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Chef Tiger

Chef Tiger. O prazer de complicar o que é simples

Haverá tarefa culinária menos complexa do que grelhar um pequeno peixe? À primeira vista, não. Capturado o referido espécime, basta recorrer ao poder do fogo e a coisa está resolvida. Claro que é fácil, e é bom precisamente por ser fácil. Mas qual é o problema de complicar um pouco?

Imaginemos então que as sardinhas acabaram de sair do barco que as tirou do mar e repousam agora num prato cobertas de sal. Não é preciso escondê-las, basta que pareçam saídas de um leve nevão. O cenário de inverno é o ideal para desconstruir o prato preferido do verão. Estão, pois, os peixes cobertos de neve e, ai ao lado, já estala o carvão, que se quer bem encarnado e quente. Aquece a grelha, dourada como o peixe, onde os pimentos se vão transformando no aconchego. Quando a sardinha se aproxima, o importante é manter a calma - a mesma que deve sentir ao ler a próxima frase, uma espécie de conselho que nada diz: o peixe ao lume não deve ficar muito tempo nem pouco. Atente da forma do peixe. Se começar a enrolar, já passou demasiado. O conselho que se segue é mais útil: ignore a cabeça da sardinha assada no prato, faça um corte um pouco abaixo das guelras e outro junto ao rabo e, de seguida, retire o lombo passando a faca junto à espinha. O resto já se sabe: uma fatia de pão e um copo de cerveja.

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