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A não perder: Superlua como a desta noite só daqui a 18 anos

O céu limpo ou pouco nublado em todo o território do continente vai oferecer-nos esta segunda-feira à noite um espetáculo raro a não perder: uma Lua Cheia 14% maior e 30% mais brilhante do que o habitual

Carlos Paes

Carlos Paes

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Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

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Redator Principal

Às 17h49 em ponto venha para a rua, escolha um local confortável e olhe para o céu para observar a maior Superlua desde 1948 (há 68 anos), porque o céu vai estar limpo ou pouco nublado, pelo menos em todo o território do continente.

Chama-se Superlua porque o satélite natural da Terra estará efetivamente mais perto dela e, por isso, vai parecer maior do que o habitual. Essa hora é a melhor ocasião para assistir a um espectáculo que só se vai repetir com as mesmas caraterísticas dentro de 18 anos, a 25 de novembro de 2034.

É um momento raro e como a Lua estará próxima do horizonte, o seu nascimento fará com que o aumento do seu diâmetro, estimado pelos astrónomos em cerca de 14%, vá parecer ainda maior devido a uma ilusão de ótica. O céu não estará ainda totalmente escuro às 17h49, apesar de o Sol já ter desaparecido do horizonte às 17h22, mas o espetáculo vai certamente valer a pena.

Olhar para o horizonte na direção nordeste

O local ideal para se observar a Superlua é aquele que tenha o horizonte desimpedido na direção nordeste. No caso da capital, por exemplo, o Observatório Astronómico de Lisboa aconselha o Parque das Nações, junto à Torre Vasco da Gama, à beira do estuário do Tejo, um espaço muito aberto onde pode ver uma parte importante do céu noturno.

Uma Superlua ocorre quando a Lua se encontra simultaneamente em fase de Lua Cheia e a uma distância da Terra inferior a 110% do perigeu da sua órbita. Ou seja, quando os dois acontecimentos (instante de Lua Cheia e passagem no perigeu) estão desfasados de menos de um dia e oito horas. Em concreto, o diâmetro aparente de uma Superlua é entre 13% e 14% maior do que o de uma Lua Cheia no apogeu da órbita, com um consequente aumento de brilho entre 29% e 30%.

O perigeu acontece quando a Lua está mais próxima da Terra e o apogeu é o ponto da órbita da Lua mais distante da Terra. A ampliação aparente da Lua é tanto maior quanto mais próximo do perigeu acontece a Lua Cheia. Esta segunda-feira, além de se verificar um desfasamento pequeno entre os dois instantes, a distância da Terra à Lua no perigeu é pequena, sendo a menor ocorrida desde 1948. Este facto leva a um aumento extra de 1% no brilho e no diâmetro aparente do nosso satélite natural em relação a momentos em que a Superlua ocorre em perigeus mais afastados da Terra.

Mas globalmente o fenómeno não começa apenas ao fim da tarde. Com efeito, às 13h52 a Lua estará em fase de Lua Cheia, tendo passado pelo perigeu às 11h22 (a 356.508,987 quilómetros da Terra). Há, portanto, um desfasamento de 2h30 entre os dois acontecimentos.

Superlua extrema

E a conjugação de uma Superlua com desfasamento pequeno e perigeu mínimo leva à ocorrência de uma Superlua extrema, a maior e mais brilhante dos últimos 68 anos. A última vez que se aproximou tanto da Terra foi a 26 de janeiro de 1948, quando a fase de Lua Cheia aconteceu às 7h11 e atingiu o perigeu às 11h18, a “apenas” 356.460,526 quilómetros do nosso planeta (menos 48 quilómetros do que hoje).

Em 2034, vai ser possível observar outra vez uma Superlua extrema, mas ainda maior do que a desta segunda-feira, porque passará às 22h05 pelo perigeu a uma distância de 356.445,402 quilómetros da Terra (menos 63 quilómetros) e apenas 27 minutos mais tarde estará em fase de Lua Cheia. A conjugação dos dois fatores levará, aliás, à ocorrência de uma Superlua ainda maior do que a de 2016.

O espetáculo termina esta noite e madrugada, mas prolonga-se pela terça-feira, 15 de novembro, um dia de previsível céu completamente limpo em todo o território do continente, em que a Lua nasce às 18h40 e continuará a parecer maior do que o habitual.

No passado dia 16 de outubro houve a primeira Superlua deste ano, mas foi mais discreta. E a 14 de dezembro ocorrerá outra, com o perigeu mais distante da Terra em cerca de 2000 quilómetros do que esta noite. Em média, as Superluas acontecem quatro a seis vezes por ano.

Se quiser observar o fenómeno com explicações dos astrónomos, há iniciativas em diversos locais do país, como os Centros Ciência Viva. O Planetário do Porto – Centro Ciência Viva, por exemplo, com o apoio do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), promove uma sessão de observação da Lua esta segunda-feira, entre as 19h e as 21h, com a ajuda de um sistema de projeção digital.

  • Como fotografar a Superlua

    Algumas dicas para criar fotografias memoráveis da Lua, que hoje vai ficar muito mais próximo da Terra que o habitual.