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Misteriosas descobertas arqueológicas nos Açores

São dezenas de estruturas em pedra ou escavadas na rocha encontradas em várias ilhas dos Açores e estão a gerar polémica, porque parecem apontar para a presença humana no arquipélago muito antes da chegada dos portugueses.

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

A multiplicação de descobertas arqueológicas no Corvo, na Terceira e noutras ilhas dos Açores está a provocar polémica, porque parece indicar a presença de navegadores muitos séculos antes da chegada oficial dos portugueses, em 1427 (Diogo de Silves).

Celtas, fenícios, cartagineses, romanos podem ter passado pelo arquipélago, porque o regresso ao Mediterrâneo ou ao norte da Europa de qualquer barco que viajasse ao longo da costa africana teria de ser feito pela chamada volta do Atlântico, por causa da direção dominante dos ventos de nordeste.

Essa rota passava precisamente pelo grupo central das ilhas dos Açores e pelos seus dois melhores portos naturais: Angra do Heroísmo, na Terceira, e Horta, no Faial.

Faltam sondagens, escavações e datações por radiocarbono para se tirarem conclusões definitivas, mas se fosse provada a origem pré-portuguesa dos achados arqueológicos, a História teria de ser rescrita, tanto no que diz respeito à descoberta das ilhas como ao paradigma da navegação no Atlântico. 

Félix Rodrigues, professor catedrático da Universidade dos Açores, que descobriu e estudou em profundidade alguns destes achados, vai mais longe e afirma ao Expresso: "Seria a maior descoberta arqueológica da Europa dos últimos 100 anos".

Mapa da ilha do Corvo, com a localização dos achados arqueológicos. São cerca de 100 estruturas que parecem hipogeus (túmulos escavados na rocha) como os da região do Mediterrâneo
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Mapa da ilha do Corvo, com a localização dos achados arqueológicos. São cerca de 100 estruturas que parecem hipogeus (túmulos escavados na rocha) como os da região do Mediterrâneo

Sítio da Ribeira do Portal do Carro, no Corvo: dois dos supostos hipogeus descobertos em 2010 por arqueólogos da Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica (APIA)
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Sítio da Ribeira do Portal do Carro, no Corvo: dois dos supostos hipogeus descobertos em 2010 por arqueólogos da Associação Portuguesa de Investigação Arqueológica (APIA)

Arqueólogos da APIA estudam o interior dos supostos hipogeus do Portal do Carro. Várias estruturas deste tipo no Corvo estão tapadas por pedras, sendo necessário fazer escavações para as investigar
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Arqueólogos da APIA estudam o interior dos supostos hipogeus do Portal do Carro. Várias estruturas deste tipo no Corvo estão tapadas por pedras, sendo necessário fazer escavações para as investigar

Sítio da Ribeira da Fonte Fria, no Corvo: mais estruturas que parecem hipogeus noutra zona da ilha. As descobertas da APIA foram feitas em agosto de 2010 e de 2011
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Sítio da Ribeira da Fonte Fria, no Corvo: mais estruturas que parecem hipogeus noutra zona da ilha. As descobertas da APIA foram feitas em agosto de 2010 e de 2011

Caldeirão da ilha do Corvo, uma antiga cratera de um vulcão hoje transformada em lago, onde existem também achados arqueológicos numa pequena península chamada Cachimbo
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Caldeirão da ilha do Corvo, uma antiga cratera de um vulcão hoje transformada em lago, onde existem também achados arqueológicos numa pequena península chamada Cachimbo

Hipogeus da cultura Pantálica, na ilha da Secília, Itália. A Necrópole Rochosa de Pantalica tem mais de 5.000 túmulos dos séculos XIII ao VII antes de Cristo
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Hipogeus da cultura Pantálica, na ilha da Secília, Itália. A Necrópole Rochosa de Pantalica tem mais de 5.000 túmulos dos séculos XIII ao VII antes de Cristo

Mapa do Monte Brasil, no sul da ilha Terceira, baía de Angra de Heroísmo, com a localização dos achados arqueológicos.Há semelhanças com a cidade fenícia de Malaka (Málaga, Espanha)
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Mapa do Monte Brasil, no sul da ilha Terceira, baía de Angra de Heroísmo, com a localização dos achados arqueológicos.Há semelhanças com a cidade fenícia de Malaka (Málaga, Espanha)

Marina de Angra e Monte Brasil. A APIA diz que as caraterísticas arquitetónicas das estruturas encontradas e a sua localização nesta península demonstram funções de culto religioso
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Marina de Angra e Monte Brasil. A APIA diz que as caraterísticas arquitetónicas das estruturas encontradas e a sua localização nesta península demonstram funções de culto religioso

O Monte Brasil visto do lado oposto à baía de Angra, com a localização dos achados arqueológicos. A península é delimitada por dois portos naturais
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O Monte Brasil visto do lado oposto à baía de Angra, com a localização dos achados arqueológicos. A península é delimitada por dois portos naturais

Um dos supostos hipogeus do Monte Brasil, junto a uma estrada. Há seis como este que se encontram virados geograficamente para a mesma posição (oeste)
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Um dos supostos hipogeus do Monte Brasil, junto a uma estrada. Há seis como este que se encontram virados geograficamente para a mesma posição (oeste)

Há um núcleo de estruturas do tipo hipogeu no forte de São Diogo junto ao mar, no Monte Brasil. Esta da foto tem duas divisões e caraterísticas que parecem relacionadas com um culto religioso
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Há um núcleo de estruturas do tipo hipogeu no forte de São Diogo junto ao mar, no Monte Brasil. Esta da foto tem duas divisões e caraterísticas que parecem relacionadas com um culto religioso

Altar associado a canais para recolha de água, um de cada lado, dentro do que parece ser um hipogeu,localizado no Forte de São Diogo, Monte Brasil (Terceira), junto ao mar
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Altar associado a canais para recolha de água, um de cada lado, dentro do que parece ser um hipogeu,localizado no Forte de São Diogo, Monte Brasil (Terceira), junto ao mar

O conjunto principal dos aparentes hipogeus do Monte Brasil (Forte de São Diogo), parecem templos associados a banhos rituais, ao culto da água e da deusa cartaginesa Tanit
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O conjunto principal dos aparentes hipogeus do Monte Brasil (Forte de São Diogo), parecem templos associados a banhos rituais, ao culto da água e da deusa cartaginesa Tanit

As estruturas do Monte Brasil (Terceira) são em menor número mas muito maiores do que as da ilha do Corvo, porque pelas suas caraterísticas arquitetónicas aparentam ser espaços de culto religioso
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As estruturas do Monte Brasil (Terceira) são em menor número mas muito maiores do que as da ilha do Corvo, porque pelas suas caraterísticas arquitetónicas aparentam ser espaços de culto religioso

Os elementos arquitetónicos associados à água são uma constante nos supostos hipogeus do Monte Brasil. Aqui vê-se um canal que vai até à entrada do hipogeu
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Os elementos arquitetónicos associados à água são uma constante nos supostos hipogeus do Monte Brasil. Aqui vê-se um canal que vai até à entrada do hipogeu

Vista das escadinhas de acesso ao tanque ritual do que parece ser um hipogeu no Monte Brasil. Todas as estruturas desta zona têm a mesma planta trapezoidal
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Vista das escadinhas de acesso ao tanque ritual do que parece ser um hipogeu no Monte Brasil. Todas as estruturas desta zona têm a mesma planta trapezoidal

Nicho do mesmo hipogeu da foto anterior, que parece servir para uma estátua de divindade fenícia. As entradas de todos estes ditos hipoteus do Monte Brasil estão viradas para o Pico e São Jorge
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Nicho do mesmo hipogeu da foto anterior, que parece servir para uma estátua de divindade fenícia. As entradas de todos estes ditos hipoteus do Monte Brasil estão viradas para o Pico e São Jorge

Coluna com uma inscrição que parece do tempo do Império Romano (Terceira). Herbert Sauren, professor da Universidade de Lovaina, traduz por "Odroy, o Senhor dos deuses, o deus dos Dácios"
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Coluna com uma inscrição que parece do tempo do Império Romano (Terceira). Herbert Sauren, professor da Universidade de Lovaina, traduz por "Odroy, o Senhor dos deuses, o deus dos Dácios"

Decalque da inscrição da coluna, onde Antonio Colmenero, professor catedrático da Universidade de Santiago de Compostela, lê "OPELIO" e "MOC". Marco Opélio Macrino foi um imperador romano
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Decalque da inscrição da coluna, onde Antonio Colmenero, professor catedrático da Universidade de Santiago de Compostela, lê "OPELIO" e "MOC". Marco Opélio Macrino foi um imperador romano

Grota do Medo, Terceira: construções em pedra aparentemente megalíticas emergem na mata. Foram estudadas em detalhe por Félix Rodrigues, professor da Universidade dos Açores
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Grota do Medo, Terceira: construções em pedra aparentemente megalíticas emergem na mata. Foram estudadas em detalhe por Félix Rodrigues, professor da Universidade dos Açores

Anta Grande da Comenda da Igreja, Alentejo (2500-3000 a.C.). As semelhanças com a Grota do Medo são evidentes. Na Terceira, as supostas construções megalíticas espalham-se por 25 hectares
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Anta Grande da Comenda da Igreja, Alentejo (2500-3000 a.C.). As semelhanças com a Grota do Medo são evidentes. Na Terceira, as supostas construções megalíticas espalham-se por 25 hectares

Passagem na Grota do Medo: "Há perfeitamente identificadas nove construções megalíticas e mais de 20 pias escavadas na rocha impróprias para uso agrícola", afirma Félix Rodrigues
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Passagem na Grota do Medo: "Há perfeitamente identificadas nove construções megalíticas e mais de 20 pias escavadas na rocha impróprias para uso agrícola", afirma Félix Rodrigues

"Dowth Passage Grave", Irlanda, semelhante à passagem da Grota do Medo. "Este local parece religioso, de culto dos mortos, tal como na Irlanda", nota Félix Rodrigues
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"Dowth Passage Grave", Irlanda, semelhante à passagem da Grota do Medo. "Este local parece religioso, de culto dos mortos, tal como na Irlanda", nota Félix Rodrigues

Inscrição típica da Idade do Bronze final (1000 anos antes de Cristo) na Grota do Medo. Há centenas de inscrições incompreensíveis neste local
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Inscrição típica da Idade do Bronze final (1000 anos antes de Cristo) na Grota do Medo. Há centenas de inscrições incompreensíveis neste local

Cadeira de S.Patrício, Irlanda. "Os símbolos circulares da Grota do Medo são típicos da simbologia do Bronze final da fachada Atlântica que vai da Irlanda ao Norte de África", diz Félix Rodrigues
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Cadeira de S.Patrício, Irlanda. "Os símbolos circulares da Grota do Medo são típicos da simbologia do Bronze final da fachada Atlântica que vai da Irlanda ao Norte de África", diz Félix Rodrigues

Expedição britânica repetiu em 2008/10 com sucesso, na réplica de um barco fenício, a suposta primeira viagem de circum-navegação de África feita em 600 a.C., que terá passado pelos Açores
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Expedição britânica repetiu em 2008/10 com sucesso, na réplica de um barco fenício, a suposta primeira viagem de circum-navegação de África feita em 600 a.C., que terá passado pelos Açores