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Tradição: Diabo chocalheiro pede para o menino Jesus

Em Trás-os-Montes, o sagrado e o profano unem-se durante o Inverno. A figura do Chocalheiro de Bemposta é uma das mais fortes e, também, das tradições menos conhecidas. Saiu à rua no primeiro dia do ano.

Jorge Montez

Em Bemposta, o ritual do Chocalheiro começou por ser uma festa pagã ligada ao Solstício de Inverno. Hoje continua a ser um dos momentos altos da vida desta freguesia do concelho de Mogadouro paredes meias com o rio Douro, mas está dedicado ao Menino Jesus.

O cerimonial realiza-se em dois tempos. Quando o relógio bate a uma da madrugada do dia 1 de Janeiro alguém "manda" o direito de ser o Chocalheiro. O povo começa a juntar-se depois de brindar ao Ano Novo e a expectativa é grande. Vai-se fazer a "manda", ou o leilão que permitirá a alguém pagar a promessa que fez ao Menino Jesus de ser o chocalheiro.

Mesmo depois de arrematado este direito, só se saberá a sua identidade na tarde do dia seguinte. Quem "manda" fá-lo a mando de alguém.

Figura demoníaca para o povo, resquício do culto da Grande Mãe Terra para os antropólogos, a lenda diz que o Diabo tentou Nossa Senhora e por isso foi condenado a "apanhar" esmolas na terra.

Durante toda a manhã de 1 de Janeiro, o Chocalheiro percorre as ruas da aldeia - sempre a correr - e fazendo vénias para "apanhar" a esmola que será recolhida pelo mordomo e que será entregue à igreja local.

As "mandas" fazem-se no Natal e no Ano Novo. Em Bemposta, o povo está confiante que esta - ao contrário de outras - é uma tradição que não se irá perder.