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Gráfico animado: Saiba como são feitas as armas nucleares

Numa altura em que EUA e Rússia concordam reduzir os seus arsenais nucleares, conheça em pormenor o processo de extracção e enriquecimento do urânio.

Os EUA e Rússia apelaram ontem, dia 19, a todos os países que sigam o seu exemplo e tomem ações para um desarmamento global e um mundo sem armas nucleares.

Os embaixadores dos antigos rivais juntaram forças no debate na Assembleia Geral das Nações Unidas para realçar a assinatura, a 8 de abril, do novo tratado START (sigla em inglês para Tratado de Redução de Armas Estratégicas).

O novo START reduzirá os arsenais nucleares norte-americano e russo para nível inéditos desde a década de 60.

Russos e americanos a uma só voz

O embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, apelou a todas as nações, "sem exceções, desde logo as que têm arsenais nucleares, para que juntem esforços com a Rússia e os EUA e contribuam ativamente para o processo de desarmamento".

"Estamos convencidos de que apenas através de esforços coletivos podemos conseguir um desarmamento efetivo e um mundo sem nuclear", disse.

A embaixadora norte-americana, Susan Rice, encorajou todos os países a aproveitarem o atual momento para fazerem "progressos reais" no desarmamento e no uso pacífico da energia nuclear, a propósito da próxima revisão quinquenal do Tratado de Não Proliferação Nuclear, que decorrerá em Nova Iorque de 3 a 28 de maio.

Num movimento inusitado, Rice e Churkin divulgaram uma nota na quarta feira a anunciar que interviriam na sessão de abertura do debate sobre desarmamento e segurança mundial. Esta conjugação "reafirma o nosso compromisso para a eliminação das armas nucleares", afirmaram.

Nova era

O novo tratado START, assinado em Praga pelos presidentes norte-americano, Barack Obama, e russo, Dmitry Medvedev, assinala um acentuado desanuviamento nas relações russo-norte-americanas.

Se for ratificado pelos parlamentos dos dois Estados, o tratado levará à redução das ogivas para 1550, cerca de um terço abaixo do atual limite de 2200.

Churkin, durante o seu discurso de hoje, disse que o novo tratado "apregoa a transição para um nível elevado de cooperação entre a Rússia e os EUA no desarmamento e na não proliferação" e estabelece as fundações para "novas relações na área estratégica e militar".

Rice classificou a assinatura como "um marco principal" e disse que correspondeu a uma promessa de Obama para dar passos concretos para um mundo sem armas nucleares.

"A nossa intervenção conjunta, hoje, aqui, é um sinal da muito reforçada relação entre as nossas duas nações - uma relação baseada na franqueza, na cooperação e no respeito mútuo", acrescentou.

O apelo de Obama

Na cimeira de 47 Estados promovida e acolhida por Obama na passada semana, Medvedev e outros líderes mundiais responderam ao apelo do presidente norte-americano para a segurança de todos os materiais nucleares, em todo o mundo, no prazo de quatro anos.

Os EUA e a Rússia também completaram um acordo, há muito adiado, sobre o destino de toneladas de plutónio das armas do tempo da Guerra Fria.

Rice disse que os EUA "trabalharão para reverter a disseminação das armas nucleares e reforçar o ambiente com vista à sua eliminação" na conferência que se realiza no próximo mês para rever o Tratado de Não Proliferação.

Este tratado, de 1968, considerado o marco dos esforços globais de não proliferação, destina-se a prevenir a disseminação de armas atómicas para além dos cinco Estados que a possuíam então - China, EUA, França, Reino Unido e Rússia.

Requer aos seus signatários que não procurem alcançar a arma nuclear em troca de um compromisso daqueles cinco Estados nucleares de evoluírem para o desarmamento e garantirem o acesso à tecnologia nuclear que permita a produção de energia nuclear para fins pacíficos.

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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