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Gráfico animado: 50 dias que abalaram o Irão

Muito contestada nas ruas, a reeleição do Presidente Mahmud Ahmadinejad, a 12 de Junho foi confirmada oficialmente pelo guia supremo iraniano, o ayatollah Ali Khamenei.

Junho

dia 12: O Presidente cessante, o ultraconservador Mahmud Ahmadinejad, e o principal rival, o conservador moderado Mir Hossein Mussavi, reivindicam ambos a vitória nas presidenciais, que registaram uma participação sem precedente (85%).

dia 13: A anunciada vitória de Ahmadinejad (63% dos votos contra 34% para Mussavi) provoca o protesto dos partidários de Mussavi, que se manifestam, denunciando irregularidades. As manifestações, ainda que proibidas, multiplicam-se e levam a confrontos com as forças de segurança. Início de uma vaga de detenções, que afectam sobretudo figuras da corrente reformadora.

dia 19: O guia supremo, o ayatollah Ali Khamenei, declara que "o povo escolheu quem queria" como Presidente do Irão e exige que se pare com as manifestações.

dia 20: Milhares de manifestantes desafiam o poder em Teerão. As forças de segurança intervêm. Dez mortos e mais de 100 feridos. Neda Agha-Soltan, uma jovem morta a tiro, torna-se símbolo da contestação. Mussavi critica implicitamente o guia supremo por ter validado a reeleição de Ahmadinejad.

dia 21: Teerão denuncia as "ingerências" de Washington e de Londres.

dia 23: Expulsão de dois diplomatas britânicos em Teerão e de dois iranianos em Londres.

dia 26: O Presidente norte-americano, Barack Obama, declara-se "indignado" com a repressão.

dia 28: Nove funcionários iranianos da embaixada do Reino Unido são detidos durante alguns dias.

dia 29: O Conselho dos Guardiães da Constituição confirma a reeleição de Ahmadinejad. Mussavi mantém o pedido de novas eleições.

Julho

dia 9: A polícia dispersa uma concentração que assinalava as manifestações estudantis de 1999.

dia 17: O ex-Presidente Akbar Hachemi Rafsandjani afirma que "se perdeu" parcialmente a confiança dos iranianos.

dia 25: Primeiro revés para Ahmadinejad com a demissão do primeiro vice-presidente Esfandiar Rahim Mashaie, cuja nomeação tinha provocado o protesto dos conservadores.

dia 26: Dois ministros críticos de Mahmud Ahmadinejad deixam o governo.

dia 28: Ahmadinejad apela à libertação dos manifestantes que não são alvo de acusações graves. Em 2000 detidos, mais de 250 continuam presos, 50 dos quais são personalidades políticas. Um novo balanço dos mortos nas manifestações indica três dezenas, segundo um membro da Comissão parlamentar de Justiça.

dia 29: O ayatollah iraniano dissidente Hossein Ali Montazeri critica o poder após a morte de manifestantes na prisão. A imprensa noticia a morte de quatro pessoas que estavam detidas.

dia 30: O ex-Presidente reformador Mohammad Khatami denuncia os "crimes" contra os detidos. A polícia dispersa pela força uma concentração de milhares de partidários da oposição, registam-se 50 detenções.

dia 31: Ahmadinejad desmente qualquer tensão com Khamenei.

Agosto

dia 1: Abertura do julgamento de uma centena de manifestantes e de responsáveis reformadores no tribunal revolucionário de Teerão, marcado pelo arrependimento dos acusados.

dia 2: Continuação do julgamento. Os dirigentes da oposição Mohammad Khatami e Mir Hossein Mussavi criticam violentamente o processo.

dia 3: O guia supremo confirma oficialmente a reeleição de Mahmud Ahmadinejad.