava atrasado porque primeiro tinha de passar o comboio com o rei Carol da Roménia e a sua amiga Magda Lupescu. (...)

Pouco depois chegou o comboio para Barcelona. A carruagem de 2ª classe estava bastante cheia. (...) Pela janela podia-se ver aqui e ali a destruição causada pela guerra civil. No banco à nossa frente estava um padre de batina e chapéu tipo disco voador.

Numa estação entraram dois guarda-civis de uniforme verde (...) que começaram a implicar com o meu pai por causa dos seus documentos. De repente o padre levantou-se e desatou a gritar com eles, qualquer coisa que não percebemos. Quando o padre terminou, os homens deram um "saludo" e saíram da carruagem. O meu pai foi agradecer ao padre que falava francês. Ficamos então a saber que ele lhe tinha dito "não se lembram da miséria da guerra no nosso país há tão pouco tempo? Porque é que não deixam em paz uma família que vem fugida de outra guerra?" Nunca esqueci esse padre. (...)

Chegamos à tarde a Barcelona (...). No dia seguinte, apanhámos o comboio para Madrid. É incrível como essa viagem durou mais de dez horas. O país parecia-me triste e arruinado pela guerra. Em cada estação havia muita gente ao longo da gare pedindo esmola aos passageiros.

Já era noite quando desembarcamos em Madrid. (...) No dia seguinte era um domingo. O meu pai teve a boa ideia de apanhar um táxi e pedir ao motorista que nos levasse a dar uma volta pela cidade para ver os lugares mais famosos e interessantes. Não estava habituado a cidades tão grandes com avenidas tão majestosas, por isso fiquei muito impressionado. A cidade era, porem, triste com muita pobreza e guarda-civis a cada esquina. Nunca lá quis voltar, nem mesmo quando estive de férias na Europa.

No outro dia à tarde voltamos a apanhar um comboio para Valência de Alcântara na fronteira com Portugal.

(...)

 



Fonte: Colecção particular Margarida Magalhães Ramalho


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A guerra está calma!

equipa MVASM (www.expresso.pt)
15:58 Quarta feira, 27 de julho de 2011

9.12.1940 - Excerto de uma carta escrita pelo alemão Oscar R. Stabler ao seu irmão. Óscar reside em Lisboa, na Praça Duque de Terceira, e já estabeleceu contactos de forma a poder dar o seu contributo para a vitória da Alemanha.

Biblioteca de Londres
Biblioteca de Londres
http://segundaguerramundialww2.blogspot.com

(...) A guerra, com excepção da guerra aérea, está calma. (...)

Espera-se com interesse a próxima primavera que deve trazer a decisão. Conforme eu vejo as coisas, a situação da Inglaterra é muito penível (...) e a voz, subterrânea, pedindo para que a Marinha Americana tome conta dos caminhos marítimos do Atlântico Norte são, a meu ver, apelos desesperados de uma nação para quem o sol raiou pela última vez.

O inglês, da classe média, só se habitua devagar a qualquer coisa nova. O velho tem, para ele, mais encanto. Por este motivo, não reconhece ou não quer reconhecer que a Inglaterra actual está em decadência. (...)

Nós não queremos desfazer o nosso inimigo, um erro desses seria indesculpável. A Inglaterra, ainda, é uma potência! Vai ser, para a Alemanha, uma dura batalha domina-los. São rapazes teimosos, resistentes como coiro e que morrem devagar.

Na Inglaterra há a consciência de ter tudo a perder e nada a ganhar. Como exemplo, quero frisar quanto é digna de admiração a atitude do povo Londrino debaixo do bombardeamento constante dos aviões alemães.

A Inglaterra, ainda tem bicos de obra no mundo que vão dar que fazer à Alemanha, mesmo vencedora. A vitória da Alemanha, não será o fim do Império Inglês mas sim, o princípio do fim.

Portugal é o último pavilhão inglês da Europa. Tudo é controlado por Londres; telegrafia, telefone, eléctricos, etc. Quanto tempo, ainda?

Nunca me senti tanto em casa como numa terra estranha como Lisboa (...)

Fonte: Arquivo Nacional da Torre do Tombo/ Arquivo Salazar

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Porque nunca é demais!

equipa MVASM (www.expresso.pt)
16:46 Quarta feira, 20 de julho de 2011

Afinal todos os desejos são sonhos. Luta para que se concretizem. Move-te!

2003 - Exterior, em ruínas, da casa do Passal em Cabanas de Viriato
2003 - Exterior, em ruínas, da casa do Passal em Cabanas de Viriato
Colecção Particular de Luisa Pacheco Marques

Ainda a propósito da evocação da data de nascimento de Aristides de Sousa Mendes (19 de Julho), o blogue do MVASM achou oportuno, para quem, ontem, não pode ver e ouvir, reproduzir as declarações que o Presidente do Conselho Geral da Fundação Aristides de Sousa Mendes fez, no jornal das 21:00 de Mário Crespo, na SIC Notícias.

Lembramos que Aristides de Sousa Mendes, neto do cônsul de Bordéus, Aristides de Sousa Mendes, foi eleito pela família, de acordo com os estatutos da Fundação ASM, para desempenhar o cargo de Presidente do Conselho Geral da Fundação Aristides de Sousa Mendes.

Porque nunca é demais, aqui vos deixamos o vídeo da SIC Notícias .

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Em risco de colapso total!

equipa MVASM (www.expresso.pt)
18:15 Quarta feira, 13 de julho de 2011

Dia 19 de Julho, data de nascimento de Aristides de Sousa Mendes, terá lugar, pelas 18:00, no Auditório do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa uma sessão cujo objectivo principal é chamar à atenção para o estado de degradação em que se encontra o Passal.

2009 – Casa do Passal
2009 – Casa do Passal
Colecção Particular de Katharina Stillish

A sessão comemorativa evocará a figura de Sousa Mendes e alertará para o actual estado de degradação em que se encontra a Casa do Passal.

Esta sessão, de entrada livre, contará com a intervenção de vários oradores e com a passagem de dois filmes, realizados por Francisco Manso: um pequeno excerto do filme "O Cônsul de Bordéus", a estrear em Outubro de 2011 e um documentário intitulado "A Casa do Passal".

Relembramos que em Maio de 2011 o Estado Português, procedeu, através de decreto, à classificação como monumento nacional da Casa do Passal, (DR N.º 101, Série I, 25 Maio 2011)

A título informativo e, por considerarmos interessante e pertinente, transcrevemos um excerto do referido decreto:

"A Casa do Passal, também denominada "Vila de São Cristóvão", foi a residência de Aristides de Sousa Mendes e encontra-se localizada na Quinta de São Cristóvão, na freguesia de Cabanas de Viriato, concelho de Carregal do Sal.

Trata-se de um palacete cuja arquitectura, de inspiração francesa, se insere no gosto das beaux-arts do segundo império, estilo característico dos finais do século XIX e que se destaca não só pelo eclectismo da arquitectura e pela imponência da fachada principal, mas principalmente pela memória do cônsul que a habitou e sacrificou os interesses pessoais em prol dos refugiados do holocausto.

Aristides de Sousa Mendes ocupava o lugar de cônsul de Portugal em Bordéus quando, no decorrer da Segunda Guerra Mundial, passou vistos a milhares de refugiados, permitindo-lhes fugir e sobreviver às perseguições de que eram objecto, tendo, inclusivamente, alguns desses refugiados sido albergados na Casa do Passal.(...)A relevância deste imóvel a nível nacional, não só em termos arquitectónicos mas também histórico-sociais, faz dele um lugar de memória, justificando-se, assim, a sua integral salvaguarda."

Para mais informações, sobre a sessão comemorativa, carregue neste Link .

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Otto von Habsburg morreu

equipa MVASM (www.expresso.pt)
13:55 Terça feira, 5 de julho de 2011

Otto von Habsburg estava destinado a ser rei da Áustria, da Hungria, da actual República Checa, da Croácia, da Eslovénia, da Eslováquia, e da Bósnia-Herzegovina. No entanto, as convulsões e as guerras na Europa, assim o não permitiram e, em 1961, renuncia a todas as suas pretensões monárquicas e declara-se "um leal cidadão da república".

1940 - Fragmento de um visto de trânsito emitido por Aristides de Sousa Mendes
1940 - Fragmento de um visto de trânsito emitido por Aristides de Sousa Mendes
Mémorial de la Shoah - Musée Centre de Documentation Juive Contemporaine

Nascido em 1912, Franz Joseph Otto Robert Maria Anton Karl Max Heinrich Sixtus Xavier Felix Renatus Ludwig Gaetan Pius Ignatius, designado como arquiduque Otto, filho do Imperador Carlos I, trazia a promessa de um grande futuro à Casa Real.

No entanto, com a Primeira Grande Guerra dá-se o desmembrar do império austro-húngaro e a família real é obrigada a exilar-se, na Madeira, durante algum tempo. Otto tinha, então, sete anos.

O tempo vai passando e a restauração da monarquia na Áustria e na Hungria parecia cada vez mais distante. É, em 1938, com a anexação da Áustria pela Alemanha nazi que terminam as expectativas de uma possível restauração.

A família von Habsburg está, novamente, a caminho do exílio; primeiro a Bélgica e, depois, a França. Mas, com a ocupação da França pelos nazis e a assinatura do armistício, os von Habsburg são obrigados, em Junho de 1940, a escolher, mais uma vez, um novo país de acolhimento.

Portugal foi o destino eleito e, com os vistos passados por Aristides de Sousa Mendes, então cônsul de Portugal em Bordéus, os vários membros da família real conseguem chegar salvos ao nosso país, onde permanecem por vários anos.

Após o final da guerra, Otto von Habsburg viria a viver, durante vários anos, em França e em Espanha. Em 1971, é eleito deputado europeu, pelo partido da direita bávara - o CSU, ocupando o cargo durante vinte anos, até 1999.

Otto von Habsburg morreu a 4 de Julho de 2011, com 98 anos.

O MVASM através deste blogue, presta-lhe homenagem pela forma como, ao longo dos anos, contribuiu para a divulgação do acto de Aristides de Sousa Mendes.

Fonte: RTP - Rádio Televisão Portuguesa

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Só tenho um plano!

equipa MVASM (www.expresso.pt)
18:48 Quinta feira, 30 de junho de 2011

9.12.1940 - Excerto de uma carta escrita por Oscar R. Stabler ao seu irmão. Óscar, de origem alemã, reside em Lisboa, na Praça Duque de Terceira e já estabeleceu variados contactos com o objectivo de contribuir para a vitória da Alemanha.

Levantamento da Planta de Lisboa: 1904-1911
Levantamento da Planta de Lisboa: 1904-1911
Gabinete de Estudos Olisiponenses da Câmara Municipal de Lisboa

Meu querido irmão. É frequente em mim ser atacado pela febre de escrever e, quando isso acontece, tenho que escrever e geralmente grandes cartas. Continuo à espera que tu respondas à minha última carta. Segundo parece, não tens tempo de tratar dos teus interesses particulares e, só cuidas do teu trabalho.

Da Lina recebi, em Lisboa , uma carta, sabes, ela estava zangada comigo por te ter dirigido a minha última carta. Mas não tem razão nenhuma, pois que me aconteceu como a um artista a quem acode uma inspiração e essa inspiração foi escrever a ti. Que queres, as mulheres são mais sensíveis do que nós homens e, por isso, temos que as desculpar. Quanto mais nós as estudamos menos as conhecemos. Deus sabe quanto tempo e dinheiro me tem custado o estudo desta cadeira!

(...)

A última vez que estive em Lisboa encontrei um senhor que conhece o Friedrich, conheceram-se, segundo creio, numa grande bebedeira. Sempre o mesmo velho gordo.

Naquilo que me diz respeito estou sempre bem. O vencimento melhorou, estou satisfeito e bem-disposto. Como homem solteiro não tenho desgostos e deixo tudo seguir à vontade de Deus. Formar planos, hoje em dia, é disparate e dispêndio de energia. Ninguém sabe como terminará esta guerra e disso depende muito se não, tudo. Como muitos outros, desejo que a guerra acabe breve para que as pessoas possam retomar a sua vida habitual. Quem não deseja isso?

Momentaneamente, só tenho um plano, que é encontrar-me, depois de amanhã, à noite, às 10, 10H30 com uma rapariga que tem a figura de Vénus de Milo e a cara de Marlene Dietrich, muito esperta mas que me toma por um autêntico americano (por razões especiais). O divertido é quando estou com ela me quer ensinar alemão, tenho que me dominar para não me desmanchar.

Entretanto, é uma hora da noite, tanto que por hoje tenho de terminar o meu capítulo. (...) A ti meu querido irmão, desejo um futuro muito risonho, sorte militar e um Natal feliz. Muitas saudades do teu irmão Oscar.(...)

Fonte: Arquivo Nacional da Torre do Tombo

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Fracassou o sistema de racionamento!

equipa MVASM (www.expresso.pt)
18:33 Quinta feira, 23 de junho de 2011

Relatório semanal da P.V.D.E. sobre a situação internacional e interna de Portugal, onde se descreve sobre a situação em Espanha.

Nota de 1 peseta, em circulação em 1943
Nota de 1 peseta, em circulação em 1943
www.photaki.com

12.04.1943 - Transcrição de um excerto de um relatório semanal escrito pela P.V.D.E.:

(...) Espanha

Monarquia - o Duque de Alba continua a ser o mais activo agente da propaganda da restauração; diz-se que além do apoio da Inglaterra teria conseguido algumas promessas favoráveis da parte de Hitler e Mussolini.

Espalhou-se que Indalecio Prieto , antigo chefe socialista exilado no México, teria escrito uma carta para alguém de Bilbao, onde se declara que a única solução para o problema da união dos espanhóis seria a restauração da monarquia e por entender que dentro desse regime é possível o avanço social capaz de melhorar a vida do proletariado; faz, ainda, outras considerações nessa carta - dizem - que demonstram muita habilidade política.

De qualquer forma, porém, nota-se um crescente ambiente favorável a essa restauração, talvez, também, devido à imperiosa necessidade de mudar a situação que tem piorado e que traz o povo fatigado; aumentaram as dificuldades de vida, fracassou o sistema de racionamento e voltou o "straperlo ", vendo-se a grande massa impossibilitada de adquirir os produtos de primeira necessidade o que chega a causar verdadeiro desespero a alguns.

Há, portanto, o desejo de uma salvação que se começa a encarar que só será possível com a monarquia. (...)

Fonte: Arquivo Nacional da Torre do Tombo

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